Enoturismo da Serra Gaúcha deve atrair número ainda maior de visitantes pós-pandemia

Segurança sanitária, procura pelo turismo interno e confirmação de importantes eventos tendem ao crescimento do setor nos próximos meses, afirma turismóloga

O desejo de conhecer novos lugares e socializar une-se à crescente segurança sanitária, consequência do andamento da vacinação contra a covid-19, para fazer com que um dos segmentos mais atingidos durante a pandemia recupere as perspectivas otimistas para os próximos meses. O turismo aposta na flexibilização dos protocolos e na necessidade que grande parte da população tem de, literalmente, sair de casa. Na Serra Gaúcha, o potencial gastronômico e vitivinícola ganha enfoque especial a partir do crescimento do enoturismo, alicerçado em experiências personalizadas e na confirmação de importantes eventos no calendário que se desenha para 2022.
Quem conhece o setor é categórico em afirmar que as ofertas enoturísticas da região vão ao encontro do que buscam os visitantes pós-pandemia. “O enoturismo se apresenta como um dos segmentos mais procurados pelo turista, já que alia experiências de cultura autêntica, muitas vezes em contato com a natureza e com um dos produtos que cresceu muito na apreciação dos brasileiros durante a pandemia: o vinho”, considera a turismóloga Ivane Maria Remus Fávero.
Mestre em turismo e com décadas de experiência nos setores público e privado do segmento (tanto nacional como internacionalmente), Ivane projeta uma retomada, que já está acontecendo, na medida em que avança o número de pessoas vacinadas e se reduzem os contágios. “Se tudo andar conforme o anunciado pelos governos, teremos um ‘boom’ do turismo no final do ano e no próximo verão”, adianta.
Esse otimismo está baseado, de forma especial, no crescente interesse pelos destinos interioranos, como é o caso de Bento Gonçalves. “As pessoas perceberam, mais fortemente durante a pandemia, os reais valores da vida, o que realmente nos transmite bem-estar e gera felicidade. Assim, os lugares de hospitalidade verdadeira, onde se pratica o ‘slow tourism’, se valoriza o ambiente natural e se apresenta a cultura, são e seguirão sendo muito procurados”, explica.
Um ponto extra que pode ser conferido ao enoturismo gaúcho é a capacidade de reinvenção do setor. “Alguns empreendedores se reinventaram e entenderam que a experiência turística começa no digital. Trabalharam bem seu posicionamento na internet e, ainda, inovaram nas experiências oferecidas. Alguns municípios também trabalharam bem os protocolos, reforçando a confiança do turista. Estes serão lembrados no momento da retomada das viagens”, sentencia.

Possibilidade de criação da Zona Franca da Uva e do Vinho deve ajudar
Um dos tópicos que pode ter efeito real e direto no enoturismo é a criação da Zona Franca da Uva e do Vinho – que deve reduzir, em um primeiro momento, 30% o preço dos produtos do setor, segundo estimativa da Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos (Aprovale). “Se houver a devida baixa no valor final do vinho para o turista que visita a região e isso for trabalhado com seriedade por empreendedores e poder público, certamente aumentará o fluxo de visitantes. É preciso planejar este crescimento, redistribuindo o fluxo, garantindo o desenvolvimento sustentável (ambiental, cultural, econômico e social) do turismo na região, no RS”, aponta a turismóloga.
A expectativa é de que o projeto de lei, em tramitação hoje na Câmara, possa ser aprovado até o final do ano no Congresso Nacional e, depois, passe pela sanção presidencial. A proposta é que o regime de redução tributária adotado seja aplicado às etapas do plantio e colheita das uvas e à produção, engarrafamento e venda dos vinhos.

