Agricultores da Serra já estão colhendo as primeiras uvas da safra

Variedades precoces Vênus Niágara são colhidas em áreas mais baixas da região

O produtor Gilnei Luiz da Silva cultiva 5,5 hectares de vinhedos Fotos: Marlove Perin

Agricultores da Serra Gaúcha já estão colhendo as primeiras uvas da safra 2019/2020. É a variedade precoce Vênus, cultivada em áreas mais quentes da região, nos vales, próximo aos rios. Essa uva é sem sementes e para consumo in natura. Ela não serve para a indústria fazer vinhos ou sucos.
Em Monte Belo do Sul, na localidade Santo Isidoro, o produtor Gilnei Luiz da Silva cultiva 5,5 hectares de vinhedos. A colheita da Niágara começou nesta semana e a cultivar Vênus os produtos só possui alguns pés para consumo próprio. Segundo Gilnei, embora essa variedade seja um pouco menos saborosa do que a uva Niágara, mais conhecida e cuja colheita vem logo depois, a Vênus compensa justamente nessas regiões mais quentes porque ainda não há outras uvas da safra no mercado. E o clima junto aos rios favorece. “É difícil de dar geada. A gente consegue produzir cedo. Essas uvas precoces valem a pena sim “afirma. Ele comenta que a variedade Vênus tem bom sabor, mas precisa ser colhida no ponto certo, madura. Se passar do momento de colher, mesmo que pouco, pode estragar, já que é uma uva sensível. O produtor explica que as uvas para consumo in natura valem a pena porque o produtor ganha mais do que com as uvas para a indústria, não ficando sujeito ao preço pago pelas cantinas nas uvas destinadas à produção de bebidas.


Com relação à safra de um modo geral, Gilnei acredita que poderá ficar num patamar semelhante ao do último. Segundo ele, um dos fatores desfavoráveis do clima neste ano foi a quantidade excessiva de chuvas, o que expõe mais as uvas às doenças, provocando perdas.
Conforme o agrônomo especialista em fruticultura da Emater/Serra, Ênio Todeschini, a previsão é que a safra em geral fique dentro da média, considerando todas as variedades, tanto in natura quanto voltadas à indústria. Isso corresponde a 780 mil toneladas para a Serra e 860 mil toneladas para o Estado “Houve muita chuva e pouca radiação solar em outubro e em metade do mês de novembro. Com isso, aconteceu uma considerável queda de flores e bagas. Ou seja, não houve pegamento, que é a transformação das flores em frutas. Porém, as que permanecem têm grande capacidade de compensação, pois crescem mais “. explica.

Inicia colheita do milho no RS

Foto em Tuparendi, no Noroeste do RS, por José Schafer

No Rio Grande do Sul, a semeadura do milho alcança 90% da área de 777.442 hectares projetadas para esta safra 2019/2020. De acordo com o Informativo Conjuntural, divulgado pela Emater/RS-Ascar, em parceria com a Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), 39% das lavouras implantadas estão na fase de desenvolvimento vegetativo, 22% em floração, 35% em enchimento de grãos e 4% em maturação. Na regional de Santa Rosa, a colheita do milho já iniciou em 1% da área cultivada com o grão. No geral, o desenvolvimento da cultura e o estado fitossanitário estão bons. As lavouras apresentam baixo índice de ataque de pragas e de incidência de doenças.
O milho silagem também segue em desenvolvimento no Estado. Na regional da Emater/RS-Ascar de Frederico Westphalen, 10% das lavouras estão na fase de desenvolvimento vegetativo, 27% em floração, 60% em enchimento de grãos e 3% em maturação. Em geral, as lavouras seguem apresentando bom desenvolvimento, com ótimo potencial produtivo.
Na soja, a implantação da cultura alcançou 90% do total da intenção de plantio, que é de 5.978.967 hectares para a safra do RS. As lavouras se encontram 99% na fase de desenvolvimento vegetativo e 1% em floração. Na regional da Emater/RS-Ascar de Ijuí, por exemplo, o plantio da soja foi finalizado. Em aproximadamente 10% da área cultivada, as lavouras necessitam de aporte hídrico para regularizar a emergência. Das já implantadas, 98% estão em desenvolvimento vegetativo (estágios V4 e V6) e em 2% inicia a floração. Em geral, o estande de plantas se apresenta desuniforme. Nas áreas implantadas no início de novembro, o problema foi o elevado volume de precipitação, enquanto que nas implantadas entre o final de novembro e início de dezembro, a limitação é a redução da umidade do solo em decorrência da ausência de precipitações. Em pontos isolados, tem sido observada a morte de plantas devido ao estresse hídrico e a fatores como ataque de lagartas.
Nas Missões, a semeadura da soja não foi concluída devido à pouca umidade do solo. Nas lavouras implantadas recentemente, a emergência das sementes foi desuniforme em função de o plantio ter ocorrido com solo seco e a pouca profundidade. Em 3% da área total da região administrativa da Emater/RS-Ascar de Santa Rosa, os produtores necessitaram realizar replantio. Em geral, a situação das lavouras de soja ainda se mantém boa, com bom estande de plantas e estado sanitário. Os produtores da região realizam controle de invasoras e pragas (lagartas) e iniciam o monitoramento da prevenção da ferrugem asiática.
A cultura do arroz no RS chegou em 98% da área de 944.549 hectares estimada para a safra. O tempo favorável em todas as regiões permitiu aos produtores avanços no preparo de novas áreas e plantios. As lavouras estão 100% na fase de desenvolvimento vegetativo. Os produtores continuam executando tratos culturais para o controle de ervas daninhas, adubação de cobertura e manejo da irrigação.
A implantação do feijão 1ª safra no RS alcançou 92% da área prevista. Atualmente, 28% das lavouras se apresentam na fase de desenvolvimento vegetativo, 15% das lavouras estão em floração, 24% em enchimento de grãos, 23% em maturação e 10% já foram colhidas. Na regional da Emater/RS-Ascar de Frederico Westphalen, a cultura apresenta bom estande e bom aspecto. Os produtores seguem realizando adubação de cobertura (aplicação de nitrogênio) e controle de invasoras. Já na regional de Ijuí, as condições de tempo são favoráveis ao desenvolvimento da cultura, que se encaminha para o enchimento de grãos e maturação. O tempo seco favorece possibilita grãos de excelente qualidade nas primeiras lavouras colhidas; por outro lado, a ausência de umidade tem acarretado problemas em lavouras tardias, atualmente nas fases de floração e de formação do grão.

