Vinícola De Mari se prepara para abrir loja nos próximos meses em Monte Belo do Sul

A família De Mari iniciou a produção de vinhos quando os imigrantes italianos chegaram a serra gaúcha, estabelecendo uma tradição de mais de um século. A pequena produção de 20 mil garrafas anuais a partir de vinhedos 100% próprios e colheita manual permitem maior cuidado e controle rigoroso da qualidade, resultando em vinhos excepcionais e com terroir único.

Família De Mari Fotos: Tiago Magantz

Paixão pelo vinho
Tudo começou quando Sergio De Mari ainda adolescente visitava seu avô Felice Roman na linha Eulália, em Bento Gonçalves, lá Sérgio passava suas férias e o ajudava no processo de produção do vinho, que era produzido no porão de casa, feio com pedras enormes, antigamente diziam que era para manter melhora a qualidade dos vinhos, hoje
chamado de adega. Essa paixão pelo mundo do vinho só cresceu e fez com que Sérgio mais tarde adquire- se uma vinícola no interior de Monte Belo do Sul que pertenceu a Vinícola Rio-grandense, que foi pioneira e produção de vinhos e cultivo de novas castas na região, onde hoje é a sede da vinícola. A partir de então a Vinícola começou e vem investindo em novas técnicas de cultivo e produção, bem como na constante modernização de sua estrutura e maquinários. Hoje a família De Mari conta com a ajuda dos irmãos Marcela De Mari, que é bióloga e sommelier,
encarregada das vendas e atendimento ao público e Ricardo De Mari, agrônomo, que cuida dos vinhedos junto com uma equipe comprometida e dedicada, seu pais e sua mãe.

Marcela De Mari, e Ricardo De Mari

Tradição e harmonia
Assim como Bento Gonçalves e Garibaldi (RS), parte da bucólica Monte Belo do Sul faz parte do Vale dos Vinhedos na serra gaúcha. Uma pequena e pacata cidade no alto de uma colina que encanta os visitantes por sua tranquilidade e linda paisagem. Monte Belo do Sul tem apenas 2,5 mil habitantes e é a maior produtora de uvas per capita da América Latina, com 45 milhões de quilos colhidos por ano. Logo, não é de se espantar que o enoturismo anda
crescendo por lá. Prova disso é a abertura da loja de vinhos, da Vinícola De Mari, espaço que atende por agendamento, aberto deste o início de junho desde ano.

A Vinícola De Mari pertence aos irmãos Marcela De Mari e Ricardo De Mari, naturais de Monte Belo do Sul. Atualmente, a vinícola conta com 7 hectares de vinhedos e uma produção anual de 20 mil garrafas. Cultiva uvas tradicionais como Chardonnay, Pinot Noir, Merlot, Tannat e Cabernet Sauvignon, Barbabra, Moscato. A Vínícola tem três linhas de produção:   linhas de vinhos brancos e Roses: Barbera Rose Moscato Poloskei Chardonnay Riesling Itálico; linhas de vinhos tintos: Merlot e Cabernet Sauvignon e linha de Espumantes, Moscatel, Brut Branco e Brut Rose. Toda a família está envolvida no projeto que vai desde a plantação dos vinhedos, produção, elaboração dos vinhos e atendimento ao público. Os Vinhos De Mari são elaborados através de uma ótica que preza pelo cuidado minucioso em todo o processo, iniciando pelos vinhedos 100% próprios, passando pela elaboração, uso de tecnologias, até chegar à taça do consumidor. Tudo é feito pela família De Mari com muito entusiasmo, paixão e atenção a todos os detalhes, resultando em vinhos equilibrados e destacando nosso terroir. Cada garrafa compartilhada com o cliente, apreciador de vinhos, reflete o amor e dedicação da Família De Mari à vitivinicultura, buscando sempre a excelência e qualidade dos produtos. “Existe sempre uma boa razão para se degustar um bom vinho, quando cada garrafa conta sua própria história” diz a somellier da vinícola Marcela de Mari.

