Safra de Inverno no RS deverá ser de quase 3 milhões de toneladas

Com uma estimativa de produção de 2.969.275 toneladas, a Safra de Inverno 2020 no Rio Grande do Sul foi anunciada na tarde desta terça-feira (16/06), em Coletiva de Imprensa online, e teve a participação do presidente e do diretor técnico da Emater/RS, Geraldo Sandri e Alencar Paulo Rugeri. De acordo com levantamento feito em 286 municípios gaúchos, a amostra revela uma tendência de consolidação dos grãos de inverno na metade Norte do Estado, a partir da instalação de empresas de fomento nessas regiões, em especial de canola e cevada.
Neste ano, os principais grãos de inverno (trigo, cevada, canola e aveia branca) serão cultivados em 1.300.966 hectares, enquanto que na safra 2019 foram 1.131.966 hectares e obtida uma produção de 3.128.548 toneladas.
Principal produto da estação, o trigo deverá ter uma produção de 2.189.837 toneladas. Cultivado numa área de 915.712 hectares, 20,34% a mais do que na safra passada, que foi de 760.914 hectares, o grão apresenta tendência de produtividade média de 2.391 quilos por hectare. Concentrado nas regiões de Santa Rosa, Ijuí e Frederico Westphalen, chama a atenção o trigo ter aumento de 120% na área a ser cultivada na região de Porto Alegre, passando de 500 hectares na safra passada para 1.100 hectares nesta safra.
A canola se estabelece como importante cultura no RS, com 34.444 hectares (6,55% a mais do que na safra passada, que foi de 32.326 hectares), em especial nas regiões de Ijuí e Santa Rosa. Nesta, serão cultivados 17.538 hectares, incentivados por uma empresa que fomenta e processa a canola. Apesar da grande variação nas produtividades nos últimos anos, a expectativa para esta safra é de uma produtividade de 1.243 kg de canola por hectare.
A cevada também se consolida como grande alternativa de produção nas regiões de Frederico Westphalen, Erechim, Passo Fundo e Ijuí. A cultura registra variação de produtividade nas últimas safras e a expectativa para este ano é de 2.498 quilos de cevada por hectare.
Na aveia branca, o RS está se consolidando com o objetivo de produção de grãos, com acréscimo de 6,31% de área, “o que é motivo de alegria”, ressalta o diretor técnico. Com produtividade média de 2.051 quilos por hectare, o Estado deverá ter uma produção de 634.908 toneladas, concentrada na Metade Norte do Estado.
A aveia preta grãos tem uma expectativa de cultivo em 237.469 hectares, 4,46% a menos do que na safra passada, de 248.566 hectares, sendo as principais regiões produtoras Santa Rosa e Ijuí. Entre as regiões produtoras, a de Soledade apresenta para esta safra um aumento de 133,77% na área cultivada, passando de 320 hectares com aveia preta grãos na safra passada para 748 hectares como estimativa para esta safra.

PLANEJAMENTO
“É importante destacar o sistema de produção planejada, que trabalha o tripé planejamento a curto, médio e longo prazos, profissionalismo e gestão, o que dá segurança e consolida o resultado das propriedades”, defende Rugeri. A apresentação inovou com a participação do meteorologista da Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), Flávio Varone, que destacou a tendência climática para os próximos meses.
De acordo com Varone, o Modelo Climático Regional indica, para o trimestre junho-julho-agosto, chuvas dentro da normalidade na maior parte do Estado, associadas com a passagem mais frequente de frentes frias, e em algumas áreas poderão ocorrer valores superiores à média. As temperaturas médias tenderão a ser superiores à média climatológica em junho, normais em julho e inferiores à média em agosto, que indica a ocorrência mais frequente de massas de ar frio durante a segunda metade do inverno.
Para a próxima primavera, trimestre setembro-outubro-novembro, a previsão aponta para um possível evento La Niña de fraca intensidade, com noites e madrugadas frias até meados de novembro. Assim, os modelos climáticos indicam que a precipitação deverá ocorrer normalmente em setembro e mostram maior probabilidade de um período seco durante o mês de outubro. As temperaturas médias tendem a valores superiores à normal climatológica durante todo período.
Para o presidente da Emater/RS, Geraldo Sandri, a credibilidade da Instituição, ao longo da história de mais de seis décadas, se deve a toda uma capilaridade muito grande de trabalho em 100% dos municípios gaúchos, por isso os números e estimativas são sempre muito assertivos. “Não só pelo trabalho dos nossos extensionistas, mas de uma grande parceria com outras entidades, principalmente com a Seapdr, que é nosso braço forte, visto que a Emater é a executora das políticas públicas do Governo do Estado e da Seapdr, liderada pelo nosso secretário Covatti Filho”.