CULTURAS DE INVERNO
Trigo – Cultura na entressafra, com os produtores comercializando o produto estocado. Na regional da Emater/RS-Ascar de Caxias do Sul, o preço ficou estável entre R$ 40,00 e R$ 42,00. Nas de Ijuí e Frederico Westphalen, variou entre R$ 39,00 e R$ 40,00. Em Erechim, variou entre R$ 41,00 e R$ 42,00. Na regional de Passo Fundo o preço permaneceu em R$ 40,00/sc. Para o produto disponível, a cotação em Cruz Alta foi de R$ 44,00/sc.
Cevada – O tempo favorável na semana permitiu a finalização da colheita da safra da cevada no Estado. Em Canguçu, município que integra a Regional de Pelotas, as últimas lavouras colhidas chegaram à produtividade média de 2.115 quilos por hectare.
Aveia branca – O ciclo da aveia branca no Estado está tecnicamente encerrado. Em Hulha Negra, na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, os produtores aproveitaram a semana com clima seco para finalizar a colheita. A produtividade variou entre 1.200 e 1.500 quilos por hectare, e os grãos apresentaram bom peso, boa sanidade e umidade em torno de 12%. Os preços oscilaram entre R$ 0,70 e R$ 1,00/kg. A aveia Ucraniana, que obtém melhores cotações, foi comercializada entre R$ 1,10 e R$ 1,30/kg.

OLERÍCOLAS E FRUTÍCOLAS
Aipim/mandioca – Nas regiões da Fronteira Noroeste e Missões, as lavouras seguem em desenvolvimento vegetativo. Produtores realizam capina das ervas daninhas e segue a colheita das lavouras plantadas no ano passado. O preço pago ao produtor pelo produto descascado, destinado à agroindústria de polvilho, é de R$ 4,50/kg.
Cebola – Na região Sul do Estado, maior região produtora, com 2.785 hectares com a cultura, segue a colheita, com melhoria do produto colhido. Lavouras estão predominantemente em fase de tombamento e cura a campo. O preço pago ao produtor variou de R$ 0,50 a R$ 0,80/kg para tipo 3. Na regional de Passo Fundo, a colheita da cebola foi encerrada, com produto de ótima qualidade. As produtividades variaram de 15 a 55 toneladas por hectare, com uma média de 28 toneladas por hectare. Produtores comercializam o produto; o preço pago ao produtor baixou, ficando entre R$ 0,50 e R$ 0,60/kg.
Milho verde – Na Regional de Lajeado, iniciou a colheita, atrasada em relação aos anos anteriores, devido ao frio no início do ciclo. A produtividade é muito boa, de 13 toneladas por hectare e média de 45 mil a 50 mil espigas colhidas por hectare. Algumas espigas podem apresentar falha de granação devido ao excesso de chuva durante a floração no Vale do Taquari. O preço recebido pelos produtores varia de R$ 0,20 a R$ 0,25/espiga.
Pêssego – Na região Sul, a cultura está implantada em 5.311 hectares, sendo que 65% das lavouras estão no período de frutificação. Foram colhidos 35% do total. A frutificação é desuniforme. Seguem os tratamentos fitossanitários. O preço pago ao produtor é de R$ 2,00 a R$ 3,00/kg; para o produto para indústria, a sinalização de preços é a seguinte: para tipo 1, R$ 1,30/kg e para o pêssego tipo 2, R$ 1,05/kg.
Melancia – Na Regional de Soledade, a cultura está em colheita. As lavouras sem irrigação apresentam sinais de déficit hídrico. Já na Regional de Porto Alegre, segue a colheita. A baixa umidade já causa déficit hídrico. O preço pago ao produtor é de R$ 1,00/kg.

PASTAGENS E CRIAÇÕES
Os campos nativos e as pastagens cultivadas perenes de verão apresentam boa produção de forragem. A implantação das pastagens cultivadas anuais de verão sofreu atraso, mas em algumas áreas já começam a ser pastejadas. Em vários locais das regiões administrativas da Emater/RS-Ascar de Bagé, Pelotas e Soledade, o clima mais seco está afetando a qualidade e o crescimento das pastagens de verão, especialmente as anuais, em fase de desenvolvimento inicial.
BOVINOCULTURA DE CORTE – As diversas categorias de bovinos de corte no rebanho do RS apresentam bom escore corporal e ganho de peso. As condições sanitárias, no geral, estão satisfatórias. Nas regiões da Emater/RS-Ascar de Santa Maria e Caxias do Sul, vem aumentando a incidência de carrapatos e mosca-do-chifre. Nas diversas regiões do Estado, o período de cobertura das matrizes está em andamento em um bom número de propriedades, tanto por monta natural quanto por meio de inseminação artificial.
BOVINOCULTURA DE LEITE – Os rebanhos leiteiros do Rio Grande do Sul apresentam bom estado corporal e mantêm boa produção. As condições sanitárias são satisfatórias. Nas regiões administrativas da Emater/RS-Ascar de Bagé, Caxias do Sul, Pelotas e Santa Rosa, ocorre aumento da incidência de parasitoses causadas por carrapatos e moscas, especialmente pela mosca-do-chifre. Nas regiões de Pelotas, Santa Rosa, Erechim e Ijuí, são registradas situações de desconforto térmico dos animais. Este fato acarreta menor ingestão de massa verde por meio de pastejo, gerando necessidade de suplementação alimentar para manter os níveis de produção de leite. Com isso ocorre elevação dos custos de produção.
OVINOCULTURA – Os rebanhos ovinos gaúchos apresentam boas condições físicas e sanitárias. Com o desmame de cordeiros encerrado, as atenções do manejo concentram-se na recria e terminação. Outro destaque no manejo é a preparação de carneiros e ventres para o período de encarneiramento que começa no próximo mês, em boa parte das propriedades. A esquila já foi concluída em mais 90% dos rebanhos.
PESCA ARTESANAL
Durante a semana, na região de Porto Alegre, a pesca artesanal em águas do mar teve baixa produtividade, de uma forma geral. Já nas regiões de Santa Rosa e Pelotas, o período de defeso segue até o final de janeiro, nos principais estuários de água doce.

