Estiagem já deixa 90 municípios em situação de emergência no Rio Grande do Sul

O produtor Giovani Bombassaro que teve perdas na variedade Bordo Foto: Giovani Bombassaro

Pouco mais de três semanas desde a divulgação do primeiro boletim sobre os municípios que decretaram situação de emergência no Estado devido à estiagem, o número subiu de 14 cidades, no dia 9 de janeiro, para 90 localidades, segundo o último levantamento da Defesa Civil.
No total, 103 municípios já detêm o status de emergência, sendo 13 deles com registro no Sistema de Integrado de Informações sobre Desastres (S2ID).
A Defesa Civil informa que já distribuiu 36 reservatórios móveis, com capacidade de 4,5 mil litros, para 23 cidades. Segundo o boletim diário divulgado pelo órgão, as chuvas dos últimos dias proporcionaram melhorias localizadas, mas não suficientes para alterar a situação da estiagem no Rio Grande do Sul, que deverá permanecer até o começo de março.
O Município Santa Tereza decretou na terça-feira, 14, Situação de Emergência. O documento número 1.181/2020 foi emitido, devido à estiagem que afetou a localidade, causando perdas e danos consideráveis na agricultura e no abastecimento de água, principalmente no interior.
Conforme o prefeito Gilnei Fior, a quebra na safra da uva, do milho e das hortaliças, após levantamento realizado pela Emater, está estimada em 40%, o que ocasionará um prejuízo superior a R$ 7 milhões. Já os danos sofridos nos equipamentos de abastecimento de água potável e os investimentos necessários para o transporte de água por caminhão-pipa chegarão próximos aos R$ 20 mil. “Todos os produtores foram atingidos, uns mais outros menos, seja na produção de uvas, nos hortifrutigranjeiros, ou com a falta de água potável para as residências”, lamenta.
Ainda de acordo com ele, algumas variedades de videira mais tardia tendem a se recuperar um pouco com as chuvas que ocorreram recentemente, mas as plantações de milho, mandioca e hortaliças foram praticamente todas perdidas e precisarão ser replantadas.
Em Monte Belo do Sul alguns produtores estavam preocupados com a falta de chuva e as altas temperaturas que prejudicam o desenvolvimento pleno dos cachos da fruta. Um exemplo foi o produtor Giovani Bombassaro que teve perdas em um hectare na variedade Bordo. Segundo ele, a falta de chuva murchou os cachos, mesmo sem estarem totalmente maduros, ocasionado perdas.

Choveu e amenizou, mas estiagem ainda preocupa produtores da Serra
Na sexta-feira, dia 10, a Comissão Interestadual da Uva esteve reunida com sindicatos e produtores rurais, em Garibaldi, a fim de pensar estratégias frente à seca que tem castigado não apenas a uva, mas diversas culturas em lavouras na Serra Gaúcha e Campos de Cima da Serra.
Entre os principais propósitos do encontro, além da esperança por chuva, foi o interesse por negociar com os bancos a prorrogação das parcelas dos financiamentos e pedir ao governo federal a redução de juros no próximo Plano Safra, que hoje é de 4,6%. A estimativa de uma safra, ainda no ano passado, estava entre 580 e 600 milhões de quilos na Serra. No entanto, depois do encontro, Cedenir Postal, presidente da Comissão Interestadual da Uva, afirmou:
– Acho que não chega nos 500 milhões de quilos – disse Postal, confirmando que a perda da uva estava estimada em 30%.
No entanto, no final do dia, ainda na sexta-feira, a chuva veio, trazendo certo alívio para os produtores. Em Caxias do Sul, entre a sexta-feira e o sábado, choveu 40mm. Já Bento Gonçalves e Vacaria tiveram cerca de 30mm de precipitação. A maior média no mesmo período, foi em Bom Jesus, com mais de 90mm. Os dados são do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
“Como eu venho dizendo, na última semana, a cada dia sem chuva os problemas se agravam. Essa chuva trouxe alívio, mas há algumas variedades de uva, que mesmo com essa precipitação toda, não vão ser recuperadas. Recebi hoje (13 de janeiro) fotos de produtores que me mostraram parreirais mortos, que não tem mais como recuperar” explica Postal.

