III Encontro Microrregional de Mulheres Rurais será em abril em Monte Belo do Sul

O III Encontro Microrregional de Mulheres Rurais está confirmado para o dia 29 de abril, na Capela Santo Isidoro em Monte Belo do Sul. O encontro tem por objetivo a valorização da mulher do interior, com palestras técnicas, qualificação e atividades de confraternização.

Vespas nativas são usadas para controlar mosca-das-frutas

Ciclo biológico de mosca-das-frutas em pessegueiro

Uma tecnologia inovadora utiliza parasitoides nativos para controlar as moscas-das-frutas (A.fraterculus e C. capitata). Pesquisadores do Laboratório de Entomologia da Embrapa Clima Temperado, em Pelotas (RS), empregaram a vespa Doryctobracon areolatus, que alcançou até 40%de parasitismo das larvas da mosca, considerada um dos grandes problemas da fruticultura no mundo.
Os cientistas informam que os resultados são promissores e indicam potencial de uso nos pomares como técnica de controle biológico dentro de uma estratégia de manejo integrado de pragas (MIP). O parasitoide poderá ser indicado tanto para cultivos orgânicos quanto para pomares convencionais.
Como é uma estratégia que não usa químicos, a ação da vespa é adequada à recente instrução normativa do Ministério da Agricultura (nº19 de 7/8/2019) que regulamenta os procedimentos para que as frutas brasileiras recebam a certificação internacional de produtos de origem vegetal.
“Vários países da União Europeia impõem restrições ao uso de defensivos químicos na fruticultura, por causa disso, para exportar para esses mercados o Brasil deve substituir as aplicações por alternativas limpas de controle de pragas”, esclarece o entomologista Dori Edson Nava, pesquisador da Embrapa.

Larvas da vespa se alimentarão das larvas da praga, controlando a proliferação. – Foto: Paulo Lanzetta

Como funciona?
Na prática, o uso desse parasitoide envolve etapas de produção das vespas, em laboratório, seguido de sua liberação nos pomares que estejam com ataque de moscas-das-frutas. Após a liberação, as fêmeas do parasitoide irão localizar as larvas da praga no interior dos frutos para proceder a oviposição (colocar seus novos no interior das larvas). Do ovo colocado pelo parasitoide, irá eclodir outra larva, que se alimentará das vísceras e do conteúdo do hospedeiro, até o momento em que ela se transformará em pupa, no interior do pupário da mosca-da-fruta. Após alguns dias, ocorrerá a emergência da vespa, evitando assim a perpetuação da mosca-da-fruta.

A pesquisa
Inicialmente, os cientistas coletaram informações básicas da biologia e ecologia da praga e, em especial, do parasitoide Doryctobracon areolatus. A segunda etapa procurou estabelecer uma técnica de criação tanto para o hospedeiro (a mosca-da-fruta), quanto para o parasitoide. “A ideia é aprimorar as técnicas de criação para serem mais baratas e darem menos mão de obra. Já que ela representa cerca de 50% do custo de produção nas criações”, observa Nava. As técnicas foram desenvolvidas e já estão disponíveis para produtores.
Também foram estudadas etapas relacionadas à seletividade de inseticidas ao parasitoide, comportamento de busca e parasitismo, entre outras. Todas essas fases são importantes para avaliar o possível uso da vespa em programas de controle biológico. “O que se busca é a resposta para a pergunta: qual é a taxa de parasitismo (controle) em condições de campo? O seu uso é viável?”, indaga Nava.
O cientista ressalta que o controle biológico não é uma opção única contra a mosca-das-frutas. Ele deve ser utilizado com outros métodos de controle dentro da filosofia do Manejo Integrado de Pragas (MIP).

Controle alternativo da mosca-das-frutas
Além disso, a disponibilização de agentes de controle biológico vem em boa hora, já que a maior parte das frutíferas não possui grade de produtos fitossanitários indicados.
No estudo, os resultados iniciais indicam taxas de parasitismo variáveis de 6,2% a 40%. Esses valores dependem de época de liberação da vespa, níveis de infestação da praga, espécies de mosca-das-frutas entre outros fatores. O trabalho terá outras etapas de avaliação e estudos que estão programadas para os próximos anos.
A equipe de pesquisa ainda não tem uma estimativa de custos de produção com o uso de parasitoides. Nava revela que a tendência é haver um custo inicial mais elevado que diminuirá ao longo do tempo à medida em que a tecnologia se popularizar e for empregada em uma escala maior. “Existe uma percepção do produtor e da comunidade em geral de que o uso do controle biológico reduz custos de produção. Na verdade, o custo do controle depende de mercado. Quanto maior o mercado, menor será o custo”, analisa Nava.