Feira de Pequenas Frutas, Artesanato e Mel acontece na próxima semana em Vacaria

A 17ª edição da Feira de Pequenas Frutas, Artesanato e Mel de Vacaria será realizada de 06 a 08 de dezembro, no Mercado Público Municipal, juntamente com a 7ª Feira de Frutas Nativas do RS.
No município, as pequenas frutas são uma das principais atividades da fruticultura. De acordo com a Emater/RS-Ascar, são cultivados 60 hectares de amora, 12 de framboesa, 19 de mirtilo e 44 de morango. Estas frutas, que se destacam pelas suas propriedades antioxidantes e nutracêuticas, estão na sua época produtiva. Desta forma, o público que for à feira terá a oportunidade de comprar frutas frescas para o consumo in natura, além de sucos, geleias, cucas, pães e bolos, e também mudas destas frutíferas para o cultivo em vasos ou nos quintais de casa.
Na sexta-feira à tarde (06/12), haverá distribuição de sucos e pequenas frutas para as crianças das escolas do município. No sábado (07/12) acontece a abertura oficial, às 14h. O Senac, em parceria com a Emater/RS-Ascar, realizará uma oficina de culinária com pequenas frutas. Na manhã de domingo (08/12) acontece a caminhada da longevidade, com saída em frente à Catedral Nossa Senhora de Vacaria. Esta ação visa promover a prática de atividade física e o apoio solidário a pessoas carentes, já que cada participante doa um quilo de alimento. Na chegada ao Mercado, os participantes recebem um copo de suco de amora, distribuído pela Associação dos Produtores de Pequenas Frutas de Vacaria (Appe Frutas).
O evento é uma realização da Emater/RS-Ascar, conveniada à Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), em parceria com a Prefeitura e Sindicato dos Trabalhadores Rurais.

Foto: Divulgação Emater/RS-Ascar

Vereadores de Santa Tereza aprovam Moção de Repúdio aos projetos de lei para Educação

Os vereadores de Santa Tereza aprovaram por unanimidade de votos em Sessão Ordinária da terça-feira, 26, a Moção de Protesto e Repúdio n°01/2019, contra os Projetos de Alteração no Plano de Carreira do Magistério Público Estadual, no Estatuto do Servidor Público do Rio Grande do Sul e na Previdência Estadual. Até terça-feira (19), Câmaras Municipais de 106 cidades gaúchas já debateram e aprovaram moções de apoio aos educadores(as) ou de repúdio às alterações no Plano de Carreira do Magistério, no Estatuto dos Servidores(as) e na Previdência do Estado. A autoria da matéria é de todos dos vereadores da Casa.

Indicação
De autoria do vereador Flavio Pierozan e do vereador Ivaldo Pissetti solicitam ao Poder Executivo a implementação de Parque Infantil, com diversificação de brinquedos na Praça Norte.
Durante a Sessão ocuparam a tribuna os vereadores Gisele Caumo, Luiz Carlos Riboldi e Cristiano Casagrande.
A vereadora Gisele Caumo em sua fala na tribuna enalteceu a equipe ASTECAN pelo jantar realizado e pela participação nos Jogos Abertos de Esportes Naúticos e Campeonato Gaúcho de Canoagem Velocidade em Caxias do Sul. Também, parabenizou o Poder Público Municipal pela realização do campeonato Citadino de Futebol. Solicitou ao Executivo esclarecimentos sobre o Natal dos Trilhos, que acontecerá no dia 07 de dezembro, divulgação feita no facebook da Prefeitura, na qual não está a programação do evento, e por isso grande parte da comunidade vem solicitando informações do mesmo.
Gisele falou sobre os indicativos divulgados recentemente pelo Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF), feito em conjunto pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Serviço Social da Indústria (Sesi), Centro Industrial do Rio de Janeiro (Cirj) e pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL), o estudo que avalia a saúde financeira de mais de 5 mil municípios brasileiros, a situação mais complicada, porém, está Santa Tereza, que com média geral de 0,3996 foi avaliada pelo IFGF como “gestão crítica”. O pior tópico da cidade ficou com investimento, com nota de 0,0773. Essa avalição é construída inteiramente com base em resultados fiscais oficias declarados pelas próprias prefeituras e disponibilizados pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN), por meio do Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (Siconfi), em 2018, o Índice analisou a gestão pública de 5.337 municípios, onde vive 97,8% da população brasileira. Para chegar à média final, o Índice leva em conta quatro indicadores: a autonomia, liquidez, gastos com pessoal e investimentos. “Vejam bem, cidades como Cotiporã e Garibaldi foram avaliadas como excelência de gestão, Monte Belo do Sul e Pinto Bandeira como uma boa gestão, somente Santa Tereza foi avaliada como gestão crítica. Infelizmente esta é a nossa realidade, é triste, preocupante, mas é real” diz Gisele. Para finalizar, a vereadora falou sobre as alterações no Plano de Carreira do Magistério, no Estatuto dos Servidores(as) e na Previdência do Estado, que a julga como absurda. “Tenho orgulho em dizer que esta Casa efetivou e aprovou por unanimidade de votos a moção de Repúdio aos projetos de lei para Educação” diz a vereadora.
Em seguida ocupou a tribuna Luiz Carlos Riboldi, solicitando ao Presidente da casa que renove o pedido de informações feito no dia 23 de outubro com relação a tomada de preços 011/2016 contrato com a empresa Correia Serviços de Jardinagem em que solicita cópias dos comprovantes dos funcionários com CTPS no período de 2018 até hoje, tendo em vista que até hoje não foi recebido do executivo respostas. Sobre a moção em defesa aos nossos professores, manifesto meu total apoio aos professores pelo desrespeito aos professores, feito pelo governo do estado através de “pacotão” diz Riboldi.
Por fim ocupou a tribuna o vereador Cristiano Casagrande, parabenizando a Astecan pelo jantar e pela participação dos Jogos Abertos de Esportes Náuticos e Campeonato Gaúcho de Canoagem Velocidade em Caxias do Sul.
Ouça na integra a sessão clicando no link: www.camarasantatereza.com.br/player/22
A Sessão Ordinária, aberta à participação da comunidade, é transmitida ao vivo pelo Facebook. A próxima Sessão Ordinária será no dia 03 de dezembro, às 19h.