Confirmação de importantes eventos também fortalece a região
Uma verdadeira ode à celebração comunitária em torno do vinho é vista em eventos que simbolizam a vocação enoturística da Serra. Entre as mais evidentes do país está a Festa Nacional do Vinho, que em 2022 chegará à 17ª edição. A Fenavinho projetou o enoturismo de Bento Gonçalves e região para o Brasil e, por isso, sua confirmação representa a concretização de uma retomada sólida para o setor a partir do próximo ano. “A festa ajudou a entender que o enoturismo é muito mais do que está ‘dentro da garrafa’, são as vivências que o turista terá em um território vitivinícola. A retomada deste evento contribuirá para o fortalecimento da identidade enoturística da região”, aposta Ivane.
Antes da festa, porém, prevista para ocorrer de 09 a 19 de junho, no Parque de Eventos de Bento Gonçalves, a Fenavinho reserva um momento icônico para os visitantes: o Vinho Encanado. Artífice da fama nacional do evento, o atrativo reúne uma programação cultural na Via del Vino ao mesmo tempo que comercializa vinho a preços módicos diretamente de torneiras instaladas na Casa del Vino, no centro do município. O encontro ocorrerá no último trimestre do ano, adaptado ao novo momento e respeitando os protocolos sanitários.
A 17ª Fenavinho será realizada de forma concomitante à 30ª ExpoBento, dentro da Vila Típica do Parque do Eventos – um cenário que emula o casario típico do início do século 20 da região, bem como os espaços de convivência comunitária que reuniam os imigrantes em torno de cantorias e filós. O espaço reúne as mais famosas vinícolas brasileiras, onde é possível degustar alguns dos mais premiados vinhos nacionais – acompanhados de iguarias típicas da região, responsáveis por sua fama gastronômica. Shows temáticos também farão parte da programação.

Venda de vinhos finos já supera todo 2019

Nos sete primeiros meses de 2021, vinícolas brasileiras venderam quase 18 milhões de litros, o equivalente a mais de 15% do registrado de janeiro a dezembro de 2019

Apesar do mês de julho ter registrado uma queda de 33,04% nas vendas em relação ao mesmo mês do ano passado, a comercialização de vinhos finos brasileiros de janeiro a julho de 2021 já supera o volume comercializado nos 12 meses de 2019. De 15,4 mi de litros em todo ano retrasado, o setor comemora um salto para 17,8 mi de litros nos sete primeiros meses deste ano. Já o acumulado nos sete meses de 2020, de 14,6 mi de litros, passou para 17,8 mi de litros este ano, um aumento de 21,76%. A expectativa do setor é que a velocidade das vendas no mercado interno seja retomada, mantendo o bom momento vivido pelo vinho brasileiro até junho.
Para o presidente da União Brasileira de Vitivinicultura (Uvibra), Deunir Argenta, os dados mostram um avanço histórico, porém não determinante. “O brasileiro está degustando mais vinho e isso é muito bom. O mercado é plural, está abastecido por múltiplas marcas e estilos e as experiências são ilimitadas. Essa evolução é muito positiva, mas não conseguimos acompanhar o desempenho do ano passado”, destaca. Os 3,8 mi de litros de vinhos finos distribuídos no mercado interno em julho de 2020 caíram para 2,5 mi de litros no mesmo mês deste ano.

JA

Julho foi o mês do espumante brut
Produto avança 37% em comparação ao mesmo período de 2020
O mês de julho, historicamente um dos tradicionais na venda de vinhos finos, registrou melhor desempenho percentual de vendas para os espumantes brasileiros do tipo brut com um incremento de 37,09% em relação ao mesmo mês de 2020, o que significa que a indústria está abastecendo o varejo com produtos para o verão.

Suco de uva lidera crescimento nas exportações
Incremento foi de 240% nos sete primeiros meses do ano, seguido pelos vinhos finos com 119%
O bom momento vivido pelo vinho brasileiro vai além fronteiras. Mas os holofotes estão voltados para o suco que de janeiro a julho alcançou um aumento de 239,70% de aumento no volume que saiu do Brasil, passando de 435.102 litros para 1,47 mi de litros. O quadro também é positivo em relação aos vinhos finos que dobraram as exportações passando de 2,1 mi de litros para 4,7 mi de litros no mesmo período, um incremento de 119,34%.
Mesmo com um desempenho menor, todavia positivo, estão os espumantes com 53,33% de acréscimo na presença no exterior, passando de 322.458 litros para 494.411 litros de 2020 para 2021.

COMERCIALIZAÇÃO DE VINHOS FINOS, ESPUMANTES E SUCO DE UVA ELABORADOS NO RIO GRANDE DO SUL – MERCADO INTERNO (litros)

* Suco de Uva (Natural/Integral, Reprocessado/Reconstituído, Adoçado e Concentrado) Fonte: SISDEVIN/SEAPDR | Elaboração: Uvibra – Dados coletados em 25 de agosto de 2021. Fotos: Divulgação

 

Almadén ainda mais brasileira

Vinícola da Miolo Wine Group instalada em Santana do Livramento (RS) completa 48 anos, preservando os vinhedos de uvas viníferas mais antigos do Brasil