O futuro do estudo
O cientista informa que ainda faltam outras etapas para estabelecer parâmetros de liberação do parasitoide (época, quantidade, frequência,etc). A tecnologia de controle biológico é desenvolvida em parceria com uma empresa local, a Partamon. A ideia é que ela comercialize a tecnologia no futuro.
Além da Partamon, o parasitoide Doryctobracon areolatus (à direita) poderá ser produzido em biofábricas, como a Moscasul, que está sendo instalada em Vacaria (RS) e que empregará a Técnica do Inseto Estéril e de parasitoides para o controle biológico de mosca-das-frutas. “Além da geração de tecnologia é necessário avançar nos programas de manejo de mosca-das-frutas e que envolve não apenas o fruticultor, mas também as instituições públicas e as privadas”, completa o pesquisador. Isto ocorre devido a necessidade de se realizar um controle mais abrangente geograficamente para o grupo das moscas-das-frutas, já que o controle local resolve o problema apenas momentaneamente.

As dificuldades do controle químico
Atualmente, para mosca-das-frutas existem produtos químicos registrados e permitidos no Brasil apenas para pomares de citros, maçã e pêssego. Para a maioria das culturas não existem, ou há uma deficiência, de defensivos químicos registrados.
“A maioria das frutíferas não tem mais produtos registrados para controle de mosca-das-frutas. Além disso, os que sobraram, principalmente os do grupo dos organofosforados, já foram banidos pelos países da União Europeia”, informa o pesquisador da Embrapa. Segundo ele, uma boa parte dos países já utiliza o controle biológico como estratégia de controle da praga. Ele destaca a atuação do México, Israel e Chile, como referência em controle biológico de mosca-das-frutas, o que possibilita a exportação de suas frutas para vários mercados consumidores mundiais.

O prejuízo causado pela mosca
Os pomares com infestação de mosca-das-frutas não são aptos para exportação e as perdas causadas também provocam prejuízos no mercado interno brasileiro. Nava explica que as larvas da mosca-das-frutas destroem a polpa dos frutos para se alimentar. “Ao realizar a postura, as fêmeas introduzem o ovipositor, causando um ferimento [abertura], que facilita a entrada de fungos causadores de podridões. Além disso, os danos provocam o amadurecimento precoce e consequente queda dos frutos”, detalha Nava.
Estudos indicam que dos 14,7 bilhões de dólares anuais de perdas econômicas na agricultura causadas por insetos, 1,6 bilhão está associados à produção de frutas. De acordo com avaliação realizada pelo Mapa, em 2015, para o Brasil, ao levar em consideração as perdas de produção, comercialização e custos de controle, somente as moscas-das-frutas causam um prejuízo anual de 180 milhões de reais.

Quem são as moscas-das-frutas?
As moscas-das-frutas pertencem à família Tephritidae. Existem várias espécies descritas, mas apenas algumas causam danos econômicos. Entre essas se destacam a mosca-das-frutas sul-americana Anastrepha fraterculus e a mosca-do-mediterrâneo Ceratitis capitata.
Nava diz que a mosca-das-frutas sul-americana é uma espécie de origem neotropical, ocorrendo do sul dos Estados Unidos até a Argentina. “No Brasil, essa espécie se distribui em todas as regiões, atacando frutíferas cultivadas e nativas, e ataca mais de 90 espécies hospedeiras de 20 famílias botânicas. No Rio Grande do Sul (RS) e Santa Catarina (SC) é a espécie predominante”, revela o pesquisador.
Já a mosca-do-mediterrâneo é a espécie exótica introduzida no Brasil por volta de 1900 e possui relevância econômica mundial, distribuída nas áreas tropicais e subtropicais. Está presente também em todos os estados da federação, sendo predominante na fronteira do Brasil com Uruguai e Argentina. “Trabalhos de pesquisa estimam, por exemplo, que, se C.capitata reduzir a produção brasileira de citros em 50%, as perdas econômicas podem alcançar cerca de 242 milhões de dólares”, ressalta Nava.

