Jovens concluem mais uma etapa do Curso Profissionalizante em Viticultura

Jovens viticultores dos municípios de Farroupilha, Boa Vista do Sul, Coronel Pilar, Imigrante e Bento Gonçalves participaram, na semana passada, do 3º módulo do Curso Profissionalizante em Viticultura. Os três cursos aconteceram em propriedades rurais de alunos participantes e foram ministrados pelo engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar, Enio Ângelo Todeschini, juntamente com os demais instrutores do curso de fruticultura do Centro de Treinamento de Agricultores de Nova Petrópolis (Cetanp).
O objetivo da qualificação é valorizar a sucessão familiar na propriedade rural e incentivar o desenvolvimento de alternativas de empreendedorismo no meio rural, agregando valor à produção primária e promovendo a permanência do jovem no campo. Nesta etapa, foram tratados os seguintes assuntos: importância da aplicação dos nutrientes e doses adequados na adubação, evitando-se o uso desnecessário de quantias e nutrientes quando integrantes de adubos formulados; identificação, ciclo biológico e os mais eficientes métodos de controle das principais pragas da viticultura; enxertia de inverno e as podas secas de formação, de produção e de renovação dos vinhedos. Na poda seca, foram abordados os objetivos e princípios dessa técnica, no intuito de manter-se o equilíbrio entre as partes vegetativas e produtivas das plantas. Todos os alunos tiveram oportunidade de efetivar essa prática cultural.
Os próximos encontros acontecerão no final de setembro e início de outubro e terão como pauta: estudo das fitopatias e seu controle e tecnologia de aplicação de agroquímicos.

Pesquisador da Embrapa Uva e Vinho avalia frio para a agricultura

Ao analisar as previsões matemáticas da MetSul Meteorologia para a queda drástica na temperatura que ocorreu na primeira semana de julho, o Pesquisador de Fisiologia Vegetal da Embrapa Uva e Vinho, Henrique Pessoa dos Santos, reforça que “as temperaturas baixas foram muito expressivas na primeira semana de julho, atingindo valores negativos (temperaturas congelantes). Nestas condições, ocorreu fortes geadas e temperaturas negativas em várias regiões da Serra Gaúcha. Lembrando que o inverno adequado nem sempre é aquele que apresenta uma soma expressiva de frio, mas aquele que expõe uma condição de frio constante e sem dias quentes intercalados, o pesquisador avalia que “o ideal é que não ocorram ondas de frio tardio na primavera (geralmente em setembro), pois esse é um dos fatores de maior impacto negativo na produção de uva na região sul do Brasil. A restrição de frio não é muito problema, pois já se dispõe de indutores químicos para estimular a brotação da videira e contornar esse problema, o que tem possibilitado o cultivo da videira em regiões com ausência total de frio, como no nordeste brasileiro.”
Dados medidos na estação agrometeorológica da Embrapa Uva e Vinho em Bento Gonçalves, mostram que, de primeiro a 20 de julho houve a acumulação de 137 horas de frio (HF, horas com temperatura menor ou igual a 7,2°C). Este valor é bem superior às 87 horas de frio que normalmente ocorrem nestes dois decêndios do mês de julho. Segundo o pesquisador Jorge Tonietto da Embrapa Uva e Vinho, os primeiros 7 dias de julho foram os que mais contribuíram para a obtenção destes significativos valores. Com isto, estamos com um somatório de 166 horas de frio (HF) no ano, valor menor que as 242 horas que são acumuladas em média até esta data, representando 69% em relação à normal. Isto se explica pelo comportamento dos meses de abril e maio, que não tiveram acumulação de horas de frio e também pelo mês de junho, que apresentou apenas 29 horas de frio (HF), bem abaixo das 104 HF que ocorrem em média no mês de junho.
Entendendo as necessidades de frio para as videiras
Segundo pontua o pesquisador Henrique Pessoa dos Santos, o total de horas de frio para indução e superação é denominado “exigência de frio”, sendo variável entre as cultivares. Nas uvas finas (cultivares Vitis vinifera), a exigência de frio é proporcional a época de brotação. As cultivares mais precoces (ex.: Chardonnay) apresentam, em média, uma exigência de 150HF, enquanto as cultivares de brotação intermediária (ex.: Merlot) e tardia (ex.: Cabernet Sauvignon) apresentam 300HF e 400HF, respectivamente. As cultivares de uva comum (ex.: Bordô, Isabel, Niágara) apresentam uma exigência próxima de 100 HF, mas exigem maior soma de calor para brotarem. Diante destas exigências, salienta-se que a ocorrência de no mínimo 300HF já garantiria uma condição adequada para a maioria das cultivares que são cultivadas na região da Serra Gaúcha. A condição normal (média de 30 anos) é de 409 HF na Serra Gaúcha, mas já ocorreram grandes oscilações nos últimos anos, tais como nos invernos de 2015 (total de 145 HF) e 2016 (total de 536 HF).

