Emater/RS-Ascar divulga atualização de estimativa de perdas pela estiagem

Uma atualização da estimativa de perdas na produtividade, em relação à estimativa inicial divulgada em agosto do ano passado, das culturas de soja (-32,3%) e milho (-26,3%) da safra 2019/2020. Foto: Divugação

Em caráter excepcional, por solicitação da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), a Emater/RS-Ascar divulga, nesta quarta-feira (11/03), uma atualização da estimativa de perdas na produtividade, em relação à estimativa inicial divulgada em agosto do ano passado, das culturas de soja (-32,3%) e milho (-26,3%) da safra 2019/2020.
Esses dados são referentes ao retrato da situação até a última segunda-feira (09/03), e não a uma projeção para o resultado após a safra. “A estiagem persiste e esses números podem aumentar”, anunciou o diretor técnico Alencar Ruger. Ele destaca ainda que o levantamento apresenta perdas de até 75% em alguns municípios, mas o dado refere-se a uma média estadual.
O presidente da Instituição, Geraldo Sandri, ressalta que o monitoramento das lavouras é acompanhado periodicamentenão e não há previsão de uma nova divulgação de dados antes da conclusão da colheita.

Soja
Estimativa produtividade média (kg/ha)
Inicial – 3.315
Atual – 2.245
Variação – -32,3%

Estimativa produção (ton)
Inicial – 19,7 milhões
Atual – 13,3 milhões
Variação – -32,2%

Milho
Estimativa produtividade média (kg/ha)
Inicial – 7.710
Atual – 5.679
Variação – -26,3%

Estimativa produção (ton)
Inicial – 5,9 milhões
Atual – 4,4 milhões
Variação – -25,2%

Quase 10% das lavouras de soja estão colhidas no Estado

Foto; Divulgação

As lavouras de soja no Estado já contam com 8% da sua área total cultivada colhida. De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado na quinta-feira (12/03) pela Emater/RS-Ascar, em parceria com a Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), 36% das lavouras encontram-se prontas para colher, 48% em enchimento de grãos, 7% em floração e 1% em desenvolvimento vegetativo.
Já mais da metade (57%) das lavouras de milho no Rio Grande do Sul estão colhidas, 5% está em germinação e desenvolvimento vegetativo, 7% em floração, 18% em enchimento de grãos e 13% maduro.
A permanência das condições de tempo seco no Rio Grande do Sul tem favorecido a cultura que se encontra com bom estande de plantas e bom desenvolvimento; por outro lado, os mananciais vêm se ressentindo na reposição dos volumes de água e já apresentam sinais de diminuição. No período, em 1% das lavouras a fase é de germinação e desenvolvimento vegetativo, 6% delas estão em floração, 26% em enchimento de grãos, 44% em maturação e 23% foram colhidos.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Pelotas, o feijão 1ª safra é a cultura de grãos mais impactada pelas adversidades climáticas ocorridas desde o início da semeadura até o final do ciclo, principalmente pelo efeito prejudicial da estiagem nas fases da floração e enchimento dos grãos. Estão colhidos 63% das áreas semeadas. Em Canguçu, Santana da Boa Vista e São Lourenço do Sul, a colheita está concluída. Nas demais áreas na região, a cultura está em fase de maturação.
Na regional da Emater/RS-Ascar de Frederico Westphalen, a segunda safra está semeada e se encontra na fase de emergência e desenvolvimento vegetativo. Em geral, as lavouras estão com bom estande, mas já se ressentem da ausência de umidade no solo, fator igualmente restritivo para a realização da primeira aplicação de adubação nitrogenada.

OLERÍCOLAS
Na regional de Ijuí, o cenário apresenta tendência de concentração da produção de olerícolas com aumento de escala e redução do número de produtores, principalmente devido à falta de mão de obra nas propriedades. O polo produtivo de Ijuí, o maior da região, vem adotando mais mecanização, automatização da irrigação e cultivo protegido, retomando inclusive o uso de produtos biológicos nos tratos culturais para atender a demanda de consumidores preferenciais de produtos orgânicos. As culturas de verão, como abóboras para saladas e vagens, estão em final de ciclo, diminuindo a oferta local.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Santa Rosa, as condições climáticas de tempo seco e forte insolação dificultam a produção de espécies olerícolas cultivadas a campo, principalmente em função da baixa umidade relativa do ar e do solo. A irrigação tem sido usada com maior frequência; ainda assim, não há condições de preparo do solo para futuros cultivos. Mudas recém-transplantadas tiveram pegamento reduzido e demanda por irrigação recorrente. Nos cultivos protegidos, há ocorrência de pragas, principalmente tripes, mosca-branca e ácaros. Há produção de folhosas como alface, rúcula e couve-folha somente em hortas com irrigação e com telas de sombreamento. Há forte ataque de lagartas (Ascia monuste), pulgões, ácaros, tripes e coleópteros crisomelídeos, sendo necessária a aplicação de inseticidas. Cucurbitáceas seguem em plena colheita. Com relação à rastreabilidade, os mercados locais já implementaram as cobranças da procedência dos produtos.

PISCICULTURA E PESCA ARTESANAL
A redução do volume de água dos açudes exige cuidados especiais para manter boas condições alimentares e oxigenação para os peixes. Ocorreram alguns casos de morte de peixes por asfixia nas regiões da Emater/RS-Ascar de Santa Rosa e Porto Alegre.
Na região da Emater/RS-Ascar de Santa Rosa, no rio Uruguai continua a proliferação de algas, que causa mau cheiro na água e dificulta o trabalho dos pescadores artesanais, pois os obriga a lavar continuadamente os equipamentos de pesca. As espécies de peixe sem escamas são as mais capturadas.
Na região de Pelotas, a captura de pescado artesanal nas lagoas Mirim e dos Patos é baixa. Em Rio Grande e São José do Norte, o Camarão é capturado em boa quantidade, mas com tamanho pequeno. Na de Porto Alegre, em Palmares do Sul, Tapes, Imbé, Tramandaí e Mostardas, a produtividade da pesca artesanal na semana foi baixa.

OVINOCULTURA, BOVINOCULTURA DE LEITE E DE CORTE
Os rebanhos ovinos do Rio Grande do Sul encontram-se em boas condições corporais e sanitárias. O hábito de pastejo mais rente ao solo praticado pelos ovinos lhes garante melhor aproveitamento alimentar e nutricional em períodos de menor crescimento das pastagens.
O clima mais seco auxilia o controle de parasitoses internas e externas. Em relação ao manejo reprodutivo, a cobertura das matrizes nas propriedades onde foi iniciada em março deve ser estendida até o final de abril.
Os rebanhos de bovinos de leite nas várias regiões do Estado começam a sentir mais severamente os efeitos da estiagem prolongada, que afetam sua condição corporal e a produção leiteira.
As condições sanitárias são satisfatórias, mas com ocorrência acima do normal de algumas infestações por carrapato, mosca-do-chifre e miíases, considerando as condições de baixo teor de umidade no solo no período atual.
Considerando o extenso período de deficiência de umidade no solo, que prejudicou o desenvolvimento dos pastos na maior parte das regiões, o estado geral dos bovinos de corte é razoável. Em diversas áreas, o gado apresenta perda de peso e, em vários locais, está faltando água para dessedentação.
As condições sanitárias são satisfatórias, com incidência de infestações parasitárias entre fracas e moderadas, que vêm sendo controladas por práticas de manejo e uso de medicamentos apropriados. Em propriedades mais afetadas pela seca e a fim de evitar mais perda de peso dos animais, alguns produtores antecipam a venda para o abate, diminuindo assim a possibilidade de maiores prejuízos.

Para enólogos, 2020 é a safra das safras

Qualidade surpreende profissionais em todas regiões do Brasil

“Estamos diante da safra das safras”. Emocionado com o que viu nesta colheita da uva, o presidente da Associação Brasileira de Enologia (ABE), Daniel Salvador, comemora o resultado de um ano de trabalho junto ao vinhedo. Segundo ele, o comportamento climático e as condições técnicas atuais foram determinantes para considerar esta safra a melhor de todos os tempos. A avaliação chega de todas as partes, a partir da troca de informações entre enólogos que atuam nas mais diversas regiões produtoras do Brasil.
“Esta vindima foi bela, uma escultura, um monumento que a natureza nos deu. Deste momento em diante é conosco”, declara o presidente. “Estamos tendo a oportunidade de colocar em prática tudo o que aprendemos na escola e com a experiência adquirida. É um misto de alegria e satisfação que emociona. Não se faz um vinho sozinho. E este ano, a mãe natureza fez a sua parte de forma esplêndida. Agora, nós, enólogos, precisamos ter a sensibilidade e o conhecimento suficientes para gerar o melhor vinho com equilíbrio, sintonia”, destaca.


