Expectativa é de safra da uva dentro da média em Pinto Bandeira

Produtor cultiva e lucra com uva niagara

O clima colaborou e Pinto Bandeira se prepara para uma boa safra de uva neste ano, depois de um 2015/2016 decepcionante nas plantações. A estimativa é de uma safra que fique em torno de 600 milhões de quilos em todo o território gaúcho, o que é considerado dentro da média pelo setor. No ano passado, a produção, prejudicada pelo clima, foi de 304 milhões de quilos, metade do que os agricultores estavam acostumados a colher. A quebra foi de 65% em relação à temporada anterior, que foi a maior da história (com 855 mil toneladas). Só não chega a ser uma supersafra justamente pela grande quebra da produção registrada no ano passado.

O fator decisivo para o otimismo em relação à uva é o fato de o clima ter sido bem definido nos últimos meses, com inverno frio, primavera e verão quentes e chuva em quantidade suficiente para o desenvolvimento da fruta. “É uma safra de recuperação. Não excelente, mas boa. A videira sofre de um ano para o outro e 2016 foi muito ruim. Então, agora ela está se recuperando e a expectativa é que a safra seja ainda melhor em 2018” avalia Aldacir Pancotto Técnico da Emater.

Embora o forte da safra seja final de janeiro e início de fevereiro em locais mais baixos, como na localidade da Linha Silva Pinto Norte de Pinto Bandeira, a colheita já começou. Nos 3,5 hectares da propriedade da família Pagno, já foram colhidos 12 mil quilos da fruta. A expectativa é de chegar aos 50 mil quilos. As variedades Niágara Rosa e Branca, Concord e Isabel Precoce, produzidas pelos agricultores Maurício e Volmir Pagno, têm como destino vinícolas e câmara fria. O produtor vende o quilo da uva niagara a R$ 1,20. “A uva está com qualidade e doce este ano. Se o tempo colaborar, ou seja, se não houver chuva em excesso, a safra deve ser boa” diz Volmir, conhecido como Grinco.

Fotos: Marlove Perin

Artigo – Controle das doenças da videira na fase de pré-colheita – O que o viticultor necessita fazer para reduzir perdas?

Lucas da Ressurreição Garrido, pesquisador da Embrapa Uva e Vinho

No último boletim publicado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), em dezembro de 2016, a análise detalhada do modelo estatístico (CPPMet/UFPel) indicou, para o mês de janeiro, precipitações dentro do padrão climatológico na maior parte do estado do Rio Grande do Sul. Já para os meses de fevereiro e março, uma tendência é de chuvas abaixo do padrão, especialmente durante fevereiro.

Para a agricultura, uma das variáveis meteorológicas que mais influencia o desenvolvimento de doenças é o volume de precipitação e, no caso da videira, como em outras espécies de plantas, ela é extremamente importante neste período que antecede a colheita da uva. A frequência de chuvas, a alta umidade relativa, o molhamento foliar constante, o orvalho e a cerração tornam o ambiente extremamente favorável para o crescimento dos fungos sobre a superfície dos tecidos vegetais, dando prosseguimento à infecção, colonização e esporulação, quando eles podem se disseminar. As principais doenças que têm ocorrido nos vinhedos da Serra Gaúcha nessa época são o míldio (mufa) e as podridões do cacho.

Neste momento decisivo da safra, o controle do míldio vem sendo realizado com a utilização de produtos à base de cobre, entre eles a calda bordalesa, que possibilita uma proteção de aproximadamente 15 dias, devido à presença da cal, que age como um fixador do cobre sobre os tecidos, reduzindo a lavagem. Já as formulações de hidróxido de cobre ou oxicloreto de cobre, por causa de sua formulação diferente, devem ser reaplicadas a cada 7 dias ou após chuvas acima de 20 mm, a fim de não deixar os tecidos desprotegidos.

As podridões do cacho da videira, por outro lado, devem ser manejadas visando reduzir tanto o inóculo presente no parreiral como também garantir a proteção dos tecidos das bagas. Assim, o produtor deve percorrer diariamente o vinhedo e retirar as bagas ou pedaços de cacho que estejam com alguma podridão, recolhendo-os para posterior destruição. Esta medida visa reduzir a disseminação da doença para outras bagas ou cachos presentes na área. Também é recomendada a pulverização dos cachos com fungicidas sistêmicos (piraclostrobina + metiram, tebuconazole, tetraconazole, boscalida + cresoxim metílico, pirimetanil, procimidone, azoxistrobina, Bacillus subtilis, entre outros) antes do fechamento do cacho, uma segunda aplicação pode ser feita, observando e respeitando o período de carência do produto utilizado. É importante pulverizar o cacho completamente, para que fique “revestido” com o produto utilizado, uma vez que falhas na cobertura possibilitam o desenvolvimento de podridões.

