Safra de pêssego inicia com redução na produtividade e busca por inovação da gestão

 

Créditos: Tauê Bozzetto Hamm

Fruticultores de Pinto Bandeira, maior produtor da fruta in natura do Estado, relatam perdas que variam de 40% a 60% e utilizam software para atender exigências da legislação e planejar manejo para próximo ciclo com objetivo de minimizar os prejuízos
Produtores de pêssego dos municípios de Pinto Bandeira, Farroupilha e Bento Gonçalves iniciaram a colheita deste ano usando a tecnologia para facilitar a gestão, trazer ganhos de produtividade e reduzir as perdas que podem chegar a 60%. Mesmo sem uma previsão oficial de quebra – segundo o escritório regional da Emater/RS-Ascar, os números serão divulgados em novembro – produtores de Pinto Bandeira, município que responde por 30% da produção da fruta na região, relatam perdas que variam de 40% a 60%. A causa dessa redução foram as geadas que aconteceram nos meses de agosto e setembro, especialmente a que caiu na região na madrugada do dia 21 de setembro.
Em 2019, ano em que a incidência de granizo também causou prejuízos, foram colhidos 37,3 milhões de quilos da fruta. A Serra Gaúcha possui 3,6 mil hectares de pomares de pêssego, sendo que 1,1 mil ficam localizados em Pinto Bandeira.


Mesmo com a perda no volume que deverá ser colhido nesta safra, os produtores têm usado, cada vez mais, a tecnologia como aliada na melhoria da gestão dos pomares, buscando otimização no uso de insumos e redução dos custos de produção nos próximos ciclos. Entre as inovações que já podem ser vistas nesta colheita está o aplicativo AgroD, desenvolvido pela empresa caxiense AgroD Tech.
O fruticultor Nestor Rubbo, produtor da linha Silva Pinto Norte, em Pinto Bandeira, registrou uma perda que deverá ficar acima da média da região. Rubbo projeta colher de 25 a 30 toneladas, o que significa uma perda de 60% na comparação com o ano passado. Mesmo sendo o primeiro ano em que está usando o AgroD, Rubbo já observa benefícios do emprego da tecnologia no campo.
“O caminho é cada vez mais informatizar, reduzir os custos e aumentar a produtividade. Nesta safra, em que sofremos com a geada, pudemos observar quais áreas foram mais afetadas e nos prepararmos para os próximos anos. A tendência é de continuarmos usando a tecnologia ao nosso favor, ainda mais por ser um aplicativo fácil de ser operado e que substitui o caderno de campo”, antecipa.
Já na linha Jansen, no mesmo município, o produtor Adriano Rigon relatou uma perda levemente inferior à de Rubbo, entre 40% e 50%, e deverá colher cerca de 180 toneladas da fruta, em 11 hectares. Para Rigon, o AdroD ajuda no controle maior do uso de agrotóxicos, além de atender as exigências de rastreabilidade da Instrução Normativa 2 (INC MAPA/ANVISA nº 02/2018)
“Vai ser muito importante para que o produto já saia da propriedade etiquetado, pronto para o mercado”, adianta Rigon, que deve começar a colher na segunda quinzena de novembro.
O diretor técnico da Associação dos Produtores de Fruta de Pinto Bandeira (Asprofruta), Heleno Facchin, avalia que o uso do aplicativo pelos produtores ajuda a fazer uma gestão responsável, com redução de perda de insumos e, consequentemente, maior qualidade da fruta.
“O produtor é cobrado todos os dias para que entregue um pêssego com boa sanidade, sem resíduos, e com um padrão de qualidade que é exigido pelo próprio mercado”, opina.
O engenheiro agrônomo e sócio da AgroD Tech, Tauê Bozzetto Hamm, explica que o aplicativo auxilia o produtor na tomada de decisões na gestão da propriedade, além de atender à legislação que exige rastreabilidade dos produtos.
“Com essa maior facilidade para os registros dos manejos e produção dos pomares de pêssego, o produtor vai conseguindo, ao longo dos meses e dos anos, ter um bom histórico de informações, seja na questão técnica do que foi aplicado, da adubação, e dos demais custos. No momento em que o produtor começa a ter esses dados de produtividade e custos, separados por variedade e por parcela específica do pomar, ele consegue avaliar quais pomares estão mais rentáveis, mais produtivos. Ele pode, por exemplo, definir até mesmo a troca de algumas cultivares, deixando de produzir as que mais sofrem com a geada ou com o granizo”, ilustra.
SOBRE O AGROD
Desde 2018 no mercado, o software AgroD tem ajudado centenas de produtores de uva, pêssego, morango, maçã e hortifrúti. A ferramenta funciona como um caderno de campo digital, substituindo as antigas anotações sobre uso de agroquímicos e fertilizantes, com o objetivo de comprovar o uso correto destes insumos. Todo o manejo dos pomares e as colheitas são registradas através de aplicativo para smartphone que funciona de forma off-line, trazendo economia de tempo e praticidade ao dia a dia do produtor rural. O AgroD gera automaticamente relatórios de rastreabilidade dos produtos e também etiquetas com QR Code, o que atende à Instrução Normativa (INC 2/2018), que exige a rastreabilidade e identificação de vegetais frescos.
Créditos: Tauê Bozzetto Hamm