Dicas de harmonizações com vinhos para combinar com o frio

Especialista indica quais os tipos de vinhos para serem tomados com a comida no inverno

Os admiradores de um bom vinho sabem que a bebida pode ser degustada em qualquer estação, mas é no inverno que os hábitos mudam para se adaptarem às temperaturas mais frias, também impactando nos vinhos escolhidos para harmonizar com a estação. Com o frio se aproximando, nada melhor que aprender melhor a combinar o tipo de vinho com o prato. Por isso, o docente do curso de Sommelier do Senac Bento Gonçalves Marcelo Scavone preparou algumas dicas:
Mais do que a estação, pense na combinação do vinho com o prato
Existe uma crença de que os vinhos brancos combinam com o verão e os vinhos tintos devem ser consumidos no inverno. Mas, mais do que isso, é preciso observar as intensidades dos pratos. “No inverno, tomamos muitas sopas e comidas mais calóricas e a combinação deverá respeitar a intensidade do prato e combinar com o vinho. Por exemplo, lasanhas, normalmente untuosas, combinam com um vinho tinto, uma vez que o tanino deste entra em ação limpando o nosso paladar. Já sobremesas e alguns queijos vão bem com um vinho licoroso”, explica o docente.
Uma variedade de queijos nas famosas tábuas de queijos, que ocorre em muitos dos lares, deve ser observada com cuidado, pois os queijos frescos e com uma certa acidez ou salinidade, assim como os queijos mais delicados, harmonizam com espumantes, vinhos rosé e brancos mais encorpados. Isso também quebra com a crença de que todo e qualquer queijo deve ser harmonizado com vinho tinto o qual, por sinal, combina perfeitamente com queijos duros e queijos pungentes.


Outro vinho que ganhou muitos adeptos é o rosé. Há pouco tempo, o vinho rosé era tido como um vinho sem muito prestígio. Hoje, ganhou a mesa e os lares de muitas pessoas, inclusive as pessoas que não costumavam beber vinho. “Estes podem sim harmonizar com peixes, frango e até alguns elementos de charcutaria”, explica Marcelo.
Em relação à escolha do vinho, Marcelo destaca que a variedade depende do gosto pessoal, mas revela suas preferências: “Neste ano, estou preferindo a variedade merlot e cortes de cabernet franc com cabernet sauvignon. Essas escolhas são muito influenciadas pelos acompanhamentos e consequente harmonização. Mas minha principal motivação é apreciar vinhos locais valorizando as variedades produzidas na região”, destaca.
Cuidado com certos elementos
Existem elementos que sim, dificultam e até mesmo inviabilizam uma harmonização, pois podem deixar a boca amarga, adstringente ou metálica. “Elementos como oleaginosas, principalmente o amendoim, as azeitonas, o aspargo, o vinagre da salada e alguns preparos com ovos devem ficar de fora de suas combinações”, destaca Marcelo.
Mitos do consumo de vinhos
Existem algumas combinações que parecem ser estranhas como, por exemplo, consumir espumante comendo feijoada. O fato é que as “borbulhas”, o “gás” e a acidez do espumante ajudam a limpar o paladar, ou seja, feijoada com espumante é sim uma combinação possível. Por sinal, uma comida de inverno para esquentar nos dias frios.
Outra situação interessante de falar é que muitas pessoas comentam que os vinhos mais caros são os melhores. No entanto, a questão da escassez – o fato de o vinho ser raro ou ter sido produzido numa quantidade limitada – é o que faz com que o preço suba, sem necessariamente ser o melhor vinho de todos. Tendo em vista que nem sempre o mais caro é o melhor, a última dica do professor do curso de Sommelier é: “Valorize as vinícolas e os produtos nacionais. A qualidade dos nossos vinhos e espumantes é reconhecida mundialmente”.

Assembleia aprova projeto que altera o controle de agrotóxicos no RS

Foram 37 votos favoráveis e 15 contrários ao projeto. Diogo Zanatta / Especia

A Assembleia Legislativa aprovou nesta terça-feira (29) o projeto de lei encaminhado pelo governador Eduardo Leite que altera o controle de agrotóxicos no Rio Grande do Sul. A matéria, que trancava a pauta, foi aprovada com 37 votos a favor e 15 contrários. A mudança prevê que os produtos não autorizados no país de origem possam ser cadastrados e usados em território gaúcho. Fica mantida, no entanto, a necessidade de análise e liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e do Ministério da Agricultura.
Para uso no Rio Grande do Sul, não será mais necessária a liberação, apenas o registro junto à Secretaria Estadual da Agricultura. Parlamentares da oposição se manifestaram contra a matéria, alegando que aumentariam os riscos para a saúde da população com o uso desses produtos que não tiveram autorização em seus países de origem.
Na justificativa do projeto encaminhado à Assembleia Legislativa, o governo sustenta que “o controle dos agrotóxicos está regrado em âmbito federal através da Lei Federal nº 7.082/89, que dispõe sobre a pesquisa, a experimentação, a produção, a embalagem e a rotulagem, o transporte, o armazenamento, a comercialização, a propaganda comercial, a utilização, a importação, a exportação, o destino final dos resíduos e embalagens, o registro, a classificação, o controle, a inspeção e a fiscalização de agrotóxicos, seus componentes e afins”.
Outro argumento é que os demais Estados brasileiros não possuem legislações restritivas como o Rio Grande do Sul.
Para o deputado Marcus Vinícius (PP), que integra a base do governo, o fato de não ser liberado no país de origem não significa que seja proibido no Brasil, já que existe legislação federal que faz esse controle.
— O que se busca é a equiparação produtiva com outros Estados da federação — argumentou o progressista em sua manifestação.
No entendimento do secretário-adjunto da Agricultura, Luiz Fernando Rodriguez Junior, a aprovação do projeto “reconduz o Rio Grande do Sul ao plano dos demais Estados”.
– Ao mesmo tempo, estabelece a responsabilidade compartilhada entre as secretarias do Meio Ambiente, Saúde e Agricultura, no cadastramento e fiscalização dos agroquímicos. Esta postura complementa o registro que é de competência dos órgãos federais (Ibama, Anvisa e Ministério da Agricultura) – sustenta o secretário.

