Centro Empresarial Bento Gonçalves inaugura celebrando a união

Prédio abrigará CIC-BG, Sindmóveis e Movergs, além de outras entidades representativas que já estão adquirindo salas para acolher suas sedes administrativas no complexo

A noite de 23 de novembro de 2017 está consolidada na história de Bento Gonçalves não só pela inauguração do Centro Empresarial, oficialmente apresentado à comunidade, e que reúne a sede de algumas das mais representativas entidades do município – mas, principalmente, pelo ideal de união e integração que concretiza. A abertura de suas portas assinala a chegada de um novo momento de associativismo em busca da consolidação de objetivos comuns – como o progresso e o desenvolvimento socioeconômico da região, contemplando todos os setores produtivos, geradores de riqueza, renda e empregos.

Projeto do Centro da Indústria, Comércio e Serviços de Bento Gonçalves (CIC-BG), em parceria com o Sindicato das Indústrias do Mobiliário de Bento Gonçalves (SINDMÓVEIS) e a Associação das Indústrias de Móveis do Estado do Rio Grande do Sul (MOVERGS), o prédio abrigará a sede de cada uma das três entidades, instituidoras da obra. Além dessas, o edifício acolherá, também ASCON, SEGH, SIMPLAV e SINDIBENTO, que já confirmaram a aquisição de salas no imóvel. O complexo, localizado na Rua Avelino Luiz Zat, 95, bairro Fenavinho, tem 5,2 mil metros quadrados de área construída, contando com quatro pavimentos que abrigarão área administrativa, salas e auditório para 700 pessoas, além de elevadores e garagem coberta. O investimento alocado no edifício, incluindo a aquisição do terreno onde está instalado, ultrapassa os R$ 17 milhões. A construção foi iniciada em dezembro de 2015 e oficialmente entregue no dia 31 de outubro deste ano.

Sua concretização é um momento emblemático porque mostra como o modelo do associativismo é vencedor, na opinião do presidente do CIC-BG, Laudir Miguel Piccoli. “Essa obra sintetiza a capacidade de união das lideranças locais em busca da realização de objetivos comuns. Ao cruzarem a porta de entrada nesse prédio, dia após dia, ano após ano, todos poderão perceber o quanto Bento Gonçalves tem a oferecer, como sua classe empresarial é repleta de exemplos de sucesso, que procuram estar sempre à frente, fazendo cada vez mais pela coletividade. Por isso, esse prédio é, acima de tudo, uma inspiração, mostrando que juntos podemos alcançar quaisquer objetivos, que temos a força empreendedora para vencer quaisquer obstáculos e, também, que Bento Gonçalves é uma cidade talhada para o sucesso”, disse Piccoli.

Também o presidente do Sindmóveis de Bento Gonçalves, Edson Pelicioli, reforça a importância do associativismo para um avanço sustentável da economia local. Segundo ele, não se trata de um discurso de intenções, mas de um valor atrelado à trajetória do Sindmóveis, que sempre buscou a convergência de esforços em seus projetos de apoio ao setor moveleiro. “É nos dias difíceis que percebemos o valor de uma representação empresarial coesa e fortalecida. Não são tempos de concorrer, mas tempos de colaborar. O mercado está sinalizando para a coletividade. As pessoas querem ver boas iniciativas e bons exemplos de trabalho íntegro”, conclamou em seu discurso.

Representando a união de ideais, convicções e trabalho acima de quaisquer aspirações particulares, o Centro Empresarial sintetiza o legado empreendedor, político e histórico que Bento Gonçalves recebeu e deixa para as novas gerações, de acordo com o presidente da Movergs, Volnei Benini. “Estamos entregando para nossa cidade um complexo com modernas instalações e tecnologia de última geração, resultado da união de esforços das entidades que representam o empreendedorismo da região”, disse.

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Obra de Bez Batti no novo Centro Empresarial de Bento Gonçalves celebra vitória do imigrante

São dois blocos de basalto que, somados, dão a dimensão de um homem – o homem italiano que na esperança de construir um novo mundo, veio, viu e venceu na distante América. Mas foi uma vitória forjada no sacrifício, o mesmo que o escultor João Bez Batti emprega em cada feição que faz brotar da rocha bruta encontrada na região. Por isso, a obra que vai ficar no átrio principal do Centro Empresarial que abriga a nova sede do Centro da Indústria, Comércio e Serviços de Bento Gonçalves (CIC-BG), do Sindicato das Indústrias do Mobiliário de Bento Gonçalves (Sindmóveis) e da Associação das Indústrias de Móveis do Estado do RS (Movergs) recebeu o sugestivo nome de “Vitória”. “Nessa escultura, era necessário representar a luta, a força e a coragem desse povo que aqui chegou cheio de esperança e, com muito trabalho, conseguiu essa grandeza que hoje as entidades representam”, comenta o artista.

“Vitória” é um trabalho simbólico de Bez Batti. Inicialmente porque trata-se, inexplicavelmente, de sua primeira obra pública na cidade. Depois, porque o próprio enxerga-se em “Vitória”. Filho de pai italiano, Bez Batti chegou a Bento Gonçalves em 1969, num gesto que repete seus ancestrais, a busca por novos horizontes. “Nós (ele e a mulher, Maria Shirley) fizemos parte dessa história. Chegamos desconhecidos e com muita vontade, aqui encontrei meu basalto da infância onde me criei (interior de Venâncio Aires), na margem do rio. Eu só sou escultor porque vim a Bento”, lembra. “Minha história é a história de Bento, aqui tudo deu certo”, compara.

A obra é composta de duas peças que, juntas, somam 1,70m de altura e mais de uma tonelada. No “corpo”, um grande bloco de 900kg em forma de coluna quadrada de 1,20mx0,50m, Bez Batti simbolizou a força e a união do imigrante por meio de dois traços cujas pontas se encaixam. Na cabeça, a figura de um homem dominando a natureza – assim como ele dominou as pedras. “Não podia ser um rosto comum, tinha que ser uma cabeça quase que insinuando dois rostos, saltando de dentro da pedra, um olhar distante, com um nariz forte”, explica.

A encomenda feita pelas três entidades, confessa o artista, lhe tirou o sono. O prazo exíguo, de 40 dias, fez com que ele não dormisse no dia em que recebeu o pedido – ele costuma fazer maquetes antes de atacar a pedra, mas neste caso fez o rascunho num pequeno pedaço de gesso, à ponta de faca. “Estava diante de uma responsabilidade muito grande, mas a vontade de fazê-la era maior e superei o medo”, conta Bez Batti, com a simplicidade que só os grandes artistas têm. Prestes a completar 77 anos, um dos maiores escultores brasileiros contempla sua mais nova obra, por ora instalada em seu jardim de pedra em São Pedro, sem saber como será a reação do público, mas com a certeza do que ela representa: “essa escultura é a nossa história”.

Fotos: Jeferson Soldi