Plataforma digital e gratuita ajuda a encontrar serviços e produtos orgânicos

Iniciativa é da Organis, que também divulgou resultado de enquete apontando que o consumo de orgânicos cresceu 44,5% durante a pandemia

Foto: Getty Images

A Organis, entidade de promoção de produtos orgânicos, lançou uma plataforma online com a intenção de conectar consumidores, serviços e produtores. Além de mapear a produção, o onde.organic permite localizar com facilidade as opções mais próximas.
O ambiente virtual é dividido em seis categorias: raiz orgânica (campo), produtos (indústria), lojas (mercados e restaurantes), serviços (consultoria e certificação), receba em casa (delivery e on-line) e insumos (aprovados pela agricultura orgânica).
O acesso ao site é gratuito, mas o interessado em aparecer no mapa deve aderir a um dos planos oferecidos – o mais barato custa R$ 29 por mês.

Estado colhe 2% da área total cultivada com trigo

As condições do tempo no período foram distintas no Estado na última semana. De acordo com o Informativo Conjuntural produzido pela Gerência de Planejamento da Emater/RS-Ascar, em parceria com a Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), e publicado nesta quinta-feira (08/10), em algumas regiões, predominaram tempo seco, alta taxa de insolação, vento e grande variação de temperatura durante o dia. Tais variáveis diminuíram a umidade do solo e do ar, mas sem produzirem impacto expressivo para a cultura. Em outras, as chuvas regulares de baixa intensidade auxiliaram na elevação do teor de umidade do solo e contribuíram para melhoria dos cultivos.
Na região Sul, a queda acentuada de temperatura provocou a formação de geada de fraca intensidade nas baixadas, que não chegou a prejudicar as plantas. Na região de Santa Rosa, 7% da área de trigo já está colhida; Frederico Westphalen, 8%; e Ijuí, 3%. No Estado todo, a área colhida representa ainda somente 2% do total cultivado. E 8% está em floração, 32% em maturação e 58% em enchimento de grãos.

CULTURAS DE VERÃO
O tempo teve comportamento distinto nas diferentes regiões do Estado. Naquelas onde o tempo seco predominou, houve diminuição do desenvolvimento das culturas devido à redução da umidade do solo. Nas regiões onde ocorreram, as chuvas regulares elevaram o teor de umidade do solo, que associado à boa radiação solar e temperaturas na média elevadas, permitiram iniciar a semeadura da soja e favoreceram o desenvolvimento vegetativo do arroz, feijão e milho.

OLERÍCOLAS
Na regional de Ijuí, a baixa umidade do ar e a elevação da temperatura na semana contribuíram para o bom desenvolvimento das olerícolas, mas foi necessário o uso intenso da irrigação.

CANA-DE-AÇÚCAR
Na regional de Porto Alegre, as renovações dos plantios da cana-de-açúcar já estão concluídas. As plantas estão em desenvolvimento vegetativo; com a chuva da semana, apresentam bom crescimento dos perfilhos e touceiras bem formadas.

