Primavera – Estação que começa neste sábado será de chuva acima da média

Há risco acentuado para transtornos no Rio Grande do Sul

A estação que se inicia amanhã seguirá o mesmo panorama dos últimos meses, ou seja, a primavera deve ser chuvosa em toda a Região Sul. O acumulado no Estado deve ser acima da média, em comparação com os anos anteriores. Esse fenômeno ocorre pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, caracterizando um padrão do fenômeno El Niño. Em todo o sul do país será uma época de muita instabilidade.

A primavera será, novamente, muito chuvosa e não muda para o verão. Isso porque com o aquecimento do oceano, a formação de temporais é mais frequente — projeta a meteorologista Juliana Resende, da Somar Meteorologia.

Risco de alagamentos
Além disso, os elevados volumes durante os três meses da estação trazem risco acentuado para transtornos no Rio Grande do Sul, segundo a meteorologista. Há potencial para transbordamento de rios, deslizamento de encostas, granizo e alargamentos. A chuva ocorrerá de maneira frequente em todo o território gaúcho. Com isso, as temperaturas não devem ultrapassar os 20°C, um pouco abaixo da máxima típica da estação (em torno de 23°C).

A primavera pode ter um evento El Niño fraco este ano, ocasionando um aumento na chuva prevista para os próximos três meses. É o que aponta o boletim mais recente do Conselho Permanente de Meteorologia Aplicada do Estado do Rio Grande do Sul (Copaaergs), referente aos meses de setembro, outubro e novembro.

Segundo análises climáticas, a temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial permanece mais alta que o normal, o que configuraria as condições ideais para o surgimento de um evento El Niño fraco. Por isso, os agricultores devem tomar precauções para a probabilidade de um período de chuvas acima da média nos próximos três meses.

Orientações técnicas
Trigo
Monitorar a lavoura quanto à ocorrência de doenças, em função do prognóstico de chuvas acima da média, em setembro, outubro e novembro; Providenciar a revisão das colhedoras, em especial, do sistema de distribuição da palha.

Arroz
Dentro do possível, dar continuidade à adequação das áreas destinadas à lavoura para a próxima safra, principalmente às atividades de preparo e sistematização do solo e drenagem, para possibilitar a semeadura na época recomendada pelo zoneamento agrícola, de forma a aproveitar melhor a radiação solar e evitar as temperaturas baixas no período reprodutivo da cultura;
Para as semeaduras do cedo, entre o mês de setembro até meados de outubro, quando a temperatura do solo é baixa, atentar para que a profundidade de semeadura não seja superior a 2 cm, a fim de evitar redução no estande de plantas e a consequente desuniformidade no estabelecimento inicial da cultura;
Tendo em vista a ocorrência de El Niño, com probabilidade de chuvas acima do normal durante a primavera, atentar para drenagem após a semeadura da lavoura, para evitar prejuízos no estabelecimento inicial, caso ocorra excesso de precipitações;
Atentar para possível ocorrência de baixa luminosidade, que reduz a resposta da cultura para a adubação nitrogenada;
Ter cuidados especiais com o possível aumento na incidência de doenças, devido às prováveis condições meteorológicas favoráveis à sua ocorrência.

Feijão
Escalonar a época de semeadura e, se possível, utilizar mais de uma cultivar, respeitando o zoneamento agrícola;
Fazer inoculação das sementes;
Realizar a adubação em cobertura, preferencialmente antes da ocorrência de chuvas ou quando o solo apresentar disponibilidade de água adequada.

Milho
Implantar áreas de refúgio quando usar sementes com eventos transgênicos;
Escalonar a semeadura para diminuir a possibilidade de coincidir o período crítico da cultura (do início da floração até grão leitoso) com as épocas de maior demanda evaporativa;
Fazer adubação em cobertura, preferencialmente antes da ocorrência de chuvas, utilizando fontes de nitrogênio com menores perdas por lixiviação e volatilização;
Realizar a semeadura quando a temperatura do solo, a 5 cm de profundidade, estiver igual ou acima de 16°C.

Soja
Planejar a semeadura de acordo com o zoneamento agrícola;
Escalonar a época de semeadura da soja em função dos grupos de maturação, diversificando cultivares de diferentes grupos.

Hortaliças
Evitar irrigação em excesso e não irrigar em dias nublados. Quando necessário irrigar, proceder pela manhã. Usar cobertura morta e dar preferência à irrigação por gotejamento;
Recomenda-se a produção de mudas em ambiente protegido, para garantir sua qualidade;
Em ambientes protegidos (túneis e estufas), proceder à abertura o mais cedo possível;
Dar ênfase ao monitoramento de doenças, principalmente daquelas favorecidas pelo molhamento da parte aérea ou excesso de umidade no ar e/ou no solo.

Fruticultura
Promover o manejo da vegetação em pomares com coberturas verdes, de forma que propicie a cobertura morta na projeção da copa das frutíferas para proteger o solo;
Usar o raleio de frutas como prática indispensável;
Considerando a possibilidade de chuvas acima da média, elaborar um bom planejamento fitossanitário, especialmente contra doenças fúngicas;
Fazer adubação em cobertura, preferencialmente antes da ocorrência de chuvas, utilizando fontes de nitrogênio com menores perdas por lixiviação e volatilização.

Forrageiras
No manejo de plantas forrageiras, promover a manutenção da cobertura de solo e de boa disponibilidade de forragem, por meio de cargas animais moderadas;
Escalonar os períodos de plantio/semeadura das forragens cultivadas no verão utilizando mudas/sementes de alto vigor;
Fazer silagem de cultivos e pastagens de inverno/primavera, visando garantir maior disponibilidade de alimento no verão para as categorias de rebanhos mais exigentes.

Fonte: Secretaria da Agricultura RS