A realidade e a esperança no definitivo

Foto: Pe. Luiz Antonio Mascarello, CP. Pároco e Reitor

A plenitude última se alcança no encontro com Deus. Na teologia, a escatologia, trata das realidades últimas da pessoa, da humanidade e do mundo. A realidade última é o que é definitivo e manifesta o máximo daquilo que cada pessoa pode alcançar: o encontro com Deus. É olhando a pessoa de Jesus que cada um de nós vê aquilo que é chamado a ser. Jesus é

a imagem perfeita do futuro do ser humano, pois Nele a humanidade reencontrou a sua ori-gem em Deus.

O futuro do ser humano é Deus pelo fato de que Nele temos nossa origem, Gn 1,27. Fomos criados por Deus e o nosso fim Nele está. Entre o início e o fim há, porém, um longo caminho… Caminho que cabe a cada um de nós tracejarmos.

Toda a experiência do Povo de Deus é uma constante busca de um futuro melhor. Abraão deixa tudo pela promessa de Deus. No meio do sofrimento, a fé na justiça de Deus faz com que se desenvolva no meio do povo a certeza de que, mesmo que os sofrimentos deste mundo pareçam invencíveis, a última palavra é de Deus. Neste contexto nasce a esperança da ressurreição (1Mac 7), como forma de recompensa para os que morrem por causa de Deus e de sua justiça.

No tempo de Jesus, a esperança que mantém vivo o povo dos pobres que sofre é a de que Deus vai enviar seu ungido para realizar Seu Reino.

Nós somos criaturas de Deus e por isso a nossa existência tem um começo e um fim. A morte é uma separação dolorosa, principalmente quando for alguém próximo. A morte nos lembra de que o que realizamos nesta vida está feito, é o fim da peregrinação terrena, é o tem-po da graça e da misericórdia. Na fé cremos que, pela participação na ressurreição de Jesus Cristo, nossa vida continua em Deus.

“A morte põe termo à vida do homem, enquanto tempo aberto à aceitação ou à rejei-ção da graça divina, manifestada em Jesus Cristo” (Catecismo da Igreja Católica, nº 1021).

Jesus enquanto redentor do mundo tem o pleno direito de nos julgar, pois ‘adquiriu’ este direito por sua Cruz e o seu julgamento é para a salvação. Portanto, sempre é tempo para mudarmos de vida e enveredarmos nos caminhos do Senhor.

A morte é o último evento da vida humana neste mundo. Ela não é o fim, mas o ponto de intercessão entre a existência no mundo e a vida definitiva em Deus. No Credo rezamos: “cremos na ressurreição da carne e na vida eterna”. A fé em Jesus ressuscitado nos dá essa certeza. Ele foi o primeiro. Como os discípulos foram enviados para anunciar o Cristo ressus-citado, assim também nós somos chamados a dar testemunho de Jesus Cristo.

Pe. Luiz Antonio Mascarello, CP.

– Pároco e Reitor –