Sistemas de irrigação das videiras na primavera

É preciso estudar as formas corretas de irrigação das videiras, principalmente na estação vigente, a primavera.

Antes de escolher a modalidade certa, é preciso entender que o sistema de irrigação é feito com base nas infiltrações verticais e horizontais da água. Com ele, é possível melhorar a umidade ou corrigi-la de acordo com o clima vigente. Para os solos mais argilosos ou argilo-arenoso, por exemplo, com avanço horizontal ou infiltração lateral maior que 80 cm, o agricultor poderá escolher entre: irrigação por gotejamento (a partir de um ponto de emissão de água) ou irrigação por sulco (faixa úmida de solo). Já para solos arenosos, que possuam uma infiltração vertical superior a 15mm/h, é preciso escolher um sistema de irrigação que disperse a água através do ar, como a aspersão ou a microaspersão. Agora, se na propriedade o solo tem tendência à compactação, quando manejados úmidos, o sistema de irrigação precisa ser escolhido com cuidado, para que não ocorra uma quantidade de umidade maior que a ideal.

Irrigação por Aspersão
O sistema de irrigação por Aspersão possui pequenas variações, que são a forma com que a água atinge à planta, podendo ser por cima, por baixo, atingindo o caule em seu centro ou em estruturas circulares, os famosos sprinklers utilizados na irrigação de jardim.

A Irrigação por Aspersão proporciona uma liberdade ao posicionar as mangueiras de irrigação, pois os canos devem ser utilizados a favor da planta ali cultivada. Esse sistema possui uma alta taxa de evaporação, além de consumir grandes quantidades de energia. No entanto, dispensa o uso de filtros e não necessita de manutenção constantemente.

Foto: Irrigação por microaspersão em videiras conduzidas em latada

Irrigação por Microaspersão
A Irrigação por microaspersão garante uma maior eficiência em comparação com a aspersão, pois os canos devem ser instalados a cada duas plantas. Os filtros utilizados nas mangueiras de irrigação da microaspersão são os filtros de discos, mais simples e que não necessitam de associação aos filtros com areia. Com suas tubulações suspensas, fica mais fácil proteger o cano de danos como enxadas e até mesmo evitando que seja pisoteado.

O maior problema com esse tipo de irrigação é que, caso não seja instalado o filtro adequado, pode haver a entrada de insetos, entupindo um cano e prejudicando todo o sistema.

Irrigação por Gotejamento
Ideal para uma produção de frutas e vegetais, pois ele é um sistema de baixa vazão onde a água é depositada por um tempo maior. Com o gotejamento, a perda de água por evaporação é reduzida, proporcionando um melhor aproveitamento.

Foto: Irrigação por gotejamento (mangueira com micro-furos)

A instalação precisa ser feita perto das raízes, principalmente se for uma plantação menor. Sua vantagem está em não lavar os nutrientes presentes no solo e poder utilizar fertilizantes associados à água, iniciando assim o processo de fertirrigação. Contudo, os fertilizantes químicos podem causar danos na plantação, recomenda-se o uso de adubos orgânicos para melhorar a qualidade da produção.

Como Decidir a Irrigação Ideal?
Essas formas de irrigação são simples e de fácil acesso no país, mas, para escolher entre elas o agricultor precisa ter cuidado, pois pode prejudicar a cultura por irriga-la de forma errada.

Para saber a frequência de irrigação, bem como a quantidade de água que deve ser aplicada, é preciso levar em conta fatores como o tipo de planta, as características do solo, a topografia e o clima local, a capacidade de armazenamento de água e o tamanho da área que deve ser irrigada.

O período ideal para irrigação é durante a manhã, pela baixa evaporação. Irrigar no período noturno pode desencadear a presença de fungos, adoecendo a plantação.

A Irrigação é Fundamental para uma Produção Orgânica
A agricultura orgânica no país vem crescendo a cada dia e saber utilizar a irrigação à seu favor faz com que o agricultor poupe mais tempo e, principalmente, dinheiro. O sistema de irrigação certo garantirá uma planta mais saudável o ano todo, aumentado sua produtividade e qualidade final.

Um sistema sustentável deve saber como reaproveitar a água disponível no ambiente e deve utilizar de forma consciente. A agricultura orgânica não envolve somente a pureza de seus produtos finais, mas também a sustentabilidade do ambiente como um todo.

Sistema de Irrigação e suas vantagens

Aspersão
– Baixa manutenção;
– Programável;
– Não necessita de filtros;
– Ideal para grandes áreas;
– Irrigação localizada.

Microaspersão
– Filtros de disco;
– Posicionamento a cada duas plantas;
– Canos protegidos pela suspensão da tubulação.

Gotejamento
– Baixa vazão e alta frequência;
– Não elimina os nutrientes do solo;
– Pode ser associada com a fertirrigação;
– Menor taxa de evaporação.

Pluviometria também interfere na escolha da irrigação ideal
Considera um dos elementos mais importantes na viticultura, a Pluviometria é a quantidade de chuvas que cai numa região. É medida pela altura em milímetros, da água acumulada em um copo especialmente graduado para esse fim. 1mm de chuva equivale a 1 litro de chuva por metro quadrado. Os dados podem ser apresentados, por dia, por mês ou por ano, para efeito comparativo com outras épocas ou regiões.

As videiras, por exemplo, são culturas bastante resistentes à seca, por isso, em certas regiões do país é possível produzi-las sem irrigação, pois sua demanda varia conforme o tipo de solo, sua cobertura, quantidade e intensidade das chuvas e o número de dias/horas que elas ocorrem. Contudo, há muitas regiões vinícolas que recebem menos chuvas do que o ideal para a videira, por isso, a solução encontrada pelos produtores é o uso da irrigação para compensar a escassez. Para termos uma ideia, uma videira com falta de água entra em estresse hídrico e, consequentemente, produz uvas menores, com casca mais grossa. Isso resulta em uma redução na produção, mas também pode proporcionar vinhos com maior concentração de sabor e cor. Por isso, em lugares com pouca chuva, a irrigação é importante, mas deve ser feita com restrição. Vinhedos que recebem muita água se tornam desfavoráveis à produção de bons vinhos. Além de melhorias na qualidade da uva e da bebida, o uso moderado e racional da água representa uma economia, proporcionando maior rentabilidade ao vinicultor.