O agricultor também deve se lembrar dos cuidados na hora da aplicação para a maior eficiência dos tratamentos: evitar os horários muito quentes ou com vento, além de direcionar os bicos adequadamente, seja para as folhas ou para os cachos. Dessa forma, o manejo realizado no vinhedo representará um resultado positivo na qualidade da uva colhida. O uso de EPI’s é outro ponto que deve receber uma atenção especial, pois irá garantir a saúde e a segurança do produtor.

Fotos: Viviane Zanella

Aumento de mosca-das-frutas em dezembro e janeiro preocupa pesquisadores

Apesar da mosca-das-frutas danificar preferencialmente uvas para mesa, não sendo importante em videiras cultivadas, o ataque é maior em cultivares tardias. O dano consiste na queda prematura dos frutos depreciando comercialmente os cachos.

Segundo o pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, Adalécio Kovaleski , “em função das condições climáticas desfavoráveis e da produção de frutas nativas hospedeiras da mosca-das-frutas no outono passado, a população da praga estava em níveis muito baixos até a última semana de dezembro. No entanto, a partir do monitoramento que a Embrapa Uva e Vinho vem realizando verificou-se um grande aumento populacional da praga nas avaliações correspondentes à última semana de dezembro e primeira semana de janeiro.”
“Considerando que o estágio de maturação para a maçã já permite o desenvolvimento larval, recomenda-se atenção para que o controle seja intensificado através da aplicação de inseticidas com ação de profundidade e isca tóxica, esta aplicada especialmente nos pontos de entrada da mosca-das-frutas no pomar”, orienta Kovaleski.
Ele recomenda a intensificação do monitoramento utilizando armadilhas McPhail podendo utilizar suco de uva, proteína hidrolisada ou Ceratrap como atrativos, realizando avaliação duas vezes por semana.
O pesquisador alerta para que devem ser observados a carência dos produtos e os níveis de resíduos permitidos nos mercados nacional e internacional bem como para a maçã destinada para a indústria de suco.

Para videira
Já para as pragas da parte aérea da videira, O entmologista Marcos Botton alerta que podem causar danos nas folhas, nos ramos e nas bagas. O ataque da mosca-das-frutas em videira pode causar a queda de bagas verdes ou a destruição dos cachos pelo desenvolvimento das larvas, principalmente nas uvas de película branca. O monitoramento dos adultos pode ser feito com armadilhas McPhail contendo atrativo alimentar a base de proteína hidrolisada e o controle utilizando iscas tóxicas.

Controle
Medindo cerca de 8 mm de comprimento e de cor amarelada, a mosca da fruta macho adulto presenta duas manchas sombreadas nas asas, uma em forma de S que vai da base à extremidade da asa, e outra na forma de V invertido, no bordo posterior.
Já a fêmea apresenta, no extremo do abdômen, a terebra, que funciona para furar e por ovos, Antes da reprodução, as fêmeas necessitam amadurecer os ovários, alimentando-se de proteínas e açúcares.
O número médio de ovos colocados por fêmea é de 400, sendo cerca de 30 ovos por dia num período de aproximadamente 65 dias. Após a oviposição, as larvas eclodem em 3 a 4 dias alimentando-se nas bagas da uva. As larvas passam por três fases até atingir a fase de pupa que ocorre no solo e dura de 10 a 15 dias no verão, até 30 a 45 dias no inverno.
O período de larva, na temperatura de 25°C, demora aproximadamente duas semanas, período que pode se prolongar por até 77 dias dependendo das condições ambientais. A cópula é realizada no quarto ou quinto dia após a emergência do adulto. Após o acasalamento e o amadurecimento dos ovários, a fêmea fecundada procura o fruto da planta hospedeira, na qual faz postura, continuando seu ciclo. Em resumo, o ciclo completo (ovo-ovo), demora, em condições ideais, cerca de 30 dias, podendo se prolongar até três meses ou mais.

