Onda de frio espalha prejuízos por diversas regiões

Agricultores apontam geada como uma das mais fortes dos últimos anos. Pomares de pêssego e ameixa foram os mais atingidos

Os dias de paisagens congelantes agora cobram seu preço, principalmente com prejuízos em plantações de uva, pêssego, nectarina, trigo, hortifrútis e pastagens Foto: Leo Francischina

O Rio Grande do Sul amanheceu na última semana com temperaturas extremamente baixas e temperaturas negativas em alguns municípios. Os dias de paisagens congelantes agora cobram seu preço, principalmente com prejuízos em plantações de uva, pêssego, nectarina, trigo, hortifrútis e pastagens. Embora já se saiba que as perdas são inevitáveis, apenas nas próximas semanas se terá a real noção do tamanho do rombo nas contas dos produtores rurais.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Agricultores Familiares de Caxias do Sul, Rudimar Menegotto, diz que foi procurado por muitos agricultores de Caxias na sexta com relato de estragos provocados pela geada. O impacto maior foi nos pomares de pêssego, ameixa e nectarina, espécies com brotação mais precoce, acelerada pelo calor de julho. Mas o representante dos produtores rurais diz que há relatos, até mesmo, de hortaliças protegidas, que foram atingidas em função das proporções do fenômeno. “A geada foi muito intensa em várias localidades. Foi a maior do ano, sem dúvida, e, talvez, dos últimos anos em alguns pontos” aponta Rudimar.
Videiras mais precoces também foram atingidas. Na propriedade do agricultor Ricardo DeMari teve perda na variedade Chardonnay, em Monte Belo do Sul, danificados pela geada. Ricardo deposita agora a esperança nas variedades que não brotou.

Pêssegos em formação queimadas pelo gelo Foto: Gustavo De Toni Divulgação

Emater avalia perdas nas lavouras de trigo após fortes geadas

Há relatos de produtores de que foi a pior geada tardia dos últimos 30 anos e de perdas quase totais em algumas lavouras de trigo e de quebra ainda nas culturas de milho, canola e aveia. Ainda não se sabe o tamanho das perdas Foto: Divulgação

A forte massa de ar polar que atingiu a região trouxe prejuízos para a agricultura. Estimativas iniciais apontam que até 30% da safra de trigo pode ter sido perdida em razão do frio intenso e da ampla geada. Áreas de baixadas da região Noroeste registraram entre sexta e sábado temperaturas negativas.
Há relatos de produtores de que foi a pior geada tardia dos últimos 30 anos e de perdas quase totais em algumas lavouras de trigo e de quebra ainda nas culturas de milho, canola e aveia. Ainda não se sabe o tamanho das perdas.
A Emater está realizando o levantamento das perdas. Conforme o técnico agrícola Leornardo Rusctick, nas primeiras avaliações a campo foi constatado que os prejuízos são bastante variáveis, em algumas lavouras eles podem ser totais, enquanto em outras serão mínimos.
A maioria dos produtores conta com a cobertura do seguro agrícola para a quitação do financiamento junto aos agentes financeiros. Para acionar o seguro, porém, é preciso comprovar com laudo técnico que, por causa das perdas, não será possível cobrir os custos de produção.
Rustick orienta os produtores a seguirem as recomendações técnicas e seguir com os tratos culturais adequados onde as perdas não comprometeram a produção a fim de evitar o agravamento das mesmas.
– Os produtores estão preocupados por que as lavouras vinham em um potencial muito bom. Um dos melhores desenvolvimentos da cultura dos últimos anos. Mas não dá para se desesperar. Já estamos fazendo o levantamento e os dados dos estragos serão consolidados em uma semana. Mas não podemos dizer que está tudo perdido – destaca Rustick.

Você acredita que é assim, cobertas de gelo, que plantas como pessegueiro e ameixeira são protegidas dos danos da geada?

A técnica de aspersão de água é usada por vários fruticultores de Santa Catarina para proteger as plantas. Nesta época, muitas fruteiras de caroço já estão em floração ou apresentam pequenos frutos. Na iminência de geada, a recomendação é fazer o controle por irrigação, no caso de a temperatura baixar de 0°C. Isso porque as perdas ocorrem com temperaturas abaixo de -1,5°C. Foto: Carlos Roani / Divulgação