Em implantação, canola apresenta bom desenvolvimento no RS

Foto: José Schafer, na região de Santa Rosa

É intenso o ritmo de implantação da cultura da canola nas regionais de Ijuí e Santa Rosa. De acordo com Informativo Conjuntural, divulgado pela Emater/RS-Ascar da quarta-feira (10/06), na região de Ijuí, as lavouras apresentam uniformidade de emergência; nas mais adiantadas, há bom estágio de desenvolvimento vegetativo (entre duas e quatro folhas) e bom estande. Na de Santa Rosa, o plantio da canola já alcança 13.600 hectares. As primeiras lavouras semeadas apresentam bom estande de plantas, sendo possível observar as linhas bem definidas de semeadura.
Devido às condições de menor insolação, não houve grande avanço do crescimento da canola. A alta umidade preocupa os produtores, diante da possível ocorrência de doenças, principalmente em locais mais baixos. Assim que as condições climáticas forem favoráveis, em algumas áreas já será aplicada adubação nitrogenada. O preço médio da canola na Regional da Emater/RS-Ascar de Ijuí é de R$ 87,50; na de Santa Rosa, de R$ 93,90/sc. No trigo, a semana foi de ampliação das áreas de plantio nas regiões de Frederico Westphalen, Santa Maria, Santa Rosa, Erechim, Bagé, Ijuí, Pelotas e Soledade. Já nas regionais da Emater/RS-Ascar de Caxias do Sul e Passo Fundo, segue intenso o preparo das áreas. Em Caxias do Sul, os produtores nos Campos de Cima da Serra estão dessecando as plantas de cobertura, semeadas logo após a colheita da soja, para semear trigo no período entre 20 de junho e 10 de julho. Na de Passo Fundo, os produtores finalizam o preparo das primeiras áreas de plantio, que inicia em 10 de junho e se estende até 10 de julho. Há perspectiva de ampliação da área em 30% em relação à safra passada.
Na região de Frederico Westphalen, as áreas semeadas com trigo estão em germinação e desenvolvimento vegetativo; a perspectiva de tempo favorável e de bons preços tem mantido a tendência de elevação de 15% na área plantada em relação a 2019. Na de Santa Maria, a área de plantio está aumentando devido às condições favoráveis de umidade no solo. As lavouras estão em germinação e iniciam o desenvolvimento vegetativo. Na Regional de Santa Rosa, as condições favoráveis permitiram o avanço do plantio, que já chega a 142 mil hectares. As lavouras estão com excelente estande, boa germinação e ótimo desenvolvimento inicial. Na de Bagé, as condições do tempo favorável e da umidade de solo permitiram na Fronteira Oeste intensificar a semeadura e iniciá-la na Campanha, chegando a 12 mil hectares. Na regional de Ijuí, a semeadura do trigo ocorre em ritmo lento devido à umidade no solo. Em geral, as lavouras implantadas estão com excelente estabelecimento inicial, emergência uniforme, crescimento rápido e baixa incidência de pragas e doenças. Nas regiões de Erechim e Pelotas, foram iniciados os plantios, com sinalização de aumento de área em relação à safra passada. Na regional de Soledade, as áreas plantadas já atingem 13,5 mil hectares e apresentam bom desenvolvimento inicial, favorecidas pelo retorno da umidade do solo com as precipitações ocorridas na semana e a boa radiação solar. Cevada – Nas regionais de Erechim e Ijuí, a cultura está em implantação. Na de Erechim, chegou a 1.350 hectares. A perspectiva de aumento na área plantada está na dependência dos contratos entre os produtores e a empresa cervejeira. Na de Ijuí, segue a semeadura da cultura nos municípios onde os produtores têm experiência com a cultura, e nos quais as cerealistas e/ou cooperativas têm programas de fomento e recebem o produto. A área implantada já chega a 1.540 hectares, e as lavouras apresentam estabelecimento inicial satisfatório e boa sanidade.

Aveia branca – Na Regional da Emater/RS-Ascar de Ijuí, a cultura está com a semeadura finalizada,
atendendo às orientações do período recomendado no zoneamento de risco climático. Todas as
lavouras estão emergidas, com estabelecimento inicial satisfatório, tamanho e número de plantas
uniformes e desenvolvimento rápido.

CULTURAS DE VERÃO
Milho – Na maior parte das regiões do Estado predominou a alta umidade no solo devido às chuvas ocorridas, atrasando a conclusão da colheita, que já alcança 98%. As solicitações de vistorias de Proagro seguem ocorrendo nas lavouras que utilizam a política de crédito rural no Estado. Até terça- feira (09/06), técnicos da Emater/RS-Ascar realizaram 6.549 vistorias de Proagro em lavouras de milho. Ao todo, já foram realizadas 18.506 vistorias desde 01 de dezembro de 2019, em virtude dos danos provocados pela estiagem.
Milho silagem – Na região administrativa de Ijuí, as últimas áreas de milho estão evoluindo lentamente nos seus estádios fisiológicos, fato associado à diminuição das temperaturas e do período de insolação. Os grãos apresentam elevada umidade, dificultando a colheita. Na de Pelotas, a colheita do milho para silagem está concluída. Muitas das áreas do milho que eram para grãos foram aproveitadas para elaboração de silagem, a qual é de qualidade inferior e apresenta rendimentos bastante baixos. A produtividade média chegou a 10.857 quilos por hectare. Feijão 2ª safra – Na região de Ijuí, a semana se caracterizou pela espera da melhoria do tempo para concluir a colheita que ainda não está finalizada. O rendimento médio tem se mantido em 1.340 quilos por hectare. Na de Frederico Westphalen, a colheita chegou a 95% da área plantada, com produtividade de 1.110 quilos por hectare. As lavouras em maturação se apresentam desuniformes e prejudicadas na formação de grãos.

OLERÍCOLAS E FRUTÍCOLAS
Cenoura – Na regional da Emater/RS-Ascar de Porto Alegre, iniciou a implantação de áreas que estavam atrasadas, cujo ritmo é impulsionado pelo restabelecimento da umidade do solo. No entanto, ainda há insegurança em realizar plantio pela falta de água das fontes de irrigação. No Litoral, 100% das lavouras encontram-se em fase vegetativa.
Mandioca/Aipim – Na regional de Lajeado, em Cruzeiro do Sul, segue a colheita. A produtividade é de 12 toneladas por hectare, com produção de raízes de ótima sanidade, porém mais finas. O preço está entre R$ 22,00 e R$ 24,00/cx. de 20 quilos, pago ao produtor na propriedade. Na Ceasa, a caixa de 20 quilos foi comercializada a R$ 30,00, valor considerado muito bom para este período, no qual normalmente a oferta é elevada. A precificação reflete a redução da oferta geral, em decorrência da forte estiagem ocorrida.
Noz-pecã – Na Regional de Erechim, a área implantada com a cultura vem crescendo. Produtores preparam o produto colhido para a venda. O preço é de R$ 15,00/kg. Em Cachoeira do Sul, na Regional da Emater/RS-Ascar de Santa Maria, a colheita da safra foi concluída em 90% dos pomares. Na região, são cultivados 1.743 hectares de nogueira-pecã. Na região de Lajeado, a área de cultivo de nogueira-pecã é de 810 hectares, envolvendo 424 famílias no cultivo desta frutífera. Está em Anta Gorda a maior área de cultivo no Vale do Taquari e segunda do Estado, com 530 hectares, a maior concentração de produtores do Estado. A pecanicultura está em franca expansão na região. Nos últimos três anos, a área de cultivo passou de 670 hectares para os atuais 810 hectares, um aumento de 21% na área, e o número de produtores passou dos 385 para os atuais 424, agregando mais 39 produtores à atividade.