BOVINOCULTURA DE LEITE
Apesar do bom desenvolvimento das pastagens nas últimas semanas, o excesso de umidade do solo tem dificultado o manejo das áreas de pastoreio, principalmente nas áreas mais baixas. Pelo mesmo motivo, foi interrompido o preparo destas áreas para o plantio do milho silagem e das pastagens de verão. Grande parte dos produtores ainda aproveita as pastagens de inverno, em final de ciclo, sobretudo o azevém. Apesar das chuvas, os animais têm se recuperado dos períodos mais críticos, com melhoras aparentes na produção do leite, principalmente devido ao aumento das vacas em lactação.
É importante observar que os produtores que produzem leite com o uso de pastagens dependem menos da suplementação alimentar com rações, obtendo maiores lucros com a atividade. O bom rendimento das pastagens permite oferecer aos rebanhos proteína de alta qualidade a custos mais baixos.

APICULTURA
As condições do tempo favoráveis aumentaram a atividade das abelhas, sendo possível observar a formação e a liberação de novos enxames, favorecendo a captura de novas colmeias. Alguns produtores relatam que as quedas de temperatura, juntamente com períodos de chuva, têm ocasionado a aceleração do final do ciclo de floradas que iniciaram mais cedo, dificultando a coleta do néctar e do pólen destas espécies.
Em geral, as práticas realizadas pelos apicultores neste período são roçadas nos acessos e apiários, limpeza de melgueiras e caixilhos, coleta e raspagem de própolis, manutenção dos cavaletes ou suportes para instalação de caixas nos apiários, reforma de caixas e melgueiras, substituição de caixilhos de ninho (escuros) por caixilhos com lâmina de cera alveolada, substituição de caixas danificadas, revisão de enxames e instalação de melgueiras. Nos locais onde há disponibilidade de floradas, estão sendo realizadas coletas de mel, com destaque para floradas de citros, mirtáceas nativas, vassouras, eucaliptos e outras.

PISCICULTURA
As chuvas que ocorreram nos últimos dias vêm contribuindo para o enchimento dos viveiros. Entretanto, a falta de luminosidade provocada pela sequência de chuvas e dias nublados pode provocar redução do oxigênio na água e consequente mortalidade súbita nos viveiros povoados. Nestes casos, os produtores vêm sendo orientados ao uso da aeração artificial, quando possível, como manejo preventivo. O aquecimento gradual da água dos tanques de recria tem proporcionado melhor alimentação dos peixes. A fase predominante da atividade é de adequação da qualidade da água para o período de recebimento dos alevinos e juvenis, que inicia em breve.

Pulverização Eletrostática TSBJet

Maior eficiência no aproveitamento e redução de aplicações pulverizadas

Tecnologia de Pulverização Eletrostática TSBJet para aplicação em videiras já está sendo utilizada na propriedade de Leo Francischina em Monte Belo do Sul

Cada vez mais tem-se exigido do produtor rural a utilização correta e criteriosa de agrotóxicos. Dessa forma, conhecer apenas o produto a ser aplicado não é suficiente. É fundamental encontrar a forma correta de aplicação para garantir que o produto alcance o alvo de forma eficiente, uma vez que sempre ocorrem perdas nas aplicações pulverizadas.

Produtores Giovani Mazzochi e Leo Francischina fazem uso da Tecnologia de Pulverização Eletrostática TSBJet

Dentre as ferramentas que podem ajudar na redução de perdas nas aplicações, destaca-se o uso da eletrostática, que consiste em um sistema que carrega eletricamente as gotas. Pensando nisso, a empresa de Tecnologia Sul Brasileira desenvolveu a Tecnologia de Pulverização Eletrostática – TSBJet, que se diferencia dos demais sistemas já existentes por ser o único que funciona em condições extremas de umidade e molhamento dos módulos indutores, sem entrar em colapso de funcionamento em condições de campo, mesmo após aplicações sem qualquer tipo de limpeza.
A pulverização eletrostática TSBJet tem por objetivo produzir gotas carregadas eletricamente. Essa carga elétrica provoca uma força de atração entre as gotas e a superfície da planta. Isso faz com que ocorram menores perdas por deriva, pois há maior entrega de gotas, melhor deposição nos alvos, eficiência de aplicação, eficácia dos defensivos, sanidade das culturas e, consequentemente, potencial produtivo, explica Adriano Marin, sócio proprietário da TSBJet.

