O charme tranquilo de Monte Belo do Sul

Quem visita o Vale dos Vinhedos, na Serra Gaúcha, avista de longe as duas imponentes torres amarelas de 65 metros da Igreja Matriz de São Francisco de Assis.

Quem visita o Vale dos Vinhedos, na Serra Gaúcha, avista de longe as duas imponentes torres amarelas de 65 metros da Igreja Matriz de São Francisco de Assis, em frente a pracinha central de Monte Belo do Sul, num dos pontos mais altos da região. Não muitos turistas sobem a serrinha que leva à minúscula Monte Belo, jovem município de 2,8 mil habitantes, emancipado de Bento Gonçalves há cerca de uma década – certamente por desconhecimento das belezas do lugar. Uma pena. Porque, se Monte Belo ainda não integra o roteiro das principais atrações turísticas da Serra, possui uma das mais belas paisagens do Rio Grande do Sul. E conserva uma tranquilidade e uma autenticidade raras de se ver em qualquer região turística do mundo.

Monte Belo do Sul tem na uva e no vinho a base de sua economia. O município é, segundo a Aprobelo (Associação dos Vinicultores de Monte Belo do Sul), o maior produtor de uvas finas per capita do país – cerca de 16 toneladas por habitante ao ano. Por muito tempo, os cerca de 600 viticultores da região entregavam uvas para as grandes vinícolas da vizinhança. Ainda hoje, essa é a principal atividade de muitos produtores locais, já que as uvas de Monte Belo são consideradas muito boas para a elaboração de espumantes e vinhos tintos. Mas, aos poucos, alguns desses agricultores passaram a elaborar seus próprios vinhos, e hoje a Aprobelo congrega 11 pequenas vinícolas, de onde saem vinhos artesanais cada vez mais bem pontuados em concursos respeitáveis.

A confirmação da vocação de Monte Belo para a elaboração de vinhos finos veio no final do ano passado, com a conquista de uma Indicação Geográfica (IG) junto ao INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial). Monte Belo é a quarta região vitivinícola do país a ostentar um selo de Indicação de Procedência (IP), juntamente com o Vale dos Vinhedos (hoje Denominação de Origem, um degrau acima nas IGs do INPI), Pinto Bandeira e Altos Montes (Flores da Cunha e Nova Pádua).

O município produz principalmente uvas das castas Chardonnay, Pinot Noir, Riesling Itálico, Moscato (muito utilizadas para a elaboração de espumantes), Merlot, Tannat, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc. Com vinhedos localizados entre 350 e quase 700 metros de altitude, boa amplitude térmica no verão e solos argilosos adequados às variedades cultivadas, Monte Belo certamente vai se tornar mais conhecida a partir deste ano, com a chegada ao mercado de seus vinhos com o selo da Indicação de Procedência.

Entre as metas do prefeito Lírio Turri e do enólogo Antoninho Calza, presidente da Aprobelo, está a atração de projetos de infraestrutura turística, como pousadas, hotéis, restaurantes e cafeterias, para receber melhor os turistas. Algumas das pequenas vinícolas familiares locais, como a Calza, do próprio Antoninho, já recebem carinhosamente os visitantes, com degustações dos seus produtos. Um café deve ser inaugurado, em breve, em frente à praça principal, num prédio colonial restaurado. E a Matriz de São Francisco de Assis está muito bonita, com pintura e lustres novos.

Mas a tranquilidade da pequena cidade, com sua gente simples, que ainda pode ser vista nos finais de tarde sentada em cadeiras pelas calçadas, bebericando vinho e papeando, é uma das mais charmosas atrações da simpática Monte Belo do Sul.

Fotos: Isadora Guarnier

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