PASTAGENS E CRIAÇÕES
Em todo o Estado, as pastagens perenes de verão e os campos nativos apresentam baixa produção de forragem, com baixa qualidade alimentar e nutricional. As pastagens cultivadas anuais de inverno, favorecidas pelo clima das últimas semanas, vêm apresentando bom nível de crescimento e desenvolvimento. No entanto, boa parte das áreas ainda não oferece disponibilidade para o pastejo, por terem sofrido atraso na implantação e no desenvolvimento durante a estiagem. Muitos criadores aproveitam a umidade do solo para fazer adubação nitrogenada de cobertura, a fim de acelerar o crescimento das pastagens e recuperar parte do atraso sofrido no estabelecimento das forrageiras.
Em algumas áreas, ainda está sendo realizado o plantio de pastagens anuais de inverno, que costuma ser feito de dois a três meses antes. Em áreas onde o pastoreio está sendo realizado com altura dos pastos abaixo do recomendado pelos técnicos e em áreas com excesso de umidade no solo, houve danos às pastagens, causados por pisoteio e arranquio. Na maior parte das áreas do Estado, a produção de leite bovino é, de forma predominante, à base de pasto, com suplementação alimentar à base de silagem. Em função da longa estiagem, o atual vazio forrageiro outonal é bem mais severo que o normal, em função do encurtamento do ciclo das pastagens de verão, do atraso na implantação das forragens de inverno e do baixo volume e da baixa qualidade da produção de silagem neste ano. Com a melhoria das condições climáticas, que propiciaram melhor desenvolvimento das pastagens hibernais, e ampliação de áreas com disponibilidade para o pastoreio, já se pode observar em algumas regiões uma gradativa recuperação do escore corporal dos rebanhos e da produção leiteira, e a estabilização ou diminuição das perdas em outras.
Na Apicultura, nas diversas regiões do Estado, as atividades prioritárias nos apiários são o monitoramento das colmeias e a suplementação alimentar, naquelas em que ela se faz necessária para a manutenção de boas condições energéticas para que as abelhas enfrentem os períodos de temperaturas mais baixas.

Troca-Troca de Sementes da safrinha segue até sexta-feira

Os pedidos do programa Troca-Troca para as sementes de milho e sorgo da safrinha 2020/2021 podem ser feitos até sexta-feira (12/6). O preço das sementes teve uma redução de 12,5% em relação ao ano passado, e o subsídio é de 28% no valor das sementes para os financiamentos.
Os pedidos são feitos pelas entidades no site do Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento dos Pequenos Produtores Rurais (Feaper) – http://www.feaper.rs.gov.br/ respeitando o limite máximo de quatro sacas de milho ou sorgo por agricultor.
Milho Híbrido Convencional
• Valor da saca (sem subsídio do Estado) = R$ 140
• Valor da saca pago pelo agricultor (com desconto do subsídio de 28% do Estado) = R$ 100,80
Milho Híbrido Transgênico
• Valor da saca (sem subsídio do Estado) = R$ 360
• Valor da saca pago pelo agricultor (com desconto do subsídio de 28% do Estado) = R$ 320,80
Sorgo
• Valor da saca (sem subsídio do Estado) = R$ 120
• Valor da saca pago pelo agricultor (com desconto do subsídio de 28% do Estado) = R$ 86,40
O agricultor efetuará o pagamento da semente em 20 de junho de 2021. A parcela referente à tecnologia transgênica, no caso de milho híbrido transgênico, no valor de R$ 220, deve ser paga pelo agricultor no dia 9 de novembro deste ano.
São 53 cultivares de sementes de 10 empresas fornecedoras, sendo:
• 21 cultivares de milho híbrido convencional;
• 21 cultivares de milho híbrido transgênico;
• 11 cultivares de sorgo.

Embrapa abre inscrições para segundo curso online de produção de sementes e mudas

Devido ao grande número de inscrições para a primeira edição do curso online “Produção e Tecnologia de Mudas e Sementes”, com mais de 1.500 interessados em fila de espera, a Embrapa Semiárido decidiu ampliar o público atendido e realizar uma segunda edição. A nova capacitação será realizada entre os dias 15 e 26 de junho.
O curso é voltado para produtores, técnicos, estudantes, professores e demais interessados. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas a partir da terça-feira, dia 9 de Junho, neste link.  https://www.embrapa.br/en/semiarido/busca-de-eventos/-/evento/425801/ii-curso-de-producao-e-tecnologia-de-sementes-e-mudas
Para a pesquisadora Bárbara França Dantas, da Embrapa Semiárido, organizadora do evento, “o setor de sementes brasileiro, seja ele de grãos, hortaliças, forrageiras ou florestais, é essencial para a manutenção dos padrões de eficiência do agronegócio nacional”. Por isso a realização do curso, em que serão apresentadas as principais e mais modernas técnicas para a produção de sementes e mudas de alta qualidade.
A programação contempla videoaulas, material bibliográfico e técnico-científico para consulta e aulas tira-dúvida online, totalizando carga horária de 60 horas. O curso é ministrado por professores e pesquisadores de renome da área de sementes e mudas, que apresentarão seus trabalhos de pesquisa e conhecimentos sobre o assunto.
Serão abordados temas como a multidisciplinaridade da ciência e tecnologia de sementes, formação, desenvolvimento, maturação e composição química de sementes, fatores que afetam a produção, causas e métodos para superar a dormência, avaliação do desempenho germinativo, conceitos de qualidade, vigor e fatores que o afetam, patógenos transmitidos por sementes e métodos de controle, controle de insetos em sementes armazenadas, legislação sobre sementes e mudas, além do manuseio, beneficiamento e embalagem.

