A pandemia da covid e sua dimensão afetiva

Psicóloga Jamile Comin inaugurou consultório em Pinto Bandeira

Nestes últimos treze meses fomos apresentados por uma realidade imposta pela pandemia da covid 19, meu objetivo neste espaço será apresentar a atuação da psicologia no impacto da pandemia covid 19.
Os canais de comunicação nos apresentam notícias diárias sobre o desdobramento e os impactos que a pandemia se manifesta. Desta forma te convido a pensar qual local você ocupa em meio disto? Suspeito dizer que essa reflexão se faz necessária para atenuar as dúvidas que circundam. É indispensável pensar que a dimensão afetiva se encontra comprometida; não tem como negar que estas questões nos angustiam e atravessam nossos processos cognitivos em todas as dimensões.
Acredita-se que todos desejam que esta situação se encerre o mais breve possível, mas, isto ainda não aconteceu e levará um tempo para concluir esta jornada. Nas palavras iniciais deste texto quando te pergunto qual local você ocupa em meio disto se faz necessário entender o que você tem feito para enfrentar as condições impostas pelos órgãos de saúde. O que se torna cada vez mais claro é o significado que se atribui para essa experiência, porque precisamos dar sentido para nós mesmos sobre o que estamos vivendo para que possamos elaborar essas experiências e sentimentos que estamos vivenciando.
Elaborar a experiência neste contexto que estamos vivenciando é contrapor o fato de que não podemos parar de fazer o que é por hábito fazer e aprender com o dia a dia, pois devemos dispor dos recursos que temos para melhor se organizar e é interessante pensar que não existe um modo certo ou errado de pensar, existe o que você consegue com os recursos possíveis que tem. Agindo desta forma você irá avaliar quais serão os desdobramentos deste período inicial para enfrentar a segunda parte pós pandemia, avaliar novos hábitos, analisar nossa forma de se relacionar com as coisas e com a vida.
O papel do psicólogo nessa relação serve para orientar que estamos vivendo uma pandemia que veio para ficar e nosso compromisso é ajudar na mudança de hábito e na construção de ambientes saudáveis. Entende-se que a sociedade em um modo geral foi posta nesta situação sem aviso prévio e essas novas formas de aprender o que fazer
nesta segunda fase exige que saibamos quais as consequências emocionais essa experiência nos possibilitou.
Você que chegou até esta parte da leitura indico que prepare um espaço com as pessoas do seu convívio diário e converse sobre a experiência que a pandemia da covid 19 teve em você, dentro de suas possibilidades para assim elaborar minimamente um processo de elaboração de experiência vivida. A criatividade desta nova forma de estar
exige que façamos uma análise de todo esse espaço de experiência para os novos espaços e relacionamentos que vamos vivenciar.
Nossas vidas foram impactadas por essa mudança e as delimitações impostas ainda não estão prontas, mas, a necessidade de sensibilidade ao outro exige uma conexão humana e sensível para repensar nossas práticas em todas os ambientes. Fica a reflexão de como nossas práticas se apresentam nos espaços durante este tempo. Não é criar uma briga entre certo ou errado, mas, sim do que você tem feito para ressignificar a experiência, quais os cuidados você tomou e o que você entende de tudo isso. Por fim, entender o lugar que você ocupa em meio a isso tudo pois, a tendência que temos é pensar no negativo desta experiência.