O presidente chama a atenção para a possibilidade de conhecer um patamar de vinhos que serão descobertos em breve. Nunca o Brasil, tanto vinícolas, quanto enólogos, esteve tão preparado tecnicamente, com profundo conhecimento, precisão na Viticultura e Enologia, para receber e processar uma matéria prima de tamanha qualidade. “Os primeiros resultados são surpreendentes. Esta safra veio para coroar todo esforço empenhado em anos de trabalho e pesquisa. Não há cidade, região ou estado, que ousa falar mal desta safra. Os elogios vêm de todas as partes, de todos com quem conversei”, complementa.
Todo vinho tem uma longa caminhada. E com esta performance, certamente novos vinhos surgirão, com novas propostas, novos estilos, novas descobertas. “Chega a ser cinematográfico. Peguei um cacho de Merlot na mão e me emocionei. Só pensei em dizer Obrigado à mãe natureza. Me senti forte, realizado e inspirado para transformar esta uva no melhor vinho que já fiz na vida”, conclui.

 

Emater/RS-Ascar atualiza estimativas para Safra de Verão

Soja – Região de Passo Fundo – Foto: Vanessa Almeida de Moraes

A segunda estimativa de produção da Safra de Grãos de Verão 2019/2020 foi divulgada nesta semana durante a Expodireto Cotrijal, que encerra nesta sexta-feira (06/03) em Não-Me-Toque. Na edição do Informativo Conjuntural desta quinta-feira (05/03), a Emater/RS-Ascar, em parceria com a Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), atualiza a estimativa de área de plantio, produção e produtividade das principais culturas de verão do Rio Grande do Sul. O levantamento apresentado na Expodireto contemplou uma amostra que cobriu 99% da área cultivada com arroz, 82,9% com feijão primeira safra, 83,4% com feijão segunda safra, 97,3% com milho grão, 96,1% para milho destinado à silagem e 98,1% para área com soja.
As lavouras de soja no Estado encontram-se 2% em desenvolvimento vegetativo, 11% em floração, 60% na fase de enchimento de grãos, 23% estão maduras e por colher e 4% já foram colhidas. Até a última terça-feira (03/03), a Emater/RS-Ascar recebeu solicitação para realização de 221 perícias de Proagro para a cultura da soja.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Ijuí, várias lavouras de soja apresentam coloração amarela devido ao estádio de maturação. A fase atual da cultura é de grande necessidade de água para o enchimento de grãos. Como as precipitações estão desuniformes, tanto em volumes como em relação às áreas atingidas, a cultura da soja tem apresentado grande variabilidade nos potenciais produtivos. Nos municípios mais atingidos pela estiagem, as produtividades alcançam entre 15 e 20 sacas por hectare. Nos beneficiados por chuvas regulares, as produtividades giram em torno de 45 a 50 sacas por hectare. A variabilidade depende do manejo realizado e das tecnologias utilizadas. Os fatores que se destacam para a diminuição de potencial produtivo são a irregularidade das precipitações e o calor excessivo, que têm provocado redução do tamanho do grão e queda prematura de vagens.
Na região de Santa Rosa, a soja foi implantada na totalidade, estando 5% em desenvolvimento vegetativo, 9% em floração, 75% em enchimento de grãos, 10% em maturação e 1% já está colhido. Novas áreas devem entrar em maturação e ser colhidas ainda na primeira quinzena de março. Grande parte da colheita é esperada para a primeira quinzena de abril, quando as variedades de ciclo médio, implantadas em novembro, alcançarem a maturação. Em geral, a condição das lavouras é satisfatória até o momento. O estresse hídrico das plantas nas horas mais quentes do dia durante vários dias seguidos afeta o enchimento final dos grãos, resultando em menor produção por área.
As lavouras de milho no Estado estão 6% em germinação e desenvolvimento vegetativo, 7% em floração, 17% em enchimento de grãos, 17% maduro e 53% já foram colhidos. Na região de Santa Rosa, os produtores concluíram o segundo plantio (safrinha) e atualmente as lavouras de milho estão 16% em desenvolvimento vegetativo, 1% em floração, 1% em enchimento de grãos, 2% em maturação e 80% já estão colhidas, com rendimento médio de 7.569 quilos por hectare. Nas áreas irrigadas, a produtividade chegou em 12 mil quilos por hectare.
Na regional de Frederico Westphalen, as lavouras de milho com híbridos mais precoces e semeadas até a primeira quinzena de setembro apresentam bom potencial produtivo, variando entre 130 e 160 sacos por hectare e boa qualidade de grãos. Já nas lavouras semeadas a partir da segunda quinzena de setembro, as perdas provocadas por estiagem são maiores.
Milho silagem – Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Pelotas, 29% das áreas implantadas de milho destinado à silagem estão na fase de enchimento de grãos. Outros 27% estão em floração. As áreas já colhidas e a silagem elaborada correspondem a 13% do total das áreas. A silagem elaborada é de qualidade inferior e com rendimentos bastante baixos. Isto interferirá tanto na produção leiteira quanto no ganho de peso do rebanho.
Na região de Santa Rosa, as lavouras implantadas para silagem estão 100% colhidas, e a produtividade média chegou a 40 toneladas por hectare. Na de Erechim, 5% das lavouras de milho silagem estão em enchimento de grãos e 95% já foram colhidas, com produtividade de 34,9 toneladas por hectare. Na de Caxias do Sul, a colheita do milho silagem deve se estender até meados de maio, devido ao segundo plantio da cultura. O rendimento teve redução tanto no volume de massa verde quanto na qualidade da silagem, devido à baixa produção de grãos.
Arroz – Com a permanência das condições do tempo favoráveis ao desenvolvimento da cultura, as lavouras no Estado têm se mantido com bom estande de plantas e bom desenvolvimento. Atualmente, 2% das lavouras estão na fase de germinação/desenvolvimento vegetativo, 19% em floração, 34% em enchimento de grãos, 36% em maturação e 9% foram colhidos.
Feijão 1ª safra – Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Pelotas, o feijão é a cultura que mais perdeu rendimento com os eventos climáticos. No período da semeadura, houve o excesso de chuvas e, na sequência, a estiagem prejudicou a floração e o enchimento dos grãos. Na de Caxias do Sul, nos Campos de Cima da Serra, onde a leguminosa é cultivada em época diferenciada em relação às demais regiões do Estado, as lavouras de feijão se encontram na fase de formação de vagens e enchimento de grãos. Com as chuvas ocorridas no final de fevereiro, as lavouras voltaram a ter um bom aspecto, e o rendimento esperado é de 2.200 quilos por hectare. São realizadas pulverizações para o controle de pragas e doenças. Em geral, as plantas apresentam boa sanidade.
Feijão 2ª safra – O plantio avança na regional da Emater/RS-Ascar de Frederico Westphalen. Com a estiagem, houve antecipação da colheita de lavouras de milho e de soja precoce. A estimativa é de que sejam semeados mais de 9 mil hectares de feijão. A cultura se encontra em estádio de emergência/desenvolvimento vegetativo, e as lavouras apresentam bom estande de plantas, porém, há necessidade de chuvas para a aplicação da primeira parcela da adubação nitrogenada. O rendimento esperado é superior a 1.800 quilos por hectare.
Na região de Santa Maria, os plantios de feijão 2ª safra foram interrompidos em virtude da falta de chuvas. Em fevereiro, houve pequeno volume de precipitações, reduzindo assim a umidade do solo necessária à realização de semeaduras. Com isso, a intenção de plantio de 1.053 hectares tende a não se confirmar. Na de Ijuí, há tendência de diminuição de área, pois a umidade no solo é inadequada para a germinação da cultura. As áreas cultivadas apresentam sintomas de déficit hídrico, principalmente nas lavouras em início de floração, período muito crítico para a confirmação da produtividade. Os cultivos implantados pós-colheita do milho e que dispõem de irrigação se desenvolvem dentro da normalidade, com boa sanidade e baixa incidência de doenças.