Tarde de Campo, em Monte Belo do Sul, reuniu produtores e técnicos na demonstração do uso da Tecnologia de Pulverização Eletrostática TSBJet.

No município de Monte Belo do Sul, o agricultor Leo Francischina, da Comunidade São Marcos, relatou que, com a utilização da pulverização eletrostática, houve redução de 50% do volume de água e, ainda, economia de tempo e de defensivos aplicados. “Reduzi a quantidade de aplicações de 18 tanques de água para 9, além da economia do tempo de parada para abastecimento do trator, garantindo um melhor aproveitamento do produto em comparação com a aplicação de agrotóxicos por pulverizadores convencionais”, disse Leo, que tem 9 hectares de vinhedos.
Quem também faz uso da pulverização eletrostática TSBJet é o produtor Giovani Mazzochi, que possui 90 hectares de maçã em Lajeado Grande. “Antes de adquirir o equipamento, fiz testes durante um ano no meu pomar. Utilizava 1000 litros por hectare e, agora, com um tanque faço cinco hectares, além da economia de 8% de produto aplicado”,
explica. “A relação entre custo e benefício do uso da eletrostática é favorável, uma vez que o investimento é rapidamente amortizado pelo menor custo das operações e pela menor necessidade de insumos, quando comparado com a pulverização convencional”, ressalta Mazzochi.

O produtor Giovani Mazzochi, que possui 90 hectares de maçã em Lajeado Grande Foto: Divulgação produtor

Esse sistema de pulverização pode reduzir as perdas por deriva quando comparado ao tradicional. Gotas finas podem aumentar a cobertura das aplicações, porém estão mais suscetíveis à deriva. Por outro lado, gotas grossas são menos propensas a isso, mas são sujeitas a não se fixarem no alvo e escorrerem para o solo. A taxa de aplicação deve ser ajustada, de forma a permitir um molhamento adequado das folhas e que ocorra o mínimo de perda por escorrimento das gotas.

Garantia de maior entrega de produto no alvo comprovada

Para os produtores Leo Francischina e Giovani Mazzochi, o desenvolvimento do Pulverizador Eletrostático é visto como uma forma de contribuir com o meio ambiente, com a saúde de quem consome os produtos, além de gerar economia aos agricultores.

Vantagens da utilização da Pulverização Eletrostática
Maior rendimento dos defensivos agrícolas;
* Menor perda por evaporação;
* Menor perda para o solo;
* Menor perda por deriva;
* Melhor absorção dos defensivos;
* Melhor cobertura;
* Maior entrega de defensivos na planta;
* Redução do consumo de combustível;
* Redução do tempo de reabastecimento e preparo da calda;
* Economia de água;
* Menos risco de contaminação da lavoura vizinha;
* Redução do tempo de reabastecimento e preparo da calda.

Beterraba com mais de 15kg é colhida

 

Beterraba com mais de 15kg Fotos: Divulgação Emater

Mais de 15kg é o peso de uma beterraba colhida na propriedade do agricultor Élcio Pancotto, no interior de Cotiporã.
O superdesenvolvimento da hortaliça, plantada há cinco meses, surpreendeu a família, assistida pela Emater/RS-Ascar local. A beterraba será destinada para o consumo da família, que também produz diversas variedades de uvas de mesa e tem uma indústria de rapadura.