O controle da mosca
Uma das formas de controle da praga tem sido feita pelo uso de produtos fitossanitários em aplicação seletiva, na forma de isca tóxica, ou aplicação em cobertura. Após as restrições de uso de produtos fitossanitários, devido à retirada do mercado de inseticidas do grupo dos organofosforados sistêmicos, outras alternativas estão são buscadas pelo setor.
Uma delas é a instalação, no sul do País, do programa Sistema de Alerta para o controle da Mosca-das-Frutas. Ele abrange uma grande área envolvendo as regiões do sul do Rio Grande do Sul e parte da região produtora de frutas da Serra Gaúcha onde são cultivados pessegueiros. Iniciado há quase uma década, o projeto tem contribuído para definir o momento correto de aplicação dos inseticidas pelo produtor, melhorar o sistema de produção e obter um produto de melhor qualidade e mais limpo. Todas essas ações têm propiciado avanços significativos no manejo da mosca-das-frutas e estão inseridas no conceito atual de manejo de pragas em áreas amplas, que contemplam pragas de grande mobilidade.

Brasil é terceiro maior exportador de frutas do mundo
O Brasil é o terceiro produtor mundial de frutas, depois da China e da Índia, com uma área plantada de 2,3 milhões de hectares e produção de cerca de 44 milhões de toneladas por safra. Em 2018, foram produzidas 124,3 mil toneladas de frutas frescas e processadas enviadas a diversos países. Do total de frutas produzidas, apenas 2,5% é destinado à exportação, segundo a Associação Brasileira de Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas).
Especialistas acreditam que há potencial para aumentar o volume exportado, mas é necessário transpor o desafio de se controlar pragas diminuindo ou zerando o uso de agroquímicos, apontados como um dos principais fatores que impedem o incremento das vendas internacionais.
A fruticultura no Brasil é diversificada, sendo que em todas as regiões o cultivo faz parte da economia e do desenvolvimento social local. E em todas as regiões produtoras, a mosca-das-frutas está presente.

O que é controle biológico?
Trata-se da regulação do número de plantas e animais por inimigos naturais, chamados de agentes de mortalidade biótica. Entre esses inimigos naturais, estão os predadores, os parasitoides e os microrganismos.
Trata-se de um método de controle racional e que atende os princípios da sustentabilidade e que tem como objetivo final utilizar esses inimigos naturais que causam menos impacto ao ambiente e à saúde da população quando comparados com o uso de produtos químicos.

Épocas de frutificação dos principais hospedeiros de Anastrepha fraterculus na região de clima temperado

*Uma vespa nativa brasileira é capaz de parasitar duas espécies de moscas-das-frutas.
*A vespa Doryctobracon areolatus alcançou 40% do parasitismo da praga.
*A vespa coloca seus ovos no interior da larva da mosca a qual servirá de alimento para a larva da vespa que eclodirá do ovo.
*Prática é promissora para o manejo integrado de pragas.
*Por ser limpa, prática não fere restrições de países europeus que vetam importações de frutas tratadas com químicos.

1ª Reunião de Atualização Técnica sobre Calagem e Adubação em Frutífera

A Embrapa Uva e Vinho, UFSM e IFRS realizam, de 05 a 07 de maio de 2020 a 1ª Reunião de Atualização Técnica sobre Calagem e Adubação em Frutíferas.
O evento é uma promoção do Núcleo Regional Sul da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo (NRS/SBCS).
O local escolhido para sediar a reunião é o Auditório da Fundação Casa das Artes de Bento Gonçalves,RS.
Nos 3 dias do evento, palestrantes de diversas instituições apresentarão aos participantes o que há de mais atual nas pesquisas sobre manejo de solo, nutrição mineral, calagem e adubação em frutíferas.