Chuvas
As chuvas ocorridas atenuaram parcialmente a situação de déficit hídrico que a cultura do milho enfrenta no Estado e favoreceram a evolução para as fases de maturação e colheita na maioria das regiões produtoras do Rio Grande do Sul. De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar, em parceria com a Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), as lavouras de milho estão 15% em germinação e desenvolvimento vegetativo, 12% em floração, 25% em enchimento de grãos, 26% maduro e 22% do total já foram colhidos.
Uva – Na regional de Caxias do Sul, estão em plena colheita as variedades superprecoces Chardonay, Riesling, Pinot Noir, Concord e Isabel precoce e inicia a das variedades de ciclo precoce, como Niágara e Bordô. A maioria dessas variedades apresenta cacho de tamanho bem menor que o tradicional, bagas mais finas e cachos ralos. As duas primeiras características derivam da deficiência hídrica e forte radiação solar, e a última é consequência do excesso de chuvas e da baixa radiação solar em outubro e novembro, período do estádio de florescimento. São fatos positivos tanto a excelente sanidade das bagas quanto o bom grau de açúcar. As chuvas das últimas semanas estancaram o avanço de murchamento de brotos e bagas, o secamento e a perda de folhas e brotos. As cultivares de ciclo médio e tardio apresentam maturação forçada e bastante adiantada; mas mesmo com o retorno das chuvas, não haverá tempo para recuperação do calibre das bagas. Principal uva de mesa da região, a Niágara rosada, vem sendo fortemente ofertada pelos viticultores, mesmo com baixa qualidade, a fim de reduzir perdas e aliviar as plantas. Tal fato derrubou a precificação da fruta. Os preços médios na propriedade para as uvas de mesa são os seguintes: americanas sem proteção a R$ 2,00/kg, Niágara protegida a R$ 5,00 e uvas finas a R$ 10,00/kg.

Boletim de Alerta Mosca-das-Frutas: redução de custos, manejo adequado e rapidez na tomada de decisão

Foto: Alexandre Frozza

Redução de custos com agroquímicos, informações sobre o momento de controle e rápida tomada de decisão. Essa é a avaliação final do Sistema de Alerta Mosca-das-Frutas nos pomares de pêssego na Serra Gaúcha da safra 2019/ 2020.
Para Marcos Botton, entomologista e chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Uva e Vinho, “o sistema de alerta é um passo importante para a segurança do alimento e a rastreabilidade. É uma ferramenta para os produtores que estão implementando as boas práticas agrícolas visando a segurança do alimento proporcionando um produto sem inconformidades em termos de resíduos, porque a população da mosca é influenciada por diversos fatores como condições climáticas e estádios fenológicos do pessegueiro”.
Giseli Boldrin Rossi produz pêssegos e uvas em Nova Pádua, RS e conseguiu uma redução de custos com os inseticidas quando não houve população de moscas nas armadilhas do pomar: “neste ano, como tínhamos monitoramento, toda semana que não apresentava população, era uma semana sem o uso do inseticida. Isso significou uma redução no custo de produção, e tranquilidade, pois ficamos sem o medo da mosca atacar”.
Além do alerta indicando a quantidade de moscas no pomar, o Boletim também trazia dicas sobre outros possíveis agentes bióticos e abióticos que pudessem danificar a cultura. A produtora Giseli confirma o interesse pelas dicas: “tivemos semanas de muita chuva que veio o alerta para bacteriose. Nas semanas mais secas foi emitido alerta sobre os ácaros e assim funcionou muito bem. E realmente se confirmou. Esses alertas de possíveis doenças que poderiam estar surgindo na própria semana auxiliaram muito com a aplicação dos produtos certos para tratamento”.
Além de ser utilizado pelos produtores, o Boletim também foi utilizado por técnicos no interior do estado. Jéssica Zalamena, técnica em agropecuária, extensionista rural da Emater/RS-Ascar em Cotiporã, RS, confirma o uso do Boletim junto aos produtores para divulgar os números de moscas nos pomares e discutir sobre a tomada de decisão no manejo dos pomares. No município a sugestão de algumas famílias é expandir o uso do Boletim para frutas cítricas.
O boletim do Sistema de Alerta Mosca-das-Frutas é uma parceria da Embrapa Uva e Vinho com a Emater/RS-Ascar. Enio Ângelo Todeschini, engenheiro agrônomo, extensionista rural da Emater/RS-Ascar considera essa ferramenta muito importante para os extensionistas, para a pesquisa e para os produtores: “É o terceiro ano em prática e estamos ampliando e fazendo de tudo para manter funcionando o Sistema. É um instrumento que contribui com a racionalização do uso de agroquímicos e com a segurança do alimento”.