Sistema de Alerta do pessegueiro reinicia com mudanças

Armadilha bola com flores pessegueiros Foto: Vania Sganzerla

É época de distanciamento social, mas pragas e doenças na fruticultura desconhecem essa realidade. Todos os anos, independente de Pandemia, os fruticultores necessitam de orientação técnica para aprimorar o manejo nos pomares. Há cerca de dez anos, a Embrapa e parceiros implementaram o Sistema de Alerta Mosca-das-Frutas para a cultura do pessegueiro, e neste ano, mesmo vivendo a situação da presença do Coronavírus, o Serviço terá continuidade com adaptações às exigências do momento. A partir desta semana, serão realizadas as reuniões semanais e veiculados os novos boletins informativos para safra 2020/2021 para as Regiões de Pelotas e Serra Gaúcha.
As reuniões semanais entre técnicos e produtores parceiros serão virtuais, contando com maior integração e colaboração entre o grupo de trabalho das duas regiões. “No ano de 2020, a equipe da Embrapa Uva e Vinho, de Bento Gonçalves, e parceiros, irão começar a participar das tradicionais reuniões que a Região de Pelotas promove para discussão da situação e definição das recomendações para os produtores”, pontua o pesquisador Dori Edson Nava, coordenador do Serviço.
Os boletins informativos divulgados, que apresentam um panorama de como está a presença da mosca e as recomendações técnicas para o momento da cultura, são frutos desses encontros. Ao longo do programa permanecem como parceiros as Secretarias de Agricultura dos municípios, Emater/RS- Ascar, Associação de Produtores de Pêssego, Sindicato de Trabalhadores Rurais, Universidades, Sindicato das Indústrias de Conservas da região de Pelotas, Cooperativas e Indústrias das regiões envolvidas.
Para o pesquisador Marcos Botton, da Embrapa Uva e Vinho e que coordena o Sistema na Serra Gaúcha, o programa tem sido uma importante ferramenta na tomada de decisão pelos produtores. “Com a integração entre as regiões, teremos mais agilidade para nivelar informações entre os principais polos produtores, adaptando recomendações para as realidades locais”, avalia.
Outra novidade que a equipe está preparando para essa Safra será a reorganização da página do sistema com acesso facilitado aos materiais técnicos, que estarão agrupados por temáticas, e deverá estar disponível no início do mês de outubro.
Os produtores e técnicos interessados em receber o Boletim gratuitamente durante a safra da fruta podem solicitar a inscrição aqui.

Como funciona o Sistema:
O monitoramento da mosca-das-frutas será realizado em pomares de produtores parceiros nos quais foram instaladas armadilhas, permanecendo até o final da colheita. Às segundas-feiras, na região de Pelotas um técnico do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Pelotas irá percorrer as unidades de observação em três municípios – Pelotas, Morro Redondo e Canguçu.
Já na Serra, os técnicos da Emater/RS-Ascar irão monitorar as áreas de produção de pêssego em oito municípios – Bento Gonçalves, Caxias do Sul, Cotiporã, Farroupilha, Nova Pádua, Pinto Bandeira, São Marcos e Veranópolis. A equipe do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS)- Campus BG, também irá apoiar a coleta de amostras.
O monitoramento das moscas-das-frutas é feito através da contagem de insetos capturados nas armadilhas McPhail (do tipo bola), para indicar se a população da mosca está alta ou baixa. O resultado do monitoramento das moscas é avaliado juntamente com os dados climáticos e com a fase do desenvolvimento do pêssego durante as reuniões. Essas informações irão compor o conteúdo dos boletins informativos, que são elaborados durante as reuniões semanais com as instituições parceiras e disponibilizados semanalmente na página do Sistema, via e-mail, whatsapp e nas redes sociais.

Bons resultados
A decisão de criar o Sistema de Alerta surgiu depois da safra 2008/2009, na qual caminhões lotados de pêssego foram perdidos na metade Sul do estado em função do ataque da mosca-das-frutas e de alterações nos produtos autorizados para a cultura. A crise foi uma oportunidade para que o pesquisador Dori Edson Nava, da Embrapa Clima Temperado, criasse o Sistema e implantasse uma nova visão na produção, com o monitoramento da praga no campo e escolha do método de controle adequado para a situação
Há quatro anos o sistema chegou na Serra Gaúcha, onde é realizado numa parceria entre Embrapa Uva e Vinho e Emater-RS/Ascar. Na avaliação do extensionista rural da Empresa de Extensão, Enio Ângelo Todeschini, que acompanha o sistema junto aos produtores, “o programa tem contribuído decisivamente na orientação dos fruticultores para o controle da praga de forma racional, com uso de iscas tóxicas e/ou aplicações de produtos registrados para a praga, refletindo em menor custo de produção e aumentando ainda mais a segurança alimentar para o consumidor”.
A região de Pelotas possui aptidão para produção de pêssego para indústria, enquanto que a região da Serra atende a produção de pêssego de mesa. As duas são responsáveis por atender mais de 95% da oferta de pêssego no país, sendo que o sistema de alerta também será realizado no município de Pinto Bandeira, que foi reconhecido como a capital Estadual do Pêssego de Mesa.