Seis países em um encontro inédito sobre Enologia

 

Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Peru e Uruguai reúnem enólogos em live dia 14 de julho para falar da qualidade, diversidade, desafios e curiosidades da última colheita da uva
O vinho tem o poder de aproximar as pessoas, mesmo que à distância, fazendo o longe virar perto. Nem mesmo a pandemia do Coronavírus impediu que Associações de Enólogos de seis países latino-americanos: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Peru e Uruguai, realizassem um encontro histórico. Pela primeira vez, profissionais do setor vitivinícola dessas seis nacionalidades estarão reunidos para falar das características da última safra. Este encontro on-line será realizado dia 14 de julho, através do canal da Associação Brasileira de Enologia (ABE) no Youtube, a partir das 19h no horário de Brasília (19h na Argentina, Brasil e Uruguai; às 18h na Bolívia e no Chile e às 17h no Peru). É o ‘Directo del Viñedo Vendimia 2021 en Latinoamerica’.
Serão 12 profissionais, dois de cada país, mediados pelo enólogo uruguaio Fernando Pettenuzzo, coordenador do grupo G4, que estará em estúdio montado em Bento Gonçalves, cidade sede da ABE, onde o presidente, enólogo André Gasperin, e o conselheiro Juliano Perin, estarão juntos nesse fórum digital sem fronteiras. O papo poderá ser acompanhado por qualquer pessoa interessada no assunto, podendo conhecer as peculiaridades de cada terroir. “Ver nascer um projeto tão transformador e significativo para ambos os seis países é como ver nascer um vinho. E que ele tenha vida longa para poder ser degustado por muito tempo por todos que apreciam este universo”, destaca Gasperin.
A inspiração para a iniciativa veio do ‘Direto do Vinhedo – Safra 2021’, realizado pela ABE também no formato on-line no dia 29 de abril. A entidade reuniu nove enólogos e agrônomos de diferentes regiões produtoras para falar do desempenho da colheita da uva. O resultado superou as expectativas e o projeto foi compartilhado com o G4, bloco criado em 2012 para trabalhar em torno de objetivos comuns, unindo as Associações Nacionais de Enólogos da Argentina, Brasil, Chile e Uruguai. De lá para cá, todos seguiram cumprindo agenda itinerante nos quatro países e agora com a promoção deste encontro o grupo resolveu convidar a Bolívia e o Peru, formando o G6 – Grupo de Enólogos de Latino-américa.

FERNANDO PETTENUZZO, enólogo uruguaio Coordenador do grupo G4

Pettenuzzo comenta que o evento poderá ser acompanhado por qualquer pessoa interessada no assunto. “Pela primeira vez na história, integrantes do setor vitivinícola latino-americano e amantes do vinho, terão a possibilidade de interagir com profissionais de seis países e conhecer em primeira mão informações de como se deu a vindima 2021. Um acontecimento sem precedentes, que marcará um ponto de partida na vitivinicultura latino-americana e na coordenação e cooperação entre os enólogos deste continente”, enfatiza o coordenador.
A proposta, além de fortalecer e promover a vitivinicultura latino-americana, também quer mostrar a diversidade e a qualidade da produção, especialmente em relação a investimentos nos vinhedos e como isso reflete diretamente na excelência dos vinhos. Se por um lado o encontro oportunizará a troca de experiências no ambiente técnico, por outro dará subsídios aos consumidores, antecipando tendências e tipos de produtos que irão chegar ao mercado daqui para frente. O evento tem o patrocínio da Fermentis by Lesaffre, que desenvolve, produz e comercializa leveduras inovadoras enológicas.

