Produtores da região adiam poda dos parreirais

Poucas horas de frio podem prejudicam a próxima safra. O receio dos agricultores é de que as geadas tardias prejudiquem a produção. Retardando o corte, esse risco pode ser reduzido, porém às poucas

As geadas de setembro de 2015, que ocasionaram perdas de até 70% na produção de uva, ainda estão bem vivas na memória dos produtores rurais da região. Dados do escritório regional da Emater indicam que mais de 80% dos agricultores que têm como carro-chefe a produção de uva e vinho, retardaram a poda das videiras em pelo menos uma semana. Geralmente o trabalho começa no início de agosto. O receio é de que o fenômeno se repita.

O Agricultor Antoninho Lorenzatti, da Linha 32, interior de Pinto Bandeira teve perdas na produção de uvas e pêssegos na geada que ocorreu no final de semana dos dias 12 e 13 de setembro de 2015. “Nunca vi uma geada tão forte em setembro, perdemos em torno de 50% da plantação da uva e 1500 enxertos de uva moscato gialo” lembra o produtor.

Os dias mais quentes em julho e agosto anteciparam a brotação das uvas precoces, como a chardonnay e algumas americanas para suco. É o caso da família Pauleti, que mora na Linha Nossa Senhora do Rosário interior de Monte Belo do Sul. Onecimo Pauleti, 47 anos, tem quatro hectares de parreirais
para podar, até a tarde da terçafeira só tinha feito a poda em 1.5
hectare. “Atrasamos o início da poda em uma semana. Isso representa 20 dias de atraso no início da colheita” explica Pauleti. “A torcida é para que as geadas não acontecem a partir de 15 de setembro. “Esse é o nosso maior medo” diz.
O produtor planta diversas variedades, chardonnay,concord, moscato, seibel, coder e rubia. Anualmente, sua safra tem produção de 90 a 100 mil kg de uva, neste ano chegou a 95 toneladas, sendo que 40% é vinífera e 60% para suco. Devido à grande variação de temperatura que vem ocorrendo, Pauleti teme que os resultados não sejam muito bons “As poucas horas de frio e as fortes oscilações na temperatura podem ser consideradas um sinal de que a safra não será cheia. Pode até ser boa, mas igual a do ano passado acredito que não será. No chardonnay, por exemplo, a falta de frio, tem sido solucionada através do uso de produtos químicos, para despertar a superação da dormência” explica. “As parreiras já estão começando a brotar, principalmente as de cultivar cedo. O problema é que se fizer frio e der geada, ela pode até brotar depois, mas sem a fruta”, afirma Pauleti. De acordo com o boletim mensal divulgado pela Embrapa Uva e Vinho que disponibiliza mensalmente os dados meteorológicos, em Bento Gonçalves, o mês de julho foi marcado por fortes oscilações na temperatura. Foram registradas 92 horas de frio (HF) abaixo de 7,2 °C, ao longo do mês, acumulando entre abril e julho o total de 171 HF. Outro destaque deste mês foi o baixíssimo volume de chuvas registrado, 29 mm, enquanto o esperado seria 161 mm. Quando se compara esse somatório com as horas de frio de junho de 2016, onde foram registradas 143 horas de frio abaixo de 7,2 °C, nota-se a diferença nas horas mencionadas pelos produtores e especialistas do setor.

Fotos: Marlove Perin

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