Publicação atualiza cultivares de milho disponíveis no mercado

A estimativa nacional de semeadura do milho, considerando primeira, segunda e terceira safras, na temporada 2019/20, está em 18,5 milhões de hectares e produção de 102,3 milhões de toneladas Foto: Divulgação

Na fase de planejamento da semeadura do milho da safra de verão, a Embrapa Milho e Sorgo (MG) acaba de publicar o documento “Sementes de milho: nova safra, novas cultivares e continua a dominância dos transgênicos”. De autoria dos pesquisadores Israel Alexandre Pereira Filho e Emerson Borghi, a publicação apresenta o levantamento das cultivares de milho disponíveis no mercado, trabalho realizado há 13 anos pela Embrapa.
O objetivo, segundo os autores, é auxiliar o produtor na fase de planejamento deste importante insumo agrícola, que é a semente. “Neste ano agrícola 2019/2020 são ofertadas 196 opções, para diferentes finalidades e regiões de cultivo”, resume um trecho. De acordo com os pesquisadores, as informações foram organizadas para evidenciar as principais características agronômicas das cultivares, assim como dados quanto ao comportamento dos materiais genéticos em relação às principais doenças que podem ocorrer nas regiões produtoras de milho no Brasil.
A publicação chega em um momento em que o Brasil se revela como recordista na produção de grãos. Segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), em seu último levantamento realizado em maio de 2020, a estimativa nacional de semeadura do milho, considerando primeira, segunda e terceira safras, na temporada 2019/20, está em 18,5 milhões de hectares e produção de 102,3 milhões de toneladas. “Notadamente, esses resultados expressivos são produto dos avanços genéticos por eras, em que se empregam modernas técnicas de manejo e melhoramento de plantas”, interpretam os pesquisadores.
Ainda segundo os autores, a biotecnologia agrícola destaca-se como importante ferramenta no desenvolvimento de híbridos de milho com genética superior, como o Bt e o RR, que contribuem para a redução da pressão sobre os recursos naturais, permitindo práticas agrícolas mais sustentáveis. “A expectativa é que esta publicação possa atender os diferentes profissionais e públicos que cultivam este importante produto agrícola brasileiro, cultivado em todos os biomas e estados, responsável por 41,5% de toda a produção de grãos do país nesta atual safra”, afirma Frederico Ozanan Machado Durães, chefe-geral da Embrapa Milho e Sorgo.

Predomínio dos transgênicos e otimismo cauteloso
Analisando as informações coletadas nos portfólios das empresas produtoras de milho no Brasil, os pesquisadores reforçam que as cultivares de milho transgênico têm dominado o mercado nas últimas safras, e que a adoção por parte do produtor está em nível bastante elevado, principalmente no cultivo do milho após soja, chegando a 93% da área cultivada. “A tendência no futuro é que a participação de cultivares transgênicas deve aumentar ainda mais, com adição de eventos transgênicos em cultivares já existentes, o que não implicará aumento no número de cultivares no curto prazo”, analisam.
Em relação ao cenário econômico para 2020, os pesquisadores revelam-se otimistas, mas reforçam que a expectativa de produção na casa das 100 milhões de toneladas sofrerá ajustes ao longo dos próximos meses. Há uma série de interrogações que podem afetar negativamente o mercado de milho no segundo semestre, na visão de Rubens Augusto de Miranda, pesquisador da área de Economia, principalmente a questão da crise provocada pela Covid-19, que tem afetado severamente vários setores da economia, inclusive a produção de combustíveis. “No mercado externo, a expectativa de safra recorde nos Estados Unidos pode afetar negativamente os preços internacionais do milho e, consequentemente, as exportações brasileiras”, analisa. (ouça podcast sobre o assunto acima).
A publicação está disponível de forma gratuita para download e pode ser consultada em https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/213423/1/doc-251.pdf. O aplicativo Doutor Milho, disponível nas plataformas Android e iOS, também traz essas informações. Baixe aqui para Android e aqui para iOS.

Aplicativo ajuda agricultores a encontrar abelha ideal para polinizar lavouras

Startup conecta apicultores e produtores rurais em busca de melhor resultado nas propriedade

A empresa desenvolveu um aplicativo no qual apicultores e agricultores podem se cadastrar e, assim, encontrar abelhas e culturas que atendam às necessidades de ambos. Foto: Major Luís Fernando Becker

Segundo reportagem da Revista Globo Rural, padronização este foi um dos principais ganhos percebidos pelo produtor de morangos Caio Coluci ao adotar a polinização assistida em sua fazenda, em Bom Repouso (MG). “Hoje, a gente nota uma uniformidade, um padrão no fruto e na lavoura onde há a presença das abelhas”, observa Caio.
Após algumas experiências frustradas, o produtor decidiu investir em um estudo aprofundado da cultura e da região onde fica localizada sua plantação, para, assim, encontrar a abelha perfeita. “O resultado foram frutos mais bonitos, mais cheios, mais pesados e mais doces. O fruto se formou melhor e ganhou mais peso – e todo o mercado é peso”, comemora Caio.
A presença das abelhas resultou em frutos 13% mais pesados, com 77% menos deformações e 20% mais açúcar (Brix). Caio explica que só voltou a investir na polinização por abelhas depois de ouvir falar dos resultados obtidos pela AgroBee, startup de tecnologia criada em 2017.
A empresa desenvolveu um aplicativo no qual apicultores e agricultores podem se cadastrar e, assim, encontrar abelhas e culturas que atendam às necessidades de ambos. “Não basta só deixar as abelhas passeando pelas flores, porque as culturas são diferentes e as abelhas também”, afirma Andresa Berretta, uma das fundadoras da AgroBee.
A equipe de campo conta com quatro biólogos e um engenheiro florestal, a maior parte especialista em entomologia, ciência que estuda os insetos. Andresa explica que a análise permite trabalhar com o conceito de “saturação” de abelhas na propriedade.
Com 30 mil colmeias cadastradas e 5 mil hectares atendidos, a empresa tem obtido seus melhores resultados justamente nas regiões onde constatou maior ausência de polinizadores no entorno.
Foi o caso de Alexandre Leonel, que produz café orgânico em 110 hectares em Franca, interior de São Paulo. Em um hectare onde foi realizada a demonstração da polinização assistida, o resultado foi um pegamento de florada 50% maior durante a safra 2018/2019.
“Não tinha nenhuma dúvida dos benefícios da polinização por abelhas, apenas não conhecia um modelo que de fato funcionasse ou que tivesse uma metodologia replicável, que fosse capaz de ser mensurada”, explica ele.
Para a safra 2019/2020, o produtor pretende aumentar para 3,5 hectares a polinização das abelhas, com projeto de cobertura total da fazenda nos próximos anos.