OLERÍCOLAS
Cebola – Na regional de Pelotas, a comercialização avança praticamente para o fim, restando 2% de cebola em Tavares e 5% em São José do Norte. O preço pago ao produtor para cebola tipo 3 segue entre R$ 0,60 e R$ 0,80/kg. Produtores com quantidades grandes de cebola de excelente qualidade conseguem até R$ 1,00/kg. O preço da cebola de classificação tipo 2 varia de R$ 0,40 a R$ 0,50/kg.
Alho – Com a finalização da colheita da uva na regional de Caxias do Sul, a comercialização de alho está retomada, com mercado aquecido, ou seja, os preços são remuneradores pela qualidade dos bulbos, característica derivada principalmente da ótima cura a campo e nos galpões de estocagem. Ocorrem reuniões técnicas para reservação de bulbos-semente livres de viroses. Alhicultores da Serra estão animados com os resultados econômicos; com isso, buscam abertura de novas áreas nos Campos de Cima da Serra. Os preços praticados para o quilo variam conforme a classe: 3 a R$ 9,00; 4 a R$ 10,00; classe 5 a R$ 11,00; 6 a R$ 12,00; classe 7 a R$ 13,00 e alho indústria a R$ 8,00/kg.

FRUTÍCOLAS
Uva – Na regional de Caxias do Sul, a colheita da atual safra encaminha-se para a conclusão, sendo colhidas as variedades mais tardias cultivadas na região, como a Isabel, as do grupo Moscato e Cabernet Sauvignon. O rendimento ficou um pouco abaixo do esperado, com redução aproximada de 20%. O potencial produtivo foi afetado pelas condições climáticas que interferiram na uniformidade da brotação das variedades superprecoces e na fixação das bagas, deixando os cachos com menor número de bagas e, finalmente, pela deficiência hídrica em dezembro. A qualidade da fruta colhida é ótima, com elevado teor de açúcar e ausência de podridões. Durante a colheita, as indústrias foram gradativamente aumentando a cotação e a disputa pela produção, sendo que muitos viticultores desvinculados de compromissos prévios foram negociando até o início da colheita de seus vinhedos.
Banana – No Litoral Norte, na regional da Emater/RS-Ascar de Porto Alegre, a cultura segue em produção, com frutas de boa qualidade. A cultivar predominante é a Prata, com cerca de 80% da área; as demais áreas são cultivadas com a Caturra. A produtividade é um pouco menor do que a esperada, em virtude da estiagem e das altas temperaturas do início do ano, que causaram má formação e menor enchimento dos cachos no período. O estado fitossanitário segue bom.

PASTAGENS E CRIAÇÕES
As áreas de campo nativo e pastagens cultivadas perenes de verão, localizadas em regiões com maior incidência de chuvas, apresentam desenvolvimento e produção de forragem satisfatórios. As pastagens cultivadas perenes, mesmo em áreas mais secas, ainda se desenvolvem de forma razoável. Vários produtores já implantaram ou estão em fase de preparo para o plantio de pastagens cultivadas de inverno.
BOVINOCULTURA DE CORTE – Nas diversas regiões do RS, o estado corporal do gado bovino de corte, de uma maneira geral, é satisfatório. Em áreas com estiagem mais prolongada, onde as condições alimentares e nutricionais dos pastos estão mais prejudicadas, os animais apresentam menor ganho ou até perda de peso. Na maior parte das propriedades, o período de entoure e inseminação foi encerrado.
BOVINOCULTURA DE LEITE – Os rebanhos bovinos leiteiros gaúchos apresentam boas condições corporais e sanitárias. A produção de leite tem sido mantida, em grande parte, com suplementação alimentar à base de silagem e concentrados proteicos. Na maioria das regiões, a produção exclusivamente a pasto tem sido prejudicada pelos períodos de estiagem, que também afeta a produção de silagem e preocupa os produtores a restrição desta alternativa de suplementação alimentar com menor custo, durante o vazio forrageiro outonal que se aproxima. Em algumas áreas há escassez de água para dessedentação dos animais.
PISCICULTURA – Um grande número de açudes apresenta nível mais baixo e, em alguns casos, há necessidade de medidas de manejo para renovação e aeração da água, a fim de manter uma boa oxigenação. Os peixes estão nas fases de crescimento e terminação, e a maioria dos piscicultores planeja uma grande despesca para comercialização na Semana Santa.

Agricultores voltam ao método antigo ao combater pragas plantando flores silvestres

 

Na Inglaterra, as faixas foram plantadas em 15 lavouras de grandes dimensões, durante o outono, e serão monitorizadas durante os próximos cinco anos, num teste dirigido pelo Centro para a Ecologia e Hidrologia (CEH, na sigla em inglês). As flores plantadas incluem o malmequer-bravo, o trevo-violeta, a centaurea nigra e a cenoura-brava. Outros trabalhos de investigação já tinham mostrado que a plantação de flores silvestres nas margens dos campos para atrair insetos – como as moscas-das-flores, as vespas parasitoides e os escaravelhos terrestres – reduz as populações das pragas nas plantações e pode chegar mesmo a aumentar a produtividade. Com esta estratégia, contudo, as faixas de flores silvestres são plantadas à volta dos campos, o que significa que os predadores naturais não são capazes de alcançar o centro das grandes explorações agrícolas.


“Se pensarmos no tamanho de um m,escaravelho, é um grande caminho até ao centro de um campo”, comentou o professor Richard Pywell, do CEH. Os testes iniciais do professor mostraram que as faixas a 100 metros de distância umas das outras possibilitam aos predadores atacar os pulgões e outras pragas ao longo de todo o campo.
As faixas dos novos testes têm seis metros de largura, ocupando apenas 2% da área total do campo, e serão monitorizadas ao longo de um ciclo de rotação completo, desde o trigo de inverno, passando pela colza e pela cevada de primavera. Os investigadores estarão atentos a sinais de que atrair insetos selvagens para o centro dos campos – ou seja, para mais perto de onde os pesticidas são pulverizados – não fará mais mal do que bem. Na Suíça, os testes no terreno estão a utilizar plantas e flores como a centáurea, os coentros, o trigo-sarraceno, as papoilas e o aneto. Richard Pywell, autor de um estudo que revelou que os pesticidas neonicotinóides prejudicam as populações das abelhas, contou ao jornal The Guardian que espera que os predadores naturais controlem as pragas de ano para ano, de forma a que não haja grandes surtos. “Isso seria o ideal – que nunca precisássemos de pulverizar [os campos].”

São cada vez mais os artigos altamente críticos da atual utilização de pesticidas. Em 2017, o conselheiro científico do governo britânico, Ian Boyd, avisou que a suposição de que é seguro usarem-se pesticidas em quantidades industriais nas paisagens é errada. No mesmo ano, um relatório da ONU declarou que a ideia de que os pesticidas são essenciais para alimentar a crescente população mundial é um mito, acusando os pesticidas de terem “impactos catastróficos no ambiente e na saúde humana” e os seus fabricantes de “negarem sistematicamente” os danos causados pelos seus produtos. “Existe, sem dúvida, necessidade de se reduzir a utilização de pesticidas – isso é certo”, disse Bill Parker, diretor de investigação do Agriculture and Horticulture Development Board, explicando que é essencial uma “enorme mudança cultural” na agricultura, na qual se usam, atualmente, pesticidas quer tenham sido identificadas pragas ou não.

