Uso de herbicida 2,4-d acende sinal de alerta na viticultura da Serra Gaúcha

Você já ouviu falar no 2,4-D? Então, trata-se de um herbicida utilizado para controlar plantas daninhas, que acabam interferindo no desenvolvimento da lavoura por competirem pelos nutrientes, luz e água, presentes no solo. É muito utilizado na soja. Além do Brasil, mais de 70 países utilizam o produto atualmente. Entretanto, o que é bom para a soja, tem interferido em pomares e vinhedos, gerando prejuízos.
Desde 2015, o debate sobre o tema vem sendo levado pelo Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) junto com entidades ligadas a cadeia produtiva da uva, às esferas públicas pertinentes sem que uma solução efetiva ainda tenha sido tomada.
O diretor executivo da Fecovinho (Federação das Cooperativas Vinícolas do RS), Hélio Marchioro, diz que o herbicida “que de uma forma ajuda produtores a diminuir os impactos das ervas daninhas, tem trazido resultados nocivos à fruticultura”.
Ele destaca que são vários locais afetados, especialmente no Noroeste e Campanha Gaúcha. Cidades como Bagé, Dom Pedrito, Santo Ângelo, Criciumal, Tucunduva, entre outras, já são registrados ataques.
Mas um núcleo que está sendo mais afetado é a região de Jaguari. “Lá tem uma histórica produção de colônia italiana e pequenas cantinas já fecharam. Temos ainda uma cooperativa resistindo (Cooperativa Agrária São José), que está tendo que importar uvas de outras regiões, porque os produtores não conseguem mais produzir”, acrescentou Hélio.
Outro ponto preocupante, é que 30% do agrotóxico no País são contrabandeados. Muitos produtores estão intoxicando o solo sem se dar conta, conforme ainda levantamento das entidades.

Serra
Hélio Marchioro diz que o problema já chegou na Serra Gaúcha. Em localidades como São Marcos, Vacaria, Campestre da Serra, Ipê, Antônio Prado, onde já se produzem hortigranjeiros e soja, é necessário tomar uma atitude séria.
“Os hortigranjeiros estão usando 2,4 D como herbicidas. Imaginem como está evoluindo para um lado que chega direto no alimento e na mesa. Está sendo usado não só na soja, mas em vários outros produtos”, disse ainda.
Debate Estadual
Existe no Estado o Fórum Gaúcho de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos (FGCIA) – iniciativa do Ministério Público Federal no Rio Grande do Sul (MPF/RS), do Ministério Público do Trabalho (MPT) e do Ministério Público do Estado (MP/RS) – que realiza encontros com a sociedade para discutir os impactos do uso de agrotóxicos na saúde.
A Promotora Annelise Monteiro Steigleder, da Promotoria de Justiça em Defesa do Meio Ambiente do Rio Grande do Sul, lembrou que já tramita “na Promotoria de Justiça de Bagé, desde 2015, um inquérito civil direcionado aos municípios de Hulha Negra e Candiota, onde já foram constatados danos ambientais”, comentou.
O inquérito foi remetido para o Estado, onde a Promotoria já inclusive discutiu o assunto com o próprio Ibravin e Secretaria Estadual da Agricultura.
“Ainda não se sabem os impactos, há necessidade de um aprofundamento técnico no sentido de tentarmos estabelecer normativas mais rígidas. Ainda não temos um posicionamento firmado de quais seriam estas medidas”, reforçou a promotora.
Ela encerrou dizendo que “em curto prazo não sem tem uma providência. Em médio prazo penso que vamos consensualmente tentarmos uma melhoria no âmbito da regulamentação”, encerrou.
Fonte: Felipe Machado – Central de Jornalismo da Difusora