Temperaturas baixas x influencia na agricultura
Segundo o pesquisador, para a maioria das espécies frutíferas de clima temperado, como videira, macieira, pereira, pessegueiro, etc, considera-se frio quando a temperatura está igual ou inferior a 7,2°C. Essa é uma referência teórica, pois equivale a 45° F (escala Fahrenheit, utilizada para temperatura em alguns países, como EUA), mas se aproxima das condições de frio para a maioria das espécies.”
“No caso da videira, esclarece Pessoa dos Santos, na literatura alguns trabalhos também consideram frio quando a temperatura está igual ou abaixo de 10°C. O estado de dormência das gemas nestas espécies frutíferas é ativado pela redução do comprimento do dia, ao longo do outono, e é aprofundado pelos primeiros dias frios (dias que apresentam algumas horas com temperaturas inferiores à 7,2 °C). Ou seja, essas espécies de clima temperado ativam o estado de dormência para suportar o frio congelante do inverno. Na sequência, a ocorrência de dias frios é considerado pelas plantas para sair do estado de dormência, permitindo a brotação apenas na primavera quando as temperaturas permitem o crescimento, sem o risco de temperaturas congelantes que todos os tecidos verdes (ex.: folhas) não toleram.
O total de horas de frio para indução e superação é denominado “exigência de frio”, sendo variável entre as cultivares. Nas uvas finas (cultivares Vitis vinifera), a exigência de frio é proporcional a época de brotação. As cultivares mais precoces (ex.: Chardonnay) apresentam, em média, uma exigência de 150HF, enquanto as cultivares de brotação intermediária (ex.: Merlot) e tardia (ex.: Cabernet Sauvignon) apresentam 300HF e 400HF, respectivamente. As cultivares de uva comum (ex.: Bordô, Isabel, Niágara) apresentam uma exigência próxima de 100 HF, mas exigem maior soma de calor para brotarem. Diante destas exigências, salienta-se que a ocorrência de no mínimo 300HF já garantiria uma condição adequada para a maioria das cultivares que são cultivadas na região da Serra Gaúcha. A condição normal (média de 30 anos) é de 409 HF na Serra Gaúcha, mas já ocorreram grandes oscilações nos últimos anos, tais como nos invernos de 2015 (total de 145 HF) e 2016 (total de 536 HF).
Em resumo, quando as horas de frio do ambiente corresponde as exigências da cultura, as plantas ativam fisiologicamente a superação da dormência e podem atingir a brotação plena na primavera. Por isso, o maior problema para espécies frutíferas é quando o inverno apresenta ondas de frio intercaladas com muitos dias quentes, permitindo a brotação antecipada (no meio do inverno) antes de dias com temperaturas congelantes. Ou seja, o ideal é que ocorram invernos com dias frios constantes, sem a ocorrência de frios tardios (após data de brotação).
Neste momento (início de julho) todas as espécies frutíferas já entraram no estado de dormência e ainda não atingiram as exigências mínimas de HF. Nesta condição fisiológica, as espécies frutíferas de clima temperado são capazes de tolerar temperaturas de -15 a -28 °C sem danos fisiológicos. Esses limites de temperatura negativa nunca ocorreram (e certamente não ocorrerão) aqui no Sul do Brasil. Portanto, qualquer temperatura baixa que ocorrer neste mês só trará benefícios para as culturas, auxiliando para superação do estado de dormência e garantindo uma brotação mais uniforme na próxima primavera.

Estado divulga dados conflitantes de quebra de safra da Uva 2019

Produtora de Monte Belo do Sul Analice De Mari Perin

Estado divulga dados conflitantes de quebra de safra da Uva 2019

A Secretaria Estadual da Agricultura Pecuária e Desenvolvimento Rural –Seapdr divulgou no incio do mês dados coletados através do Sistema de Cadastro Vinícola – Sisdevin sobre a safra de uva, produção de vinho e derivados no Rio Grande do Sul em 2019, os dados por Município estão em fase de extração no sistema e em breve serão divulgados.
Em uma tabela foi divulgado que a produção para a safra de 2019 foi de 404.773.446 toneladas, o que representa em relação a 2018 (safra de 664.205.024 toneladas) uma queda de 39,05%, e em uma outra tabela divulgam que a safra de 2019 foi 614.279.205, representando uma queda percentual de 7,5%. De acordo com os dados divulgados no relatório, feito a partir de compilamento de dados, foi registrada uma queda de 7,5% na produção de uvas destinadas à industrialização e redução de 29,1% na produção de vinhos, comparando com a safra de 2018. Os sucos integrais, adoçados e reconstituídos cresceu 48%, bem como o espumantes que registraram um salto de 7,5% , sendo 58% de moscateis.

Dados da produção
A produção de uvas no Estado na safra 2019 foi de 614,2 mil toneladas e na colheita anterior de 664,2 mil toneladas. O impacto negativo na colheita foi causado, principalmente, por queda de granizo em outubro do ano passado, comprometendo parreirais em algumas regiões da Serra Gaúcha.
A produção de uvas americanas ou híbridas ficou 9,2% menor na safra 2019 quando comparado à safra 2018, sendo o maior decréscimo nas brancas (21,8%). As uvas viníferas tiveram aumento de 7,5%, sendo o aumento mais expressivo nas variedades viníferas rosadas, com crescimento de 23% quando comparado à safra passada.
A produção de uvas americanas ou híbridas ficou 9,2% menor na safra 2019, sendo o maior decréscimo nas brancas (21,8%). As uvas viníferas tiveram alta de 7,5%, com destaque mais expressivo nas variedades viníferas rosadas, com incremento de 23% em comparação à safra 2018.
A elaboração total de base para espumante e espumante subiu 7,5% em relação à safra 2018. O espumante moscatel liderou o crescimento no segmento, com 58% de alta. Já a maior queda foi da base espumante charmat, de 31,9%, comparada à safra 2018.

