Vinhos: da excelência do presente ao aprendizado do passado

Por Viviane Weirich, advogada, OAB/RS 117.008

Viviane Weirich, advogada

A última Avaliação Nacional de Vinhos trouxe ainda mais prestígio à produção de vinhos nacional, especialmente aos gaúchos e muito mais, àqueles da Serra Gaúcha, demonstrando a excelência da produção vitivinícola, que engloba desde o plantio da videira até o momento final, em que o primeiro gole aguça o paladar do consumidor e enche de orgulho toda uma cadeia de produção comprometida em despertar as melhores experiências aos adeptos do vinho e da própria gastronomia que aqui se consolidou. Parabenizá-los é pouco: há uma considerável distância entre aquele que planta a videira até o momento da primeira taça servida.
A produção de vinhos traz em sua essência o saber fazer dos imigrantes que por aqui se estabeleceram. Passado mais de um século, a produção evoluiu e dispensa qualquer comparação com vinhos de outros lugares do mundo, porque o que aqui é produzido tem a essência daqueles primeiros produtores, que ensinaram a se preocuparam em consolidar o conhecimento para as próximas gerações.
Esses imigrantes partiram de diferentes regiões da Itália e assim, trouxeram saberes distintos, tanto na elaboração dos vinhos quanto da própria gastronomia. Essa distinção, sentida ainda na gastronomia, perde-se com a industrialização do vinho. Os alimentos guardam em sua essência o tempero, os ingredientes e a forma de fazer, tanto que, não comemos “Canederli” no Vale dos Vinhedos, no entanto, encontramos restaurantes que oferecem esse prato na região norte do município, com forte influência da região do Tirol. Os vinhos que encontramos nos Caminhos de Pedra não são da mesma variedade
que os que estão à disposição dos consumidores no Vale dos Vinhedos. Isso tem uma explicação: a cultura, ainda que dos imigrantes italianos, é distinta, assim como é na própria Itália.
Isso permite fomentar a agroindústria, organizando os produtores rurais para que elaborem seus próprios vinhos com parte de sua produção de uvas e que façam, seguindo as normas básicas de higiene e de saúde vigentes,
resgatando os saberes seculares que restaram consolidados, possibilitando a comercialização de um produto diferenciado que guardará em cada uma de suas garrafas a história daquela localidade, remetendo por certo, à região da Itália de onde partiram seus ancestrais.
Parte-se da necessidade de se organizar essas comunidades, através de um incremento da gestão pública focada nesse propósito, tudo isso, objetivando consolidar o agricultor em sua propriedade, dando-lhe ganhos que poderão complementar seu sustento nos períodos de entressafra, além de aproximá-los do turista, diminuindo assim, a distância entre a videira e a taça, sendo essa uma justa e devida homenagem aos imigrantes italianos e seus descendentes pela qualidade dos vinhos que hoje brindamos.