Boletim de Alerta Mosca-das-Frutas: redução de custos, manejo adequado e rapidez na tomada de decisão

Foto: Alexandre Frozza

Redução de custos com agroquímicos, informações sobre o momento de controle e rápida tomada de decisão. Essa é a avaliação final do Sistema de Alerta Mosca-das-Frutas nos pomares de pêssego na Serra Gaúcha da safra 2019/ 2020.
Para Marcos Botton, entomologista e chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Uva e Vinho, “o sistema de alerta é um passo importante para a segurança do alimento e a rastreabilidade. É uma ferramenta para os produtores que estão implementando as boas práticas agrícolas visando a segurança do alimento proporcionando um produto sem inconformidades em termos de resíduos, porque a população da mosca é influenciada por diversos fatores como condições climáticas e estádios fenológicos do pessegueiro”.
Giseli Boldrin Rossi produz pêssegos e uvas em Nova Pádua, RS e conseguiu uma redução de custos com os inseticidas quando não houve população de moscas nas armadilhas do pomar: “neste ano, como tínhamos monitoramento, toda semana que não apresentava população, era uma semana sem o uso do inseticida. Isso significou uma redução no custo de produção, e tranquilidade, pois ficamos sem o medo da mosca atacar”.
Além do alerta indicando a quantidade de moscas no pomar, o Boletim também trazia dicas sobre outros possíveis agentes bióticos e abióticos que pudessem danificar a cultura. A produtora Giseli confirma o interesse pelas dicas: “tivemos semanas de muita chuva que veio o alerta para bacteriose. Nas semanas mais secas foi emitido alerta sobre os ácaros e assim funcionou muito bem. E realmente se confirmou. Esses alertas de possíveis doenças que poderiam estar surgindo na própria semana auxiliaram muito com a aplicação dos produtos certos para tratamento”.
Além de ser utilizado pelos produtores, o Boletim também foi utilizado por técnicos no interior do estado. Jéssica Zalamena, técnica em agropecuária, extensionista rural da Emater/RS-Ascar em Cotiporã, RS, confirma o uso do Boletim junto aos produtores para divulgar os números de moscas nos pomares e discutir sobre a tomada de decisão no manejo dos pomares. No município a sugestão de algumas famílias é expandir o uso do Boletim para frutas cítricas.
O boletim do Sistema de Alerta Mosca-das-Frutas é uma parceria da Embrapa Uva e Vinho com a Emater/RS-Ascar. Enio Ângelo Todeschini, engenheiro agrônomo, extensionista rural da Emater/RS-Ascar considera essa ferramenta muito importante para os extensionistas, para a pesquisa e para os produtores: “É o terceiro ano em prática e estamos ampliando e fazendo de tudo para manter funcionando o Sistema. É um instrumento que contribui com a racionalização do uso de agroquímicos e com a segurança do alimento”.

Sobre o Sistema de Alerta Mosca-das-Frutas na Serra Gaúcha
Desde 2017, a Embrapa Uva e Vinho (Bento Gonçalves, RS) e a Emater/RS-Ascar tem expandido o sistema de monitoramento da mosca-das-frutas nos pomares de pêssego na Serra Gaúcha. Nesta safra, além de monitorar os municípios de Bento Gonçalves, Farroupilha, Pinto Bandeira e Veranópolis, atendendo ao pedido dos produtores, o Sistema chegou a Caxias do Sul, Cotiporã, Nova Pádua e São Marcos. Esses municípios são responsáveis por 90% da produção de frutas de caroço (pêssego e ameixa) para consumo in natura do estado. O Sistema conta com a parceria do IFRS-Campus Bento Gonçalves e das Secretarias Municipais de Agricultura, contando com a participação de 40 produtores e duas estações de pesquisa, nas quais são realizadas o monitoramento da praga.
O monitoramento é realizado de agosto a janeiro durante a safra por uma equipe técnica de pesquisadores e extensionistas que se reúnem para avaliar os dados coletados e fazer indicações para o manejo mais adequado no período. Semanalmente são elaborados boletins com dicas e orientações para uso correto das ações de controle, posteriormente enviados a representantes da cadeia produtiva regional.
O que é o sistema de alerta?
Iniciado na safra 2010/2011 pela Embrapa Clima Temperado (Pelotas, RS) na região de Pelotas, o “Sistema de Alerta para monitoramento da mosca-das-frutas” é um projeto que agrupa um conjunto de estratégias para manejo do inseto-praga nos pomares de pêssego. O monitoramento é realizado durante o ano inteiro, mas no período da safra uma equipe técnica de pesquisadores, extensionistas, produtores, representantes da indústria e demais parceiros se reúnem para avaliar os dados coletados e fazer indicações para o manejo mais adequado no período. Semanalmente, são elaborados boletins com dicas e orientações para uso correto das ações de controle, posteriormente enviados a representantes da cadeia produtiva regional. Desde 2017, o trabalho também passou a ser realizado na Região da Serra Gaúcha, com foco nos pomares de frutas de caroço, como pêssego para mesa e ameixa.
Região de Pelotas
A cultura do pessegueiro é uma das principais cadeias produtivas de Pelotas, Canguçu, Morro Redondo, Piratini e Cerrito, municípios localizados no Sul do Rio Grande do Sul. O pêssego é cultivado em cerca de 2 mil propriedades, de até 10 hectares, envolvendo cerca de 6 mil pessoas. Em termos de processamento, são 13 indústrias que, juntas, produzem cerca de 95% do pêssego em calda do Brasil – cerca de 50 milhões de latas. Ao todo, as indústrias geram cerca de 7 mil empregos diretos e 3 mil indiretos na região.
Serra Gaúcha
Desde 2017, a Embrapa Uva e Vinho (Bento Gonçalves, RS), com o apoio da Emater/RS-Ascar, expandiu o programa para a Serra Gaúcha. Nesta safra, além de monitorar os municípios de Bento Gonçalves, Farroupilha, Pinto Bandeira e Veranópolis, atendendo ao pedido dos produtores, o sistema chega a Caxias do Sul, Cotiporã, Nova Pádua e São Marcos. Esses municípios reunidos são responsáveis por 90% da produção de frutas de caroço (pêssego e ameixa) para consumo in natura do estado). O trabalho ocorre em parceria com a Emater/RS-Ascar e conta com a participação de 40 produtores e duas estações de pesquisa, nas quais são realizadas o monitoramento da praga.