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A Vinícola Almadén nasceu na Califórnia, nos Estados Unidos, em 1852, mas suas raízes no Brasil estão cada vez mais profundas. São 48 anos em solo brasileiro, desde sua fundação em 1973, sendo 12 deles como uma das unidades da Miolo Wine Group, que aposta no terroir da Campanha Central. Nessa última década, a marca passou por uma grande transformação, reformulando produtos e modernizando embalagens. Dos 1.200 hectares da propriedade, 450 têm vinhedos próprios em espaldeira. São 25 castas, de onde surgem 13 vinhos (sete tintos, cinco brancos e um rosé) Também é de lá o recém lançado Single Vineyard Cabernet Franc com IP Campanha Gaúcha e o Miolo Vinhas Velhas Tannat, ícone da unidade.
Pioneira na tecnologia de aço inox e controle de temperatura na fermentação, com uma capacidade total de estocagem de 8,5 milhões de litros, a Almadén tem mapeado todos os seus vinhedos. São 138 parcelas, das quais 111 estão em produção. Destas, a empresa preserva a história de 150 hectares com vinhas de quase 45 anos. A vinícola foi a primeira da América Latina a introduzir a prensagem pneumática contínua. Este pioneirismo foi seguido pela Miolo Wine Group ao implantar a primeira colheita mecânica no Brasil em 2011.
Com 100 dias de sol no Verão, a região já era considerada uma das melhores do mundo para a vitivinicultura ainda em 1973, quando a Almadén investiu no local, sendo a primeira vinícola a se instalar em Santana do Livramento. Com o mesmo entendimento e apostando no potencial do terroir, a Miolo não apenas deu continuidade como também apostou no projeto que veio completar o grupo, unindo-se às unidades do Vale dos Vinhedos (Miolo), de Candiota (Seival) e do Vale do São Francisco (Terranova).
De 2009 para cá, grandes investimentos foram feitos na renovação e manejo dos vinhedos. Anualmente, durante a safra de pouco mais de dois meses, são produzidos aproximadamente 4,3 milhões de quilos de uvas, uma operação que envolve mais de 400 pessoas. Além de variedades mais conhecidas como as tintas Cabernet Sauvignon e Merlot e as brancas Chardonnay e Sauvignon Blanc, a Almadén mantém um amplo trabalho de pesquisa com o terroir que tem permitido cultivar 25 diferentes castas, apostando em uvas menos conhecidas como as tintas Alicante Bouschet, Arinarnoa, Marselan, Petit Verdot e Tempranillo e a branca Sémillon, por exemplo.
As práticas vitivinícolas inovadoras da Almadén no Brasil marcaram época, muito influenciadas pelos ensinamentos do agrônomo, enólogo, professor, político, escritor e cientista ítalo-brasileiro, Celeste Gobbato. O autor do Manual do Vitivinicultor Brasileiro, considerado a ‘Bíblia’ do vinho na década de 1970, fincou raízes no Brasil, considerado o grande pioneiro da vitivinicultura moderna no país. O ponto alto do seu estudo foi o mapeamento da Campanha Gaúcha como região vitivinícola do Novo Mundo, indo ao encontro das pesquisas desenvolvidas pela Universidade de Davis e da própria Almadén Califórnia, que delimitaram o local para a implantação da vinícola no Brasil. O que Gobatto já sabia e pregava naquela época ganhou ainda mais ênfase com a delimitação da Indicação de Procedência (IP) Campanha Gaúcha.

LINHA DO TEMPO ALMADÉN NO BRASIL
Década de 1970 – Início dos trabalhos na região de Santana do Livramento, quando se apostou no grandioso projeto de produção de vinhos finos no Brasil.
1973 – Fundação da Vinícola Almadén no Brasil.
1980 – Construção da adega.
1982 – Primeira safra.
1984 – Lançamento da marca.
1986 – Marca assume a liderança no mercado.
1993 – Lançamento no mercado brasileiro dos primeiros varietais finos com a marca Almadén.
2002 – Pernod Ricard adquire marca Almadén.
2005 – Comemoração dos 30 anos da marca.
2009 – Miolo adquire marca Almadén fazendo reformulação de vinhedos e rótulos e apresentação dos produtos
2011 – Introdução da colheita mecânica, pioneira no país
2021 – Conquista da IP Campanha Gaúcha

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O sabor das frutas gaúchas em destaque no Espaço da Emater/RS-Ascar