Dia de Campo em Flores da Cunha esclarece exigências e tecnologias de produção

Um dia de campo realizado na tarde de quarta-feira (27/11) em Flores da Cunha, pela Secretaria Municipal da Agricultura, Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Embrapa Uva e Vinho e Emater/RS-Ascar, conveniada à Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), reuniu mais de cem agricultores. O evento, que ocorreu na propriedade de José Tomazzoni, na comunidade da Linha 60, tratou da rastreabilidade, cultivo integrado de videira e tomate, e cultivo protegido de uva.
A rastreabilidade agrícola, que possibilita conhecer a história completa e o caminho percorrido pelo produto, desde o plantio até chegar ao consumidor, e que será obrigatória para todos os produtos vegetais frescos a partir de 2020, foi abordada pelo engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar, Mauro Tessari. Ele explicou o que o produtor precisa fazer para atender à legislação, esclarecendo sobre rotulagem, caderno de campo para registro das práticas culturais, identificação do lote e planilha de controle de comercialização, entre outros. De acordo com ele, a rastreabilidade possibilitará a identificação de problemas e a aplicação de medidas corretivas, a promoção da segurança alimentar, a valorização dos produtos e a abertura de novos mercados, entre outros benefícios.
A Embrapa Uva e Vinho apresentou as recomendações de pesquisa para o cultivo protegido, com enfoque no resíduo de produtos e manejo do dossel, pelo pesquisador Henrique Pessoa e pelo técnico Roque Zílio. “O que a gente busca com o cultivo protegido é sempre um efeito ‘guarda-chuva’, porque a porta de entrada de doenças, principalmente o míldio que tem na região, é o molhamento. Sendo assim, não precisa tratar de modo desnecessário, porque neste caso o plástico é a prevenção, não o produto”, afirmou Henrique.
O agricultor Jair Caberlon apresentou a experiência da família no cultivo integrado de videira e tomate protegidos. Como forma de aproveitar a terra até a videira começar a produzir e também ter uma renda para a família e tirar o custo da cobertura plástica, o agricultor planta tomate por dois anos, e um ano planta pimentão. Também foi explicado sobre as variedades cultivadas, produtividade, tratamentos, adubação e aspectos da plasticultura.
Durante o encontro, os apoiadores Florensa, Agropro e Sicredi também apresentaram opções de tecnologias para o setor.

Emater/RS-Ascar divulga segunda estimativa para safra de inverno

O levantamento contemplou uma amostra que cobriu 88,28% da área cultivada com canola, 96,01% com cevada, 86,86% com aveia branca grão e 94,60% para área com trigo. Foto: José Schafer, em Santo Ângelo, colheita de trigo

No Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar da quinta-feira (21/11), é divulgada a segunda estimativa para a safra de grãos de inverno no Rio Grande do Sul. Os dados foram levantados junto às unidades operativas da Emater/RS-Ascar, conveniada à Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr). O levantamento contemplou uma amostra que cobriu 88,28% da área cultivada com canola, 96,01% com cevada, 86,86% com aveia branca grão e 94,60% para área com trigo.
“Avaliamos como uma safra expressiva. Apesar de algumas perdas pontuais por conta do clima, os agricultores gaúchos colheram uma das maiores safras de inverno da história”, celebra o diretor técnico da Emater/RS, Alencar Paulo Rugeri, ao destacar que a Assistência Técnica e Extensão Rural e Social é prestada pela Emater/RS-Ascar junto a mais de 77 mil produtores, atendendo a uma área aproximada de 82 mil hectares de cereais de inverno e canola em todas as regiões do Estado.
Na cultura do trigo, que se encaminha para o final do ciclo, 91% das áreas foram colhidas, restando apenas 9% em maturação. A atualização da estimativa de área plantada indica 757.320 hectares nesta safra no Estado. Na região de Santa Rosa, por exemplo, que representa 25% da área de trigo do Estado, a colheita foi concluída, com a maioria das lavouras apresentando boa produtividade (2.962 quilos por hectare) e qualidade do grão com PH superior a 78.
A colheita da canola foi concluída no RS, com produtividade média de 1.675 quilos por hectare. Já a cultura da cevada no RS se aproxima do encerramento de ciclo. Neste período as lavouras se encontram 90% colhidas e 10% na fase de maturação. As lavouras colhidas obtiveram rendimento de 2.400 quilos por hectare.
Também se aproxima do final de ciclo a cultura da aveia branca, com 95% das lavouras já colhidas e 5% na fase de maturação. Na regional de Santa Rosa, algumas lavouras sofreram acamamento com as chuvas e ventos, o que prejudicou a produtividade média, que chegou a 1.620 quilos por hectare.

Foto: Divulgação

CULTURAS DE VERÃO
Soja – A implantação da cultura chega a 53% da intenção de plantio para a safra gaúcha, estimada em 5.978.967 hectares. As lavouras se encontram em desenvolvimento vegetativo. Na regional da Emater/RS-Ascar de Ijuí, foram implantados 58% do total da intenção de plantio de 973.626 hectares. Em geral, a cultura segue melhorando o desenvolvimento, apresentando folhas maiores e com coloração verde intenso. Foram observados poucos registros de incidência de pragas.
Milho – Os produtores aproveitaram o tempo favorável da semana e agilizaram o plantio, que chega a 84% da intenção de plantio de 777.442 hectares para o RS. Das lavouras implantadas, 62% estão em desenvolvimento vegetativo, 20% em floração e 18% em enchimento dos grãos.
Arroz – Na semana, a cultura foi semeada em 73% da área de 944.549 hectares prevista para o Estado. Atualmente, as lavouras de arroz encontram-se em desenvolvimento vegetativo.
Feijão 1ª safra – No levantamento da Emater/RS-Ascar, a cultura apresentou 85% da área já implantada (totalizada em 35.588 hectares), e as lavouras encontram-se nas fases de desenvolvimento vegetativo (60%), floração (25%) e enchimento de grãos (15%).
Girassol – Na regional de Santa Rosa, a área de cultivo com a oleaginosa é estimada em 900 hectares, dos quais 80% estão semeados. Desta área já implantada, 20% encontram-se em desenvolvimento vegetativo, 69% em floração, 8% em enchimento de grãos e 3% em maturação. As condições de umidade no solo e de temperatura são favoráveis para o desenvolvimento da cultura, apresentando, no geral, boas condições de sanidade e aparência das plantas.