Aplicativo auxilia produtores na gestão da propriedade rural

Cooperativa Vinícola Garibaldi oferece tecnologia de forma pioneira a associados

Aplicativo Vinícola Garibaldi, o Aegro é utilizado por mais de 4 mil produtores e cobre mais de 1,5 milhão de hectares produtivos – Fotos: Augusto Tomasi

Os aplicativos para mobile e desktops transformaram a vida moderna, tanto nos assuntos pessoais como nos corporativos, facilitando a comunicação e o controle de processos produtivos, por exemplo. Essas comodidades tecnológicas estão, agora, auxiliando os associados da Cooperativa Vinícola Garibaldi a melhorar ainda mais a gestão sobre o cultivo dos vinhedos – e, o melhor, sem custo algum para o viticultor.
A cooperativa está disponibilizando às mais de 400 famílias associadas acesso ao aplicativo Aegro. O software, desenvolvido para maior eficiência e controle dos negócios rurais, integra as rotinas do campo e do escritório, organizando todos os dados da propriedade.
Por meio dos recursos do app, o produtor consegue ter melhor gestão sobre patrimônio, máquinas, operações agrícolas, finanças e comercialização. “De forma prática, o aplicativo exibe indicadores e gráficos que auxiliam na tomada de decisões mais assertivas, além de manter uma base de dados históricos que pode ser acessada facilmente, quando for de seu interesse”, comenta a assistente técnica da cooperativa, Lara Silvestrin.
Para que a funcionalidade seja plena, o produtor precisa alimentar o app com informações. Desse modo, ele pode visualizar em tempo real, por exemplo, variedades de uva que trouxeram mais rendimentos ou quais despesas podem ser reduzidas. “Todas as informações importantes da propriedade rural ficam armazenadas no aplicativo, ao alcance imediato do produtor, num aplicativo fácil de usar, desenvolvido especialmente para a rotina no campo”, diz a coordenadora de Marketing da Aegro, Ágatha Melo.

Outra das facilidades do app é que ele não depende do sinal da internet, precário em algumas localidades rurais, para funcionar. “O produtor pode registrar uma operação diretamente da lavoura enquanto está offline, e os dados vão ser sincronizados automaticamente quando ele chegar no escritório”, comenta Ágatha. O Aegro é utilizado por mais de 4 mil produtores e cobre mais de 1,5 milhão de hectares produtivos.

Início das floradas de primavera estimulam polinização das abelhas

Os dias ensolarados da última semana, associados às temperaturas amenas, estimularam as abelhas à procura por néctar e pólen. De acordo com o Informativo Conjuntural produzido e publicado pela Gerência de Planejamento (GPL) da Emater/RS-Ascar, na quinta-feira (03/09), na região de Erechim algumas espécies de árvores, como citros, pitangueira, pessegueiros, entre outros, fornecem boa florada., como mostrada na imagem capturada pela extensionista de Cotiporã, Jéssica Zalamena. Houve captura de alguns exames nos últimos dias.
Nas regionais de Bagé e Pelotas, as temperaturas amenas da última semana também favorecem a floração. Na de Bagé, os enxames que receberam alimentação proteica para estimular a postura estão em intensa atividade nas primeiras florações. Aqueles para os quais não foi administrada suplementação alimentar aos poucos retomam sua fase de produção. Os produtores seguem manejando as caixas com substituição de cera e limpeza de colmeias. Já na região de Pelotas, o tempo ameno da semana favoreceu a ocorrência de enxameações, que coincidem com início das floradas de primavera. A floração abundante de espécies nativas e eucalipto provoca uma atividade mais precoce nos enxames. Intensificam-se as atividades de manejo e revisão de colmeias para a próxima safra.