Os enólogos André Gasperin e Juliano Perin representam o Brasil

SERVIÇO
O que? Directo del Viñedo Vendimia 2021 en Latinoamerica
Quando? 14 de julho de 2021
Horários:
Argentina, Brasil e Uruguai – 19h
Bolívia e Peru – 18h
Chile – 17h
Onde? Canal da ABE no youtube
PARTICIPANTES:
ARGENTINA
ABEL FURLÁN – Presidente da Associação de Profissionais em Enologia e Alimentos da Argentina (Apeaa)
MIGUEL CODATTO – Diretor da Apeaa
BOLÍVIA
GERARDO AGUIRRE ULLOA – Presidente da Associação Nacional de Enólogos da Bolívia (ANEB)
FERNANDO GALARZA CASTELLANOS – Gerente da Associação Nacional de Indústrias Vitivinícolas (ANIV)
BRASIL
ANDRÉ GASPERIN – Presidente da Associação Brasileira de Enologia (ABE)
JULIANO PERIN – Diretor e Conselheiro da Associação Brasileira de Enologia (ABE)
CHILE
ADRIANA CERÓN ARAYA – Presidente da Associação Nacional de Engenheiros Agrônomos Enólogos de Chile
SERGIO HORMAZÁBAL – Criador do grupo colaborativo Maiporigen do Vale del Maipo
PERU
JOSÉ CARLOS FALCONÍ MOYANO – 1º Membro da Associação Peruana de Enólogos
ALAN WATKIN SEJURO – Presidente do Comitê Vitivinícola da Câmara de Comércio e Indústria de Ica
URUGUAI
RICARDO CABRERA – Presidente do Instituto Nacional de Vitivinicultura – Vinhos do Uruguai (Inavi)
EDUARDO BOIDO – Doutor em Enologia, professor da Escola de Vitivinicultura do Uruguai e diretor técnico da Bodega Bouza

Em cinco pontos, saiba como deve ser o inverno no Rio Grande do Sul

fotos: Marlove Perin

Um inverno típico, com um mês de frio mais intenso, é o que os gaúchos deverão enfrentar este ano. A estação mais fria do ano começou à 0h32min de segunda-feira (21) e se estenderá até as 16h21min de 22 de setembro.
Agosto promete ser o mês mais seco e, também, o mais gelado no Rio Grande do Sul, de acordo com o meteorologista Carlos Medeiros Ineu Junior, da Somar Meteorologia.

El Niño e La Niña ausentes
Até o final deste ano, os modelos climatológicos não apontam formação de El Niño, que aumenta das chuvas no Rio Grande do Sul, ou de La Niña, que provoca seca no Estado. Portanto, com a ausência dos fenômenos, o inverno terá a chamada neutralidade climática — sem mudanças bruscas no clima tradicional da época.
Montanha-russa da chuva
O período dentro dos primeiros 30 dias do inverno promete ser chuvoso, com acumulados acima da média nas regiões Sul e Leste do Rio Grande do Sul, onde costuma chover entre 100mm e 150mm, por conta de frentes frias que cruzarão a região rumo ao Oceano Atlântico.
Em agosto, as chuvas diminuirão de forma geral, ficando na média (que é de 50mm a 100mm na Fronteira Oeste e de 100m a 150mm no restante do Estado) e até abaixo dela.
Como uma verdadeira montanha-russa climática, os acumulados acima da média voltarão em setembro, principalmente na Região Metropolitana, na Serra e no Centro do Rio Grande do Sul, onde costuma chover até 200mm.


Mínimas maiores, máximas menores
Julho terá temperaturas mínimas acima da média no Estado, que costumam ficar entre 6°C e 12°C, dependendo da região. Já as máximas ficarão abaixo da média. Na Fronteira Oeste e na Campanha, por exemplo, onde as máximas costumam se situar entre 18°C e 21°C, as temperaturas deverão ficar até 3°C mais baixas.
Com neve ou sem neve?
O frio mais intenso, que poderá vir acompanhado de geada forte em todo o Estado, virá em agosto, quando as temperaturas mínimas ficarão até 3°C abaixo da média. O mês estará mais seco, mais frio e com episódios seguidos de geada. Não se descarta que ocorram precipitações de neve, dependendo da região.


Mais quente que o normal no fim
O último mês do inverno será completamente diferente do anterior: o mais quente deles, com temperaturas acima da média em todo o Estado. É uma preparação para a primavera. Regiões como a Metropolitana, o Vale do Rio Pardo, a Central, a Fronteira Oeste e a Campanha poderão registrar mínimas (entre 9°C e 15°C) e máximas (entre 18°C e 24°C) até 4°C acima da média.