Boas práticas para proteger animais
Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), os insetos polinizadores são responsáveis por cerca de 87% de toda a produção mundial de alimentos, realizando um serviço avaliado em até US$ 577 bilhões.
Ainda assim, a taxa de extinção desses animais cresce até 1.000 vezes acima do normal devido ao mau uso de pesticidas e ao desmatamento da vegetação nativa.
No Brasil, um grupo de 14 empresas, sob coordenação do Sindicato Nacional das Indústrias de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), lançou, em 2018, um plano nacional de boas práticas visando à preservação das abelhas.
A iniciativa, batizada de Colmeia Viva, visitou 88 fazendas em São Paulo, onde constatou 59 casos de mortes de abelhas por resíduos de defensivos.
Por essa razão, a AgroBee exige que os agricultores façam ajustes no uso de agrotóxicos durante o período de polinização. “O melhor cenário seria uma cultura não transgênica, sem uso de herbicidas. Só que, em alguns casos, é possível consorciar a aplicação à polinização desde que a equipe da fazenda siga algumas instruções técnicas”, explica Andressa.

Raio de 3 quilômetros por abelha
De acordo com a Colmeia Viva, o raio de ação de uma abelha pode se estender por até 3 quilômetros. Por isso, o movimento tem somado esforços para levar orientação técnica ao campo, conectando agricultores e apicultores, para evitar que a aplicação de produtos químicos e a soltura das abelhas coincidam.
“A gente tinha noção de quanto a abelha era importante para nossa cultura, mas não conseguia encontrar a forma de realocar as colmeias de forma profissional”, explica Caio.
Com os ganhos econômicos e ambientais bem definidos, o produtor estuda como incluir essa informação na rastreabilidade do produto, certificando a sua produção como parceira das abelhas.

Embrapa oferece curso online e gratuito que ensina a criar abelhas sem ferrão

A prática pode ser feita para fins comerciais ou como hobby, inclusive dentro de casa

A Embrapa Meio Ambiente, em parceria com a A.B.E.L.H.A. (Associação Brasileira de Estudos das Abelhas), lançou o primeiro curso online e gratuito sobre criação de abelhas sem ferrão.
As videoaulas atendem ao interesse pela criação de abelhas, que tem crescido nos últimos anos. O curso ensina a criar abelhas sem ferrão. Portanto, essa prática pode ser aplicada para fins comerciais, mas também como hobby e até dentro de casa.O curso é idealizado e ministrado por Cristiano Menezes, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente na área de abelhas e polinização, e também membro do comitê científico da A.B.E.L.H.A. “Além de capacitar as pessoas para iniciar na meliponicultura (criação de abelhas sem ferrão), queremos aprimorar as técnicas de quem já é criador, mas o faz de forma rústica, para que possa melhorar seu desempenho produtivo”, diz Menezes.O pesquisador também avalia o momento de pandemia como propício para participar do curso. “Neste momento de crise, em que precisamos ficar em casa, nada mais conveniente do que começar uma atividade nova. Além de ser divertido, as pessoas poderão produzir o próprio mel e ainda contribuir com o meio ambiente. Até crianças podem começar uma criação, já que essas abelhas são absolutamente inofensivas,” conclui.
Com carga horária de 12h, os interessados terão 30 dias para a conclusão do curso, a partir da data de inscrição. Para se inscrever, basta acessar o site da Embrapa.

https://www.embrapa.br/en/e-campo/meliponicultura?p_p_id=56_INSTANCE_gFlURsnoq4MA&p_p_lifecycle=0&p_p_state=normal&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-3&p_p_col_count=2

Trigo é implantado no RS

O cultivo do trigo iniciou nas regiões de Frederico Westphalen, Santa Maria, Santa Rosa, Soledade, Ijuí e Bagé. De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar na quinta-feira (04/06), em parceria com a Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), na região administrativa de Frederico Westphalen as áreas já semeadas estão em germinação e desenvolvimento vegetativo. O plantio se intensificará na primeira quinzena de junho e a expectativa é de aumento de 15% da área de cultivo em relação à safra passada. Na de Santa Maria, os produtores estão confiantes para uma primavera com menos chuva e à cotação atrativa do preço do trigo. Na regional de Santa Rosa, o plantio já atinge 80,7 mil hectares e as lavouras semeadas estão com boa e uniforme germinação, com bom estande. A produtividade média esperada é de 3.070 quilos por hectare. Na de Soledade, as áreas estão em início de semeadura, favorecida pelo retorno das condições de umidade do solo com as precipitações ocorridas na semana, contribuindo para a boa germinação. Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Ijuí, o plantio avançou para 30 mil hectares. As lavouras implantadas apresentam germinação rápida, com estabelecimento inicial satisfatório, conferindo uma boa formação das lavouras. Na de Bagé, na Fronteira Oeste e Campanha, a semeadura foi intensificada devido às adequadas condições do tempo e de umidade do solo, com expectativa de incremento de área.
Nas regionais da Emater/RS-Ascar de Caxias do Sul, Erechim e Passo Fundo, segue intenso o preparo das áreas para o cultivo do trigo. Em Caxias do Sul, a semeadura inicia em junho, com maior concentração em julho; a perspectiva é de acréscimo de 20% da área plantada em relação à da safra passada, principalmente em Muitos Capões, Vacaria e Esmeralda, que juntos correspondem a 81% da área da região. Na de Erechim, os produtores preparam as áreas e adquirem os insumos para o plantio. Há previsão de aumento de área diante da expectativa de preços favoráveis e pelo fato de que produtores tentam compensar as perdas ocorridas nas culturas de verão. Na de Passo Fundo, produtores se organizam para o plantio no período entre 10 de junho e 10 de julho, com previsão de aumento de 30% área de plantio em relação a 2019.
Nas regionais da Emater/RS-Ascar de Ijuí e Santa Rosa, é intenso o ritmo de implantação da cultura da canola. Na de Ijuí, os cultivos foram totalmente implantados, com as lavouras apresentando boa emergência, uniformidade de plantas e boa densidade. Diante das condições satisfatórias de umidade no solo na regional de Santa Rosa, a semeadura das lavouras avançou durante o início da semana e já alcança 10.450 hectares. As lavouras se encontram com germinação uniforme e muito bom aspecto.
Na cevada, iniciaram os plantios nas regionais de Erechim e de Ijuí. Na de Erechim, há expectativa de manter a área plantada em 2019. Na de Ijuí, já foram implantados durante a semana 1.460 hectares. A emergência ainda não iniciou na cultura.
Aveia branca – Na regional da Emater/RS-Ascar de Ijuí, durante a semana a semeadura foi intensificada, aproveitando o período recomendado pelo zoneamento de risco climático para a região, encerrado em 31 de maio. Nos próximos dias, produtores finalizam a implantação de algumas áreas. As lavouras implantadas apresentam boa emergência, uniformidade e rápido desenvolvimento inicial. Em Santo Augusto, com tradição no cultivo da aveia branca, a semeadura foi realizada mais cedo, e as plantas iniciam o estádio reprodutivo com o alongamento do colmo e surgimento das primeiras panículas.