Sintomas e danos
A mosca-das-frutas danifica principalmente uvas para mesa, não sendo importante em videiras cultivadas para processamento. O ataque é maior em cultivares tardias. O dano consiste na queda prematura dos frutos depreciando comercialmente os cachos. A picada do inseto é imperceptível a olho nu, porém, em uvas brancas, observa-se através da cutícula semitransparente, as galerias formadas pela alimentação das larvas. A baga é destruída no momento da saída da larva para empupar.
Não existem informações específicas de manejo e controle da praga para a cultura da videira. As recomendações, adaptadas de outras culturas, são as seguintes:
Monitoramento dos adultos através de armadilhas do tipo McPhail contendo atrativo alimentar como suco de uva ou vinagre de vinho tinto a 25%. O atrativo deve ser renovado semanalmente, no momento da avaliação. Como a praga normalmente vem de fora do parreiral, recomenda-se instalar as armadilhas (4/ha) nas bordas do vinhedo. Outro atrativo que pode ser empregado é a torula, utilizando-se 4 pastilhas por litro de água.
A partir da constatação do inseto, fazer aplicação de isca tóxica em 25% da área do parreiral e repeti-la, semanalmente, ou logo após cada chuva. A isca é formulada com proteína hidrolisada ou melaço a 7%, adicionando-se um inseticida na dosagem comercial.
Quando o número médio de insetos atingir mais de 1 adulto por armadilha/semana, realizar aplicação de inseticida em cobertura total. Após a pulverização total da área, a isca tóxica deve continuar sendo empregada, bem como o monitoramento da praga. O controle deve ser repetido somente quando a população (detectada através das armadilhas) voltar a atingir o nível de controle, respeitando-se um intervalo mínimo de 15 dias entre as aplicações de inseticidas em cobertura total.

Armadilha atrativa para mosca-das-frutas
Nos últimos dez anos, a área de cultivo com uvas finas de mesa, no sistema de cultivo protegido na região da Serra gaúcha, tem aumentado em média 80 hectares ao ano, totalizando cerca de 800 hectares na safra 2012/13

Grande parte do aumento da área cultivada deve-se à adoção de novas tecnologias pelos produtores, com destaque para os voltados à produção de uvas finas de mesa, com alto valor agregado, que buscam uma fruta com melhor aspecto visual, sanidade, ausência de resíduos químicos e maturação adequada.
A mosca-das-frutas sul-americana Anastrepha fraterculus (Wied., 1830) (Diptera: Tephritidae) é um dos principais insetos que podem atingir status de praga ao danificar as bagas de uvas finas de mesa Vitis vinifera L. da cultivar Itália, principal variedade de uva cultivada sob plástico na região
Os danos são atribuídos às fêmeas adultas, que perfuram a epiderme das bagas para realizar a oviposição, ou às larvas, que destroem a polpa pelo desenvolvimento e locomoção no interior dos frutos formando galerias, que são facilmente observadas em cultivares com epiderme clara (Figura 3). Outro prejuízo adicional é a queda de bagas verdes devido às puncturas (perfuração causada devido à introdução de parte do ovipositor na epiderme da fruta) realizadas pelas fêmeas.
Além dos danos diretos causados pelas puncturas e galerias, a mosca-das-frutas também auxilia na dispersão de fitopatógenos causadores de podridões que são inoculados durante a oviposição, aumentando as perdas na colheita.

Monitoramento
Um dos pontos fundamentais para estabelecer uma estratégia de manejo da mosca-das-frutas sul-americana na cultura da videira é seu monitoramento. A presença da mosca-das-frutas no parreiral é detectada através do emprego de substâncias atrativas, com destaque para os sucos de frutas, proteínas hidrolisadas ou a levedura torula, dispostas no interior de armadilhas McPhail. No entanto, falhas significativas no controle de A. fraterculus foram registradas em pomares que utilizam sucos como atrativos. Em hipótese, as moscas-das-frutas não são atraídas pelas armadilhas devido à elevada concentração de voláteis emitidos pelas frutas maduras ou em decomposição presentes no parreiral, reduzindo, desta forma, a eficácia do monitoramento. Nestes casos, mesmo com o inseto presente no parreiral, as armadilhas não conseguem atraí-lo, resultando em prejuízos ao produtor.

A avaliação dos atrativos disponíveis no mercado para o monitoramento da mosca-das-frutas demonstrou baixa atratividade do suco de uva e da glicose de milho, além de uma captura equivalente entre a levedura torula e a proteína hidrolisada tradicional (Figura 5). No entanto, merece destaque a atratividade exercida por uma nova formulação de proteína hidrolisada (CeraTrap, BioIbérica S.A.) (Figura 5). Além de uma captura de adultos superior aos atrativos tradicionais, permanece estável por um período de até 60 dias, sem a necessidade de reposição, revelando-se uma nova ferramenta para o monitoramento da espécie na cultura.