Foto: Divulgação

OLERÍCOLAS E FRUTÍCOLAS
Cebola – Na região Sul, a colheita de variedades superprecoces e precoces atingiu 12% do total cultivado. A maioria das lavouras está em bulbificação e tombamento. Produtores intensificaram os tratamentos fitossanitários para prevenção das doenças, como o míldio, que afeta algumas lavouras.
Tomate – Na regional de Caxias do Sul, iniciou a colheita das lavouras implantadas no período de inverno em ambientes protegidos. Os frutos produzidos em estufas estão com ótima aparência e boa coloração e sabor. As plantas apresentam ótima sanidade, porém um tanto estioladas, com caule alongado, fino e coloração das folhas com tonalidade de verde pouco intenso. Na região Sul, segue o transplantio de mudas. O início da colheita deverá acontecer nos próximos dias. O preço pago ao produtor na semana ficou entre R$ 40,00 e R$ 42,00/cx. de 20 quilos.
Citros – Na regional de Erechim, as bergamotas estão com excelente desenvolvimento. Em relação às laranjas, novos plantios podem chegar a 400 hectares na região, com aumento de área média de três hectares por produtor, mas podendo chegar entre oito e 15 hectares por produtor. O crescimento das frutas para a nova safra é muito bom, com boa expectativa de colheita. Desta safra, ainda resta colher em torno de 8% da produção das variedades Valência, Folha Murcha e Valência Late. O preço pago ao produtor pela indústria se manteve estável; já para consumo in natura ocorreu aumento, ficando entre R$ 0,40 e R$ 0,60/kg. A estimativa de rendimento é de 25 toneladas por hectare.
No regional de Lajeado, é período de entressafra de laranjas e bergamotas. Citricultores do Vale do Caí estão executando atividades de roçadas nas entrelinhas das plantas, podas, adubações e tratamentos fitossanitários para o controle de pragas e doenças, a fim de proteger as frutas da safra em desenvolvimento. As chuvas ocorridas em setembro coincidiram com a época da floração dos citros; e na primeira semana de novembro, coincidiram com a fase de pegamento das frutinhas das laranjeiras e bergamoteiras. Nesta fase ocorre a queda natural das frutinhas em crescimento. Entretanto, o excesso de chuvas causou queda muito superior ao que seria natural, o que poderá determinar menor produtividade para a próxima safra, especialmente nas laranjeiras, pois nas bergamoteiras o carregamento de frutas é bem superior, e provavelmente o raleio será menor nesta safra.
Pêssego – Na regional de Caxias do Sul, foi finalizada a colheita das variedades superprecoces, como Pampeano e PS 2, e iniciou a colheita, de forma bastante retardada, das variedades precoces, como a Kampai. Os frutos apresentam calibre e coloração medianos e sabor razoável. De forma geral, os pessegueiros demonstram boa sanidade e alto vigor. Na região Sul, a cultura do pêssego está em frutificação. Segue a colheita, completando 3% da safra. O amadurecimento é desuniforme. O boletim 12/2019 do sistema de alerta da mosca-das-frutas informa a necessidade de intensificar o uso de isca tóxica, composta de melaço ou proteína hidrolisada e inseticida registrado, e de realizar o controle por cobertura.

Foto: Divulgação

PASTAGENS E CRIAÇÕES
Favorecidos pelas condições climáticas, a produção de massa verde propicia boas condições alimentares e nutricionais para as diversas espécies animais que neles pastejam. Os criadores que cultivam pastagens perenes de verão observam que elas crescem de forma intensa, dando bom suporte forrageiro em substituição às pastagens cultivadas de inverno, que já chegaram ao final de ciclo.
Já as pastagens cultivadas anuais de verão, no geral, tiveram um retardo em sua implantação. Isso ocorreu em consequência de um período mais prolongado de chuvas, que ocasionou excesso de umidade do solo, dificultando o plantio. Nas áreas em que já foram implantadas, apresentam bom desenvolvimento inicial, mas ainda sem condições de pastejo na maior parte desses locais.
BOVINOCULTURA DE CORTE – Nas diversas regiões do RS, o gado bovino de corte apresenta um bom estado corporal e sanitário. No manejo sanitário, está em execução neste mês a vacinação contra a febre aftosa. À medida em que a primavera avança em direção ao verão, torna-se necessária a intensificação dos cuidados para controle de verminoses e ectoparasitos, que encontram ambiente mais favorável para o seu desenvolvimento nas temperaturas mais elevadas associadas à umidade. São ainda destaques as práticas de preparo de ventres e touros para a temporada de acasalamento. Esta, inclusive, já teve início em algumas propriedades, onde há previsão de suporte com pastagens cultivadas de inverno para o período das primeiras parições.

Embrapa recomenda atenção com a alta incidência da mosca-das-frutas

Foto: Divulgação

Depois de um alerta emitido pelo Boletim eletrônico do Sistema do Sistema de Alerta Mosca-das-frutas que registrou a captura nas armadilhas de monitoramento de um número acima da média dos insetos, a Embrapa Uva e Vinho emitiu alerta de alta população de moscas na região.
Segundo o comunicado, entre os dias 05 e 11 de novembro, foram capturadas 51 moscas-das-frutas nas armadilhas instaladas na rede de monitoramento na Serra Gaúcha. Dessa vez foram 20 em Cotiporã, 13 em Nova Pádua, oito em Bento Gonçalves, seis em Farroupilha, três em Pinto Bandeira e uma em Caxias do Sul. Para garantir uma boa safra a Embrapa emitiu recomendações de aplicação de inseticidas em cobertura, principalmente nas cultivares de ciclo médio:

2) Aplicação de isca tóxica – devido a alta infestação e ser época de colheita (fase mais suscetível) reforçar as aplicações, podendo ser até 2 vezes por semana ou sempre após as chuvas:
Atrativo alimentar + inseticida. Utilizar bicos sem o difusor permitindo aplicar um jato direcionado às bordas dos pomares nos locais de origem das infestações ou nas filas alternadas no interior dos pomares. De maneira geral, utiliza-se 50 litros dessa calda por hectare.
Atrativos: melaço de cana de açúcar a 7% ou proteínas hidrolisadas (Biofrut, Isca Samaritá, Flyral), na concentração de 1,5 a 3%.
Inseticida: Malathion 1000 CE na dose de 200 mL/100 litros de calda Também pode ser empregado o Espinetoran (Delegate, 20 a 30 g/100L) ou a deltametrina (Decis 25 CE, 40 mL/100L).]
O comunicado também recomenda aos agricultores ficarem atento às infestações e usarem os produtos recomendados, além de respeitar a carência conforme os rótulos dos produtos e seguirem com o monitoramento

