Chuva afeta colheita e preço da uva na Serra

Grau de açúcar está baixo devido à umidade das três primeiras semanas do ano e podridão tem atingido algumas variedades de uva

O produtor colheu até o momento 45 mil quilos de uva

Diego Balbinot cultiva oito hectares de vinhedos e cultivas as variedades, Riesling, Seibel, Coder, Bordo, Isabel, BRS Magna, BRS Violeta e Niágara.

O teor de açúcar das variedades de uva colhidas neste início de safra ficou abaixo dos 15 graus na escala babo, conforme relata o agricultor de Monte Belo do Sul, Diego Balbinot, que cita a BRS Magna foi mais afetada com 12 graus. No total o produtor cultiva oito hectares de vinhedos e cultivas as variedades, Riesling, Seibel, Coder, Bordo, Isabel, BRS Magna, BRS Violeta e Niágara. “Nos produtores estamos muito preocupados. Colhi com grau 12, 13 e 14. Em um ano bom, pode a té passar de 15, atingindo 16, 17, e até 18, como eu já lembro de ter visto — diz o produtor.
Com isso, o valor que as cantinas pagam aos produtores é reduzido em relação à tabela do preço mínimo, que estabelece o grau 15 como referência. Diego se diz preocupado porque o agricultor acaba não sabendo qual o preço que vai obter diante desse quadro.
Essa situação tem ocorrido por conta da falta de sol e muita chuva, como ocorreu nas primeiras três semanas de janeiro. Fora o teor de açúcar mais baixo, outro problema relatado pelo agricultor é o de que, com mais umidade, as uvas ficam mais frágeis e a casca rompe, fazendo com que a fruta apodreça.
O pior é que não há o que fazer em relação ao problema do teor de açúcar, porque depende essencialmente do tempo, que precisa ser seco e com luz do sol. O agrônomo Ênio Todeschini, da Emater Serra, explica que não há uma técnica viável para contornar a situação. “ Poderia ser utilizada a cobertura plástica, mas isso ficaria muito caro” diz.
Com isso, resta esperar que a partir de agora que o tempo fique mais firme. Na última semana, mais dias de sol já fizeram com que a uva colhida tivesse uma qualidade um pouco melhor, segundo Todeschini. É que, com mais sol, a parreira transpira mais, e o açúcar dentro da uva fica mais concentrado.
Ele acrescenta que, no caso das uvas Bordô e Niágara, na maior parte da região da Serra elas começaram a ser colhidas justamente nesta última semana. No geral na região, as variedades mais afetadas, segundo ele, foram Violeta, Concord (ou Francesa, utilizada para fazer suco), e também Pinot Noir, Chardonnay e Riesling.
Preço da uva tem reajuste de 12% no preço mínimo para a safra de 2019
O valor mínimo da uva terá uma aumento na safra de 2019. O menor preço da fruta industrial será de R$ 1,03. O índice foi apresentado em proposta da Companhia Nacional de Abastecimento, (CONAB), e aprovado pelo Conselho Monetário Nacional, (CMN). O mesmo tem vigência para as regiões Sul, Sudeste e Nordeste. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União e é válido de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2019.