Manejo de moscas-das-frutas
De modo geral, o manejo da mosca-das-frutas tem sido realizado através do emprego de inseticidas organofosforados pulverizados em cobertura, associados ao emprego de iscas tóxicas a partir da captura dos adultos em armadilhas de monitoramento. No entanto, devido à retirada destes inseticidas do mercado, a eficácia das pulverizações em cobertura tem sido limitada. Os novos inseticidas disponíveis não têm sido eficazes no controle das larvas presentes no interior dos frutos. Este fato tem obrigado os produtores a utilizar outras estratégias de manejo, com destaque para o emprego de iscas tóxicas.
Devido à estabilidade apresentada pela formulação da proteína hidrolisada CeraTrap (atratividade aos adultos mantida por um período de até 60 dias), a antiga técnica da captura massal passa a ser novamente objeto de estudos para o controle da mosca-das-frutas sul-americana. Esta técnica, descrita pela primeira vez no Brasil na década de 1980 utilizando suco de frutas como atrativo, tem como base o controle dos adultos através da instalação de uma elevada densidade de armadilhas por área.

Armadilhas
Para emprego da técnica, recomenda-se a utilização de armadilhas confeccionadas com garrafas de polietileno tereftalado (PET) de dois litros, de cor transparente (cristal) ou verde, contendo quatro orifícios circulares de 7mm de diâmetro, localizados na porção mediana da garrafa, distanciados equidistantemente entre si no interior das quais o atrativo é colocado sem a necessidade de adicionar inseticidas químicos .
As armadilhas devem ser confeccionadas utilizando garrafas limpas, com paredes translúcidas e sem rótulos. Os orifícios podem ser feitos com auxílio de um arame galvanizado com bitola de 0,89mm, moldado de modo a formar um círculo de 7mm de diâmetro ligado a uma haste de cerca de 20cm.
O círculo de metal formado com o arame galvanizado deverá ser aquecido ao rubro e encostado na superfície da garrafa. Este procedimento promove a formação de um orifício com bordas lisas e bem definidas. Outros procedimentos, como o uso de brocas acopladas a furadeiras, devem ser evitados, pois, embora aparentemente sejam mais práticos, promovem orifícios irregulares que dificultam a entrada do inseto na armadilha e reduzem as capturas.
O volume de atrativo a ser empregado no interior de cada armadilha deverá ser de 300ml, sem diluição. Sua reposição é recomendada durante o ciclo da cultura conforme a evaporação do produto, buscando-se manter o volume inicial.
Experimentos realizados em parreirais de uvas finas de mesa da cultivar Itália sob cultivo protegido na região da Serra gaúcha demonstraram que o volume médio evaporado por armadilha nos meses mais quentes do ano (dezembro e janeiro) situa-se ao redor de 7,5ml por dia. Dependendo da cultivar, o período de ataque da mosca (grão ervilha à colheita) é de aproximadamente 3 a 3,5 meses (90 a 105 dias), sendo que o total evaporado por garrafa pode chegar a 900ml. É importante salientar que este volume de atrativo por armadilha deverá ser considerado no planejamento da quantidade a ser adquirida por safra.
Embora a densidade de armadilhas (número de armadilhas por hectare) possa ser ajustada de acordo com características peculiares de cada parreiral (histórico de infestação, localização da área e presença de hospedeiros nativos da mosca-das-frutas próximo ao cultivo), sugere-se uma densidade de 100 armadilhas/ha.
A localização das armadilhas no parreiral é outro ponto de fundamental importância na correta utilização da técnica. Em função de características diferenciadas de ambiente promovidas pelo cultivo protegido, em especial da barreira física da cobertura plástica posicionada sobre a copa das plantas, recomenda-se a colocação das armadilhas nas bordas do parreiral, penduradas na primeira planta imediatamente abaixo da cobertura plástica. Desta forma, estabelece-se uma “barreira” que reduz de forma significativa a entrada da mosca-das-frutas no parreiral. A altura de colocação das armadilhas é de 1,5m a 1,7m, de modo a facilitar os procedimentos de troca e reposição do atrativo. Para facilitar a colocação das armadilhas no parreiral, pode-se amarrar um fio de cobre esmaltado de 0,5mm e 30cm de comprimento no gargalo da garrafa (Figura 8E).
É fundamental que os produtores acompanhem a infestação ao longo da safra observando os insetos capturados nas armadilhas. Realizando este procedimento, é possível identificar os focos de infestação e, consequentemente, reposicionar as armadilhas aumentando a densidade nestes locais.
Recomenda-se a manutenção das armadilhas até o término da colheita. No entanto, em locais onde existe uma grande diversidade de hospedeiros da mosca-das-frutas e que apresentam frutificação escalonada ao longo do ano, a manutenção das armadilhas durante todo o ano auxilia na redução da infestação.
Após a utilização, as garrafas deverão ser limpas e armazenadas em local apropriado para serem reutilizadas na safra seguinte, ou, ainda, poderão ser instaladas em outros cultivos, especialmente aqueles próximos a bordas de mata ou de hospedeiros alternativos da mosca-das-frutas. Devido à composição pastosa adquirida pelo atrativo com o passar do tempo, existe a necessidade de adicionar algumas gotas de detergente neutro à água utilizada na limpeza das armadilhas ao final da safra.
Nos experimentos conduzidos em parreirais de uva fina de mesa da cultivar Itália cultivada sob cobertura plástica nas safras 2011/12 e 2012/13 na região da serra gaúcha foi registrada uma redução significativa de danos causados pela mosca-das-frutas em comparação ao manejo convencional que tem como base a aplicação de inseticidas em cobertura (fentiona), demonstrando a viabilidade de uso desta tecnologia na cultura da videira
Porcentagem (%) de cachos de videira da cultivar Itália com presença de galerias causadas por larvas de Anastrepha fraterculus no período de colheita.
A proteína hidrolisada CeraTrap é uma alternativa para o monitoramento e o controle da mosca-das-frutas sul-americana no cultivo protegido de videira através do emprego da técnica da captura massal.
A grande atratividade apresentada pela proteína hidrolisada CeraTrap torna possível a redução da população de moscas-das-frutas no interior dos parreirais conduzidos no sistema de cultivo protegido. Esta redução da população resulta em menores danos às bagas e, indiretamente, na diminuição da mão de obra destinada ao raleio de bagas em uvas finas de mesa.