Pesquisadores adaptam,tecnologia espanhola para combater mosca-das-frutas nos parreirais
Uma tecnologia limpa empregada na Espanha e em Israel para controle de pragas tem sido utilizada com sucesso contra o ataque da mosca-das-frutas nas uvas. A chamada captura massal apresenta o simples princípio de disponibilizar uma fonte de alimento que seja mais atraente ao adulto do inseto do que a uva no parreiral. O conhecimento foi adaptado pela Embrapa Uva e Vinho (RS) para o manejo da mosca-das-frutas sul-americana (Anastrepha fraterculus) e já está à disposição dos produtores. “O método garante a produção sem resíduos de inseticidas, pois o produto não é aplicado nos frutos: apenas é colocado numa armadilha que atrai os insetos adultos, evitando que eles danifiquem os frutos”, esclarece Marcos Botton, pesquisador da Embrapa que coordenou as pesquisas.
O controle da espécie tem sido desafiador, tanto para produtores que adotam o sistema convencional, com a aplicação de inseticidas sintéticos, como para os orgânicos, pois a mosca-das-frutas é uma das principais pragas associadas à cultura da videira, mas que também tem outros hospedeiros, o que garante a sua reprodução ao longo do ano. Além da busca por métodos mais limpos e sustentáveis, a equipe da Embrapa Uva e Vinho buscou uma alternativa para substituir os tradicionais inseticidas organofosforados, que não estão mais autorizados para uso no cultivo da videira no Brasil. Os danos causados pela mosca-das-frutas geralmente começam com lesões decorrentes de um ferimento na baga da uva, feito pela fêmea para depositar seus ovos. Depois, em função do desenvolvimento das larvas, surgem as galerias, que geralmente estão associadas às podridões causadas por microrganismos que infectam as bagas e aumentam as perdas no período da pré-colheita. Segundo a equipe de pesquisadores, em muitos casos a perda pode ser de algumas bagas ou até de todo o cacho. No primeiro caso, é possível fazer um raleio de bagas, retirando as que estão danificadas, porém, essa prática exige mão de obra adicional, o que aumenta os custos da produção.
A Embrapa Uva e Vinho, com instituições parceiras, tem realizado diversos trabalhos de pesquisa visando desenvolver tecnologias limpas para o manejo da praga, e a captura massal foi uma das que apresentou melhores resultados. A técnica consiste em distribuir uma grande quantidade de armadilhas por área de pomar, nas quais os insetos adultos são capturados, reduzindo a infestação nos parreirais. Segundo Botton, a técnica já é utilizada há vários anos na Espanha e em Israel para o controle da mosca-das-frutas do mediterrâneo (Ceratitis capitata), inseto que também ocorre na região Nordeste do Brasil e ocasiona danos similares aos da Anastrepha fraterculus, principal espécie de mosca-das-frutas que ocorre na região Sul do Brasil.
O pesquisador relata que já houve tentativas no Brasil de utilizar essa técnica para o controle da mosca-das-frutas em diferentes cultivos. No entanto, não obtiveram sucesso pois os atrativos utilizados, principalmente sucos de frutas, eram pouco eficientes e tinham de ser repostos semanalmente nas armadilhas. Após anos de pesquisas avaliando e ajustando o manejo com uma proteína animal comercial como atrativo, foram alcançados os melhores resultados. Isso porque a mosca adulta tem necessidade de ingerir compostos proteicos para o desenvolvimento e maturação dos óvulos, que originarão as larvas, ou seja, a sobrevivência dos seus descendentes. O produto também apresenta uma alta estabilidade, não sendo necessária a reposição frequente, além de ser seletivo, não prejudicando outros insetos benéficos, como as abelhas.

Testes da captura massal são bem sucedidos no campo
Há mais de dez anos, Clari Boff produz uvas finas de mesa, como a Itália e a BRS Morena, na Serra Gaúcha no Município de Caxias do Sul (RS), um dos principais polos de hortifrutigranjeiros do Sul do País. Ela ajudou na validação da tecnologia e hoje comemora os resultados. “Com a ajuda da Embrapa conseguimos controlar a mosca-das-frutas e já pensamos em começar um cultivo orgânico”, relata a produtora, que é responsável por uma produção anual de cinco mil quilos de uvas de mesa vendidas diretamente aos consumidores. Ela complementa que os bons resultados obtidos ao longo dos experimentos foram decisivos para que ampliasse sua área de produção
Antes da captura massal, a alternativa para o controle da mosca-das-frutas no sistema orgânico era o ensacamento individual dos cachos de uva com sacos de papel, que apesar de ser eficiente, demanda muita mão de obra, cada vez mais escassa no meio rural. A colocação das armadilhas e do atrativo para uso na captura massal também é uma técnica que exige trabalho manual, no entanto, bem menor em comparação ao ensacamento. Por ser uma tecnologia “resíduo zero”, a captura massal é viável em sistemas de produção com alto valor agregado, como é o caso das uvas de mesa em que a exigência dos consumidores por produtos com ausência de resíduos, é maior, segundo análise do pesquisador da Embrapa.

Como funciona a captura massal
A técnica consiste na instalação de 100 a 120 armadilhas por hectare em todo o parreiral (o produtor pode aumentar a densidade nas bordas mais infestadas), utilizando como atrativo a proteína hidrolisada de origem animal em seu interior. Depois de entrar na armadilha, o inseto não localiza mais a saída e morre afogado, sem a necessidade de uso de inseticidas químicos. Existem armadilhas que podem ser compradas, mas, para baratear o uso da técnica, a equipe de pesquisa ensina a fazer armadilhas caseiras, com a reutilização de embalagens transparentes de refrigerantes. “Para utilizar as embalagens, basta fazer dois orifícios de sete milímetros em lados opostos. Depois colocar o atrativo e pendurar a armadilha no parreiral”, orienta Ruben Machota Junior, pós-doutorando na Embrapa Uva e Vinho que integra a equipe de pesquisa.
Ele revela que, inicialmente, eram recomendadas as embalagens de dois litros, no entanto, pesquisas demonstraram a mesma eficácia com o uso de embalagens de 600 ml, trazendo o benefício adicional de utilizar menor quantidade de atrativo por armadilha. “É necessário colocar cerca de 40% do volume da embalagem, ou cerca de 250 ml do atrativo alimentar. O produto é estável e demora a evaporar, mas o produtor deve ficar atento e repor o líquido sempre que for necessário”, alerta Machota Junior. Estima-se que sejam gastos aproximadamente 500 ml de atrativo por armadilha por safra, considerando um ciclo de três meses. As armadilhas devem ser distribuídas de modo a alcançar a densidade recomendada de 100 a 120 unidades por hectare. A instalação deve ser nos ramos do terço médio da planta, ou seja, a cerca de 1,5 m no solo, em lugares mais sombreados, que recebem menor incidência dos raios solares, principalmente no período da tarde, reduzindo assim a evaporação do atrativo.

Ferramenta do Manejo Integrado de Pragas MIP
A captura massal é uma das técnicas que compõem o Manejo Integrado de Pragas (MIP) para combater a mosca-das-frutas. Aliada a ela também são recomendados o uso de armadilhas para monitoramento da praga e de iscas tóxicas (que é a associação de um atrativo alimentar com um inseticida aplicado em faixas, principalmente na borda dos pomares, buscando reduzir a infestação). Para fazer apenas o monitoramento, pode-se utilizar a mesma armadilha e o atrativo, mas em menor número e somente com o objetivo de identificar o nível de infestação do inseto na área de produção. Quando detectada a mosca-das-frutas no parreiral, é o momento de usar a captura massal e as iscas tóxicas. Marcos Botton comenta que, em breve, os produtores irão contar com outras opções de armadilhas para o combate à praga, incluindo novos modelos e formulações de iscas tóxicas mais resistentes à lavagem pela água da chuva. Essas tecnologias irão auxiliar a controlar as diferentes espécies de moscas-das-frutas viabilizando o manejo da praga após a retirada de diversos inseticidas organofosforados do mercado.
Segundo a equipe, as tecnologias “resíduo zero”, como a captura massal, são cada vez mais importantes no controle de insetos especialmente no Manejo Integrado. Os cientistas antecipam que outras tecnologias visando produzir frutas sem resíduos e com o mínimo de impacto ambiental estão sendo pesquisadas e em breve estarão disponíveis. Entre as novidades, eles citam os sistemas automáticos de monitoramento, o alerta das infestações, o controle biológico e a técnica do inseto estéril.