Sobe para 31 número de municípios com emergência reconhecida pela União devido à estiagem

Outras 51 cidades já tiveram o relato de prejuízos homologado pelo Estado e aguardam resposta do governo federal

Perdas nas lavouras e dificuldades para o abastecimento de água à população foram ocasionados pela estiagem

A União reconheceu, nesta quarta-feira (4), a situação de emergência de mais sete municípios gaúchos, aumentando a lista para 31. Todas as cidades contabilizam prejuízos devido à estiagem, como perdas nas lavouras e dificuldades para o abastecimento de água à população.
As últimas a terem os decretos publicados no Diário Oficial da União foram Sobradinho, Candelária, Ibarama, Novo Cabrais, Barra do Rio Azul, Vanini e Tunas.
De acordo com o último balanço divulgado pela Defesa Civil gaúcha, há ainda 51 municípios com a situação homologada pelo Piratini. Outras 126 prefeituras publicaram decretos em razão de perdas causadas pela falta de chuva e aguardam a análise estadual.
Emergência
Quando há o reconhecimento federal de situação de emergência, os municípios passam a ter acesso a eventuais liberações extraordinárias de recursos da União. No entanto, as reivindicações de produtores gaúchos pedem auxílio mais expressivo.
Prefeitos e o governador Eduardo Leite pediram apoio financeiro ao Ministério da Agricultura, além da prorrogação do prazo de dívidas. Havia a expectativa de anúncio de medidas emergenciais na abertura da Expodireto-Cotrijal, em Não-Me-Toque, na segunda-feira (2). No entanto, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, não avançou nas demandas dos agricultores.
Após a estiagem de 2011-2012, o Estado tem registrado safras recordes sequenciais. Em 2019 foram 34,6 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas — 1,5 milhão de toneladas a mais do que em 2018, segundo o IBGE. Porém, para 2020, a escassez de chuva não permitirá a supersafra estimada pelo governo. As principais perdas, até o momento, ocorrem na cultura do milho, mas também atingem soja, feijão, leite, entre outros.

Vespas nativas são usadas para controlar mosca-das-frutas

Ciclo biológico de mosca-das-frutas em pessegueiro

Uma tecnologia inovadora utiliza parasitoides nativos para controlar as moscas-das-frutas (A.fraterculus e C. capitata). Pesquisadores do Laboratório de Entomologia da Embrapa Clima Temperado, em Pelotas (RS), empregaram a vespa Doryctobracon areolatus, que alcançou até 40%de parasitismo das larvas da mosca, considerada um dos grandes problemas da fruticultura no mundo.
Os cientistas informam que os resultados são promissores e indicam potencial de uso nos pomares como técnica de controle biológico dentro de uma estratégia de manejo integrado de pragas (MIP). O parasitoide poderá ser indicado tanto para cultivos orgânicos quanto para pomares convencionais.
Como é uma estratégia que não usa químicos, a ação da vespa é adequada à recente instrução normativa do Ministério da Agricultura (nº19 de 7/8/2019) que regulamenta os procedimentos para que as frutas brasileiras recebam a certificação internacional de produtos de origem vegetal.
“Vários países da União Europeia impõem restrições ao uso de defensivos químicos na fruticultura, por causa disso, para exportar para esses mercados o Brasil deve substituir as aplicações por alternativas limpas de controle de pragas”, esclarece o entomologista Dori Edson Nava, pesquisador da Embrapa.

Larvas da vespa se alimentarão das larvas da praga, controlando a proliferação. – Foto: Paulo Lanzetta

Como funciona?
Na prática, o uso desse parasitoide envolve etapas de produção das vespas, em laboratório, seguido de sua liberação nos pomares que estejam com ataque de moscas-das-frutas. Após a liberação, as fêmeas do parasitoide irão localizar as larvas da praga no interior dos frutos para proceder a oviposição (colocar seus novos no interior das larvas). Do ovo colocado pelo parasitoide, irá eclodir outra larva, que se alimentará das vísceras e do conteúdo do hospedeiro, até o momento em que ela se transformará em pupa, no interior do pupário da mosca-da-fruta. Após alguns dias, ocorrerá a emergência da vespa, evitando assim a perpetuação da mosca-da-fruta.

A pesquisa
Inicialmente, os cientistas coletaram informações básicas da biologia e ecologia da praga e, em especial, do parasitoide Doryctobracon areolatus. A segunda etapa procurou estabelecer uma técnica de criação tanto para o hospedeiro (a mosca-da-fruta), quanto para o parasitoide. “A ideia é aprimorar as técnicas de criação para serem mais baratas e darem menos mão de obra. Já que ela representa cerca de 50% do custo de produção nas criações”, observa Nava. As técnicas foram desenvolvidas e já estão disponíveis para produtores.
Também foram estudadas etapas relacionadas à seletividade de inseticidas ao parasitoide, comportamento de busca e parasitismo, entre outras. Todas essas fases são importantes para avaliar o possível uso da vespa em programas de controle biológico. “O que se busca é a resposta para a pergunta: qual é a taxa de parasitismo (controle) em condições de campo? O seu uso é viável?”, indaga Nava.
O cientista ressalta que o controle biológico não é uma opção única contra a mosca-das-frutas. Ele deve ser utilizado com outros métodos de controle dentro da filosofia do Manejo Integrado de Pragas (MIP).

Controle alternativo da mosca-das-frutas
Além disso, a disponibilização de agentes de controle biológico vem em boa hora, já que a maior parte das frutíferas não possui grade de produtos fitossanitários indicados.
No estudo, os resultados iniciais indicam taxas de parasitismo variáveis de 6,2% a 40%. Esses valores dependem de época de liberação da vespa, níveis de infestação da praga, espécies de mosca-das-frutas entre outros fatores. O trabalho terá outras etapas de avaliação e estudos que estão programadas para os próximos anos.
A equipe de pesquisa ainda não tem uma estimativa de custos de produção com o uso de parasitoides. Nava revela que a tendência é haver um custo inicial mais elevado que diminuirá ao longo do tempo à medida em que a tecnologia se popularizar e for empregada em uma escala maior. “Existe uma percepção do produtor e da comunidade em geral de que o uso do controle biológico reduz custos de produção. Na verdade, o custo do controle depende de mercado. Quanto maior o mercado, menor será o custo”, analisa Nava.

O futuro do estudo
O cientista informa que ainda faltam outras etapas para estabelecer parâmetros de liberação do parasitoide (época, quantidade, frequência,etc). A tecnologia de controle biológico é desenvolvida em parceria com uma empresa local, a Partamon. A ideia é que ela comercialize a tecnologia no futuro.
Além da Partamon, o parasitoide Doryctobracon areolatus (à direita) poderá ser produzido em biofábricas, como a Moscasul, que está sendo instalada em Vacaria (RS) e que empregará a Técnica do Inseto Estéril e de parasitoides para o controle biológico de mosca-das-frutas. “Além da geração de tecnologia é necessário avançar nos programas de manejo de mosca-das-frutas e que envolve não apenas o fruticultor, mas também as instituições públicas e as privadas”, completa o pesquisador. Isto ocorre devido a necessidade de se realizar um controle mais abrangente geograficamente para o grupo das moscas-das-frutas, já que o controle local resolve o problema apenas momentaneamente.

As dificuldades do controle químico
Atualmente, para mosca-das-frutas existem produtos químicos registrados e permitidos no Brasil apenas para pomares de citros, maçã e pêssego. Para a maioria das culturas não existem, ou há uma deficiência, de defensivos químicos registrados.
“A maioria das frutíferas não tem mais produtos registrados para controle de mosca-das-frutas. Além disso, os que sobraram, principalmente os do grupo dos organofosforados, já foram banidos pelos países da União Europeia”, informa o pesquisador da Embrapa. Segundo ele, uma boa parte dos países já utiliza o controle biológico como estratégia de controle da praga. Ele destaca a atuação do México, Israel e Chile, como referência em controle biológico de mosca-das-frutas, o que possibilita a exportação de suas frutas para vários mercados consumidores mundiais.

O prejuízo causado pela mosca
Os pomares com infestação de mosca-das-frutas não são aptos para exportação e as perdas causadas também provocam prejuízos no mercado interno brasileiro. Nava explica que as larvas da mosca-das-frutas destroem a polpa dos frutos para se alimentar. “Ao realizar a postura, as fêmeas introduzem o ovipositor, causando um ferimento [abertura], que facilita a entrada de fungos causadores de podridões. Além disso, os danos provocam o amadurecimento precoce e consequente queda dos frutos”, detalha Nava.
Estudos indicam que dos 14,7 bilhões de dólares anuais de perdas econômicas na agricultura causadas por insetos, 1,6 bilhão está associados à produção de frutas. De acordo com avaliação realizada pelo Mapa, em 2015, para o Brasil, ao levar em consideração as perdas de produção, comercialização e custos de controle, somente as moscas-das-frutas causam um prejuízo anual de 180 milhões de reais.

