Conheça a história do pintobandeirense Moacir De Toni, motorista de caminhão há quase 55 anos

Moacir De Toni, conhecido por Titi, é um exemplo de amor ao trabalho. Aos 73 anos de idade é considerado o motorista mais velho de Pinto Bandeira. Há 53 anos é caminhoneiro e ainda desbrava as rodovias do país transportando cargas de frutas

A rotina de um motorista realmente não é nada fácil. Mas Moacir, que começou com 15 anos de idade, não gostava da colônia, sempre gostou de caminhão, ajudava a transportar barro na olaria do pai tem uma receita para driblar as dificuldades da profissão: o bom humor. Com 20 anos de idade, já com a carteira em mãos, começou a viajar para o São Paulo e para o Norte e foi neste momento que iniciava uma história de amor intenso ao que faz. Foi pioneiro a viajar para Manaus com o caminhoneiro e vizinho Isidoro Bigolin, 71 anos, hoje aposentado. Para De Toni, o melhor amigo dele é o caminhão “O segredo para eu estar na estrada há tantos anos é porque eu gosto muito do que faço. Caso contrário, não aguentaria. Eu gosto muito de caminhão. Pra mim, de fato, é uma paixão. Não sei quanto tempo ainda vou, um mês ou dois, ou dez anos. Enquanto eu não atrapalhar ninguém e não colocar a vida de ninguém em risco, eu continuo”, afirma.

Casado há 52 anos com Rosa Comiotto, tem duas filhas Gabriela e Sabrine e uma neta, Marina, diz que a família dá o maior apoio com a decisão de continuar dirigindo, mesmo com idade avançada. “Todos me apoiam. Eles têm satisfação de estarem comigo. Me querem muito bem e todos me gostam muito, embora se preocupem por viajar sozinho” diz. Ele viaja toda semana para São Paulo e de lá segue para o Nordeste. “Não temos uma raiz, estamos sempre em movimento, não temos lugar fixo. Chego a ficar 20 dias fora de casa. São 20 dias fora, então a saudade é constante” lembra De Toni que já chegou a ficar mais de 70 dias fora de casa. Conta que em todos esses anos sofreu apenas dois assaltos, em um levou uma facada e em outro um tiro. “Se eu puder, quero dirigir até os meus 80 anos. Eu estou pedindo a Deus que me dê muitos anos ainda. Tenho saúde e condições física e mental para dirigir”, brinca. De Toni revela que prefere dirigir à noite, já que tem menos movimento e que para ele não existe lugar ruim. “A estrada contribuiu para a minha vida. A amizade que se faz na estrada é muito grande, sempre estamos conversando com alguém, são todos amigos da gente”, diz o motorista, que completa: “A estrada é a minha vida, é minha alegria, tudo o que eu tenho conquistei com o meu trabalho. Nada cai do céu”, diz. “Ele motiva todos, muitas pessoas aprenderam a dirigir com ele e outros viajam juntos para conhecer lugares, todos que o conhecem acabam se apaixonando. Ele é excepcional e dedicado” diz a filha Gabriele. Foram vários modelos até chegar no caminhão que dirige hoje, um Mercedes 2425. O motorista ainda tem mais três carretas. “É impressionante a disposição que tem para trabalhar. Sua experiência com sua eficiência serve de exemplo para nós”, concluiu a filha mais velha Sabrine.

De Toni conta que em uma viagem que fez para o Rio de Janeiro foi procurado pela defesa civil para transportar mortos. “Fiquei abalado porque havia crianças mortas. Foi um deslizamento que aconteceu em Angra dos Reis e como estava a caminho fiz o frete” recorda.