Produção orgânica de sucos e vinhos
A partir do sistema de coleta de dados do Sisdevin, foi possível identificar a produção de sucos e vinhos orgânicos. Os dados coletados indicam produção de 628,4 mil litros de suco de uva orgânico e 42,9 mil litros de vinho orgânico.

Trigo tem plantio finalizado no RS

Trigo em desenvolvimento na região de Santa Rosa Crédito: José Schafer

O plantio do trigo está quase concluído no Rio Grande do Sul, restando 2% da área prevista para esta safra no Corede Campos de Cima da Serra, cujo plantio se estende até 20 de agosto próximo, conforme zoneamento agrícola de risco climático. Neste Corede, responsável por 4% da área de trigo no Estado, destacam-se pela área cultivada os municípios de Muitos Capões (13 mil hectares), Vacaria (6 mil hectares), Esmeralda (2.500 hectares) e Campestre da Serra (1.500 hectares); juntos, correspondem a 76,6% da área de trigo estimada para a região.
De acordo com o Informativo Conjuntural, divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (18/07), a área cultivada com trigo nesta safra é de 739,4 mil hectares, sendo as maiores produtoras as regiões de Ijuí, que engloba os Coredes Alto Jacuí, Celeiro e Noroeste Colonial, e de Santa Rosa, Coredes Fronteira Noroeste e Missões, com 30 e 27% da área de trigo no Estado. Em alguns municípios na região de Ijuí, o zoneamento para plantio do trigo se estende até o dia 20 de julho para cultivares tardias. O clima nos últimos períodos foi favorável ao desenvolvimento da cultura, coincidindo com o estágio inicial de perfilhamento.
O plantio da canola está encerrado no RS e nesta safra atinge 32,7 mil hectares, sendo o rendimento médio projetado em 1.258 quilos por hectare. As principais regiões da Emater/RS-Ascar produtoras do grão são Santa Rosa (34,2% da área com canola no Estado), Ijuí (22% da área no Estado), Santa Maria (16% da área de plantio no Estado) e Bagé (13,4% da área no Estado).
Na região de Santa Rosa, 18% das lavouras de canola estão em desenvolvimento vegetativo, 49% em floração e 33% em início de formação do grão. Algumas lavouras foram atingidas por geadas, provocando o abortamento das flores, o que poderá trazer uma redução no rendimento. Alguns produtores relataram que não realizaram adubação de cobertura devido à baixa umidade e outros informaram não terem obtido o resultado esperado em função da ausência de chuva após essa prática.
Na cevada, a área estimada no Rio Grande do Sul é de 42,4 mil hectares, com rendimento médio de 2.073 quilos por hectare. Na regional da Emater/RS-Ascar de Ijuí (22,4% da área no Estado), a cultura apresenta bom desenvolvimento inicial e boa densidade de plantas. A maioria das lavouras encontra-se em estágio vegetativo e uma pequena parte delas, em início da floração. De modo geral, as lavouras apresentam boa sanidade.
A área estimada para o plantio de aveia branca para grão no RS é de 299,86 mil hectares, com produtividade prospectada de 2.006 quilos kg por hectare. Na região de Ijuí, responsável por 37,1% da área cultivada com aveia branca no Estado, a cultura entra para o estádio reprodutivo. Há preocupação dos produtores com as áreas em início de formação de grãos, devido a possíveis danos ocasionados pelas fortes geadas ocorridas, mas até o momento as plantas não apresentaram sintomas de danos. O tempo frio e seco contribui para a redução do ataque de lagartas.

FRUTÍCOLAS
Citros – Na região Serrana, o frio intenso favoreceu a sanidade e o vigor das frutas, desde o campo até o mercado. Intensificou-se a colheita, com frutas de melhor coloração e sabor. O ataque de moscas, que vinha desde o início de outono e com forte intensidade, teve seu percurso interrompido. O consumo das frutas, que é muito atrelado às baixas temperaturas, teve grande impulso nesta semana, refletindo-se no fluxo comercial. As variedades precoces estão em final de colheita, apresentando polpa desidratada em virtude do clima seco em junho.
Pêssego – A cultura está em entressafra e o período com intensas geadas foi benéfico à dormência das plantas, proporcionando brotações e floração mais uniformes após a poda das frutíferas. Na região Sul, os produtores estão mais tranquilos com os acumulados de horas de frio. Até a segunda semana de julho, são 200 horas de frio (menores ou iguais a 7,2°C). Com o avanço significativo no acumulado (até então, eram apenas 67 horas), a expectativa é de safra superior às duas anteriores, ruins em qualidade e quantidade. A ocorrência de geadas e de frios intensos não afetou os pessegueiros até o momento. Segue intensa a elaboração de projetos técnicos e de crédito para o custeio da próxima safra junto aos principais agentes financeiros. Indústrias beneficiadoras de pêssego em calda realizam reuniões com produtores/fornecedores para capacitação sobre o preenchimento do caderno de campo, preparatório para a implantação da rastreabilidade da matéria-prima.