Comissão do Proagro analisa até dezembro 576 recursos de produtores

O Ministério da Agricultura (Mapa) informou na terça-feira (26/10), em nota, que a Comissão Especial de Recursos do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) vai analisar 576 recursos até o fim do ano.
De acordo com a pasta, três reuniões serão realizadas até dezembro para deferir ou não recursos apresentados por produtores rurais que tiveram pedidos de indenizações do Proagro negados ou glosados parcialmente pelas instituições financeiras.
Nos dias 27 e 28 de novembro, está programada a 2ª sessão de julgamento da 4ª turma, sediada em Porto Alegre (RS). Serão levados a julgamento 210 recursos de produtores do Rio Grande do Sul.
“O principal motivo de indeferimento dos recursos foi a emissão de notas fiscais em nome de terceiros”, diz o ministério. “Nesses casos, o produtor rural precisa ficar atento no momento de aquisição de insumos, pois a nota fiscal precisa ser emitida em nome do beneficiário do Proagro.”

Câmara de Santa Tereza realiza Sessão Solene de Mérito Comunitário

Na região da Serra, que detém 80% da área cultivada no Estado com pessegueiro e 85% da produção, já foi concluída a colheita das variedades superprecoces, sendo colhidas no momento as cultivares precoces, principalmente a Kampai. A informação é da Emater/RS-Ascar na região de Caxias do Sul, divulgada em convênio com a Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr).
“Isso representa 20 dias de atraso, porque deveríamos estar no auge da colheita da principal variedade, que é a Chimarrita, mas as condições climáticas de agosto e setembro, com bastante chuva e principalmente frio, e um mês de outubro com pouca insolação, retardaram o desenvolvimento e a maturação das frutas”, explica o engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar, Enio Ângelo Todeschini.
A colheita do pêssego na região se estende até janeiro, com as variedades tardias, principalmente a Barbosa e a Eragil. A maioria das variedades de pêssego de mesa cultivadas na Serra Gaúcha é de polpa branca, apenas duas são de polpa amarela, sendo destinadas apenas ao consumo in natura. Conforme Todeschini, a fruta produzida na região abastece o RS e abrange todo o país.


Na safra 2019/2020, a produção estimada é de 52 milhões de quilos, nos 3.450 ha cultivados na Serra. “Com relação à qualidade, tivemos um mês de outubro e início de novembro com pouca insolação e, nos últimos dez a 12 dias aumentou bastante a radiação solar, melhorando muito a sanidade das plantas, a cor das frutas e o sabor. Então, se o clima continuar assim, os produtores terão maior qualidade dos pêssegos colhidos”, ressalta Todeschini.
O engenheiro agrônomo lembra que durante a colheita há diversas práticas culturais recomendadas, sendo a principal estar alerta com a mosca-das-frutas, que é a principal praga das frutas de caroço. Dessa forma, há três anos é desenvolvido o Sistema de Alerta da Mosca-das-Frutas, por meio do qual os extensionistas da Emater/RS-Ascar visitam semanalmente os pomares para monitoramento das armadilhas e coleta de dados, que são repassados à Embrapa Uva e Vinho, que divulga um boletim informativo toda quarta-feira. “A poda verde é outra prática muito importante para a ventilação da planta e para a intensificação da coloração da fruta, aumentando o sabor. Também tem a adubação de frutificação, para o enchimento da fruta das variedades tardias, que recém foram raleadas, e o cuidado nos tratamentos preventivos das principais doenças, especialmente a podridão parda, com o uso somente de produtos com registro e observando a carência”, orienta Todeschini.
Já o preço pago ao produtor, conforme o agrônomo, até o momento está bem remunerador, devido à pouca oferta e ao atraso na colheita do volume maior, que é da variedade Chimarrita, satisfazendo os produtores da região. “Acreditamos que deverá ter um pouco de queda, não se sabe quanto, em razão da colheita da cultivar Chimarrita, impactando no incremento da oferta”, avalia.

O suco de uva ganha seu dia oficial na Serra Gaúcha

 

O suco de uva ganhou um dia alusivo no calendário regional. Marcado oficialmente como o Dia Regional do Suco de Uva, o primeiro domingo do mês de março será destinado a valorizar um dos principais produtos da cadeia vitivinícola gaúcha. Responsável por mais de 50% da produção do setor, a bebida vem garantindo a sustentabilidade de pequenos e médios negócios na Serra Gaúcha, onde estão concentrados 90% dos fabricantes brasileiros. O lançamento da comemoração foi realizado no dia 18 de outubro na Embrapa Uva e Vinho, em Bento Gonçalves.
A criação da data alusiva partiu de iniciativa de um vereador de Bento Gonçalves, Edson Biasi, que vislumbrou no produto uma bandeira em defesa da vitivinicultura da economia da região. Outros oito municípios da Serra, principal polo produtor de uva no Estado, já foram procurados por Biasi e estão no caminho de implementar o dia do suco. O vereador também está articulando a promoção nas esferas estadual e federal.
Além de registrado no calendário dos municípios participantes, o Dia Regional do Suco de Uva também servirá para a realização de ações de promoção da bebida, informando sobre os benefícios à saúde, promovendo o turismo, fortalecendo a economia e resultando no aprimoramento da cadeia produtiva da uva. “A ideia é evoluir para o dia estadual e depois nacional”, revela o chefe-geral da Embrapa Uva e Vinho, José Fernando da Silva. Ele destaca o crescente protagonismo do suco de uva na cadeia vitivinícola. “O suco de uva é um produto que concorre com o vinho tradicional, que era comercializado em garrafão e hoje é vendido em garrafas de 750 mil”, situa Silva.
Segundo o pesquisador, a queda na demanda por vinho a granel, que até há alguns anos era vendido para outros estados, principalmente do Centro do País. “Houve uma mudança, em função do surgimento de produtos substitutos e a cadeia produtiva se reestruturou.” Em 2004, apenas 25% de toda uva processada no Rio Grande do Sul era vendida na forma de suco e 75% chegava ao mercado como vinho. Estes números mudaram: atualmente, 52% da uva processada é destinada à produção de suco.
Desde 2014, a Cooperativa Vinícola Nova Aliança, localizada em Flores da Cunha, investiu mais de R$ 100 milhões para elevar e qualificar a fabricação da bebida, produzida a partir de uvas americanas. “Naquele ano, construímos uma planta nova (com 24 mil m² de área) no município, e em 2017 ampliamos a filial de Farroupilha (atualmente com 5 mil m²), e modernizamos o maquinário para processamento e elaboração do produto nas duas unidades”, comenta o diretor administrativo da Nova Aliança, Rodrigo Colleoni. Segundo o gestor, o suco de uva representa mais de 50% do faturamento da cooperativa.
O foco é o mercado interno, mas já há estudos para exportação do produto, afirma Colleoni. “Atualmente, produzimos mais de 20 milhões de litros por ano, distribuídos por todo o Brasil.” O diretor da Nova Aliança considera o lançamento do Dia Regional do Suco de Uva como “um marco importante, que com certeza vai ajudar a divulgar o produto em nível nacional”. “O suco de uva se tornou fundamental para o sustento do setor, uma vez que o consumo de vinho não tem crescido tanto.”
Depois da abertura do evento, que contou ainda com a participação dos Prefeitos de Cotiporã, José Carlos Breda, de Pinto Bandeira, Hadair Ferrari e de Monte Belo do Sul, Adenir Dallé, vereadores, secretários, lideranças, produtores, técnicos e autoridades de Bento e região, puderam conferir algumas palestras que reforçaram ainda mais a importância do suco de uva.