Vinho colonial é opção para turistas no Vale dos Vinhedos

Destaque na produção de vinhos e como destino turístico, o município de Bento Gonçalves inaugurou na  sexta-feira (18/06) duas novas vinícolas familiares: a Casa Zottis e a Videiras Carraro, ambas no Vale dos Vinhedos. Assim, já são 10 vinícolas registradas no município que fazem parte do Programa Estadual de Agroindústria Familiar do Governo do Estado (Peaf) e do Selo Sabor de Bento.
O gerente adjunto da Emater/RS-Ascar ressaltou que a agroindústria familiar é uma das prioridades do trabalho da Extensão Rural e Social na região, tendo como foco a sucessão rural, a agregação de valor e a viabilização da comercialização. Bonato destacou ainda três políticas públicas beneficiando estas famílias: a Assistência Técnica e Extensão Rural e Social, o Programa Estadual de Agroindústria Familiar e a Lei do Vinho Colonial (12.959, de 2014).
O enólogo da Emater/RS-Ascar, Thompsson Didone, afirmou que para a Emater/RS-Ascar é mais uma grande conquista, em virtude de que antes de 2014 era praticamente impossível o pequeno agricultor registrar e dar viabilidade econômica para uma pequena vinícola. “Ele obedecia a praticamente todos os requisitos de uma grande indústria e essa lei auxilia, viabilizando o pequeno produtor”, explica.
Didone salienta ainda que o agricultor, estando no Peaf, consegue vender com nota de talão de produtor. “Além disso, no município, como destaque temos o Selo Sabor de Bento, que é um selo que indica procedência e qualidade, atendendo aos requisitos estabelecidos pela legislação”.
Esses empreendimentos também passaram a fazer parte de um projeto desenvolvido pelo IFRS – Campus Bento Gonçalves, juntamente com a Emater/RS-Ascar, para a análise e adequação dos rótulos à legislação vigente.
Atualmente, Bento Gonçalves é o município com o maior número de agroindústrias familiares do Estado. “Nós da Secretaria do Estado temos o compromisso de desburocratizar e ajudar as famílias a cada vez mais abrir novas agroindústrias”, frisou Smanioto, representante do Estado.
O prefeito destacou o incentivo do município a esses empreendimentos, que aumentam o turismo, o enoturismo e divulgam o nome da cidade para todo o país. “É a evolução da agricultura, da agroindústria e do turismo, por isso que a Prefeitura está apoiando cada vez mais, junto com a Emater e outras entidades, esses pequenos empreendedores com suas agroindústrias familiares. São famílias que fazem um produto de extrema qualidade, com muito suor e paixão”, salientou Siqueira.
A Casa Zottis
A tradição de elaborar o vinho no porão de casa é mantida pelo casal Juliano e Daniela Zottis, que neste ano produziu 15 mil litros da bebida. Inserida em uma rota turística, a família tem foco no turista, especialmente o local, que durante a safra da uva também pode colher a fruta no parreiral e degustar.
Daniela, que é enóloga, diz que o assessoramento da Emater/RS-Ascar foi fundamental para a legalização do negócio, que permitiu ter um rótulo, estar de acordo com a legislação e poder participar de feiras no pós-pandemia. “A gente sempre teve vontade, mas achava que era muito burocrático, difícil, e eles nos ajudaram muito”, diz.
Videiras Carraro
Já consolidada como um importante ponto turístico, a Videiras Carraro procura oferecer mais do que produtos, uma experiência para os visitantes. É por isso que os visitantes podem sentar ou deitar em uma rede embaixo das videiras e degustar os vinhos, sucos e espumantes da vinícola e fazer piqueniques, além de saborear as uvas de mesa durante a safra e participar da vindima e de atividades como a pisa das uvas.
Conforme o produtor Gean Carraro, isso tem gerado um bom movimento e incrementado a renda da família. E tudo começou com a legalização do empreendimento. “Contamos com o apoio da Emater e o projeto foi ganhando vida. Eu sou a quinta geração que produz vinho na família e senti o desejo de continuar esse legado na produção dos vinhos. Podemos dizer que o evento realizado em nossa vinícola foi um sonho que concretizamos. Tenho certeza que vai nos motivar a crescer cada vez mais e ajudar o Vale dos Vinhedos a ficar mais na rota dos turistas”.