Quem são as moscas-das-frutas?
As moscas-das-frutas pertencem à família Tephritidae. Existem várias espécies descritas, mas apenas algumas causam danos econômicos. Entre essas se destacam a mosca-das-frutas sul-americana Anastrepha fraterculus e a mosca-do-mediterrâneo Ceratitis capitata.
Nava diz que a mosca-das-frutas sul-americana é uma espécie de origem neotropical, ocorrendo do sul dos Estados Unidos até a Argentina. “No Brasil, essa espécie se distribui em todas as regiões, atacando frutíferas cultivadas e nativas, e ataca mais de 90 espécies hospedeiras de 20 famílias botânicas. No Rio Grande do Sul (RS) e Santa Catarina (SC) é a espécie predominante”, revela o pesquisador.
Já a mosca-do-mediterrâneo é a espécie exótica introduzida no Brasil por volta de 1900 e possui relevância econômica mundial, distribuída nas áreas tropicais e subtropicais. Está presente também em todos os estados da federação, sendo predominante na fronteira do Brasil com Uruguai e Argentina. “Trabalhos de pesquisa estimam, por exemplo, que, se C.capitata reduzir a produção brasileira de citros em 50%, as perdas econômicas podem alcançar cerca de 242 milhões de dólares”, ressalta Nava.

O controle da mosca
Uma das formas de controle da praga tem sido feita pelo uso de produtos fitossanitários em aplicação seletiva, na forma de isca tóxica, ou aplicação em cobertura. Após as restrições de uso de produtos fitossanitários, devido à retirada do mercado de inseticidas do grupo dos organofosforados sistêmicos, outras alternativas estão são buscadas pelo setor.
Uma delas é a instalação, no sul do País, do programa Sistema de Alerta para o controle da Mosca-das-Frutas. Ele abrange uma grande área envolvendo as regiões do sul do Rio Grande do Sul e parte da região produtora de frutas da Serra Gaúcha onde são cultivados pessegueiros. Iniciado há quase uma década, o projeto tem contribuído para definir o momento correto de aplicação dos inseticidas pelo produtor, melhorar o sistema de produção e obter um produto de melhor qualidade e mais limpo. Todas essas ações têm propiciado avanços significativos no manejo da mosca-das-frutas e estão inseridas no conceito atual de manejo de pragas em áreas amplas, que contemplam pragas de grande mobilidade.

Brasil é terceiro maior exportador de frutas do mundo
O Brasil é o terceiro produtor mundial de frutas, depois da China e da Índia, com uma área plantada de 2,3 milhões de hectares e produção de cerca de 44 milhões de toneladas por safra. Em 2018, foram produzidas 124,3 mil toneladas de frutas frescas e processadas enviadas a diversos países. Do total de frutas produzidas, apenas 2,5% é destinado à exportação, segundo a Associação Brasileira de Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas).
Especialistas acreditam que há potencial para aumentar o volume exportado, mas é necessário transpor o desafio de se controlar pragas diminuindo ou zerando o uso de agroquímicos, apontados como um dos principais fatores que impedem o incremento das vendas internacionais.
A fruticultura no Brasil é diversificada, sendo que em todas as regiões o cultivo faz parte da economia e do desenvolvimento social local. E em todas as regiões produtoras, a mosca-das-frutas está presente.

O que é controle biológico?
Trata-se da regulação do número de plantas e animais por inimigos naturais, chamados de agentes de mortalidade biótica. Entre esses inimigos naturais, estão os predadores, os parasitoides e os microrganismos.
Trata-se de um método de controle racional e que atende os princípios da sustentabilidade e que tem como objetivo final utilizar esses inimigos naturais que causam menos impacto ao ambiente e à saúde da população quando comparados com o uso de produtos químicos.

Épocas de frutificação dos principais hospedeiros de Anastrepha fraterculus na região de clima temperado

*Uma vespa nativa brasileira é capaz de parasitar duas espécies de moscas-das-frutas.
*A vespa Doryctobracon areolatus alcançou 40% do parasitismo da praga.
*A vespa coloca seus ovos no interior da larva da mosca a qual servirá de alimento para a larva da vespa que eclodirá do ovo.
*Prática é promissora para o manejo integrado de pragas.
*Por ser limpa, prática não fere restrições de países europeus que vetam importações de frutas tratadas com químicos.

Ciência recupera áreas de declínio e morte de videiras na Serra Gaúcha

O trabalho de recuperação das áreas para o cultivo da videira foi liderado por pesquisadores da Embrapa Uva e Vinho (RS) e contou com a participação de produtores, técnicos e especialistas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e a empresa de extensão rural do estado, a Emater/RS-Ascar.

Dia de campo para repasse das tecnologias com as recomendações da renovação de parreirais – Foto: Viviane Zanella

Áreas que sofreram declínio e morte de plantas de videiras na Serra Gaúcha estão voltando a produzir graças ao trabalho da ciência. Para isso, pesquisadores organizaram e validaram um conjunto de recomendações técnicas que permitem o replantio de vinhedos nessas pequenas propriedades familiares que fazem parte da mais tradicional região produtora de uvas e vinhos do Brasil. O resultado foi um programa de manejo dividido em quatro eixos básicos: manejo do solo, adubação, mudas de qualidade e controle de insetos-pragas e doenças.
Essas porções de terra com morte de videiras, presentes nas encostas desenhadas pelos vinhedos, além de ficarem evidentes na paisagem, passaram a ser um sério problema para os produtores de uva. Na região, que é constituída essencialmente por pequenas propriedades familiares de até 24 hectares (uma colônia), as áreas para cultivo são restritas pelo tamanho, limitações geográficas, principalmente topografia, e de legislação, como as definidas pelo Código Florestal, que impedem a abertura de novas áreas para o cultivo de videiras.
Mesmo utilizando os aprendizados que foram passados ao longo das gerações, os agricultores não estavam obtendo sucesso nas tentativas de replantio: as plantas simplesmente não se desenvolviam. Com esse cenário, a Embrapa liderou uma força-tarefa na execução do projeto Tecnologias para a viabilização e sustentabilidade dos vinhedos em áreas de renovação na Região Sul do Brasil.
Cada propriedade abrigou uma unidade demonstrativa do tamanho de um hectare que recebeu as técnicas recomendadas. Os resultados foram tão promissores que essas áreas estão aumentando a cada dia. Todos os cinco produtores participantes já ampliaram a área a técnica em 200% e somente a Cooperativa Vinícola Garibaldi estima que 100 hectares dos seus cooperados já estão com essa metodologia no campo.
Segundo o líder do projeto, Lucas Garrido, pesquisador da área de Fitopatologia da Embrapa, o melhor resultado não foi a recuperação das áreas em si, mas o trabalho realizado pela equipe de pesquisadores, que formou multiplicadores no repasse de informações e técnicas corretas. “O cultivo da videira é uma questão cultural, passada de geração em geração, e com esse projeto tivemos a oportunidade de mostrar e construir em conjunto com os técnicos e produtores a possibilidade de uma nova realidade, contornando problemas e garantindo a renovação dos parreirais”, conta.
Um bom exemplo dessa mudança foi demostrar aos produtores os benefícios da utilização de mudas de videira enxertadas com controle de qualidade, o que evita muitos problemas transmitidos pelo tradicional repasse dos galhos da videira, entre os produtores, para formar novos vinhedos. “O emprego de mudas de qualidade, com um padrão morfológico e sanitário estabelecido, o preparo do solo e o correto plantio formam um investimento que trará muitos dividendos a longo prazo”, defende o coordenador do Programa de Mudas de Qualidade, Daniel Grohs, que é engenheiro agrônomo da Embrapa.
“Depois de ver os resultados do projeto, eu estou seguindo o tratamento do plantio nas novas áreas que estou renovando e noto grande diferença no parreiral”, avalia Vinicius Dal Oglio, de Bento Gonçalves, um dos produtores em cuja propriedade as recomendações técnicas foram validadas.