CULTURAS DE INVERNO
A semana anterior iniciou com tempo seco, dias ensolarados, com temperaturas amenas que foram se elevando e, em geral, beneficiaram o desenvolvimento do trigo e auxiliaram na recuperação das plantas atingidas pelas geadas. Neste período, 15% da área cultivada está em fase de enchimento de grãos, 40% em floração e 45% ainda germinação e desenvolvimento vegetativo. No final do período houve mudanças com a formação de nebulosidade e ocorrência de chuvas de baixa intensidade e distribuição variável no Estado, que favoreceram a cultura ao reestabelecer a umidade no solo e devem seguir até a próxima semana.
Na região de Santa Rosa, 14% das lavouras de canola encontram-se em floração, 73% em enchimento dos grãos, 10% em maturação e 3% já foram colhidas. A produtividade das primeiras lavouras foi considerada boa, acima da média esperada. Em geral, as lavouras apresentam boa população de plantas, sem incidência grave de pragas e doenças. Os produtores monitoram as pragas para, se
necessário, realizar as pulverizações com inseticidas.
Os danos pelas geadas na aveia branca das regiões administrativas da Emater/RS-Ascar de Santa Maria, Ijuí e Frederico Westphalen ainda não foram quantificados. Na de Santa Maria, 50% das lavouras se apresentam em fase de florescimento e enchimento de grãos, fase suscetível às geadas; a estimativa inicial de perdas chegou a 20%. Na de Ijuí, por estar em estágio de desenvolvimento mais avançado e mais sensível aos efeitos da geada, a aveia foi fortemente prejudicada pelo evento climático adverso. As lavouras onde os danos foram severos serão utilizadas somente como cobertura de solo, não sendo viável dar continuidade à condução das mesmas para colheita de grãos. As estimativas apontam para perdas superiores a 50% do potencial produtivo de toda a área cultivada na região. E as lavouras de cevada da regional da Emater/RS-Ascar de Ijuí foram fortemente danificadas pelas geadas, impactando de forma expressiva na projeção de volume de produção final e na qualidade dos grãos. A condição fitossanitária é muito boa, mas o potencial produtivo reduziu.

CULTURAS DE VERÃO
Intensificam-se os preparos das áreas para implantação das culturas de verão (soja, milho, arroz e feijão), seguindo os plantios da safra 2020-2021 nas regiões recomendadas pelo zoneamento agrícola de risco climático, favorecidos pelo predomínio de tempo seco associado a precipitações de baixa intensidade.

HORTIGRANJEIROS
Na regional de Caxias do Sul, a cultura do alho segue com desenvolvimento normal, mas em algumas lavouras as plantas estão amareladas, provavelmente devido às mudanças bruscas de temperatura ocorridas durante as duas últimas semanas. Na regional de Soledade, áreas de batata-doce começam a ser preparadas para plantios em setembro. As mudas desenvolvidas em estufas serão transplantadas nas próximas semanas (plantios precoces). No campo, as brotações novas utilizadas para mudas foram danificadas pela geada.

FRUTÍCOLAS
Em decorrência do calor ocorrido na semana anterior ana regional da Emater/RS-Ascar de Santa Rosa, a brotação de culturas como a videira foi acelerada. Os produtores realizam a proteção com fungicidas, principalmente em função de possível ocorrência de antracnose. A poda de frutificação foi concluída. As frutíferas de clima temperado – como o pêssego e a ameixa, que estavam em florescimento e sofreram com a geada de 21 e 22 de agosto – perderam a floração inicial, sendo necessário observar se irá ocorrer nova floração a partir de agora sem prejuízo à produtividade das plantas. Segue a colheita da laranja Valência; demais variedades de citros estão em fase inicial de floração.