Sicredi Serrana inaugurou a segunda agência em Veranópolis, a primeira da sua área de atuação com conceito sustentável

No dia 19 de maio, a Sicredi Serrana RS/ES entregou a segunda agência à comunidade de Veranópolis. A primeira na modalidade sustentável que a cooperativa inaugurou em sua área de abrangência. Ampliar a atuação no município era uma possibilidade que a Sicredi Serrana avaliava com carinho há algum tempo e que começou a sair do papel em 2019, em razão da aceleração do ritmo de crescimento da cidade e do desejo de manter a atenção, cuidado e qualidade no atendimento aos associados.
Por que uma agência sustentável? Por que em Veranópolis?
A inovação, que está presente na essência da Sicredi Serrana, somada ao propósito de “construir juntos uma sociedade mais próspera”, foram as sementes que fizeram brotar o projeto de sustentabilidade na cooperativa, através de iniciativas como: a construção de usinas para atender as demandas de energia de suas agências e da sede administrativa, a disponibilidade de linhas de crédito específicas para os associados implementarem energia fotovoltaica, o olhar para oportunidades relacionadas aos recursos hídricos e a agência Sustentável.
A Sustentável foi construída a partir do conceito de economia verde, que considera o bem- estar social, a redução dos riscos ambientais e a conservação do meio ambiente. E nada melhor do que a “terra da longevidade”, como Veranópolis é reconhecida nacionalmente, para abrigá-la.
Sobre a localização
A segunda casa da Serrana no município tem como endereço a Avenida Osvaldo Aranha, 1486, na Palugana. Para a escolha do local, foram consideradas a capacidade do entorno para absorver o fluxo de uma agência, as condições de acessibilidade para os associados e os impactos na comunidade. Foi uma decisão a muitas mãos, que envolveu a cooperativa, os associados e o poder público, em um movimento conjunto de apoio à revitalização da região.
Conceito sustentável
Obra construída a partir de contêiners refrigerados reciclados Com 600 m² divididos em dois pisos, a agência Sustentável foi construída a partir de 20 contêiners refrigerados reciclados. A opção por essas estruturas evitou um possível descarte dos contêiners no meio ambiente e dispensou a necessidade de construção da fundação da obra, reduzindo a geração de resíduos. Além disso, contribuirá para a termoacústica, proporcionando uma diferença de temperatura de 4ºC entre os ambientes interno e externo, bem como uma diminuição de captação de ruídos da rua em 30%.
Outro item relevante para o conforto térmico e para a diminuição do nível de ruído no interior do prédio é o telhado verde de 115 m². Ele também contribui com o aumento da umidade
relativa do ar e a redução da poluição ambiental por absorver gases de efeito estufa.
Design bioclimático e sistema de ar
O design bioclimático da Sustentável, que considera a sinergia entre o prédio, a qualidade de vida dos seus ocupantes e o respeito ao meio ambiente, tem mecanismos de ventilação e de iluminação predial que mantêm o aquecimento interno nos dias frios e o resfriamento nos dias quentes.
O sistema de climatização é do tipo VRF (Fluxo de Gás Refrigerante Variável), oferecendo as vantagens do controle independente de temperatura em cada ambiente, proporcionando conforto térmico e redução do consumo de energia. Além disso, conta com tecnologia de renovação e filtragem de ar a cada três horas.
Sustentabilidade e eficiência em energia e iluminação
O telhado possui 230 m² de painéis fotovoltaicos que geram a energia limpa necessária para abastecer a agência Sustentável, bem como 40% da necessidade da outra agência da Serrana em Veranópolis, a da Júlio de Castilhos. Além disso, o prédio conta com iluminação eficiente, que possibilita controlar a intensidade da claridade interna de acordo com as necessidades dos usuários e da disponibilização de luz natural. Há sensores de presença nas áreas de circulação, evitando o desperdício de energia nos momentos em que não houver pessoas ocupando os espaços.
As lâmpadas do tipo LED reduzem o consumo de energia, possuem longa vida útil e contam
com descarte simplificado, por não possuírem em sua composição metais pesados e mercúrio. Todos os equipamentos eletrônicos adquiridos para a Sustentável contam com o selo Procel de eficiência energética, também no sentido de redução do consumo de energia.
Ambiente externo
Na área externa, são 15 vagas de estacionamento e 30 m² dedicados à acomodação de bicicletas, incentivando a adoção de um novo conceito de mobilidade urbana. No jardim, optou-se pela incorporação de características da natureza à obra. Neste sentido, foram escolhidas também plantas de flora local: macieiras, em homenagem ao município de Veranópolis, reconhecido como o berço nacional da maçã.
Uso consciente dos recursos hídricos
As biovaletas e o piso drenante externos são capazes de absorver, limpar e direcionar mais de 80% da água da chuva para um reservatório de 50 mil litros localizado embaixo do bicicletário. Este recurso será reutilizado tanto para a irrigação das plantas quanto para a descarga dos vasos sanitários, o que reduzirá em mais de 70% o consumo de água potável da agência. Também há medição de água setorizada nas principais unidades do prédio, de forma a
otimizar a gestão do consumo e identificar e corrigir eventuais vazamentos com agilidade.
Acessibilidade
A agência Sustentável localiza-se junto ao nível da rua para facilitar o acesso. Também possui elevador para o deslocamento entre os seus dois pisos. Se a preferência for por utilizar a escada, o associado encontrará degraus não muito altos, apoio de corrimão e área de descanso entre os dois lances.
Vale comentar que o elevador é regenerativo, ou seja, sempre que for utilizado gerará energia em uma bateria, reduzindo os gastos de eletricidade em 75%, quando comparado com elevadores tradicionais.
Mobiliário
Todo o mobiliário que faz parte da agência foi produzido com madeira 100% certificada pelo FSC® (Forest Stewardship Council), selo que garante que a sua origem vem do bom manejo florestal.
Madeira plástica, vidros inteligentes, brises-soleil A estrutura externa conta com brises-soleil, quebra sol em livre tradução, a fim de proteger o interior da incidência direta da radiação solar.
Os vidros são responsivos à iluminação solar e luz artificial, oferecendo conforto visual em razão da redução de até 78% do calor do sol e dos raios UV.
A fachada possui aplicação de madeira plástica e revestimento em ACM – Material Composto de Alumínio, que contribuem para o isolamento acústico e térmico, além de necessitarem de baixa manutenção e possuírem longa durabilidade.
Certificação LEED
O LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) é uma ferramenta de certificação que
busca incentivar e acelerar a adoção de práticas de construção sustentável. A agência Sustentável da Sicredi Serrana está em processo de certificação para obtenção deste selo de reconhecimento internacional de sustentabilidade.
Investimento
A proposta de valor agregada à Sustentável transcende a questão econômica, considerando fatores como o compromisso com a comunidade, a responsabilidade socioambiental, o bem- estar dos colaboradores e dos associados e a mobilização da sociedade para um conceito inovador de construção, no qual eficiência e beleza caminham juntas. Ser o protagonista de uma obra sustentável é alicerçar a visão no futuro, considerando o
retorno econômico próximo ao décimo ano, em virtude dos recursos iniciais que uma construção desta modalidade exige e da economia que gera no longo prazo.
Capacitação dos colaboradores
A fim de ampliar o conhecimento sobre os conceitos sustentáveis, todos os colaboradores das agências de Veranópolis realizaram uma capacitação com um profissional da área.