Pesquisador Lucas Garrido e técnico Bosa da Cooperativa Garibaldi – Foto: Viviane Zanella

A base do sucesso
As soluções tecnológicas para renovação de vinhedos em áreas de declínio foram propostas a partir dos resultados obtidos com a instalação de cinco unidades demonstrativas nas propriedades de viticultores nos municípios de Bento Gonçalves, Caxias do Sul, Farroupilha, Flores da Cunha e Garibaldi, todos na Serra Gaúcha. Esses produtores, associados às cooperativas Vinícola Garibaldi, Agroindustrial Nova Aliança e Vinícola Aurora, colocaram suas propriedades à disposição da equipe para servir como área experimental. Para isso, receberam 600 mudas de qualidade de cultivares como BRS Cora, Isabel, Bordô ou Tannat. As cultivares foram escolhidas pelos agricultores de acordo com o objetivo da produção. Além das mudas, cada produtor recebeu os insumos recomendados pela equipe de pesquisa para contribuir com o controle de patógenos do solo, além do acompanhamento da evolução do parreiral com visitas regulares da equipe de especialistas.
Após três anos, as propriedades foram transformadas em uma vitrine tecnológica, onde foram realizadas capacitações de técnicos e agricultores ao longo do projeto. “Nada melhor do que conferir na prática como foi a experiência e ouvir do próprio viticultor os resultados do sucesso da tecnologia”, destaca Garrido.
Evandro Bosa é gerente da Cooperativa Vinícola Garibaldi e tem como tarefa orientar 410 viticultores na Serra Gaúcha. Ele foi um dos técnicos parceiros do projeto e esteve presente durante toda a validação das recomendações da pesquisa. Na sua avaliação, os resultados foram tão positivos que, já durante a execução, muitas informações foram sendo repassadas para outros produtores. “Pelo menos 250 famílias associadas à cooperativa já estão colocando em prática as recomendações, cujos resultados nos novos vinhedos são fantásticos”, avalia. Além das mudas, a cooperativa também adquire e repassa aos seus associados os insumos recomendados pela Embrapa.
Os quatro pilares do pacote tecnológico

Mudas de qualidade

Segundo Grohs, a demanda por mudas de videira com qualidade é histórica no setor vitivinícola nacional e a atuação da Embrapa se dá especialmente em duas frentes: na condução de um intenso trabalho de orientação aos viveiristas licenciados e participantes do Programa Mudas de Qualidade e na orientação de produtores para identificar e exigir mudas de qualidade.
“O uso de materiais geneticamente atestados e fitossanitariamente limpos faz uma muda de qualidade, o que contribui significativamente para a sustentabilidade da viticultura, em especial com a redução dos custos e da necessidade de mão de obra, incremento na produtividade e qualidade da uva produzida”, resume.
Grohs reforça a necessidade de um planejamento para realizar a encomenda de mudas com um ano de antecedência em viveiristas que oferecem materiais de boa qualidade.
Ele destaca que é sempre importante, antes de comprar, conhecer pessoalmente as instalações do viveiro. “Na hora da retirada das mudas, deve-se fazer um bom exame visual nela, verificando o padrão morfológico e sanitário seguindo critérios estabelecidos pela Embrapa”, recomenda.
O especialista revela que o critério mais difícil de avaliação é a presença de necroses internas indicadoras do risco de ocorrência de doenças. “Recomendo sacrificar algumas mudas e ver se existem manchas escuras em um percentual elevado, o que significa doenças nas raízes ou no caule”, orienta. Caso o material não esteja com boas condições sanitárias, ele reforça que o produtor deverá conversar com o viveirista, pois plantar a muda com riscos de ocorrência de doenças significa prejuízo.
Além da muda, o produtor deve estar atento às demais etapas da renovação, pois a planta de qualidade, sozinha, não garante o estabelecimento do vinhedo nesse ambiente.

Manejo do solo e adubação
Segundo o pesquisador George Wellington Melo, o preparo do solo é fundamental. A primeira atividade essencial é a erradicação do vinhedo anterior, retirando-se da área o máximo possível de restos culturais. Na sequência, deve-se realizar a análise de solo, para ver se são necessárias correções. Antes do plantio da muda, o solo já deve estar corrigido de suas carências nutricionais. A construção de drenos é recomendada para áreas sujeitas ao encharcamento, pois a videira não tolera solos com má drenagem.
Outro fator que deve receber uma atenção é o nível de cobre no solo. Ele alerta que concentrações acima de 50 mg.kg-1 já atrapalham o crescimento das raízes da planta. “Para minimizar a toxicidade, deve-se realizar práticas que diminuam a disponibilidade de cobre, o que se consegue com uso de fertilizantes orgânicos, aumento do pH do solo e cultivo de plantas de cobertura”, recomenda. Wellington indica o uso de adubo orgânico na fase de crescimento, ou seja, nos três primeiros anos, garantindo assim uma maior uniformidade nas plantas e a produção de uvas a partir do terceiro ano. “Em diversos experimentos constatamos que o composto orgânico é mais eficiente do que o adubo químico, mas é importante que ele esteja estabilizado, para evitar outros focos de contaminação”, orienta.
Outro manejo indicado é o uso de disco de papelão embebido em sulfato de cobre para cobrir o pé da planta e manter o solo “limpo” (o tradicional coroamento da planta), evitando assim o uso de herbicidas e a prática da capina. “O uso de herbicidas para o controle de plantas daninhas pode prejudicar o desenvolvimento da videira e deve ser evitado, especialmente nos três primeiros anos – período de maior impacto”, recomenda.
A partir do momento em que o vinhedo entra em produção, a principal ferramenta para avaliar a necessidade de adubação é a análise de tecido, feita a partir das folhas coletadas na plena floração das plantas. “Cada variedade tem um comportamento. Às vezes o excesso de potássio impede a absorção de magnésio e a deficiência de boro na floração prejudica a fecundação, diminuindo o número de bagas por cacho”, cita o pesquisador, que reforça a importância da análise foliar para a correta recomendação de adubação de manutenção. A adubação de plantas de cobertura também é outro fator importante para melhor aproveitamento nutricional da videira.

Controle de insetos-praga
Segundo o pesquisador Marcos Botton, a cochonilha pérola-da-terra, que historicamente foi apontada como uma das principais causas da morte de videiras, é uma praga fácil de ser manejada. O controle da cochonilha deve ser realizado nas áreas infestadas com o emprego de inseticidas neonicotinóides no solo, como o Imidacloprido e o Thiametoxan. Outra pratica importante é eliminar as plantas hospedeiras da pérola-da-terra presentes no interior do vinhedo, como a língua-de-vaca, visando reduzir as fontes de infestação.
A adubação orgânica e a manutenção de plantas de cobertura não hospedeiras do inseto são mais duas medidas recomendadas pelo cientista. Empregadas em conjunto, elas permitem manejar o inseto. Por fim, caso a cochonilha não esteja presente na área a ser reconvertida, não é necessário o emprego de medidas de manejo, somente evitar transportar o inseto para a propriedade, o que pode ocorrer pelo emprego de mudas contaminadas ou máquinas agrícolas. Outro inseto de solo importante é a filoxera, razão pela qual devem ser empregados porta-enxertos resistentes a essa espécie de praga, que é a base do programa de mudas de qualidade.

Controle de doenças
Na visão de Garrido, a prioridade é restabelecer o equilíbrio do solo. Isso significa evitar que fungos fitopatogênicos presentes no solo tornem-se predominantes ao redor da muda. “Nossa proposta é utilizar uma série de compostos orgânicos empregados também na agricultura orgânica para reestruturar o solo, o que irá repercutir diretamente no desenvolvimento das plantas e, de forma natural, ampliar a resistência aos patógenos”, explica. Ele também destaca a importância de eliminar a inflorescência das videiras no primeiro ano, para que a planta invista suas reservas no crescimento e fortalecimento das estruturas permanentes, como tronco e raízes, e não em frutos.

Acompanhamento tecnico sobre o correto padrão de uma muda de qualidade – Foto: Viviane Zanella

Áreas que sofreram morte de videiras na Serra Gaúcha estão voltando a produzir graças ao trabalho da ciência.
*Recomendações técnicas permitem o replantio de vinhedos em propriedades familiares de até 24 hectares.
*O programa de manejo é dividido em quatro eixos básicos: manejo do solo, adubação, mudas de qualidade e controle de insetos-pragas e doenças.
*Unidades demonstrativas montadas em cinco propriedades obtiveram ampliação da área técnica em 200%.
*O trabalho formou multiplicadores para repasse de informações e técnicas corretas em prol da renovação dos parreirais.