Quem nunca “lagarteou” sob o sol do inverno saboreando uma bergamota produzida nos pomares do Rio Grande do Sul? O hábito comum entre muitos gaúchos é estimulado pela qualidade das frutas produzidas que tem nas características climáticas do Estado o principal diferencial do seu sabor.
Assim como a citricultura (laranja, bergamota), o maracujá e a banana, a pecanicultura e a olivicultura também encontram em solo gaúcho as condições ideais para o seu cultivo e essas culturas são apresentadas na parcela da horticultura no espaço da Emater/RS-Ascar, vinculada à Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), na Expointer 2021.
O extensionista rural da Emater/RS-Ascar, Luís Bohn, explica que o sabor das frutas gaúchas se diferencia das produzidas em outros estados brasileiros devido às condições climáticas características do Rio Grande do Sul, principalmente a amplitude térmica, e também ao manejo aprimorado realizado pelos agricultores. “Nós temos diversidade de clima e esses fatores melhoram algumas situações de sabor diferenciado típico dos citros. Esse fator também ajuda na produção de nozes, estamos conseguindo produzir azeite de oliva, oliveiras, devido a esse clima diferenciado. A banana também tem um sabor diferenciado, pois o metabolismo não é acelerado pela questão térmica”, frisa.
Produtores e consumidores que prestigiarem o espaço institucional da Emater/RS-Ascar na 44ª Expointer, feira que ocorre de 04 a 12 de setembro no Parque Assis Brasil, em Esteio, podem buscar informações dessas variedades, bem como sobre verduras e olerícolas de modo geral, flores e plantas medicinais e condimentares e silvicultura com os extensionistas rurais presentes no espaço temático da horticultura.
Para além da Feira
A Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), juntamente com a Câmara setorial da Noz Pecã e a Câmara Setorial das Oliveiras, incentiva a produção de olivas e de noz pecã por meio dos programas estaduais de Desenvolvimento da Olivicultura (Pró-Oliva) e o de Desenvolvimento da Pecanicultura (Pró-Pecã).
Lançado em julho de 2015, o Pró-Oliva visa fomentar e apoiar os produtores e consolidar a olivicultura. Entre as ações do programa constam a defesa sanitária e a produção de mudas de qualidade, o aumento da produção e produtividade dos olivais por meio da assistência técnica da Emater/RS-Ascar, prefeituras ou iniciativas privadas e também por meio da pesquisa, industrialização de azeites e conservas e linhas de financiamento para estimular a produção.
O Pró-Pecã, lançado em 2017, tem como principal objetivo promover o desenvolvimento de uma pecanicultura moderna, competitiva e sustentável, gerando emprego e renda no meio rural e incentivando as agroindústrias de beneficiamento e fornecedores de equipamentos dessa cadeia produtiva. O Programa também visa integrar a pesquisa e a assistência técnica da Emater/RS-Ascar, prefeituras ou iniciativas privadas com produtores e apoiar e divulgar a produção de mudas de boa qualidade (sanidade e genética).
Interessados nessas culturas podem procurar outras informações nos escritórios da Emater/RS-Ascar presentes em todos os municípios gaúchos.

Alimentos de qualidade em pequenos espaços

Para quem acredita que a produção de hortaliças e plantas medicinais e condimentares precisa de grandes áreas disponíveis para o cultivo precisa visitar a parcela da Horticultura no Espaço Institucional da Emater/RS-Ascar, vinculada à Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), na 44ª Expointer, feira que ocorre de 04 a 12 de setembro no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio.
O espaço tem como objetivo apresentar informações a consumidores e produtores para despertar os hábitos da alimentação saudável e da produção destes alimentos de forma sustentável, tendo como resultado final um alimento seguro e saudável aos que consomem.
No local são apresentadas alternativas de produção para pequenos espaços, por meio de recipientes e de canteiros replicáveis tanto por produtor urbano como aos produtores rurais, visando estimular a produção de olerícolas para o autoconsumo. “Cerca de 90 a 95% do público que procura o espaço da horticultura na Expointer tem interesse pela produção em pequenos espaços. Por isso esse tema tem destaque”, frisa o extensionista rural agropecuário da Emater/RS-Ascar, Luís Bohn.
Quando cultivado em pequenos espaços é importante estar atento a alguns fatores como a qualidade do substrato utilizado. “Utilizar um substrato com boa porosidade para que jamais emplaste e acumule água desnecessária. Outro ponto fundamental é o controle da irrigação com controle frequente e diário. Além disso, ter o cuidado para escolher as plantas adequadas para o ambiente disponível, como, por exemplo, não colocar uma planta que precise de boa luminosidade em um ambiente de sombra e ter uma noção sobre nutrição da planta”, explica Bohn.
Outro destaque no espaço é a produção de hortaliças em sistemas de bancada, mostrando novas tendências em relação a essa tecnologia que tem aperfeiçoado qualidade e quantidade em termos de produtividade aos agricultores gaúchos.
Ainda são apresentados sistemas de produção usando bioinsumos, alternativas de controle biológico, manejo de solo ou por sistemas de produção em sistema protegido ou a céu aberto. “Buscamos sempre apresentar alternativas de controle mais sustentáveis, com controle biológico, além do manejo básico para evitar situações de doença”, explica Bohn.
A utilização de matéria orgânica por meio do uso de compostos processados com maior capacidade de sustentação da biologia e da física do solo também é tema apresentado na parcela da horticultura.