Brasil recebe sinal verde para exportar maçãs para a Colômbia

Carga de maçãs exportada Crédito: Divulgação

Após mais de cinco anos de tratativas entre os governos do Brasil e da Colômbia, especialmente envolvendo autoridades fitossanitárias do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a maçã brasileira recebeu sinal verde e chega à mesa dos colombianos a partir desta semana. A primeira carga da cultivar Royal Gala, cerca de 41 toneladas, saiu de Vacaria. A expectativa é que os carregamentos semanais sigam acontecendo.
A abertura deste novo mercado anima o setor produtivo, pois é uma excelente alternativa para a exportação da fruta. “A Colômbia é um mercado que importa em torno de 100 mil toneladas de maçãs ao longo de todo o ano, diferente dos países do hemisfério norte, onde a janela fecha em junho para a maçã brasileira”, comemora Celso Zancan, Diretor Comercial e Logística de Mercado Externo da Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM).
Segundo Jairo Carbonari, auditor fiscal do Mapa no RS e chefe da Divisão de Defesa Agropecuária, as negociações com as autoridades fitossanitárias da Colômbia foram capitaneadas pelo Departamento de Sanidade Vegetal do Ministério, com apoio destacado do adido agrícola brasileiro na Colômbia. Mais intensamente desde a visita da Missão Oficial colombiana em março de 2020, a superintendência do Mapa no RS, em conjunto com a Associação Brasileira de Produtores de Maçã, representando o setor produtivo, e a Embrapa Uva e Vinho, buscaram atender as exigências fitossanitárias, especialmente relacionadas a pragas como a mosca-das-frutas, cochonilhas e a grafolita.
Para isso, foi elaborado um protocolo que garante que as maçãs brasileiras exportadas para a Colômbia não levarão junto insetos pragas; esse protocolo contou com o apoio do pesquisador Adalécio Kovaleski, da Embrapa Uva e Vinho e dentre as recomendações estão ações de monitoramento no campo, associado ao tratamento das frutas ao frio, que garantem o controle das pragas.
“A abertura deste novo e importante mercado para a maçã brasileira só foi possível graças ao trabalho conjunto e articulado do setor produtivo, pesquisa e dos órgãos reguladores para estabelecer o protocolo obrigatório para a exportação das frutas atendendo as exigências colombianas”, avalia Carbonari.