Como fazer uma armadilha

1º passo
Usando a caneta para retroprojetor, desenhe sobre o rótulo da garrafa três quadrados com dois centímetros de lado cada um. Faça-os a uma distância de oito centímetros um do outro, aproximadamente, e todos na mesma linha. A presença do rótulo não é obrigatória, mas facilita o desenho dos quadrados.

2º passo
Aqueça a ponta do canivete ou do estilete e corte os quadrados, seguindo as linhas marcadas pela caneta. Depois, retire o rótulo. Caso o molde seja feito diretamente sobre o plástico, recomenda-se retirar os excessos de tinta da caneta com um pano embebido em álcool para manter a garrafa totalmente transparente e evitar que a armadilha se torne menos atrativa para o inseto.

3º passo
Pegue o arame e prenda uma das extremidades no gargalo da garrafa. A outra ponta será pendurada na copa da fruteira, a uma altura de 3/4 do tamanho da árvore, a partir do solo. Instale a armadilha em um galho mais periférico e menos exposto ao sol. Em pomares com uma única espécie frutífera, coloque os recipientes nas plantas mais afastadas, a uma distância de 50 a 200 metros uns dos outros para impedir que as moscas infestem as plantas que estão no interior da lavoura. Dependendo do tamanho do talhão, coloque de duas a quatro armadilhas por hectare.
Os buracos vazados na garrafa servirão de “porta” de entrada para o inseto. Faça no máximo quatro furos para evitar que a mosca fuja da armadilha.

Fotos: Divulgação

Caixa libera R$ 6 bilhões para custeio antecipado da safra 2017/18

Linha será direcionada a soja, milho, trigo, feijão e sorgo entre principais culturas

A Caixa Econômica Federal disponibilizou R$ 6 bilhões para custeio antecipado da safra 2017/2018. Em nota, o banco diz que a linha está disponível para soja, milho, arroz, trigo, feijão e sorgo, entre as principais culturas, e conta com análise técnica automática para propostas de até R$ 500 mil. A antecipação dos recursos permite ao produtor negociar ainda no primeiro semestre de 2017 a aquisição de insumos para o plantio na temporada que começa em 1º de julho.

A Caixa também conta com a linha de crédito Custeio Pronamp, destinada a médios produtores que tenham renda bruta anual de até R$ 1,76 milhão. Com taxas de juros de 8,5% ao ano, o limite desta linha é de até R$ 1,5 milhão. Segundo a Caixa, a carteira de crédito rural ultrapassou R$ 7 bilhões de saldo em operações ativas.

Fotos: Divulgação

Proprietários rurais podem emitir Certificado de Cadastro de Imóvel Rural 2015-2016 sem multa até 14 de janeiro

O Certificado de Cadastrode Imóvel Rural (CCIR) dosexercícios de 2015 e 2016 já está disponível para emissão. O CCIR pode ser pagoaté 14 de janeiro sem cobrança de juros sobre o valor da taxa de serviçocadastral.