Palestras
As cultivares de uva desenvolvidas especialmente para qualificar o suco de uva brasileiro foram apresentadas pela pesquisadora Patrícia Ritschel, que coordena o Programa de Melhoramento Genético ‘Uvas do Brasil’, liderado pela Embrapa Uva e Vinho. Incrementos de cor, sabor e açúcar são resultados das novas opções de cultivares, como a Isabel precoce, BRS Violeta e BRS Magna, cujos sucos foram degustados pelos presentes ao final.
“Com sede de suco de uva” – essa é a melhor forma de descrever o sentimento da plateia após assistir a palestra que aborda os benefícios do suco de uva à saúde humana, apresentada pela Biomédica Caroline Dani.No lançamento do Dia Regional do Suco de Uva não foi diferente. Ela citou inúmeros benefícios aos consumidores de suco e ressaltou que não tem nenhuma contra-indicação. Ela também divulgou aos interessados em aprofundar os conhecimentos que poderão acessar o site elaborado especialmente para este fim no sugestivo endereço:https://drauva.com.br/.
Ao falar sobre a Evolução mercadológica e produtiva do suco, o chefe-geral e pesquisador em socioeconomia da Embrapa Uva e Vinho, José Fernando da Silva Protas, foi taxativo ao afirmar que o suco de uva foi a salvação da cadeia produtiva. “Esse é o produto que absorve o maior volume de uva produzida no Rio Grande do Sul. É o suco que está sustentando o nosso viticultor”, sentenciou ele. Protas apresentou índices do ano de 2004, quando cerca de 75% da uvas eram destinadas à elaboração de vinho comum e apenas 24% ao suco. Já em 2017, 53% dessas uvas foram destinadas ao suco, possibilitando um rearranjo da cadeia produtiva e o destaque para essa bebida. Em 2018 foram comercializados 140,5 milhões de litros de suco de uva integral produzidos no Rio Grande do Sul.
Alimentação escolar
A nutricionista da Secretaria Municipal de Educação, Renata Geremia, apresentou durante o espaço “Movimento em prol do suco de uva” o case da Prefeitura Municipal de Bento Gonçalves no qual, desde o ano de 2005, o suco de uva é alimento obrigatório na alimentação escolar, regulamentado por Lei 3.810/2005. “Mensalmente são servidas, em média, 324.100 refeições para 10.432 alunos das 44 escolas do Município, sendo 100% desse valor destinado à agricultura familiar”, complementou ela. Exemplo esse que deve ser seguido pelo estado de Pernambuco, segundo comentou o empresário Eurico Benedetti, a partir do projeto de lei que inclui o suco de uva integral na alimentação escolar da rede pública estadual de Pernambuco. De autoria do deputado Antonio Coelho, o projeto já foi aprovado em duas comissões temáticas da Assembleia Legislativa e prevê a aquisição preferencialmente de agricultores familiares daquele Estado.
Além de registrado no calendário dos municípios participantes, a intenção é de que a data estimule a realização de ações de promoção da bebida, informando sobre os benefícios à saúde, promovendo o turismo, fortalecendo a economia resultando no aprimoramento da cadeia produtiva da uva.

Categorias
Suco de uva 100% integral – 100% suco de uva, sem aduição de água e açúcar na concentração natural.
Suco 100% – 100% suco de uva, sem adição de água e açúcar na sua concentração.
Bebida/refresco – 30% de suco de uva, diluído em água e adoçado, podendo ser colorido e aromatizado artificialmente.
Néctar – 50% de suco de uva, diluído em água e adoçado.
Em pó – pode não conter uva em sua composição.

Maior volume comercializado é do produto à base de uva integral tinto
A safra de 2019 rendeu uma produção de 51 milhões de litros de suco de uva no Rio Grande do Sul, segundo dados do Sistema de Cadastro Vinícola da Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural. A maior parte desse volume (48 milhões) é de fabricação de suco de uva integral tinto. Já os orgânicos representam 628 mil litros desse universo.
Segundo a Embrapa Uva e Vinho, em 2018, foram comercializados 140,5 milhões de litros de suco de uva integral produzidos no Estado. A versão integral ou natural é aquela cuja composição é de 100% de fruta, sem adição de água ou açúcar. Ao considerar também o suco concentrado convertido para suco simples, o volume total, em 2018, foi de 258,33 milhões de litros, segundo a pesquisadora da entidade, Loiva Ribeiro de Mello.
“Do total de uvas processadas em 2017 pelas vinícolas gaúchas, 49,1% foram destinadas à produção de sucos de uva prontos para o consumo”, observa o coordenador de Vitivinicultura do Sebrae-RS, André Bordignon. “As vendas de suco de uva passaram de 100 milhões de litros em 2015. O aumento nas vendas entre os anos de 2005 e 2015 chegou a 367%.”
Bordignon observa que as variedades de uvas para produção de suco “são muito bem adaptadas às condições climáticas e aos solos gaúchos”, sendo uma boa alternativa para pequenas propriedades rurais de agricultura familiar. “Mais de 15 mil famílias estão envolvidas de forma direta com a produção no País, com uma média de 2 hectares de videiras por família.” Entre os cultivares de uvas mais plantados estão as chamadas uvas híbridas ou americanas, com destaque para a Isabel, a Concord, a Bordô e a Niágara.