CULTURAS DE VERÃO
Milho – Apesar das precipitações de baixa intensidade na semana, a predominância de tempo seco permitiu avanços na colheita que chegou a 97% dos cultivos. Seguem ocorrendo no Estado as solicitações de vistorias de Proagro nas lavouras que utilizam a política de crédito rural. Até a última terça-feira (02/06) foram realizadas 6.445 vistorias de Proagro em lavouras de milho por técnicos da Emater/RS-Ascar. Em culturas e hortigranjeiros, já foram realizadas 18.238 vistorias; os números vêm sendo contabilizados desde 01 de dezembro de 2019, por conta dos danos devido à estiagem.
Nas regiões administrativas da Emater/RS-Ascar de Santa Rosa, Frederico Westphalen e Ijuí, a colheita do milho está encerrada, com produtividade média de 7.082 quilos por hectare na de Santa Rosa, de 6.840 quilos por hectare na de Frederico Westphalen, e na região de Ijuí, o rendimento médio ficou em 7.200 quilos por hectare.
Nas regionais de Soledade e Caxias do Sul, 93% das lavouras já foram colhidas. Na de Soledade, o rendimento atual é de 2.810 quilos por hectare. As lavouras de milho com semeadura tardia e que se encontram nas fases de enchimento de grãos e maturação fisiológica se beneficiam com as chuvas das últimas semanas. Porém as chuvas trouxeram o frio, que aumenta o ciclo do milho atrasando a colheita, devido à redução de dias com temperatura adequada para o seu pleno desenvolvimento. Na de Caxias do Sul, o rendimento médio atual é de 4.984 quilos por hectare. Os produtores que armazenam o grão em silos secadores e dispõem de um produto de qualidade conseguem comercializar por valor acima do preço médio pago pelo mercado, chegando a R$ 52,00/sc.
Feijão 2ª safra – Na regional da Emater/RS-Ascar de Ijuí, a colheita se aproxima do final. Em geral, o rendimento médio é de 1.340 quilos por hectare. Os produtores que adotaram sistema de cultivo sem irrigação estão solicitando amparo do Proagro devido ao baixo potencial produtivo em consequência da estiagem. Na de Frederico Westphalen, a colheita alcançou 90% dos cultivos; a produtividade é de 1.110 quilos por hectare, com perdas que chegam a 38,5% em relação à esperada. Em geral, os efeitos da estiagem afetaram as lavouras acarretando desuniformidade no desenvolvimento vegetativo e na formação de grãos.

OLERÍCOLAS E FRUTÍCOLAS
Alho – Na regional de Caxias do Sul, iniciou o plantio da nova safra da cultura, que deve se estender durante o mês de junho, sendo intensificado nas lavouras dos Campos de Cima da Serra em julho. Embora a safra 2019-2020 que está sendo concluída não tenha atingido produtividade potencial e esperada por interferência das condições climáticas, a comercialização dos bulbos apresentou valoração acima dos patamares previstos, sendo altamente remuneradora. Tal fato vem impingindo uma atmosfera de bastante entusiasmo entre os alhicultores. Duas consequências naturais e imediatas decorrem desse panorama: o nível tecnológico das lavouras deverá alcançar o auge, e a intenção da área de plantio deverá ser maior.
Cebola – Na regional de Passo Fundo, produtores intensificaram o preparo do solo e já iniciaram tanto o transplante de mudas quanto o plantio e/ou a semeadura em local definitivo. Há tendência de pequeno aumento da área a ser cultivada. Na regional de Pelotas, a semeadura da cebola para produção de mudas atingiu 90% da área prevista de 2.350 hectares. Em Tavares, Rio Grande e São José do Norte, ainda há produto; o preço da cebola tipo 3 está entre R$ 3,00 e R$ 3,50/kg.
Citros – Na regional de Lajeado, o retorno da umidade no solo trouxe alento aos citricultores do Vale do Caí. A chuva não recupera os prejuízos causados nas cultivares precoces de bergamoteiras e laranjeiras, mas ameniza as perdas nas cultivares tardias, como a bergamota Montenegrina, fruta cítrica com a maior área de cultivo na região. Com o maior volume de bergamota da cultivar Caí entrando no mercado, o preço que bateu os R$ 45,00/cx. de 25 quilos no início da colheita, em meados de maio, agora está para o citricultor em média a R$ 35,00/cx. O volume da Caí colhido até o momento é 10%. Bergamota Poncã em início de colheita, atrasada em função da estiagem; o preço também está reduzindo pelo aumento da oferta no mercado; o citricultor recebe em média R$ 28,00/cx. de 25 quilos.
Os prejuízos causados pela estiagem já consolidados são estimados em 50% da produção das frutas precoces. Na grande maioria dos pomares, ocorreram queda de frutos, frutos não desenvolvidos, rachados e morte de plantas. A perda maior é em relação à qualidade dos frutos. Em anos anteriores, se obtinha frutos extra ou seleção; neste ano praticamente 10% a 25% enquadram-se como frutos de primeira, e o restante, como fruta para suco. No caso da bergamota Montenegrina, a maior área de cultivo e produção de frutas, as perdas ainda não estão consolidadas por ser uma cultivar tardia, cujas frutas ainda estão em crescimento. Entretanto, a perda em virtude de frutas rachadas já é visível e representa atualmente 5% do total, por enquanto inferior à expectativa que havia antes das últimas chuvas.
Pinhão – O pinhão é um alimento rico em calorias e contém minerais como cobre, zinco, manganês, ferro, magnésio, cálcio, fósforo, potássio, enxofre e sódio. Além disso, são encontrados ácidos graxos linoleico (ômega 6) e oleico (ômega 9). Na regional de Caxias do Sul, segue a colheita; pinhas e pinhões apresentam boa qualidade e sanidade. Há relatos de alguns coletores sobre a ocorrência de pinhas com maior proporção de falhas do que em safras normais e também de pinhas secas, que não completaram seu desenvolvimento. Parte das árvores apresenta pinhas maduras em fase de debulha ou já debulhadas, e parte está em final de maturação. Já na regional de Passo Fundo, as chuvas contínuas no período de polinização e a estiagem no desenvolvimento do fruto (pinha) e da semente (pinhão) implicaram na redução de tamanho e na formação imperfeita da amêndoa amilácea, a parte comestível. Nesta regional, os preços pagos ao produtor variam de R$ 4,00 a R$ 6,00/kg. No atacado, o pinhão é vendido a valores entre R$ 8,00 e R$ 10,00/kg; no mercado, de R$ 12,00 a R$ 14,90/kg.