O alerta é feito pelaCoordenação Geral de Cadastro Rural – vinculada ao InstitutoNacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) – como orientação aos detentores de mais de 5,7milhões de imóveis rurais privados para regularização do cadastro dessas áreas.

Até o momento, cercade 450 mil emissões do CCIR 2015-2016 foram feitas em todo o territórionacional. São Paulo é o estado com maior número de certificados expedidos: 70mil, seguido por Rio Grande do Sul e Minas Gerais (50 mil), Paraná (27 mil) eMato Grosso (19 mil).

Emissão

A emissão do CCIR 2015-2016, que pode ser expedido pelosproprietários e possuidores a qualquer título de imóvel rural em todo oterritório nacional, está aberta desde o dia 19 de dezembro.

Para que o CCIR seja validado, o titular daárea deve efetuar o pagamento da taxa de serviço cadastral na rede deatendimento do Banco do Brasil. O valor da taxa varia conforme o tamanho e acobrança mínima por exercício é de R$ 3,60 para áreas com até 20 hectares.

Se a quitação da taxa não ocorrer até 14 dejaneiro, o titular do imóvel deve emitir segunda via do CCIR, que conterá osvalores de multa calculados pelo sistema, com alerta para nova data devencimento.

CCIR

O CCIR é indispensável para legalizar emcartório alterações no registro da área ou para solicitar financiamentobancário. O novo certificado substitui o documento relativo aos exercícios de2010 a 2014.

O certificado é emitido via internet e podeser acessado pelo portal Cadastro Rural, no menu “Serviços”. Noportal do Incra, o usuário deve clicar no banner “CCIR 2015-2016”. Ointeressado deve informar os dados de identificação para expedir o CCIR. Juntoao documento será emitida Guia de Recolhimento da União (GRU) para pagamento dataxa de serviços cadastrais.

Fotos: Marlove Perin

Safra 2017 deve atingir 600 milhões de quilos de uva

Depois da quebra de 57% da última colheita, representantes do setor acreditam em uma produção com quantidade normal e de muita qualidade

As previsões são boas e tudo indica que as condições climáticas e o manejo realizado pelos produtores ao longo dos meses ajudarão para que safra de uva se normalize esse ano. Depois de uma perda de 57% em 2016 – considerada a maior quebra desde 1969 –, a expectativa é que a produção no Rio Grande do Sul atinja 600 milhões de quilos de uva em 2017, cerca de 100% a mais se comparado ao ano anterior, quando foram colhidos pouco mais de 300 milhões de quilos.

De acordo com o vice-presidente do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) e presidente da Federação das Cooperativas Vinícolas do Rio Grande do Sul (Fecovinho/RS), Oscar Ló, as primeiras uvas começaram a ser colhidas no início de janeiro, com maior incremento de volume a partir da segunda quinzena do mês. “Estamos muito contentes com a qualidade, os vinhedos estão com uma boa produção. As condições climáticas estão muito favoráveis neste ano. Tudo indica que teremos uma safra normal e, com isso, os estoques também deverão voltar aos patamares dos anos anteriores, alcançando o armazenamento de cerca de 150 milhões de litros. A quebra do último ano não impactará negativamente na qualidade e nem no volume da produção desta safra”, avalia Ló.
O coordenador e o vice-coordenador da Comissão Interestadual da Uva, Denis Debiasi e Olir Schiavenin, respectivamente, tiveram as mesmas percepções do dirigente e acreditam em resultados positivos para essasafra. “Não houve registros significativos desfavoráveis em relação ao clima. Por enquanto, está tudo tranquilo. A sanidade da uva está boa, os produtores fizeram manejos adequados, incluindo uma boa adubação. Tudo se encaminha para bons resultados”, pontua Schiavenin.

Em relação à qualidade, as vinícolas do estado do Rio Grande do Sul comemoram a sanidade observada nas variedades até o momento. Tudo indica também que as uvas atingirão uma boa graduação de açúcar. “Esta safra está com uma produção excelente. Noventa e nove por cento das regiões não apresentaram doenças fúngicas”, constata o ex-presidente do Ibravin e atual integrante do Conselho Deliberativo da entidade pela Comissão Interestadual da Uva, Moacir Mazzarollo.

Ainda segundo Mazzarollo, as próximas semanas serão decisivas para obtenção desses resultados. “A qualidade final se dá no momento da colheita. Mas as previsões climáticas indicam que os próximos meses estarão dentro da média ou ainda menor em volume de chuva”, explica.