CRIAÇÕES
Nesta época de inverno, os rebanhos de bovinos de corte, de maneira geral, apresentam boas condições sanitárias, pois reduziu a ocorrência de carrapatos e bernes. Os animais continuam perdendo peso, principalmente os que utilizam somente as pastagens naturais. O período é de prenhez das matrizes inseminadas e/ou entouradas. Já o manejo está direcionado para as vacas e novilhas prenhas, que devem ficar acomodadas em campo nativo/pastagens com volume adequado de oferta de forragem, consumindo sal proteinado para evitar perda de peso. Esse manejo alimentar tem por finalidade evitar o risco de escore corporal baixo ou de baixo peso no momento de parição, o que causará um grande prejuízo para o terneiro que vai nascer, além de comprometer a repetição de cria para o próximo ano. Os touros também necessitam de volume forrageiro adequado para se manterem aptos ao período de monta. Alguns produtores já iniciaram a complementação alimentar do gado com silagem e/ou resíduos de casca de soja e farelo de soja e de arroz.

Tarde de Campo apresenta tecnologias a produtores de pêssego e ameixa

Manejo da cultura do pessegueiro e da ameixeira foi o tema da Tarde de Campo realizada, nesta quarta-feira (17/07), na propriedade de Rogério Longo, na Linha Silva Pinto Norte, no município de Pinto Bandeira. O evento foi promovido pela Emater/RS-Ascar e Embrapa, com apoio da Prefeitura, Sicredi e Agrimar. O prefeito Hadair Ferrari esteve presente na abertura.
Mais de 40 pessoas participaram das quatro estações temáticas. A fim de despertar o interesse e a necessidade do produtor para o uso dessa importante tecnologia, que é a energia fotovoltaica, o assunto foi abordado pelo engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar, João Villa, e pelo engenheiro eletricista da Effal, Cleisson Turchetti. “É uma tecnologia limpa e eficiente, que gera energia elétrica a partir da luz solar”, destacou Villa, que apresentou uma comparação entre gasto com energia e custo de investimento e entre consumo e produção de energia elétrica. “É um sistema de alta viabilidade para quem tem um consumo um pouco mais elevado”, salientou Villa. Eles também esclareceram sobre orçamento, instalação, funcionamento, linhas de financiamento, entre outros pontos.
Na estação seguinte, a engenheira agrônoma da Emater/RS-Ascar, Melissa Maxwell Bock, falou sobre um tema bem atual, a rastreabilidade, prática que já é obrigatória para a cultura da videira e, a partir de janeiro de 2020, também será para o pêssego, ameixa e nectarina, principais produtos do município. A rastreabilidade é um conjunto de procedimentos para detectar a origem e acompanhar a movimentação de um produto ao longo da cadeia produtiva, auxiliando no monitoramento e controle de resíduos de agrotóxicos na cadeia produtiva de vegetais frescos destinados à alimentação. Ela explicou sobre os instrumentos para a rastreabilidade, entre eles o caderno de campo, para registro das práticas culturais, e destacou algumas vantagens, como a transparência e otimização nos processos produtivos, a qualidade dos produtos e a possibilidade de agregação de valor, a segurança alimentar e o melhor gerenciamento da propriedade. Conforme Melissa, é preciso que os produtores busquem se adequar, pois quem mais irá exigir o cumprimento dessas normas será o mercado.
Também foi abordado o manejo integrado de pragas, pelo pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, Marcos Botton, que alertou os produtores para as formas de monitoramento e controle principalmente da mosca-das-frutas. Ele apresentou aos participantes o Sistema de Alerta Mosca-das-Frutas nos pomares de frutas de caroço, que conta com o monitoramento semanal da praga em propriedades da região e a publicação de um Boletim Informativo para os produtores cadastrados. Com isso, é possível ter informação sobre o comportamento da praga ao longo da safra, alertando os produtores quando o momento é de alta ou de baixa infestação e quais as melhores medidas de controle que devem ser adotadas pelos fruticultores.
A Tarde de campo teve, ainda, uma estação sobre Manejo de tela antigranizo, com representantes da empresa Ginegar. Eles explicaram sobre os diferentes tipos de telas existentes e os efeitos no pomar, as vantagens e desvantagens, o manejo adequado para pomares protegidos e a instalação, entre outras informações.

Programa Bolsa Juventude Rural divulga nomes de candidatos habilitados e abre prazo para recurso

São oferecidas 375 bolsas no valor de R$ 200 mensais, pagas por um período de 10 meses – Foto: Itamar Pelizzaro / Seapdr

O programa Bolsa Juventude Rural, da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), recebeu a inscrição de 1.152 jovens estudantes este ano. A lista publicada nesta quinta-feira (11/7) no Diário Oficial do Estado (DOE) apresenta os nomes de candidatos habilitados, inabilitados e daqueles que não se enquadram nos requisitos definidos pelo programa. O número de inscritos é 45% maior do que o de 2018.
A partir da publicação no DOE, os estudantes têm prazo de cinco dias úteis para recorrer, no site do programa.
São 375 bolsas disponíveis no valor de R$ 200 mensais, pagas por um período de 10 meses. A contratação é feita por meio do Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento dos Pequenos Estabelecimentos Rurais (Feaper), com recursos do Estado operados pelo Badesul. A publicação do nome dos classificados deve ocorrer em meados de agosto.
“O programa Bolsa Juventude Rural alia dois importantes pilares: a educação, permitindo aos jovens acesso e permanência na escola durante o Ensino Médio, e o desenvolvimento rural, com a implantação de projetos produtivos que garantem a permanência do jovem no campo”, afirma o secretário Covatti Filho.
No ano passado, foram 793 inscritos e 500 bolsas disponibilizadas. Os três municípios com maior número de jovens foram Catuípe, Herval e Caxias do Sul.