Expointer 2021 – Painal sobre Bioinsumos defende pó de rocha como fertilizante com alto potencial na agricultura

O pó de rocha pode ser considerado um bioinsumo, indicado para ser utilizado na agricultura, em especial na agricultura orgânica, para melhorar a qualidade do solo, tornando-o saudável, assim como o alimento produzido e o consumidor que deste se alimenta. A indicação foi unânime entre os participantes do painel Bioinsumos: perspectivas e potencialidades, realizado na manhã da terça-feira (07/09) na casa da Emater/RS-Ascar na Expointer 2021 e transmitido de forma simultânea nos canais Facebook e Youtube da Instituição, e que pode ser conferido através do link https://www.youtube.com/watch?v=SnbNduObcUc. A Expointer acontece até domingo (12/09), no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, e é realizada de forma híbrida, com limite diário de 15 mil visitantes por dia.
Conduzida pelo extensionista e engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar, Marcelo Biassusi, o painel contou com apresentações de doutorando Adilson Dalmora, sobre o Uso de Remineralizadores na Agricultura – experiências e conclusões, de Aida Matsumura, da ICB-BioAgritec, e de Paulo Lenhardt, da Bio-C Central de Beneficiamento e Compostagem, e teve apresentação da jornalista Carine Massierer, também da Emater/RS-Ascar.
De acordo com Biassusi, o objetivo do painel é estimular a promoção da saúde do solo, das plantas e dos que se alimentam destas, mostrando a importância das interações dos microrganismos com os compostos para a nutrição do solo. Ele lembrou que em maio de 2020 foi instituído o Programa Nacional de Bioinsumos, que envolve os ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e da Ciência e Tecnologia, além da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Ibama, Embrapa e Emater/RS-Ascar, entre as instituições representantes da sociedade civil.

EXPERIÊNCIAS
Há dez anos pesquisando o uso do pó de rocha, o doutorando da Ufrgs e engenheiro ambiental Dalmora falou sobre a pesquisa que desenvolve sobre o Uso de Remineralizadores na Agricultura, a partir da Rochagem, que é a redução da granulometria de rochas de forma a confirmar a presença de macro e micronutrientes necessários para o pleno desenvolvimento das plantas. Ele também avaliou a Legislação dos Remineralizadores, que em 2013 inseriu o pó de rocha na categoria dos fertilizantes, através da Lei 12.890, que regulamentou esse uso, e cuja Instrução Normativa número 5 classifica os pós de rocha e estabelece condições mínimas para o uso de mineralizadores na agricultura.
Dalmora também apresentou Estudos de Casos, como o desenvolvido numa lavoura de soja do Paraná, com biomineralizador extraído de uma pedreira próxima. De acordo com o experimento, foram definidas aplicações, incluindo adubo químico em diferentes proporções. “Na colheita o técnico acompanhou a pesagem de cada parcela. Ele não acreditava no pó de rocha, mas após as confirmações virou um aliado na pesquisa”, disse, ao ressaltar o aumento da produtividade com o uso de pós de rocha, e a constatação de que “conforme aumentava a adubação química, o resultado de produtividade foi diminuindo, ou seja, a adubação química inibe os microrganismos”, mas isso, segundo ele, requer estudos mais aprofundados.
O outro estudo de caso apresentado foi no município gaúcho de Triunfo, num cultivo de eucalipto de meio hectare, com rocha vinda de Estância Velha, atendendo aos parâmetros definidos pelo Mapa. Foram avaliadas medidas de diâmetros e altura dos eucaliptos com três, seis e nove meses e com um ano de cultivo, utilizando em algumas parcelas o fertilizante NPK em diferentes proporções. Esta experiência foi publicada numa revista científica e na colheita no próximo ano será feita nova medição. “A expectativa é que com o pó de rocha, que libera os nutrientes ao longo do tempo, o resultado seja superior”, antecipa o doutorando, que também apresentou o caso estudado no cultivo de tomate, em Santo Antônio da Patrulha, utilizando como rocha o basalto, conhecido comercialmente como saibro. “Todos os tratamentos com pó de rocha comprovam que o uso desse biomineralizador favorece a produção”, avalia, ao destacar que o melhor rendimento do tomate foi com a aplicação de uma tonelada de pó de rocha por hectare, “o que sinaliza que nem sempre a quantidade maior dá melhores resultados”.
“A mensagem que temos que ter em mente é que que um insumo naturalmente saudável gera um solo saudável e produz alimentos saldáveis, gerando um ser humano também saudável”, ressaltou Dalmora.
A professora aposentada em Microbiologia da Ufrgs, Aida Matsumura, que está à frente do ICB BioAgritec, de Porto Alegre, falou sobre a Importância dos microrganismos do solo para a produtividade agrícola, avaliando que a interação de solo, plantas e microrganismos resulta em um solo saudável. “Os microrganismos são muito importantes para a produtividade agrícola, desde a formação do solo, decomposição e transformação da matéria orgânica, ciclagem de nutrientes, fluxo de energia, promoção de crescimento e controle de agentes fitopatogênicos, resultando em um solo benéfico para as plantas”, destacou Aida, que cita o escritor Antoine de Saint-Exupéry, com sua célebre fase “O essencial é invisível aos olhos”, “ou seja, as colônias bacterianas, de diferentes espécies de bacilos, são essenciais à vida do solo”, disse. “A melhor ferramenta para manter uma lavoura sadia e produtiva é preservar o solo”, concluiu Aida.