Boletim de Alerta Mosca-das-Frutas: redução de custos, manejo adequado e rapidez na tomada de decisão

Foto: Alexandre Frozza

Redução de custos com agroquímicos, informações sobre o momento de controle e rápida tomada de decisão. Essa é a avaliação final do Sistema de Alerta Mosca-das-Frutas nos pomares de pêssego na Serra Gaúcha da safra 2019/ 2020.
Para Marcos Botton, entomologista e chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Uva e Vinho, “o sistema de alerta é um passo importante para a segurança do alimento e a rastreabilidade. É uma ferramenta para os produtores que estão implementando as boas práticas agrícolas visando a segurança do alimento proporcionando um produto sem inconformidades em termos de resíduos, porque a população da mosca é influenciada por diversos fatores como condições climáticas e estádios fenológicos do pessegueiro”.
Giseli Boldrin Rossi produz pêssegos e uvas em Nova Pádua, RS e conseguiu uma redução de custos com os inseticidas quando não houve população de moscas nas armadilhas do pomar: “neste ano, como tínhamos monitoramento, toda semana que não apresentava população, era uma semana sem o uso do inseticida. Isso significou uma redução no custo de produção, e tranquilidade, pois ficamos sem o medo da mosca atacar”.
Além do alerta indicando a quantidade de moscas no pomar, o Boletim também trazia dicas sobre outros possíveis agentes bióticos e abióticos que pudessem danificar a cultura. A produtora Giseli confirma o interesse pelas dicas: “tivemos semanas de muita chuva que veio o alerta para bacteriose. Nas semanas mais secas foi emitido alerta sobre os ácaros e assim funcionou muito bem. E realmente se confirmou. Esses alertas de possíveis doenças que poderiam estar surgindo na própria semana auxiliaram muito com a aplicação dos produtos certos para tratamento”.
Além de ser utilizado pelos produtores, o Boletim também foi utilizado por técnicos no interior do estado. Jéssica Zalamena, técnica em agropecuária, extensionista rural da Emater/RS-Ascar em Cotiporã, RS, confirma o uso do Boletim junto aos produtores para divulgar os números de moscas nos pomares e discutir sobre a tomada de decisão no manejo dos pomares. No município a sugestão de algumas famílias é expandir o uso do Boletim para frutas cítricas.
O boletim do Sistema de Alerta Mosca-das-Frutas é uma parceria da Embrapa Uva e Vinho com a Emater/RS-Ascar. Enio Ângelo Todeschini, engenheiro agrônomo, extensionista rural da Emater/RS-Ascar considera essa ferramenta muito importante para os extensionistas, para a pesquisa e para os produtores: “É o terceiro ano em prática e estamos ampliando e fazendo de tudo para manter funcionando o Sistema. É um instrumento que contribui com a racionalização do uso de agroquímicos e com a segurança do alimento”.

Sobre o Sistema de Alerta Mosca-das-Frutas na Serra Gaúcha
Desde 2017, a Embrapa Uva e Vinho (Bento Gonçalves, RS) e a Emater/RS-Ascar tem expandido o sistema de monitoramento da mosca-das-frutas nos pomares de pêssego na Serra Gaúcha. Nesta safra, além de monitorar os municípios de Bento Gonçalves, Farroupilha, Pinto Bandeira e Veranópolis, atendendo ao pedido dos produtores, o Sistema chegou a Caxias do Sul, Cotiporã, Nova Pádua e São Marcos. Esses municípios são responsáveis por 90% da produção de frutas de caroço (pêssego e ameixa) para consumo in natura do estado. O Sistema conta com a parceria do IFRS-Campus Bento Gonçalves e das Secretarias Municipais de Agricultura, contando com a participação de 40 produtores e duas estações de pesquisa, nas quais são realizadas o monitoramento da praga.
O monitoramento é realizado de agosto a janeiro durante a safra por uma equipe técnica de pesquisadores e extensionistas que se reúnem para avaliar os dados coletados e fazer indicações para o manejo mais adequado no período. Semanalmente são elaborados boletins com dicas e orientações para uso correto das ações de controle, posteriormente enviados a representantes da cadeia produtiva regional.
O que é o sistema de alerta?
Iniciado na safra 2010/2011 pela Embrapa Clima Temperado (Pelotas, RS) na região de Pelotas, o “Sistema de Alerta para monitoramento da mosca-das-frutas” é um projeto que agrupa um conjunto de estratégias para manejo do inseto-praga nos pomares de pêssego. O monitoramento é realizado durante o ano inteiro, mas no período da safra uma equipe técnica de pesquisadores, extensionistas, produtores, representantes da indústria e demais parceiros se reúnem para avaliar os dados coletados e fazer indicações para o manejo mais adequado no período. Semanalmente, são elaborados boletins com dicas e orientações para uso correto das ações de controle, posteriormente enviados a representantes da cadeia produtiva regional. Desde 2017, o trabalho também passou a ser realizado na Região da Serra Gaúcha, com foco nos pomares de frutas de caroço, como pêssego para mesa e ameixa.
Região de Pelotas
A cultura do pessegueiro é uma das principais cadeias produtivas de Pelotas, Canguçu, Morro Redondo, Piratini e Cerrito, municípios localizados no Sul do Rio Grande do Sul. O pêssego é cultivado em cerca de 2 mil propriedades, de até 10 hectares, envolvendo cerca de 6 mil pessoas. Em termos de processamento, são 13 indústrias que, juntas, produzem cerca de 95% do pêssego em calda do Brasil – cerca de 50 milhões de latas. Ao todo, as indústrias geram cerca de 7 mil empregos diretos e 3 mil indiretos na região.
Serra Gaúcha
Desde 2017, a Embrapa Uva e Vinho (Bento Gonçalves, RS), com o apoio da Emater/RS-Ascar, expandiu o programa para a Serra Gaúcha. Nesta safra, além de monitorar os municípios de Bento Gonçalves, Farroupilha, Pinto Bandeira e Veranópolis, atendendo ao pedido dos produtores, o sistema chega a Caxias do Sul, Cotiporã, Nova Pádua e São Marcos. Esses municípios reunidos são responsáveis por 90% da produção de frutas de caroço (pêssego e ameixa) para consumo in natura do estado). O trabalho ocorre em parceria com a Emater/RS-Ascar e conta com a participação de 40 produtores e duas estações de pesquisa, nas quais são realizadas o monitoramento da praga.