O chefe-geral da Embrapa Uva e Vinho, Mauro Zanus, acredita que os efeitos do fenômeno La Niña ajudarão para que se colham as uvas com a maturação adequada. “Os prognósticos meteorológicos apontam para uma influência moderada do La Niña, em que ocorreria uma incidência de chuvas menor que o normal, mas este efeito ainda não se confirmou. Tudo indica que essas massas com menor umidade venham até fevereiro”, observa. “Estamos acompanhando e conversando com técnicos e os dados apontam para um prognóstico bastante positivo. As chuvas de setembro e outubro não impactaram negativamente”, avalia Zanus.

Os números das últimas safras*

Ano Volume (milhões de quilos)
2011 709,6
2012 696,9
2013 611,3
2014 606,1
2015 702,9
2016 300,3

*Uvas para processamento de vinhos, espumantes e derivados. Dados referentes ao estado do Rio Grande do Sul, provenientes do Cadastro Vitícola, mantido por meio de parceria entre Ibravin e Embrapa Uva e Vinho, com recurso do Fundovitis.

Fotos: Marlove Perin

Preço mínimo da uva é R$ 0,92/kg

O preço mínimo básico da uva industrial da safra 2016/17 foi reajustado em 17,95% para os estados das regiões Sul, Sudeste e Nordeste. O novo valor é R$ 0,92/kg e tem vigência de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2017. De acordo com a Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o reajuste de 2% acima do custo de produção foi acordado como forma de compensar o produtor, que teve sua renda comprometida com a queda de safra do ano anterior.

O valor a ser pago a partir de janeiro representa um aumento de 18% em relação à safra 2015/2016, quando o preço mínimo praticado foi de R$ 0,78. O valor a ser pago pela uva Isabel a 15 graus (variedade de referência) foi definido após reuniões de dirigentes das entidades que representam produtores de uva, cooperativas e indústria vinícola. A proposta de consenso foi apresentada no dia 25 de outubro com a Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Fotos: Marlove Perin

Clima bom ajuda produtores de pêssego e ameixa a recuperar safra de 2015

No ano passado, fruticultores tiveram quebra na safra. Este ano, eles estão otimistas com bom clima e pomares carregados

Os produtores de pêssego e ameixa estão otimistas este ano. Com o bom clima, os pomares ficaram carregados. Ao contrário do ano passado, em 12 municípios da região, a previsão é colher 50 mil toneladas de pêssegos e 12 mil toneladas de ameixas. A área plantada chega a 3,4 mil hectares de pêssego e 1 mil de ameixas – crescimento de 20% nos últimos cinco anos. Eles esperam recuperar os prejuízos que tiveram com a safra de 2015, ano em que os produtores tiveram uma queda bem considerável na produção em decorrência das oscilações climáticas.

A colheita de pêssego já começou e, este ano, terá um aumento de 733%, enquanto a de ameixa será de 60%, comparando com os números de 2015. No ano passado, os pomares foram atingidos pela geada fora de época e pela chuva de granizo. A colheita não passou de 6 mil toneladas de pêssegos e 7,5 mil toneladas de ameixas.

Segundo dados da Emater, a área de produção de pêssego em Pinto Bandeira fica em torno de 1000 hectares. A produtividade normal dos pomares tem oscilado entre 18 a 26 toneladas por hectar.

Esta época é o auge da colheita de pêssego e ameixa na região de Pinto Bandeira. O produtor Elias Berton, 67 anos, está satisfeito com a sua produção de ameixas. Em uma área de dois hectares, localizada na Linha Silva Pinto, interior do município, deve colher 60 mil quilos da fruta neste ano, com a variedade fortune. No ano passado, o pomar do produtor foi atingido pela geada e a colheita ficou em 40% a menos. No total o produtor possui 12 hectares entre pêssegos e ameixas e, os pés estão carregados. A expectativa este ano é colher em média 20 toneladas por hectare de pêssegos e 35 toneladas de ameixas. “A nossa safra está 100% este ano. Está boa demais. Não tivemos nenhum problema, nem geada e nem granizo”, festeja Elias.

Com uma fruta de excelente qualidadeo produtor tem boas expectativas de vendas e preços. O preço (do quilo) varia de acordo com o período das vendas. Agora é o início da comercialização.

O valor pago ao produtor deve variar de R$ 2,50 a R$ 3 o quilo da ameixa. Segundo Berton, o valor do quilo do pêssego deve variar de R$ 1,20 a R$ 2,50, dependendo do tamanho. “O pêssego é mais barato que a ameixa, mas temos a expectativa de um bom valor. Temos uma ótima safra. O valor negociado com o produtor é diferente do valor negociado com as câmaras frias e consumidor final” diz.