O programa
O programa prevê 175 bolsas para alunos regularmente matriculados no 2º ano e 200 para alunos do 3° ano do Ensino Médio, com idade entre 15 e 29 anos.
O auxílio é pago a alunos matriculados em escolas públicas estaduais ou instituições educacionais sem fins lucrativos e de caráter comunitário que trabalham com a pedagogia de alternância. Essa pedagogia prevê que o aluno fique uma semana na escola e uma semana em casa. Entre 80% e 90% dos jovens que estudam nessas escolas permanecem no campo, garantindo a sucessão rural.

Confira aqui a lista de candidatos.

https://estado.rs.gov.br/upload/arquivos//11104044-pre-recurso-doe-11-07-19.pdf

Viticultores participam de Dia de Campo em São Valentim do Sul

Emater/RS-Ascar e Secretaria da Agricultura de São Valentim do Sul promoveram um Dia de Campo em Viticultura, na sexta-feira (05/07). A atividade contou com a participação de 35 pessoas, entre elas o prefeito Jerry Angelo Macagnan e o vice e secretário da Agricultura, Adelar Bertuzzo.
Pela manhã, na Câmara de Vereadores, uma palestra buscou ampliar o conhecimento sobre os insumos, principalmente os agrotóxicos, utilizados na produção da uva. “O objetivo é aumentar a eficiência das aplicações, mostrando os princípios ativos mais adequados para cada cultivar”, explica o engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar, Enio Ângelo Todeschini. Com isso, busca-se evitar reações adversas que podem interferir no potencial produtivo, bem como na longevidade do parreiral, além da redução dos custos de produção.
À tarde, apesar do frio, no videiral protegido do agricultor Edson Baldissarelli, o agrônomo tratou da viticultura em ambiente protegido, abordando desde a construção, manejo produtivo do vinhal, pragas, fitopatias e manutenção do filme plástico. “A produção em ambiente protegido é uma técnica que reduz muito o uso de agroquímicos, desde que o viticultor compreenda plenamente que está lidando com um ambiente artificial, diferente do cultivo a céu aberto, e onde se tem um aumento da temperatura, plena secura da copa e ausência de raios ultravioletas”, afirma Todeschini.

Plantio do trigo se aproxima do final no RS

Plantio do trigo se aproxima do final no RS

O plantio do trigo alcança 96% da estimativa inicial de 739,4 mil hectares a serem cultivados no Rio Grande do Sul. De acordo com o Informativo Conjuntural, divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (11/07), a maior parte da área a ser plantada encontra-se na regional de Caxias do Sul (Coredes Serra, Hortência e Campos de Cima da Serra), cujo plantio ocorre mais tarde, conforme zoneamento agrícola de risco climático, devido à probabilidade de geadas tardias.
A regional da Emater/RS-Ascar de Ijuí (que responde por 30% da área do Estado), engloba os Coredes Alto Jacuí, Celeiro e Noroeste Colonial, onde a cultura encontra-se em final de implantação, restando áreas nos municípios onde o zoneamento se estende até 20 de julho para cultivares tardias.
A semana de temperaturas baixas foi favorável ao desenvolvimento da cultura do trigo, coincidindo com o estádio inicial do perfilhamento. As boas condições do tempo contribuíram para uma boa recuperação das lavouras que apresentavam germinação desuniforme, restando poucas áreas com stand abaixo do ideal. Até o início da semana, foram identificados pequenos focos de lagartas nas primeiras lavouras implantadas. Constata-se até o momento uma baixa incidência de doenças foliares.
Na canola, a área estimada para esta safra é de 32,7 mil hectares, com rendimento médio previsto de 1.258 quilos por hectare. As principais regiões produtoras do Estado localizam-se na área de abrangência dos escritórios regionais da Emater/RS-Ascar Santa Rosa, Ijuí, Santa Maria e Bagé. Na região de Santa Rosa (34,2% da área do Estado), por exemplo, que engloba os Coredes Missões e Fronteira Noroeste, 32% da área estão em desenvolvimento vegetativo, 53% em floração e 15% estão na fase de formação e desenvolvimento de síliqua. No geral as lavouras apresentam bom aspecto, com bom visual do dossel e boa floração.
A área implantada com a cultura da cevada no Rio Grande do Sul é de 42,4 mil hectares, com rendimento médio de 2.073 quilos por hectare. Na regional da Emater/RS-Ascar de Ijuí estão localizadas 22,4% das lavouras do Estado. A cultura apresenta um bom desenvolvimento inicial, com boa densidade de plantas. A situação fitossanitária atual está melhor que aquela apresentada no mesmo período do ano anterior e apresenta baixa incidência de doenças foliares.
A regional de Ijuí é também a maior área produtora de aveia branca para grão, com 37,1% dos 299,86 mil hectares cultivados no Estado. Expectativas iniciais indicam produtividade de 2.006 quilos por hectares. Naquela região, a cultura está em estádio mais avançado de desenvolvimento, entrando para o estádio reprodutivo. Há preocupação dos produtores com lavouras em início de formação de grãos, devido a possíveis danos ocasionados por fortes geadas. Até o momento as plantas não apresentaram sintomas de danos. Algumas lavouras apresentam focos de ferrugem e manchas foliares. O tempo frio e seco contribuiu para a diminuição do ataque de lagartas.