Nomeados no Concurso Público de Pinto Bandeira começam a tomar posse 

Candidatos nomeados  no Concurso Público do Município de Pinto Bandeira Foto: Marlove Perin

Nos dias 10 e 11 de fevereiro, tomou posse mais uma turma de nomeados do Concurso Público do Município de Pinto Bandeira. Os novos profissionais serão lotados na Secretaria de Educação. Confira a lista dos empossados: Rayanne Martins Ottnelli – Auxiliar de Educação Infantil; Diane Tomasin Giacomoni – Professor Anos Iniciais; Giseli Merelise Gobbato Pitton – Professor Anos Iniciais; Liana Marini – Professor Anos Iniciais
Vanda de Bortoli Sawczuk – Professor Anos Iniciais; Ivanes Zappaz – Professor Educação Física; Josiane Rigon – Professor Educação Infantil 20h e Luana Spadari – Professor Educação Infantil 20h.
Já nos dias 14, 17 e 19 de fevereiro, foram empossados mais profissionais aprovados no Concurso Público do Município de Pinto Bandeira. São eles: Gabriela de Toni – Auxiliar de Educação Infantil; Henrique Crippa – Operário; Juliane Ferrari Guizzo – Nutricionista; Melissa Signor Constantini – Professor de Educação Infantil; Sergio Roberto Pereira de Lima – Motorista; Magda Goffi Palma – Auxiliar de Educação Infantil e André Helgueira Estivalet – Motorista.
E no dia 26, seis novos profissionais tomaram posse, alguns já iniciaram suas atividades hoje. São eles: Eduarda Kunz de Moraes – Auxiliar de Educação Infantil; Sandra Baldasso – Técnico em Enfermagem; Aline Sanches – Técnico em Enfermagem; Cleovania Bechi – Motorista; Daiane Paese Ceccon – Professor Anos Iniciais e Thais Turcatel – Fiscal Ambiental e Sanitário.

Ciência recupera áreas de declínio e morte de videiras na Serra Gaúcha

O trabalho de recuperação das áreas para o cultivo da videira foi liderado por pesquisadores da Embrapa Uva e Vinho (RS) e contou com a participação de produtores, técnicos e especialistas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e a empresa de extensão rural do estado, a Emater/RS-Ascar.

Dia de campo para repasse das tecnologias com as recomendações da renovação de parreirais – Foto: Viviane Zanella

Áreas que sofreram declínio e morte de plantas de videiras na Serra Gaúcha estão voltando a produzir graças ao trabalho da ciência. Para isso, pesquisadores organizaram e validaram um conjunto de recomendações técnicas que permitem o replantio de vinhedos nessas pequenas propriedades familiares que fazem parte da mais tradicional região produtora de uvas e vinhos do Brasil. O resultado foi um programa de manejo dividido em quatro eixos básicos: manejo do solo, adubação, mudas de qualidade e controle de insetos-pragas e doenças.
Essas porções de terra com morte de videiras, presentes nas encostas desenhadas pelos vinhedos, além de ficarem evidentes na paisagem, passaram a ser um sério problema para os produtores de uva. Na região, que é constituída essencialmente por pequenas propriedades familiares de até 24 hectares (uma colônia), as áreas para cultivo são restritas pelo tamanho, limitações geográficas, principalmente topografia, e de legislação, como as definidas pelo Código Florestal, que impedem a abertura de novas áreas para o cultivo de videiras.
Mesmo utilizando os aprendizados que foram passados ao longo das gerações, os agricultores não estavam obtendo sucesso nas tentativas de replantio: as plantas simplesmente não se desenvolviam. Com esse cenário, a Embrapa liderou uma força-tarefa na execução do projeto Tecnologias para a viabilização e sustentabilidade dos vinhedos em áreas de renovação na Região Sul do Brasil.
Cada propriedade abrigou uma unidade demonstrativa do tamanho de um hectare que recebeu as técnicas recomendadas. Os resultados foram tão promissores que essas áreas estão aumentando a cada dia. Todos os cinco produtores participantes já ampliaram a área a técnica em 200% e somente a Cooperativa Vinícola Garibaldi estima que 100 hectares dos seus cooperados já estão com essa metodologia no campo.
Segundo o líder do projeto, Lucas Garrido, pesquisador da área de Fitopatologia da Embrapa, o melhor resultado não foi a recuperação das áreas em si, mas o trabalho realizado pela equipe de pesquisadores, que formou multiplicadores no repasse de informações e técnicas corretas. “O cultivo da videira é uma questão cultural, passada de geração em geração, e com esse projeto tivemos a oportunidade de mostrar e construir em conjunto com os técnicos e produtores a possibilidade de uma nova realidade, contornando problemas e garantindo a renovação dos parreirais”, conta.
Um bom exemplo dessa mudança foi demostrar aos produtores os benefícios da utilização de mudas de videira enxertadas com controle de qualidade, o que evita muitos problemas transmitidos pelo tradicional repasse dos galhos da videira, entre os produtores, para formar novos vinhedos. “O emprego de mudas de qualidade, com um padrão morfológico e sanitário estabelecido, o preparo do solo e o correto plantio formam um investimento que trará muitos dividendos a longo prazo”, defende o coordenador do Programa de Mudas de Qualidade, Daniel Grohs, que é engenheiro agrônomo da Embrapa.
“Depois de ver os resultados do projeto, eu estou seguindo o tratamento do plantio nas novas áreas que estou renovando e noto grande diferença no parreiral”, avalia Vinicius Dal Oglio, de Bento Gonçalves, um dos produtores em cuja propriedade as recomendações técnicas foram validadas.