Segundo o administrador da propriedade, Alexandre Berton, filho de Elias, haverá mais investimentos nas áreas não produtivas. “Vamos renovando os pomares ano a ano e, assim, buscar o aumento na produtividade das frutas sem perder produtividade”, diz.

Bom clima

O inverno frio e prolongado favoreceu a floração e o desenvolvimento inicial dos frutos. O sol garantiu a cor avermelhada e também pêssegos bem mais doces. “ Nós estamos aqui com uma expectativa de produção normal em torno de 200 mil quilos” disse o filho Adelar Berton.

Preço variado

Produtores de pêssego da região devem colher mais este ano, no entanto o preço da fruta caiu em relação a 2015. A caixa de 6 kg de pêssego graúdo que era vendida em torno de R$ 2,20 a R$ 2,40 o quilo no ano passado, hoje é repassada por 0,70 a 0,80 na Câmara Fria de Adair Rizzardo. “Juntamos um super safra no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Sul de Minas (Barbacena) e, uma região de Vitória que produzem pêssegos. Com isso o preço despencou. Apesar do preço do pêssego estar em baixa não vai sobrar fruta. Este ano temos uma qualidade melhor e firmeza de polpa que possibilita vendermos para o Norte do país. O preço é definido de acordo com o tamanho do fruto, que pode receber classificação de um a sete” diz Adair Rizzardo comerciante e produtor de Pinto Bandeira.

Fotos: Marlove Perin

Vinícola Aurora recebe as primeiras uvas do ano

Expectativa é de uma safra excelente para todas as variedades, pois o clima foi perfeito em todas as fases do cultivo e efeito La Niña deverá garantir um verão seco

Desde o dia 3 de janeiro, a Vinícola Aurora está recebendo as uvas da safra 2017. As primeiras precoces (incluindo a Chardonnay, a rainha das uvas dos espumantes) chegaram à vinícola com excelente qualidade. Até meados de março, quando está previsto o fim da colheita, a maior vinícola do Brasil espera ter recebido 60 milhões de quilos de uvas, entre viníferas e de mesa.

A alta qualidade deverá alcançar também as variedades médias e tardias. Em função do efeito La Niña, a previsão é de um verão mais seco na Serra Gaúcha, o que será muito positivo para as variedades médias (colhidas no meio do período da safra, como Cabernet Franc e Malvasia) e as tardias, colhidas no final no verão (como Cabernet Sauvignon, Tannat e as variedades Moscato).

“Durante todo o ciclo das vinhas, tivemos excelente comportamento climático”, explica Flávio Zílio, enólogo-chefe da Vinícola Aurora. “Desde a floração, brotação a formação do cacho, tivemos amplitude térmica e precipitação adequadas, o que proporcionou frutos de excelente sanidade e qualidade”, explica o enólogo, comemorando a expectativa de uma safra excelente.

Fotos: Marlove Perin

Evento apresenta a uva ‘Moscato Branco’

Cultivar vem sendo estudada com possibilidade de ser tipicamente brasileira

Na tarde da próxima terça-feira, dia 10 de janeiro, a Embrapa Uva e Vinho e a Associação Farroupilhense de Produtores de Vinhos, Espumantes, Sucos e Derivados (Afavin) promovem Seminário Técnico sobre a Cultivar ‘Moscato Branco’, na sede da empresa de pesquisa, em Bento Gonçalves (RS).

Resultados preliminares de pesquisas, indicam fortes evidências de que a cultivar de uva ‘Moscato Branco’, presente na Serra Gaúcha desde os anos 1930, somente é cultivada no Brasil, principalmente na região de Farroupilha (RS). Apesar de ser também conhecida como ‘Moscato Italiano’, a cultivar não apresenta identidade com nenhuma das centenas de cultivares de uvas aromáticas descritas na viticultura italiana. A ‘Moscato Branco’ responde por cerca de 50% do volume de produção das uvas moscato do País, e é a uva carro-chefe da Indicação Geográfica de Farroupilha, utilizada para elaborar os emblemáticos vinhos finos moscatéis – frisantes, tranquilos ou espumantes.

O seminário, com inscrições gratuitas, contará com apresentações de produtores da uva em Farroupilha e pesquisadores e técnicos da Embrapa. Os temas a serem abordados são os avanços nas pesquisas sobre a ‘Moscato Branco’ na região, sua produção e importância econômica para o Rio Grande do Sul, originalidade dos vinhos elaborados e suas aplicações para o setor vitivinícola e padrões de mudas de qualidade superior. Os participantes também irão conhecer a cultivar no campo e degustar seus vinhos.

As inscrições podem ser realizadas pelos telefones (54) 3455-8088 e 3455-8071, com vagas limitadas.

Fotos: Divulgação