Chuvas recuperam de forma parcial lavouras de milho, que segue em colheita

Foto: José Schafer na região de Santa Rosa

As chuvas ocorridas atenuaram parcialmente a situação de déficit hídrico que a cultura do milho enfrenta no Estado e favoreceram a evolução para as fases de maturação e colheita na maioria das regiões produtoras do Rio Grande do Sul. De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (23/01) pela Emater/RS-Ascar, em parceria com a Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), as lavouras de milho estão 15% em germinação e desenvolvimento vegetativo, 12% em floração, 25% em enchimento de grãos, 26% maduro e 22% do total já foram colhidos.
Na regional administrativa da Emater/RS-Ascar de Ijuí, que corresponde a 10% da área cultivada com milho no Estado, ainda que a umidade no solo tenha retornado, não foi possível a recuperação das lavouras em estágio fisiológico avançado de final de ciclo. À medida que a colheita avança, a produtividade das lavouras tem sido menor, em consequência da falta de água nos estágios críticos. Apesar disso, o produto colhido tem apresentado boa qualidade.
Na região de Santa Rosa, onde 60% do milho estão colhidos, a produtividade teve pequena queda em função da baixa umidade do solo, que atingiu lavouras em plena floração e formação inicial do grão. Com a melhora das condições de umidade do solo, foi iniciada a semeadura para o cultivo da segunda safra (milho safrinha) nas áreas colhidas. As chuvas da semana frearam as atividades de colheita e os produtores buscam a retirada do produto da forma mais célere possível, para liberar as áreas também para a semeadura da soja safrinha. A boa produtividade obtida e os preços com tendência de elevação devem possibilitar boa rentabilidade da cultura nesta safra.
SOJA – O cultivo da soja no RS alcançou a totalidade da área prevista para a safra 2019/2020, que é de 5.956.504 hectares. Das lavouras implantadas, 48% se encontram em desenvolvimento vegetativo, 39% em floração e 13% na fase de enchimento de grãos. Na regional administrativa da Emater/RS-Ascar de Santa Rosa, que corresponde a 11,8% da área de soja no Estado, o desenvolvimento das lavouras ainda é satisfatório, mesmo com as condições de falta de umidade e de altas temperaturas nas últimas semanas. As chuvas recuperaram parcialmente as lavouras, apesar de já haver perdas, sobretudo nas Missões.
Na regional de Ijuí, o retorno das chuvas influenciou a emissão de folhas novas, de ramos laterais e o aumento da floração. Em geral, as plantas apresentam tamanho menor do que o ideal, com índice foliar abaixo do esperado e potencial produtivo comprometido devido à estiagem. Os índices de redução do potencial produtivo são diferentes conforme a localização das lavouras, o período de semeadura e o ciclo das cultivares. No Corede Alto Jacuí é onde se identificam as maiores reduções de produtividade. Até o momento, há baixa incidência de pragas.
ARROZ – Atualmente no RS 62% das lavouras estão em germinação/desenvolvimento vegetativo, 26% em floração, 11% em enchimento de grãos e 1% em maturação. Em geral, a lavoura mantém bom desenvolvimento. Na regional da Emater/RS-Ascar de Bagé, onde 90% das lavouras encontram-se em estágio de florescimento, as chuvas na semana (50 mm) auxiliaram no manejo da água nas lavouras e na reposição dos mananciais. Em Quaraí, as lavouras de arroz apresentam bom estande de plantas, sem incidência de problemas de pragas e doenças. Os produtores têm realizado ajustes sistemáticos na irrigação, de modo a assegurar água para todo o ciclo. Já na região de Soledade, as chuvas ocorridas ainda não são suficientes para repor os volumes dos mananciais. As lavouras mais adiantadas no ciclo da cultura seguem recebendo tratos culturais. Já nas áreas semeadas com restrição de umidade do solo, há falhas devido à germinação desuniforme. Em geral, as lavouras se mantêm com bom estado fitossanitário.
Na região de Santa Maria, 85% das lavouras estão na fase de desenvolvimento vegetativo e 15% em floração. Os produtores que contam com reservas de água não sofreram os efeitos da estiagem, prevendo inclusive superior qualidade de grãos. Já aqueles que tiveram problemas, atrasaram o plantio em função das chuvas ocorridas na primavera; foi o que ocorreu em Cacequi, onde 30% dos 11 mil hectares do município foram semeados após o período recomendado. Tal medida fará com que a fase de floração ocorra entre fevereiro e março, quando há menor insolação e maior risco de temperaturas noturnas baixas, condições que podem vir a comprometer a produtividade e a qualidade dos grãos a serem colhidos.
FEIJÃO 1ª SAFRA – Na regional da Emater/RS-Ascar de Ijuí, a cultura está na fase final de colheita, com produtividade média de 25 sacos por hectare. As últimas lavouras colhidas apresentaram redução de produtividade, mas ainda boa qualidade dos grãos. Na de Santa Rosa, 95% da área já está colhida, e a produtividade média é de 1.200 quilos por hectare. Os produtores aguardam até o final de janeiro para o plantio da segunda safra (safrinha); dessa forma, o ciclo da cultura atingirá as fases de floração e enchimento de grãos em março, quando a tendência é de temperaturas amenas e de regime regular de precipitações. Já na região de Frederico Westphalen, 10% das lavouras estão na fase de enchimento de grãos e 90% já foram colhidas. Os grãos colhidos apresentam boa qualidade. A produtividade média tem se mantido em 1.800 quilos por hectare.
OLERÍCOLAS
Cebola – Na regional de Pelotas, o clima seco de dezembro e janeiro favoreceu a colheita e a cura da cultura, resultando em produto com ótima casca e cor, qualidades distintivas para a comercialização do produto. A colheita foi praticamente concluída, e a comercialização da cebola está bastante lenta, principalmente pelo preço baixo ofertado ao produtor.
Batata – Na região de Caxias do Sul, 25% da área implantada de 10.300 hectares está colhida ou pronta para colheita; o restante da área se divide em estádio reprodutivo e crescimento vegetativo. Há perdas na produção devido ao déficit hídrico, ao estresse térmico e à forte insolação, refletindo-se no tamanho das batatas e na esvalorização do produto.
FRUTÍCOLAS
Uva – Na regional de Caxias do Sul, estão em plena colheita as variedades superprecoces Chardonay, Riesling, Pinot Noir, Concord e Isabel precoce e inicia a das variedades de ciclo precoce, como Niágara e Bordô. A maioria dessas variedades apresenta cacho de tamanho bem menor que o tradicional, bagas mais finas e cachos ralos. As duas primeiras características derivam da deficiência hídrica e forte radiação solar, e a última é consequência do excesso de chuvas e da baixa radiação solar em outubro e novembro, período do estádio de florescimento. São fatos positivos tanto a excelente sanidade das bagas quanto o bom grau de açúcar. As chuvas das últimas semanas estancaram o avanço de murchamento de brotos e bagas, o secamento e a perda de folhas e brotos. As cultivares de ciclo médio e tardio apresentam maturação forçada e bastante adiantada; mas mesmo com o retorno das chuvas, não haverá tempo para recuperação do calibre das bagas. Principal uva de mesa da região, a Niágara rosada, vem sendo fortemente ofertada pelos viticultores, mesmo com baixa qualidade, a fim de reduzir perdas e aliviar as plantas. Tal fato derrubou a precificação da fruta. Os preços médios na propriedade para as uvas de mesa são os seguintes: americanas sem proteção a R$ 2,00/kg, Niágara protegida a R$ 5,00 e uvas finas a R$ 10,00/kg.
MORANGO – Na regional de Pelotas, onde são cultivados 50 hectares, segue a colheita do morango cultivado em canteiros e no solo. Os frutos apresentam tamanho menor devido ao calor e à radiação solar intensa. A colheita das cultivares de dias curtos foi encerrada. Produtores intensificam os manejos de limpeza das plantas e iniciam o preparo das áreas para plantio das mudas para o novo ciclo, que deverá ser implantado com mudas importadas da Espanha.
OUTRAS CULTURAS
Erva-mate – Na regional de Erechim, segue a colheita, com produtividade média de 600 arrobas por hectare. Na de Soledade, a estiagem atrasou o crescimento da erva-mate, mas os ervais iniciaram a recuperação com a volta de chuvas regulares. No entanto, o maior problema está nos plantios e replantios realizados em função da morte de mudas; em alguns locais, chegou a mais de 50% delas. Na regional de Passo Fundo, a área implantada com a cultura é de 1.110 hectares, com produção anual de em torno de 11.700 toneladas de folha verde. Os principais municípios produtores são Nova Alvorada, Machadinho e Capão Bonito do Sul. Agricultores realizam monitoramento e controle de pragas, manejo da cobertura de solo e adubação. A colheita ocorre normalmente. No entanto, neste período os ervais estão em brotação, reduzindo o processo de industrialização, que passará a normalizar a partir de março.
PASTAGENS E CRIAÇÕES
Com a continuidade das chuvas ocorridas na semana, os campos nativos e as pastagens cultivadas retomaram seu desenvolvimento, propiciando melhores condições de pastejo para os animais. As pastagens cultivadas perenes se recuperam e aumentam a produção de massa verde mais rapidamente do que os pastos nativos. As áreas destinadas à fenação têm apresentado um bom rendimento.
PISCICULTURA – No geral, o volume de água dos açudes é satisfatório, mas ocorrem alguns casos de deficiente oxigenação da água, em consequência das altas temperaturas. O desenvolvimento dos peixes é bom, e as despescas realizadas têm bons resultados. Vários açudes ainda estão sendo povoados para a produção de peixes destinados à comercialização da Semana Santa.
PESCA ARTESANAL – A pesca de Camarão está ocorrendo normalmente e com boa produtividade na Lagoa do Peixe. Em alguns dias da semana, os ventos fortes ocorridos no litoral dificultaram a prática da pesca artesanal marinha. O camarão capturado na Lagoa do Peixe está sendo comercializado a R$ 15,00/kg com casca e entre R$ 45,00 e R$ 60,00/kg descascado. Na regional de Porto Alegre, as espécies de pescado artesanal marinho mais capturadas e vendidas foram Papa-Terra e Pescada, a preços em torno de R$ 10,00/kg.