OLERÍCOLAS
Cebola – Na região Serrana, inicia o transplantio das mudas de variedades precoces, devendo ocupar 15% da área total a ser cultivada na região, prevista em 1.500 hectares. Tanto estas quanto as sementeiras de Crioula, principal material produzido na região, se mostram com bom aspecto e sanidade. Geadas intensas dos últimos dias não danificaram as plântulas. Aliás, o intenso e constante frio, associado aos dias de plena insolação, traz benefícios ao desenvolvimento radicular e à manutenção da sanidade, reduzindo a incidência de fitopatias e o ataque de pragas. Intensifica-se processo de práticas culturais de preparação dos canteiros para realizar o transplantio das mudas em agosto.
Na região Sul, produtores de cebola seguem realizando o preparo das áreas dos canteiros para o plantio das mudas com aplicação de calcário e cultivo de adubos verdes e/ou plantas de cobertura do solo. Agricultores encaminham projetos de custeio e investimento. A tendência para a próxima safra é de pequeno acréscimo de área. Em São José do Norte, a intenção de plantio é de 1.500 hectares; em Tavares, 500; Rio Grande, 250 e em Canguçu, 200, totalizando 2.450 hectares. Em Herval, a cebola para semente está em fase de preparo do solo e plantio dos bulbos; parte da produção de sementes será feita em estufas; testes com esta modalidade de cultivo apresentaram bons resultados na última safra.

PASTAGENS E CRIAÇÕES
Com a chegada do inverno, ocorre o processo de mudança das pastagens do campo nativo e das pastagens perenes de verão, como braquiárias, panicuns e tíftons, espécies que sofrem com as geadas em função da queima das folhas, paralisando o crescimento, reduzindo de forma significativa o valor nutricional e servindo a partir de agora como fonte de fibras para os animais.
Nas pastagens cultivadas de inverno, os produtores realizam manejo do pastoreio com adequações de carga animal e subdivisões de áreas para melhor aproveitamento das pastagens pelas diversas categorias animais.
Em algumas regiões, estão em plena utilização as pastagens de inverno, como aveia e azevém. Nas pastagens de trevos e cornichão, o frio resulta em menor taxa de crescimento, mas os relatos dos produtores são animadores no que se refere à população de plantas e à precocidade no estabelecimento destas leguminosas nas áreas implantadas neste ano.

PISCICULTURA – Na região de Erechim, as temperaturas muito baixas são uma ameaça à sobrevivência dos peixes, especialmente as tilápias. Na região de Santa Rosa, a oferta de pescado está normalizada. Continua a orientação para a alimentação nos tanques e açudes povoados e para as atividades de limpeza de tanques e açudes nos espaços não povoados. Em seguimento também as encomendas de alevinos para povoar tanques e açudes a partir de agosto.