Desafios das mães na pandemia, por Jamile Comin, psicóloga

A temática do texto deste mês foi inspirada pelas demandas de mães surgidas neste período de pandemia. Estas relatam sentirem-se sobrecarregadas, uma vez que entre suas tarefas está a resolução de conflitos que ocorrem na convivência diária no ambiente doméstico. Tais conflitos foram exacerbados neste período, gerando estresse para as mães.
Embora saiba que a pandemia esteja afetando a todos, o foco das reflexões do texto deste mês irá focar-se nas mães e nas suas dúvidas, angústias e medos. Um primeiro aspecto a ser avaliado para compreender o momento vivido pelas mães é a relação coparental. Mães e pais sentem-se estressados e pressionados. Contudo, é necessário que o casal possa ter um espaço para compartilhar seus sentimentos e elaborar estratégias conjuntas para superar as situações difíceis. Para tanto, é preciso que as mães possam perceber o apoio dos pais no tocante aos cuidados com os filhos e à execução das tarefas domésticas.
Entende-se que mães que recebem apoio se sentem calmas, amparadas e, como consequência, menos sobrecarregadas. Mães que não recebem apoio tendem a receber estresse coparental. Desta forma, um pai participativo nas responsabilidades da casa é fundamental.
Diante de um conflito que ocorre no ambiente doméstico, deve se questionara avaliação que a mãe faz deste e do  engajamento do pai em sua resolução. Quando ocorre a percepção da adoção por parte do pai de um estilo mais agressivo para com os filhos, de negligência em relação ao conflito, afastando-se do mesmo ou fingindo não vê-lo, e de conformidade para com a situação, fazendo concessões ou evitando o diálogo, a situação da relação coparental tende para o lado negativo. Com isto, haverá dificuldades no manejo e na resolução do conflito e maior estresse para a mãe.

Infelizmente, os resultados apontam para o predomínio do polo negativo. Assim, as mães tendem a sofrer de um estresse coparental maior com prejuízos a sua saúde mental. Contudo, é importante ressaltar que o que acontece em uma família não irá se repetir em todas as famílias necessariamente. Esses resultados conduzem à reflexão sobre a relação conjugal e suas repercussões no cuidado com os filhos, nas tarefas domésticas e nos conflitos familiares. A desigualdade de responsabilidades de mães e de pais no ambiente familiar parece conduzir ao predomínio do polo negativo do contexto coparental, mas isto não significa que tal situação permanecerá inalterada.
Um primeiro passo é lembrar que os modelos de cuidados associados ao masculino e ao feminino podem (e devem) se revistos pelo casal. Isto porque o cuidado com os filhos é uma tarefa compartilhada. Em momentos mais estressores, como o da pandemia, o diálogo e as renegociações entre o casal são importantes e necessários. A diminuição do estresse coparental conduzirá não apenas a melhora de saúde mental das mães, mas de toda a família.

Mais prêmios que vêm da França

Distinção foi conferida para vinhos e espumantes brasileiros

Pela terceira vez no ano, os vinhos e espumantes brasileiros arrematam prêmios na França. Desta vez foi no Challenge du Vin, realizado nos dias 18 e 19 de maio. Cinco Medalhas foram conquistadas, sendo quatro de Ouro e uma de Prata. Até agora, somente este ano, são 22 prêmios outorgados por concursos internacionais realizados no país.
O concurso é tradicional e todos os anos, durante a Primavera, reúne mais de 800 profissionais e consumidores amadores informados para degustar cerca de 5 mil vinhos de 38 países. A avaliação é feita em duas manhãs. Criado em 1976, o Challenge du Vin é organizado pelo Concours Des Vins (CDV), com sede em Bourg, na França.
PREMIAÇÕES
Medalha de Ouro
Aurora Espumante Brut – Cooperativa Vinícola Aurora
Garibaldi Espumante Chardonnay Brut – Cooperativa Vinícola Garibaldi
Garibaldi Espumante Prosecco – Cooperativa Vinícola Garibaldi
Casa Valduga Terroir Gewurztraminer 2020 – Casa Valduga Vinhos Finos
Medalha de Prata
Panizzon Espumante Chardonnay – Sociedade de Bebidas Panizzon