Emater/RS-Ascar orienta sobre manejo das plantas de cobertura do solo

Em estágio de floração a grão leitoso, as plantas de cobertura do solo implantadas em áreas de culturas perenes (fruticultura) ou anuais (lavouras) requerem manejo neste período. Na região da Serra Gaúcha, conforme o extensionista rural da Emater/RS-Ascar João Villa, predomina o uso de espécies como azevém, nabo forrageiro, ervilhaca e aveia nas áreas de fruticultura, e de aveia, azevém e mix (diversidade) de espécies nas lavouras de grãos.
De acordo com Villa, o manejo pode ser realizado de formas diferentes. “Na fruticultura pode-se deixar as plantas ao natural amadurecendo naturalmente, terminando o seu ciclo e simplesmente não fazer nada, a não ser aquela pisada na hora da poda, principalmente na videira, ou o passar das máquinas sobre as plantas também pode ser suficiente”, diz. Na fruticultura é dispensável o uso de herbicidas (que causam danos às plantas cultivadas), não sendo necessária a dessecação desde que a planta proporcione uma boa cobertura de solo, suprimindo a emergência de plantas invasoras. “Já nas áreas de lavoura se tem a opção de fazer a rolagem com rolo faca durante o período propício, conforme a espécie. As gramíneas, em geral, na fase de grão leitoso, o nabo forrageiro e a ervilhaca na floração, e o mix, conforme a espécie mais crítica em relação à possibilidade de rebrote. No geral, nas áreas de lavouras de grão o manejo tradicional é a dessecação com herbicida e depois o plantio 30 a 40 dias após a dessecação”, destaca.
Conforme Villa, o uso das plantas de cobertura continua crescendo na região, pelos benefícios que elas trazem. “Um deles é a conservação do solo através da cobertura e proteção proporcionada pelas plantas e raízes. Mas, principalmente o aumento da fertilidade em função de que algumas das espécies colocam nitrogênio no solo, outras reciclam nutrientes, principalmente o fósforo, e o mais importante de tudo é que elas ativam a biologia do solo, aumentam a vida do solo fazendo com que os microrganismos benéficos venham proporcionar um melhor desenvolvimento das plantas cultivadas na palhada”, salienta.

Emater/RS-Ascar estima segunda maior safra de verão da histórias

 

Depois de uma severa estiagem, a agricultura gaúcha se recupera e a primeira Estimativa da Safra de Verão 2020/2021 da Emater/RS-Ascar indica a segunda maior safra da história. Em uma área total de 7,8 milhões de hectares (1,8% superior ao ano anterior), deverá haver uma produção 40,2% maior que a safra passada, atingindo 32,5 milhões de toneladas dos principais grãos de verão (soja, milho, arroz e feijão). A maior safra do Estado foi em 2017, com mais de 33,6 milhões de toneladas de grãos colhidos.
Devido à pandemia e ao isolamento social, os dados foram divulgados em coletiva de imprensa virtual, na manhã desta quinta-feira (10/09). O evento contou com a participação do secretário de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, Covatti Filho, do presidente da Emater/RS, Geraldo Sandri e de mais de 110 participantes que acompanharam o lançamento por meio da transmissão simultânea no Facebook e no canal do Youtube do Rio Grande Rural da Emater/RS-Ascar.
De acordo com o levantamento, a soja tem a expectativa de maior aumento na produção (68,8%) e na produtividade (65,7%) em relação à última safra, possibilitando uma colheita de cerca de 19 milhões de toneladas, sendo 3,1 ton/ha, em uma área de 6 milhões de hectares, apenas 1,6% maior que no ano anterior.
Segundo o diretor técnico da Emater/RS, Alencar Rugeri, os dados apresentados foram coletados de 7 a 21 de agosto. “É importante ressaltar que eles estão baseados na tendência apresentada pelas produtividades médias municipais registradas ao longo dos últimos 10 anos. E, por isso, estão muito acima do resultado obtido na última safra que foi prejudicada pela estiagem”.
Confira a estimativa para os demais grãos de verão

Milho
Área 786,9 mil ha (+4,7%)
Produção 5,9 milhões ton (+43%)
Produtividade 7,5 ton/ha (+34,8%)

Arroz
Área 967,4 mil hectares (+1,7%)
Produção 7,5 milhões ton (-2,1%)
Produtividade 7,8 ton/ha (-3,9%)

Feijão primeira safra
Área 37,3 mil ha (+0,8%)
Produção 64,5 mil ton (+19%)
Produtividade 1,7 ton/ha (+17,6%)

Milho silagem
Área 356,8 mil hectares (+0,7%)
Produção 12,9 milhões ton (+43%)
Produtividade 36,2 ton/ha (+41,6%)