Viticultura e planejamento são discutidos em Farroupilha

Terceiro maior produtor de uva do país e maior produtor da variedade Moscato, o município de Farroupilha realizou na quarta-feira (10/07) o 1º Seminário Farroupilhense de Viticultura, buscando fortalecer o setor. Juntamente, aconteceu mais um encontro público do Projeto Farroupilha 2020-2040, a fim de ouvir a comunidade e planejar diretrizes para a agricultura e a agropecuária nos próximos 20 anos.
O evento aconteceu na comunidade de Santos Anjos e contou com a participação de cerca de 90 pessoas. A programação teve início com uma palestra sobre “Resgate, valorização e registro dos vinhos elaborados por agricultores familiares”, com o enólogo da Emater/RS-Ascar, Thompsson Didoné. A primeira vinícola colonial de Farroupilha vai ser inaugurada em breve. “O agricultor hoje consegue legalizar uma vinícola, e nós temos as etapas, os passos a seguir, e estamos à disposição para orientar”, afirmou o enólogo, que explicou desde o surgimento do projeto até as normas e procedimentos para o registro, sendo que as vinícolas podem optar pela adesão ao Programa Estadual de Agroindústria Familiar (Peaf) do Governo do Estado ou ao Simples Nacional.
Outro assunto que despertou o interesse do público foi o “Manejo da pérola-da-terra na cultura da videira”, que foi tratado pelo pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, Marcos Botton. Ao longo de muitos anos ela foi considerada a pior praga da viticultura responsável pela morte de muitos parreirais, mas com os avanços das pesquisas hoje já é possível o seu controle. “O produtor deve ficar atento evitando trazer o inseto para a propriedade. Nas áreas infestadas, deve eliminar as plantas hospedeiras presentes no interior do vinhedo, como a língua de vaca, manter plantas de cobertura não hospedeiras e realizar o controle químico no mês de novembro, visando ao controle das ninfas no início da infestação”, orientou ele.
Após, o vice-prefeito Pedro Pedrozo apresentou o Projeto Farroupilha 2020-2040, que prevê um planejamento estratégico para a cidade. “Esse encontro público também tem a função de pensar e traçar metas e rumos que vão nos nortear nos próximos 20 anos”, ressaltou. A fim de contribuir com esse planejamento local, o presidente da Emater/RS, Geraldo Sandri, falou sobre “Tendências da agricultura e do agronegócio em Farroupilha”. Para ele, essa visão de futuro passa pelo acesso às políticas públicas, pelo acesso ao mercado através do cooperativismo e qualidade dos produtos produzidos, pelos incentivos aos jovens e à agricultura familiar, pela agregação de valor aos produtos e maior rentabilidade, pela gestão das propriedades rurais, pelo desafio da competividade igualitária com outros países, como os da União Europeia, em setores como a produção de vinho e de leite e derivados, pela produção integrada, pela sucessão familiar e pela sustentabilidade baseada no tripé econômico, ambiental e social, entre outros aspectos. Sandri também destacou os principais programas e ações da Emater/RS-Ascar para o período 2020-2023 e que podem ser usados no projeto do município, como a regularização e qualificação de agroindústrias e o acesso a mercados e feiras, as ações socioassistenciais para a inclusão social e produtiva, e a gestão sustentável, com o diagnóstico, planejamento das atividades e acompanhamento dos resultados, entre muitos outros programas e ações.
À tarde, os agricultores participaram de quatro estações a campo. Manejo de plantas de cobertura do solo, qualidade de mudas de videira, coleta de amostras e análise de solo e folha, recolhimento de embalagens e depósito de agrotóxicos foram os temas abordados por profissionais da Emater/RS-Ascar, Embrapa, Sindicato dos Trabalhadores Agricultores Familiares de Farroupilha (Sintrafar) e Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural (SMDR).
Para o viticultor Marcos Cappelletti, o evento foi muito importante. “Quem deixou de vir perdeu a oportunidade do ano. A gente que está na atividade há anos não faz tudo certo, então imagina aquele que não se informa. Esse conhecimento trazido é gratuito e direcionado e ajuda bastante, porque vai chegar um momento que a gente não vai mais competir com o vizinho, mas com o mundo, e vai ter que fazer a coisa certa. Aqui, em cada estação, em cada palestra, eles falaram coisas interessantes, como o registro das vinícolas coloniais, por exemplo, que daqui a pouco pode abrir o horizonte da propriedade do agricultor”, declarou.
A promoção foi do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural, junto com as demais entidades participantes: Emater/RS-Ascar, Prefeitura de Farroupilha, Sintrafar, Sindicato Rural de Caxias do Sul, Banrisul, UCS, Sicredi, comunidade de Santos Anjos e Associações de Apicultura e de Fruticultores da Linha Jacinto e República e Marcolina e Jacinta. O seminário também contou com o apoio da Embrapa, Câmara de Indústria, Comércio e Serviços e Banco do Brasil.

Crédito foto: Rejane Paludo-Emater/RS-Ascar
Assessoria de Imprensa Emater/RS-Ascar – Regional de Caxias do Sul

Falta de frio preocupou produtores rurais

Frutíferas precisam de mais de 400 horas de baixas temperaturas para uma boa colheita e até o momento não foram registramos nenhuma hora de frio

A falta de frio para a época do ano tem preocupado os produtores rurais neste 2019. A poucos dias do começo do inverno, não apenas a falta de temperaturas baixas, mas o registro de médias acima dos 20ºC tem causado transtornos para os agricultores da região. Muitas variedades necessitam de várias horas de temperaturas abaixo de 7,2ºC para poderem dar flores e frutos em sua melhor forma. Os produtores de uva também temem perdas na safra da uva pela falta de frio constante, até agora não contabilizaram nem uma hora de frio considerável para o cultivo. É preciso pelo menos de 400 a 500 horas de frio nesta época do ano para uma boa colheita no verão.
Na propriedade do agricultor Ricardo De Mari em Monte Belo do Sul a variedade moscato já esta brotando. “Se tivermos geada, que é muito provável pois o inverno recém começou, o fenômeno vai comprometer toda a produção e podemos perder grande parte da safra” diz Ricardo preocupado com o clima e o calor fora de época.

Sem frio neste ano, a variedade moscato já iniciou a brotação na propriedade de Ricardo De Mari em Monte Belo do Sul