Sobre o Sistema de Alerta Mosca-das-Frutas na Serra Gaúcha
Desde 2017, a Embrapa Uva e Vinho (Bento Gonçalves, RS) e a Emater/RS-Ascar tem expandido o sistema de monitoramento da mosca-das-frutas nos pomares de pêssego na Serra Gaúcha. Nesta safra, além de monitorar os municípios de Bento Gonçalves, Farroupilha, Pinto Bandeira e Veranópolis, atendendo ao pedido dos produtores, o Sistema chegou a Caxias do Sul, Cotiporã, Nova Pádua e São Marcos. Esses municípios são responsáveis por 90% da produção de frutas de caroço (pêssego e ameixa) para consumo in natura do estado. O Sistema conta com a parceria do IFRS-Campus Bento Gonçalves e das Secretarias Municipais de Agricultura, contando com a participação de 40 produtores e duas estações de pesquisa, nas quais são realizadas o monitoramento da praga.
O monitoramento é realizado de agosto a janeiro durante a safra por uma equipe técnica de pesquisadores e extensionistas que se reúnem para avaliar os dados coletados e fazer indicações para o manejo mais adequado no período. Semanalmente são elaborados boletins com dicas e orientações para uso correto das ações de controle, posteriormente enviados a representantes da cadeia produtiva regional.
O que é o sistema de alerta?
Iniciado na safra 2010/2011 pela Embrapa Clima Temperado (Pelotas, RS) na região de Pelotas, o “Sistema de Alerta para monitoramento da mosca-das-frutas” é um projeto que agrupa um conjunto de estratégias para manejo do inseto-praga nos pomares de pêssego. O monitoramento é realizado durante o ano inteiro, mas no período da safra uma equipe técnica de pesquisadores, extensionistas, produtores, representantes da indústria e demais parceiros se reúnem para avaliar os dados coletados e fazer indicações para o manejo mais adequado no período. Semanalmente, são elaborados boletins com dicas e orientações para uso correto das ações de controle, posteriormente enviados a representantes da cadeia produtiva regional. Desde 2017, o trabalho também passou a ser realizado na Região da Serra Gaúcha, com foco nos pomares de frutas de caroço, como pêssego para mesa e ameixa.
Região de Pelotas
A cultura do pessegueiro é uma das principais cadeias produtivas de Pelotas, Canguçu, Morro Redondo, Piratini e Cerrito, municípios localizados no Sul do Rio Grande do Sul. O pêssego é cultivado em cerca de 2 mil propriedades, de até 10 hectares, envolvendo cerca de 6 mil pessoas. Em termos de processamento, são 13 indústrias que, juntas, produzem cerca de 95% do pêssego em calda do Brasil – cerca de 50 milhões de latas. Ao todo, as indústrias geram cerca de 7 mil empregos diretos e 3 mil indiretos na região.
Serra Gaúcha
Desde 2017, a Embrapa Uva e Vinho (Bento Gonçalves, RS), com o apoio da Emater/RS-Ascar, expandiu o programa para a Serra Gaúcha. Nesta safra, além de monitorar os municípios de Bento Gonçalves, Farroupilha, Pinto Bandeira e Veranópolis, atendendo ao pedido dos produtores, o sistema chega a Caxias do Sul, Cotiporã, Nova Pádua e São Marcos. Esses municípios reunidos são responsáveis por 90% da produção de frutas de caroço (pêssego e ameixa) para consumo in natura do estado). O trabalho ocorre em parceria com a Emater/RS-Ascar e conta com a participação de 40 produtores e duas estações de pesquisa, nas quais são realizadas o monitoramento da praga.

