Agricultores da Serra já estão colhendo as primeiras uvas da safra

Variedades precoces Vênus Niágara são colhidas em áreas mais baixas da região

O produtor Gilnei Luiz da Silva cultiva 5,5 hectares de vinhedos Fotos: Marlove Perin

Agricultores da Serra Gaúcha já estão colhendo as primeiras uvas da safra 2019/2020. É a variedade precoce Vênus, cultivada em áreas mais quentes da região, nos vales, próximo aos rios. Essa uva é sem sementes e para consumo in natura. Ela não serve para a indústria fazer vinhos ou sucos.
Em Monte Belo do Sul, na localidade Santo Isidoro, o produtor Gilnei Luiz da Silva cultiva 5,5 hectares de vinhedos. A colheita da Niágara começou nesta semana e a cultivar Vênus os produtos só possui alguns pés para consumo próprio. Segundo Gilnei, embora essa variedade seja um pouco menos saborosa do que a uva Niágara, mais conhecida e cuja colheita vem logo depois, a Vênus compensa justamente nessas regiões mais quentes porque ainda não há outras uvas da safra no mercado. E o clima junto aos rios favorece. “É difícil de dar geada. A gente consegue produzir cedo. Essas uvas precoces valem a pena sim “afirma. Ele comenta que a variedade Vênus tem bom sabor, mas precisa ser colhida no ponto certo, madura. Se passar do momento de colher, mesmo que pouco, pode estragar, já que é uma uva sensível. O produtor explica que as uvas para consumo in natura valem a pena porque o produtor ganha mais do que com as uvas para a indústria, não ficando sujeito ao preço pago pelas cantinas nas uvas destinadas à produção de bebidas.


Com relação à safra de um modo geral, Gilnei acredita que poderá ficar num patamar semelhante ao do último. Segundo ele, um dos fatores desfavoráveis do clima neste ano foi a quantidade excessiva de chuvas, o que expõe mais as uvas às doenças, provocando perdas.
Conforme o agrônomo especialista em fruticultura da Emater/Serra, Ênio Todeschini, a previsão é que a safra em geral fique dentro da média, considerando todas as variedades, tanto in natura quanto voltadas à indústria. Isso corresponde a 780 mil toneladas para a Serra e 860 mil toneladas para o Estado “Houve muita chuva e pouca radiação solar em outubro e em metade do mês de novembro. Com isso, aconteceu uma considerável queda de flores e bagas. Ou seja, não houve pegamento, que é a transformação das flores em frutas. Porém, as que permanecem têm grande capacidade de compensação, pois crescem mais “. explica.