O engenheiro agrônomo, mestre em fitotecnia e doutor em fisiologia vegetal Henrique Pessoa dos Santos, pesquisador Embrapa Uva e Vinho explica:
1) Estamos vivendo uma onda de calor fora de época. Como essa onda de calor pode prejudicar a safra de vinho do próximo ano? Considerando um registro desde de 2009 na Embrapa, esse é o primeiro ano em que não registramos nenhuma hora de frio (horas com temperatura menor que 7,2°C) neste período. Os anos de 2010 e 2011 não registraram frio até final de maio, mas em junho apresentaram uma soma expressiva de frio (48 e 106 HF, respectivamente). Em 2015 que foi um dos anos com menor soma de frio durante o outono/inverno (total 145 HF), já registrava em junho 77 horas de frio. Portanto, esse outono de 2019 (até o dia 18/06) está sendo um dos mais quentes dos últimos 10 anos. Essa ausência de frio combinada com mais de 20 dias de precipitação atrasou a indução do estado de dormência e a queda das folhas na maioria das videiras da Serra Gaúcha. Em parte, pela continuidade de dias nublados, essas condições evitaram também muitas brotações precoces de outono, que normalmente ocorrem na região. Contudo, com a ausência de frio até o momento, as videiras não aprofundaram e uniformizaram o estado de dormência das gemas, podendo iniciar a brotação a qualquer momento durante esses dias de outono/inverno, se esta condição quente persistir. Se ocorrer a brotação neste período, certamente irá ocorrer e a queima destes brotos com as ondas de frio subsequentes (pois estamos no período de outono/inverno e isso pode ocorrer), o que pode impactar na quantidade de produção da próxima safra. Mas, destaco que ainda é cedo para garantir ou prever esse cenário pessimista. Algumas videiras já apresentaram brotações nesta última semana, mas se na sequencia ocorrer frio contínuo a perda dessas brotações não é relevante para a produção da safra seguinte, pois essas brotações são de gemas apicais que são retiradas no momento da poda.
2) Quantas horas de frio é necessário para uma boa safra? Procede a informação que é de 400 a 500 horas? Isso representa quantos meses? As exigências de frio são variáveis entre as cultivares. Nas uvas finas (cultivares Vitis vinifera), a exigência de frio é proporcional a época de brotação. As cultivares mais precoces (ex.: Chardonnay) apresentam, em média, uma exigência de 150HF, enquanto as cultivares de brotação intermediária (ex.: Merlot) e tardia (ex.: Cabernet Sauvignon) apresentam 300HF e 400HF, respectivamente. As cultivares de uva comum (ex.: Bordô, Isabel, Niágara) apresentam uma exigência próxima de 100 HF, mas exigem maior soma de calor para brotarem. Diante destas exigências, salienta-se que a ocorrência de no mínimo 300HF já garante uma condição adequada para a maioria das cultivares que são cultivadas na região da Serra Gaúcha. A condição normal (média de 30 anos) é de 409 HF na Serra Gaúcha, mas já ocorreram grandes oscilações nos últimos anos, tais como nos invernos de 2015 (total de 145 HF) e 2016 (total de 536 HF). Este valor quantitativo de frio é importante para a uniformização da dormência e, consequentemente, da brotação na primavera. Entretanto, destaca-se que o inverno adequado nem sempre é aquele que apresenta uma soma expressiva de frio, mas aquele que expõe um frio constante e sem dias quentes intercalados. Além disso, o ideal é que não ocorram ondas de frio tardio na primavera (geralmente em setembro), pois esse é um dos fatores de maior impacto negativo na produção de uva na região. A restrição de frio não é muito problema, pois já se dispõe de indutores químicos para estimular a brotação da videira e contornar esse problema, o que tem possibilitado o cultivo da videira em regiões com ausência total de frio, como no nordeste brasileiro.
3) Existe uma temperatura ideal de frio para uma safra de qualidade? Para a maioria das espécies frutíferas de clima temperado, como videira, macieira, pereira, pessegueiro, etc, considera-se frio quando a temperatura está igual ou inferior a 7,2°C. Essa é uma referência teórica, pois equivale a 45 ° F (escala Fahrenheit, utilizada para temperatura em alguns países, como EUA), mas se aproxima das condições de frio para a maioria das espécies. No caso da videira, na literatura alguns trabalhos também consideram frio quando a temperatura está igual ou abaixo de 10°C. O estado de dormência das gemas nestas espécies frutíferas é ativado pela redução do comprimento do dia, ao longo do outono, e é aprofundado pelos primeiros dias frios (dias que apresentam algumas horas com temperaturas inferiores à 7,2 °C). Ou seja, essas espécies de clima temperado ativam o estado de dormência para suportar o frio congelante do inverno. Essa soma de tempo em temperaturas de frio é o fator que as plantas monitoram fisiologicamente para saírem deste estado de dormência e atingirem a brotação plena na primavera, sem o risco de temperaturas congelantes que todos os tecidos verdes (ex.: folhas) não toleram. Por isso, o problema de invernos quentes é quando ocorrem ondas de frio intercaladas com muitos dias quentes, permitindo a brotação antecipada e seguida de dados por congelamento. Ou seja, o ideal é que ocorram invernos com dias frios constantes, sem a ocorrência de frios tardios (pós data de brotação).
4) Se o calor continuar seria possível já ter uma ideia de prejuízos? Essa pergunta já foi respondida na primeira questão. Pode ter impactos, mas ainda é cedo para prever os prejuízos. Se as condições mudarem nos próximos dias, com a entrada do frio de modo constante, seguido de uma primavera quente e sem frios tardios, podemos dispor das condições ideias para uma boa safra.

Difícil do preço baixar
O governador Eduardo Leite anunciou o fim da substituição tributária, imposto presumido pago por vinícolas que faz com que vinhos produzidos aqui no Serra custem mais barato em outros estados sem a tributação. Há expectativa de representantes do setor vinícola de que os preços de vinhos possam diminuir de 4% a 10% a partir de setembro, mas se houver quebra de safra por falta de frio, a redução do imposto nem será sentida no ano que vem. Será compensada pelo aumento dos produtos pela redução da demanda da uva.

O balanço da safra
Na semana passada terminou o prazo para as vinícolas declararem quanto de uva processaram na colheita deste ano. A expectativa e de que, até o final do mês, seja divulgado o balanço oficial da safra 2019, mas estimativa da Emater na Serra é superar a expectativa inicial de 650 mil toneladas.