Pesquisador Lucas Garrido e técnico Bosa da Cooperativa Garibaldi – Foto: Viviane Zanella

A base do sucesso
As soluções tecnológicas para renovação de vinhedos em áreas de declínio foram propostas a partir dos resultados obtidos com a instalação de cinco unidades demonstrativas nas propriedades de viticultores nos municípios de Bento Gonçalves, Caxias do Sul, Farroupilha, Flores da Cunha e Garibaldi, todos na Serra Gaúcha. Esses produtores, associados às cooperativas Vinícola Garibaldi, Agroindustrial Nova Aliança e Vinícola Aurora, colocaram suas propriedades à disposição da equipe para servir como área experimental. Para isso, receberam 600 mudas de qualidade de cultivares como BRS Cora, Isabel, Bordô ou Tannat. As cultivares foram escolhidas pelos agricultores de acordo com o objetivo da produção. Além das mudas, cada produtor recebeu os insumos recomendados pela equipe de pesquisa para contribuir com o controle de patógenos do solo, além do acompanhamento da evolução do parreiral com visitas regulares da equipe de especialistas.
Após três anos, as propriedades foram transformadas em uma vitrine tecnológica, onde foram realizadas capacitações de técnicos e agricultores ao longo do projeto. “Nada melhor do que conferir na prática como foi a experiência e ouvir do próprio viticultor os resultados do sucesso da tecnologia”, destaca Garrido.
Evandro Bosa é gerente da Cooperativa Vinícola Garibaldi e tem como tarefa orientar 410 viticultores na Serra Gaúcha. Ele foi um dos técnicos parceiros do projeto e esteve presente durante toda a validação das recomendações da pesquisa. Na sua avaliação, os resultados foram tão positivos que, já durante a execução, muitas informações foram sendo repassadas para outros produtores. “Pelo menos 250 famílias associadas à cooperativa já estão colocando em prática as recomendações, cujos resultados nos novos vinhedos são fantásticos”, avalia. Além das mudas, a cooperativa também adquire e repassa aos seus associados os insumos recomendados pela Embrapa.
Os quatro pilares do pacote tecnológico

Mudas de qualidade

Segundo Grohs, a demanda por mudas de videira com qualidade é histórica no setor vitivinícola nacional e a atuação da Embrapa se dá especialmente em duas frentes: na condução de um intenso trabalho de orientação aos viveiristas licenciados e participantes do Programa Mudas de Qualidade e na orientação de produtores para identificar e exigir mudas de qualidade.
“O uso de materiais geneticamente atestados e fitossanitariamente limpos faz uma muda de qualidade, o que contribui significativamente para a sustentabilidade da viticultura, em especial com a redução dos custos e da necessidade de mão de obra, incremento na produtividade e qualidade da uva produzida”, resume.
Grohs reforça a necessidade de um planejamento para realizar a encomenda de mudas com um ano de antecedência em viveiristas que oferecem materiais de boa qualidade.
Ele destaca que é sempre importante, antes de comprar, conhecer pessoalmente as instalações do viveiro. “Na hora da retirada das mudas, deve-se fazer um bom exame visual nela, verificando o padrão morfológico e sanitário seguindo critérios estabelecidos pela Embrapa”, recomenda.
O especialista revela que o critério mais difícil de avaliação é a presença de necroses internas indicadoras do risco de ocorrência de doenças. “Recomendo sacrificar algumas mudas e ver se existem manchas escuras em um percentual elevado, o que significa doenças nas raízes ou no caule”, orienta. Caso o material não esteja com boas condições sanitárias, ele reforça que o produtor deverá conversar com o viveirista, pois plantar a muda com riscos de ocorrência de doenças significa prejuízo.
Além da muda, o produtor deve estar atento às demais etapas da renovação, pois a planta de qualidade, sozinha, não garante o estabelecimento do vinhedo nesse ambiente.