Chuvas recuperam de forma parcial lavouras de milho, que segue em colheita

Foto: José Schafer na região de Santa Rosa

As chuvas ocorridas atenuaram parcialmente a situação de déficit hídrico que a cultura do milho enfrenta no Estado e favoreceram a evolução para as fases de maturação e colheita na maioria das regiões produtoras do Rio Grande do Sul. De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (23/01) pela Emater/RS-Ascar, em parceria com a Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), as lavouras de milho estão 15% em germinação e desenvolvimento vegetativo, 12% em floração, 25% em enchimento de grãos, 26% maduro e 22% do total já foram colhidos.
Na regional administrativa da Emater/RS-Ascar de Ijuí, que corresponde a 10% da área cultivada com milho no Estado, ainda que a umidade no solo tenha retornado, não foi possível a recuperação das lavouras em estágio fisiológico avançado de final de ciclo. À medida que a colheita avança, a produtividade das lavouras tem sido menor, em consequência da falta de água nos estágios críticos. Apesar disso, o produto colhido tem apresentado boa qualidade.
Na região de Santa Rosa, onde 60% do milho estão colhidos, a produtividade teve pequena queda em função da baixa umidade do solo, que atingiu lavouras em plena floração e formação inicial do grão. Com a melhora das condições de umidade do solo, foi iniciada a semeadura para o cultivo da segunda safra (milho safrinha) nas áreas colhidas. As chuvas da semana frearam as atividades de colheita e os produtores buscam a retirada do produto da forma mais célere possível, para liberar as áreas também para a semeadura da soja safrinha. A boa produtividade obtida e os preços com tendência de elevação devem possibilitar boa rentabilidade da cultura nesta safra.
SOJA – O cultivo da soja no RS alcançou a totalidade da área prevista para a safra 2019/2020, que é de 5.956.504 hectares. Das lavouras implantadas, 48% se encontram em desenvolvimento vegetativo, 39% em floração e 13% na fase de enchimento de grãos. Na regional administrativa da Emater/RS-Ascar de Santa Rosa, que corresponde a 11,8% da área de soja no Estado, o desenvolvimento das lavouras ainda é satisfatório, mesmo com as condições de falta de umidade e de altas temperaturas nas últimas semanas. As chuvas recuperaram parcialmente as lavouras, apesar de já haver perdas, sobretudo nas Missões.
Na regional de Ijuí, o retorno das chuvas influenciou a emissão de folhas novas, de ramos laterais e o aumento da floração. Em geral, as plantas apresentam tamanho menor do que o ideal, com índice foliar abaixo do esperado e potencial produtivo comprometido devido à estiagem. Os índices de redução do potencial produtivo são diferentes conforme a localização das lavouras, o período de semeadura e o ciclo das cultivares. No Corede Alto Jacuí é onde se identificam as maiores reduções de produtividade. Até o momento, há baixa incidência de pragas.
ARROZ – Atualmente no RS 62% das lavouras estão em germinação/desenvolvimento vegetativo, 26% em floração, 11% em enchimento de grãos e 1% em maturação. Em geral, a lavoura mantém bom desenvolvimento. Na regional da Emater/RS-Ascar de Bagé, onde 90% das lavouras encontram-se em estágio de florescimento, as chuvas na semana (50 mm) auxiliaram no manejo da água nas lavouras e na reposição dos mananciais. Em Quaraí, as lavouras de arroz apresentam bom estande de plantas, sem incidência de problemas de pragas e doenças. Os produtores têm realizado ajustes sistemáticos na irrigação, de modo a assegurar água para todo o ciclo. Já na região de Soledade, as chuvas ocorridas ainda não são suficientes para repor os volumes dos mananciais. As lavouras mais adiantadas no ciclo da cultura seguem recebendo tratos culturais. Já nas áreas semeadas com restrição de umidade do solo, há falhas devido à germinação desuniforme. Em geral, as lavouras se mantêm com bom estado fitossanitário.
Na região de Santa Maria, 85% das lavouras estão na fase de desenvolvimento vegetativo e 15% em floração. Os produtores que contam com reservas de água não sofreram os efeitos da estiagem, prevendo inclusive superior qualidade de grãos. Já aqueles que tiveram problemas, atrasaram o plantio em função das chuvas ocorridas na primavera; foi o que ocorreu em Cacequi, onde 30% dos 11 mil hectares do município foram semeados após o período recomendado. Tal medida fará com que a fase de floração ocorra entre fevereiro e março, quando há menor insolação e maior risco de temperaturas noturnas baixas, condições que podem vir a comprometer a produtividade e a qualidade dos grãos a serem colhidos.
FEIJÃO 1ª SAFRA – Na regional da Emater/RS-Ascar de Ijuí, a cultura está na fase final de colheita, com produtividade média de 25 sacos por hectare. As últimas lavouras colhidas apresentaram redução de produtividade, mas ainda boa qualidade dos grãos. Na de Santa Rosa, 95% da área já está colhida, e a produtividade média é de 1.200 quilos por hectare. Os produtores aguardam até o final de janeiro para o plantio da segunda safra (safrinha); dessa forma, o ciclo da cultura atingirá as fases de floração e enchimento de grãos em março, quando a tendência é de temperaturas amenas e de regime regular de precipitações. Já na região de Frederico Westphalen, 10% das lavouras estão na fase de enchimento de grãos e 90% já foram colhidas. Os grãos colhidos apresentam boa qualidade. A produtividade média tem se mantido em 1.800 quilos por hectare.
