Setor de espumantes projeta vendas até 10% maiores no Brasil apesar da pandemia

Safra boa e desempenho no primeiro semestre trazem otimismo mesmo com adiamento de casamentos e festejos

De acordo com a reportagem do Glovo Rural, o adiamento de casamentos e festejos devido à pandemia do coronavírus não cancelou os motivos para o setor de vinhos e espumantes comemorar. “Temos a melhor safra dos últimos 20 anos. Todos os derivados da uva desta safra ficarão para a história devido ao alto padrão”, afirma o presidente do Instituto Brasileiro de Vinhos (Ibravin), Márcio Ferrari.
Segundo Ferrari, no pior cenário, estima-se ainda um aumento de 10% nas vendas de vinhos espumantes para o final deste ano, um período mais importante no mercado para o setor. Em 2019, as vendas de espumantes nos festejos de final de ano cresceram 15% em relação ao mesmo período do ano anterior.
“Se houver flexibilização das medidas (restritivas de isolamento), haverá boom nas vendas. A questão é adivinhar o que vai acontecer com a pandemia”, explica Ferrari, prevendo que a comercialização pode ter alta de até 30% no melhor cenário.
Os negócios no primeiro semestre – 66,42% superiores ao mesmo período de 2019 – deram fôlego e ânimo aos produtores, que agora esperam ansiosos para confirmar se estes produtos já estão na mesa do consumidor ou se ainda aguardam por ele nas gôndolas, de acordo com o presidente da Uniao Brasileira da Vitivinicultura (Uvibra), Deunir Luis Argenta.No entanto, segundo Argenta, os primeiros seis meses deste ano registraram queda de 26,19% na comercialização dos espumantes tipo Brut em relação ao mesmo período do ano anterior. Já os espumantes moscatéis praticamente mantiveram o mesmo volume de 2019, com incremento de 1,68%.
“Mesmo assim, as vendas seguem em crescimento e, com isso, o brasileiro está tendo a oportunidade de degustar a qualidade do produto nacional e descobrir que não paga mais por isso”, destaca Argenta. “Julho, por exemplo, é responsável por 26,13% de todo vinho fino vendido este ano, que chegou a 14.659.904 litros. É o melhor desempenho de 2020 nesta categoria”, completa.
Com relação aos empregos, os representantes do setor afirmam que não houve perdas significativas, e muitos dos trabalhadores que tinham sido demitidos no início da pandemia foram readmitidos para suprir a necessidade das vinícolas.
“As vinícolas de grande porte tiveram incremento de empregos, pois o grande volume de venda vem delas, que estão nos supermercados com produtos de entrada. Já as pequenas, muitas delas familiares, seguem com a mesma estrutura ou até enxugando. Apesar de estarmos falando de um mesmo setor, as variáveis são muitas. Depende de cada realidade”, explica Argenta.
Champagne
Já a região do espumante mais prestigiado do mundo, a Champagne, sofre com o ano mais sombrio da história do produto. O grupo de luxo LVMH, player dominante com suas marcas Moët & Chandon, Veuve Clicquot, Ruinart e Mercier, informou que o preço de compra para os cachos de pinot noir, meunier e chardonnay, suas três variedades de uvas emblemáticas, caiu de 15 a 25 centavos de euro por quilo.
Outro indicador é o rendimento dos viticultores em 2020, que caiu 20% em relação ao ano anterior. Cada videira de Champagne não pode, portanto, dar mais de 8.000 toneladas de frutas por hectare, em comparação com as 10.200 toneladas colhidas em 2019. Por ser um produto com a produção controlada pelo mercado, esse número é fixado pela comissão de Champagne, que reúne viticultores e comerciantes.
“Este ano foi muito difícil definir um rendimento, geralmente estabelecido pelo número de garrafas vendidas até julho, pelas projeções de vendas para o ano e pelo nível de estoques”, explicou Maxime Toubart, presidente do Sindicato Geral dos Viticultores (SGV) de Champagne, em entrevista ao jornal francês Le Monde.
Segundo ele, a pandemia de coronavírus colocou o vinhedo em crise. “Já perdemos 45 milhões de garrafas, o que representa menos um terço das vendas”, destaca Toubart.