PASTAGENS E CRIAÇÕES
Nas diversas regiões do RS, as pastagens cultivadas de inverno estão se desenvolvendo com mais intensidade, mas ainda não oferecem condições de pastejo na maior parte das áreas, em virtude de terem sofrido considerável atraso em sua implantação. Os campos nativos, que costumam ter seu crescimento mais ativo com temperaturas mais elevadas, sofreram em demasia com o período de estiagem e, embora tenham rebrotado parcialmente após as últimas chuvas, não propiciam boa oferta de forragem na maior parte das áreas. Com isso, vai se caracterizando um severo e prolongado vazio forrageiro neste outono. Nos poucos locais em que foi possível fazer o plantio em março e abril e nos quais a estiagem foi menos severa, está sendo possível disponibilizar as pastagens cultivadas de inverno para pastoreio com o manejo adequado, amenizando os efeitos do vazio forrageiro nesses locais.
BOVINOCULTURA DE CORTE – Na maior parte das áreas de criação de bovinos de corte do Estado, o gado apresenta escore corporal abaixo do normal para a estação. As chuvas ocorridas foram insuficientes para recuperar os níveis de água dos bebedouros. Nas regiões de Santa Maria e Porto Alegre, além da perda de peso dos rebanhos, continuam sendo relatados casos de redução da taxa de prenhez das matrizes.
PISCICULTURA – Em função da ocorrência de chuvas, continua aumentando o nível de água dos viveiros em todo o Estado. Boa parte dos açudes onde havia sido realizada a despesca está sendo repovoada com alevinos. Em alguns açudes ainda não repovoados e com níveis baixos de água vêm sendo realizados procedimentos de manutenção, como reparos nas taipas e aplicação de calcário para correção da acidez. Nos açudes povoados, o manejo alimentar dos peixes é realizado para diminuir as quantidades de suplementação, uma vez que com temperaturas mais baixas o consumo de alimentos diminui.
PESCA ARTESANAL – O período de defeso na Lagoa dos Patos começou em primeiro de junho e se estenderá até 31 de janeiro de 2021. Na região da Emater/RS-Ascar de Porto Alegre, na atividade de pesca artesanal a espécie mais capturada durante a semana foi a Tainha. No estuário do rio Tramandaí, houve boa captura de Camarão. Na região de Pelotas, em Jaguarão, o baixo nível das águas da Lagoa Mirim dificultou a movimentação e o atraque de barcos, mas ainda assim os pescadores realizaram uma boa captura de peixes durante a semana.

Emater/RS-Ascar divulga atualização de estimativa de perdas pela estiagem

Uma atualização da estimativa de perdas na produtividade, em relação à estimativa inicial divulgada em agosto do ano passado, das culturas de soja (-32,3%) e milho (-26,3%) da safra 2019/2020. Foto: Divugação

Em caráter excepcional, por solicitação da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), a Emater/RS-Ascar divulga, nesta quarta-feira (11/03), uma atualização da estimativa de perdas na produtividade, em relação à estimativa inicial divulgada em agosto do ano passado, das culturas de soja (-32,3%) e milho (-26,3%) da safra 2019/2020.
Esses dados são referentes ao retrato da situação até a última segunda-feira (09/03), e não a uma projeção para o resultado após a safra. “A estiagem persiste e esses números podem aumentar”, anunciou o diretor técnico Alencar Ruger. Ele destaca ainda que o levantamento apresenta perdas de até 75% em alguns municípios, mas o dado refere-se a uma média estadual.
O presidente da Instituição, Geraldo Sandri, ressalta que o monitoramento das lavouras é acompanhado periodicamentenão e não há previsão de uma nova divulgação de dados antes da conclusão da colheita.