OLERÍCOLAS
Cebola – Na regional de Pelotas, o clima seco de dezembro e janeiro favoreceu a colheita e a cura da cultura, resultando em produto com ótima casca e cor, qualidades distintivas para a comercialização do produto. A colheita foi praticamente concluída, e a comercialização da cebola está bastante lenta, principalmente pelo preço baixo ofertado ao produtor.
Batata – Na região de Caxias do Sul, 25% da área implantada de 10.300 hectares está colhida ou pronta para colheita; o restante da área se divide em estádio reprodutivo e crescimento vegetativo. Há perdas na produção devido ao déficit hídrico, ao estresse térmico e à forte insolação, refletindo-se no tamanho das batatas e na esvalorização do produto.
FRUTÍCOLAS
Uva – Na regional de Caxias do Sul, estão em plena colheita as variedades superprecoces Chardonay, Riesling, Pinot Noir, Concord e Isabel precoce e inicia a das variedades de ciclo precoce, como Niágara e Bordô. A maioria dessas variedades apresenta cacho de tamanho bem menor que o tradicional, bagas mais finas e cachos ralos. As duas primeiras características derivam da deficiência hídrica e forte radiação solar, e a última é consequência do excesso de chuvas e da baixa radiação solar em outubro e novembro, período do estádio de florescimento. São fatos positivos tanto a excelente sanidade das bagas quanto o bom grau de açúcar. As chuvas das últimas semanas estancaram o avanço de murchamento de brotos e bagas, o secamento e a perda de folhas e brotos. As cultivares de ciclo médio e tardio apresentam maturação forçada e bastante adiantada; mas mesmo com o retorno das chuvas, não haverá tempo para recuperação do calibre das bagas. Principal uva de mesa da região, a Niágara rosada, vem sendo fortemente ofertada pelos viticultores, mesmo com baixa qualidade, a fim de reduzir perdas e aliviar as plantas. Tal fato derrubou a precificação da fruta. Os preços médios na propriedade para as uvas de mesa são os seguintes: americanas sem proteção a R$ 2,00/kg, Niágara protegida a R$ 5,00 e uvas finas a R$ 10,00/kg.
MORANGO – Na regional de Pelotas, onde são cultivados 50 hectares, segue a colheita do morango cultivado em canteiros e no solo. Os frutos apresentam tamanho menor devido ao calor e à radiação solar intensa. A colheita das cultivares de dias curtos foi encerrada. Produtores intensificam os manejos de limpeza das plantas e iniciam o preparo das áreas para plantio das mudas para o novo ciclo, que deverá ser implantado com mudas importadas da Espanha.
OUTRAS CULTURAS
Erva-mate – Na regional de Erechim, segue a colheita, com produtividade média de 600 arrobas por hectare. Na de Soledade, a estiagem atrasou o crescimento da erva-mate, mas os ervais iniciaram a recuperação com a volta de chuvas regulares. No entanto, o maior problema está nos plantios e replantios realizados em função da morte de mudas; em alguns locais, chegou a mais de 50% delas. Na regional de Passo Fundo, a área implantada com a cultura é de 1.110 hectares, com produção anual de em torno de 11.700 toneladas de folha verde. Os principais municípios produtores são Nova Alvorada, Machadinho e Capão Bonito do Sul. Agricultores realizam monitoramento e controle de pragas, manejo da cobertura de solo e adubação. A colheita ocorre normalmente. No entanto, neste período os ervais estão em brotação, reduzindo o processo de industrialização, que passará a normalizar a partir de março.
PASTAGENS E CRIAÇÕES
Com a continuidade das chuvas ocorridas na semana, os campos nativos e as pastagens cultivadas retomaram seu desenvolvimento, propiciando melhores condições de pastejo para os animais. As pastagens cultivadas perenes se recuperam e aumentam a produção de massa verde mais rapidamente do que os pastos nativos. As áreas destinadas à fenação têm apresentado um bom rendimento.
PISCICULTURA – No geral, o volume de água dos açudes é satisfatório, mas ocorrem alguns casos de deficiente oxigenação da água, em consequência das altas temperaturas. O desenvolvimento dos peixes é bom, e as despescas realizadas têm bons resultados. Vários açudes ainda estão sendo povoados para a produção de peixes destinados à comercialização da Semana Santa.
PESCA ARTESANAL – A pesca de Camarão está ocorrendo normalmente e com boa produtividade na Lagoa do Peixe. Em alguns dias da semana, os ventos fortes ocorridos no litoral dificultaram a prática da pesca artesanal marinha. O camarão capturado na Lagoa do Peixe está sendo comercializado a R$ 15,00/kg com casca e entre R$ 45,00 e R$ 60,00/kg descascado. Na regional de Porto Alegre, as espécies de pescado artesanal marinho mais capturadas e vendidas foram Papa-Terra e Pescada, a preços em torno de R$ 10,00/kg.