Manejo do solo e adubação
Segundo o pesquisador George Wellington Melo, o preparo do solo é fundamental. A primeira atividade essencial é a erradicação do vinhedo anterior, retirando-se da área o máximo possível de restos culturais. Na sequência, deve-se realizar a análise de solo, para ver se são necessárias correções. Antes do plantio da muda, o solo já deve estar corrigido de suas carências nutricionais. A construção de drenos é recomendada para áreas sujeitas ao encharcamento, pois a videira não tolera solos com má drenagem.
Outro fator que deve receber uma atenção é o nível de cobre no solo. Ele alerta que concentrações acima de 50 mg.kg-1 já atrapalham o crescimento das raízes da planta. “Para minimizar a toxicidade, deve-se realizar práticas que diminuam a disponibilidade de cobre, o que se consegue com uso de fertilizantes orgânicos, aumento do pH do solo e cultivo de plantas de cobertura”, recomenda. Wellington indica o uso de adubo orgânico na fase de crescimento, ou seja, nos três primeiros anos, garantindo assim uma maior uniformidade nas plantas e a produção de uvas a partir do terceiro ano. “Em diversos experimentos constatamos que o composto orgânico é mais eficiente do que o adubo químico, mas é importante que ele esteja estabilizado, para evitar outros focos de contaminação”, orienta.
Outro manejo indicado é o uso de disco de papelão embebido em sulfato de cobre para cobrir o pé da planta e manter o solo “limpo” (o tradicional coroamento da planta), evitando assim o uso de herbicidas e a prática da capina. “O uso de herbicidas para o controle de plantas daninhas pode prejudicar o desenvolvimento da videira e deve ser evitado, especialmente nos três primeiros anos – período de maior impacto”, recomenda.
A partir do momento em que o vinhedo entra em produção, a principal ferramenta para avaliar a necessidade de adubação é a análise de tecido, feita a partir das folhas coletadas na plena floração das plantas. “Cada variedade tem um comportamento. Às vezes o excesso de potássio impede a absorção de magnésio e a deficiência de boro na floração prejudica a fecundação, diminuindo o número de bagas por cacho”, cita o pesquisador, que reforça a importância da análise foliar para a correta recomendação de adubação de manutenção. A adubação de plantas de cobertura também é outro fator importante para melhor aproveitamento nutricional da videira.

Controle de insetos-praga
Segundo o pesquisador Marcos Botton, a cochonilha pérola-da-terra, que historicamente foi apontada como uma das principais causas da morte de videiras, é uma praga fácil de ser manejada. O controle da cochonilha deve ser realizado nas áreas infestadas com o emprego de inseticidas neonicotinóides no solo, como o Imidacloprido e o Thiametoxan. Outra pratica importante é eliminar as plantas hospedeiras da pérola-da-terra presentes no interior do vinhedo, como a língua-de-vaca, visando reduzir as fontes de infestação.
A adubação orgânica e a manutenção de plantas de cobertura não hospedeiras do inseto são mais duas medidas recomendadas pelo cientista. Empregadas em conjunto, elas permitem manejar o inseto. Por fim, caso a cochonilha não esteja presente na área a ser reconvertida, não é necessário o emprego de medidas de manejo, somente evitar transportar o inseto para a propriedade, o que pode ocorrer pelo emprego de mudas contaminadas ou máquinas agrícolas. Outro inseto de solo importante é a filoxera, razão pela qual devem ser empregados porta-enxertos resistentes a essa espécie de praga, que é a base do programa de mudas de qualidade.