Soja
Estimativa produtividade média (kg/ha)
Inicial – 3.315
Atual – 2.245
Variação – -32,3%

Estimativa produção (ton)
Inicial – 19,7 milhões
Atual – 13,3 milhões
Variação – -32,2%

Milho
Estimativa produtividade média (kg/ha)
Inicial – 7.710
Atual – 5.679
Variação – -26,3%

Estimativa produção (ton)
Inicial – 5,9 milhões
Atual – 4,4 milhões
Variação – -25,2%

Quase 10% das lavouras de soja estão colhidas no Estado

Foto; Divulgação

As lavouras de soja no Estado já contam com 8% da sua área total cultivada colhida. De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado na quinta-feira (12/03) pela Emater/RS-Ascar, em parceria com a Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), 36% das lavouras encontram-se prontas para colher, 48% em enchimento de grãos, 7% em floração e 1% em desenvolvimento vegetativo.
Já mais da metade (57%) das lavouras de milho no Rio Grande do Sul estão colhidas, 5% está em germinação e desenvolvimento vegetativo, 7% em floração, 18% em enchimento de grãos e 13% maduro.
A permanência das condições de tempo seco no Rio Grande do Sul tem favorecido a cultura que se encontra com bom estande de plantas e bom desenvolvimento; por outro lado, os mananciais vêm se ressentindo na reposição dos volumes de água e já apresentam sinais de diminuição. No período, em 1% das lavouras a fase é de germinação e desenvolvimento vegetativo, 6% delas estão em floração, 26% em enchimento de grãos, 44% em maturação e 23% foram colhidos.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Pelotas, o feijão 1ª safra é a cultura de grãos mais impactada pelas adversidades climáticas ocorridas desde o início da semeadura até o final do ciclo, principalmente pelo efeito prejudicial da estiagem nas fases da floração e enchimento dos grãos. Estão colhidos 63% das áreas semeadas. Em Canguçu, Santana da Boa Vista e São Lourenço do Sul, a colheita está concluída. Nas demais áreas na região, a cultura está em fase de maturação.
Na regional da Emater/RS-Ascar de Frederico Westphalen, a segunda safra está semeada e se encontra na fase de emergência e desenvolvimento vegetativo. Em geral, as lavouras estão com bom estande, mas já se ressentem da ausência de umidade no solo, fator igualmente restritivo para a realização da primeira aplicação de adubação nitrogenada.

OLERÍCOLAS
Na regional de Ijuí, o cenário apresenta tendência de concentração da produção de olerícolas com aumento de escala e redução do número de produtores, principalmente devido à falta de mão de obra nas propriedades. O polo produtivo de Ijuí, o maior da região, vem adotando mais mecanização, automatização da irrigação e cultivo protegido, retomando inclusive o uso de produtos biológicos nos tratos culturais para atender a demanda de consumidores preferenciais de produtos orgânicos. As culturas de verão, como abóboras para saladas e vagens, estão em final de ciclo, diminuindo a oferta local.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Santa Rosa, as condições climáticas de tempo seco e forte insolação dificultam a produção de espécies olerícolas cultivadas a campo, principalmente em função da baixa umidade relativa do ar e do solo. A irrigação tem sido usada com maior frequência; ainda assim, não há condições de preparo do solo para futuros cultivos. Mudas recém-transplantadas tiveram pegamento reduzido e demanda por irrigação recorrente. Nos cultivos protegidos, há ocorrência de pragas, principalmente tripes, mosca-branca e ácaros. Há produção de folhosas como alface, rúcula e couve-folha somente em hortas com irrigação e com telas de sombreamento. Há forte ataque de lagartas (Ascia monuste), pulgões, ácaros, tripes e coleópteros crisomelídeos, sendo necessária a aplicação de inseticidas. Cucurbitáceas seguem em plena colheita. Com relação à rastreabilidade, os mercados locais já implementaram as cobranças da procedência dos produtos.

PISCICULTURA E PESCA ARTESANAL
A redução do volume de água dos açudes exige cuidados especiais para manter boas condições alimentares e oxigenação para os peixes. Ocorreram alguns casos de morte de peixes por asfixia nas regiões da Emater/RS-Ascar de Santa Rosa e Porto Alegre.
Na região da Emater/RS-Ascar de Santa Rosa, no rio Uruguai continua a proliferação de algas, que causa mau cheiro na água e dificulta o trabalho dos pescadores artesanais, pois os obriga a lavar continuadamente os equipamentos de pesca. As espécies de peixe sem escamas são as mais capturadas.
Na região de Pelotas, a captura de pescado artesanal nas lagoas Mirim e dos Patos é baixa. Em Rio Grande e São José do Norte, o Camarão é capturado em boa quantidade, mas com tamanho pequeno. Na de Porto Alegre, em Palmares do Sul, Tapes, Imbé, Tramandaí e Mostardas, a produtividade da pesca artesanal na semana foi baixa.

OVINOCULTURA, BOVINOCULTURA DE LEITE E DE CORTE
Os rebanhos ovinos do Rio Grande do Sul encontram-se em boas condições corporais e sanitárias. O hábito de pastejo mais rente ao solo praticado pelos ovinos lhes garante melhor aproveitamento alimentar e nutricional em períodos de menor crescimento das pastagens.
O clima mais seco auxilia o controle de parasitoses internas e externas. Em relação ao manejo reprodutivo, a cobertura das matrizes nas propriedades onde foi iniciada em março deve ser estendida até o final de abril.
Os rebanhos de bovinos de leite nas várias regiões do Estado começam a sentir mais severamente os efeitos da estiagem prolongada, que afetam sua condição corporal e a produção leiteira.
As condições sanitárias são satisfatórias, mas com ocorrência acima do normal de algumas infestações por carrapato, mosca-do-chifre e miíases, considerando as condições de baixo teor de umidade no solo no período atual.
Considerando o extenso período de deficiência de umidade no solo, que prejudicou o desenvolvimento dos pastos na maior parte das regiões, o estado geral dos bovinos de corte é razoável. Em diversas áreas, o gado apresenta perda de peso e, em vários locais, está faltando água para dessedentação.
As condições sanitárias são satisfatórias, com incidência de infestações parasitárias entre fracas e moderadas, que vêm sendo controladas por práticas de manejo e uso de medicamentos apropriados. Em propriedades mais afetadas pela seca e a fim de evitar mais perda de peso dos animais, alguns produtores antecipam a venda para o abate, diminuindo assim a possibilidade de maiores prejuízos.