Controle de doenças
Na visão de Garrido, a prioridade é restabelecer o equilíbrio do solo. Isso significa evitar que fungos fitopatogênicos presentes no solo tornem-se predominantes ao redor da muda. “Nossa proposta é utilizar uma série de compostos orgânicos empregados também na agricultura orgânica para reestruturar o solo, o que irá repercutir diretamente no desenvolvimento das plantas e, de forma natural, ampliar a resistência aos patógenos”, explica. Ele também destaca a importância de eliminar a inflorescência das videiras no primeiro ano, para que a planta invista suas reservas no crescimento e fortalecimento das estruturas permanentes, como tronco e raízes, e não em frutos.

Acompanhamento tecnico sobre o correto padrão de uma muda de qualidade – Foto: Viviane Zanella

Áreas que sofreram morte de videiras na Serra Gaúcha estão voltando a produzir graças ao trabalho da ciência.
*Recomendações técnicas permitem o replantio de vinhedos em propriedades familiares de até 24 hectares.
*O programa de manejo é dividido em quatro eixos básicos: manejo do solo, adubação, mudas de qualidade e controle de insetos-pragas e doenças.
*Unidades demonstrativas montadas em cinco propriedades obtiveram ampliação da área técnica em 200%.
*O trabalho formou multiplicadores para repasse de informações e técnicas corretas em prol da renovação dos parreirais.

Governo antecipa vacinação contra febre aftosa no RS

 

Foto: Divulgação

A vacinação contra febre aftosa, que começaria em maio no Rio Grande do Sul, foi antecipada para o período de 16 de março a 14 de abril de 2020 A dose da vacina segue a mesma das etapas anteriores, de 2 ml – a vacina passou a ser bivalente, permanecendo a proteção contra os vírus tipo A e O (removido tipo C). Em todo o Rio Grande do Sul a expectativa é de que 12,6 milhões de animais sejam imunizados, entre bovinos e bubalinos de todas as idades. Os produtores devem comprar as doses necessárias para a vacinação do seu rebanho em casas agropecuárias credenciadas pela Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr). Após, deverão comprovar a vacinação através da apresentação da nota fiscal até o dia 22 de abril de 2020. A partir do dia 16 de março, a movimentação de bovídeos só poderá ser realizada mediante vacinação prévia da propriedade, obedecidos os prazos de carência. A antecipação faz parte da estratégia do Estado para ser declarado pelo Mapa como livre de aftosa sem vacinação, a fim de obter, num segundo momento, o reconhecimento internacional dessa condição pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). Até o momento, no Brasil, apenas os estados de Santa Catarina e Paraná conquistaram o status sanitário de zona livre de aftosa sem vacinação.
Dados da campanha 2019
A primeira etapa da vacinação do rebanho contra a aftosa ocorreu em maio de 2019 e envolveu 288.875 propriedades rurais com 12,6 milhões de bovinos e búfalos. Foram imunizados 12,5 milhões de animais, correspondendo a 99% do rebanho, em 279.879 estabelecimentos, que representam 96,89% das propriedades no Estado. A segunda etapa, que ocorre em novembro, envolveu apenas bovinos e bubalinos na faixa etária de zero a 24 meses.

Asprovinho celebra a colheita com festa nos vinhedos

Os vinhedos da vinícola Aurora em Pinto Bandeira, que já serviram de cenário para a gravação do talent show MasterChef Brasil, foi o pano de fundo da segunda edição do evento Celebração da Vindima, que reuniu 250 pessoas no sábado, dia 22 de fevereiro na Linha 28, no Centro Tecnológico da Aurora.

O evento promovido pela Asprovinho – Associação dos Produtores de Vinho de Pinto Bandeira, em meio a propriedade que é aberta apenas em ocasiões especiais, teve música ao vivo da dupla Bruna e Felipe, espumantes das Vinícolas Aurora, Don Giovanni, Família Geisse e Valmarino, que integram o roteiro Vinhos de Pinto Bandeira, e suco de uva da Terraças foram harmonizados com a gastronomia do chef Giordano Tarso. Teve ainda música ao vivo da dupla Bruna e Felipe.


Marco Antônio Salton, Enólogo e Sócio proprietário da Vinícola Valmarino e atual presidente da Asprovinho diz que o programa foi ideal para os foliões que queriam aproveitar o Carnaval de forma diferente e apreciar em meio a natureza os espumantes de Pinto Bandeira.