INFLUÊNCIAS DE MESTRES
Ao falar sobre sua trajetória de vida, desde criança, quando morou com seus avós maternos para estudar numa escola rural, e sobre seus aprendizados na “leitura da vegetação”, como observou no painel, até sua atuação no movimento ambientalista e na defesa da agroecologia, aprendendo com quem chama de “mestres”, Paulo Lenhardt defendeu a inclusão do aspecto social nas relações econômicas e produtivas. “Aprendi desde criança a não desperdiçar e a compartilhar”, afirmou, ao avaliar que “de um período de ‘faltura’, levou à fartura”. Ele defendeu que para a microvida do solo o elemento básico está na matéria orgânica, que forma o húmus e dá estrutura física para o solo, “tornando-o saudável e gerando plantas e alimentos saudáveis”.
“Devo esse legado aos meus antepassados e a mestres, como José Lutzenberger, pois materializou em 1982 um projeto de compostagem de citros em larga escala. Lutz sempre esteve muito à frente do tempo”, reafirmou Lenhardr, ao citar ainda o australiano Bill Mollison, que na década de 70 compilou tecnologias de Permacultura do mundo inteiro; a Ana Maria Primavesi e sua filosofia de solo vivo e saudável com matéria orgânica; a Sebastião Pinheiro, que aborda principalmente os efeitos colaterais dos agrotóxicos e do envenenamento do solo e da água e da Eutrofização, enxergando todos os outros seres que coexistem conosco como parceiros da vida; ao escritor Fritof Capra, que em seu livro A Teia da Vida argumenta que todos os seres que coexistem têm sua função e merecem ser respeitados; ao agricultor e criador da agricultura sintrópica Ernst Götsch, que expressa de maneira simples a arte de cultivar o solo; a Amyr Klink, uma referência em quebrar paradigmas “e que mostra que tudo é possível, basta vontade, planejamento e abnegação”, e que Lenhardt lembra ter ficado impressionado com seu carro movido a óleo de cozinha reciclado, apelidado carinhosamente de Pasteleira; e a Airton Senna, “que nos desafiou a entender as ondas do amor, que derruba barreiras e comprova que tudo pode ser feito”, expressa Lenhardt.
Lenhardt também lembrou a criação da Rede Ecovida de Agroecologia, em 2008, em Passo Fundo, com a proposta de “agricultores organizados gerando credibilidade, um grupo certificando o outro. Na verdade, não criamos, mas sistematizamos o que as comunidades faziam antigamente, comunidades autossuficientes, e que tinham uma capacidade incrível de troca ou partilha”, lembra, citando as visitas diárias dos alemães e os filós italianos. “Nas comunidades as pessoas partilhavam sementes, conhecimentos, afetos, solidariedade e amor. Conseguimos sistematizar e criar esse movimento EcoVida, inclundodo no marco legal a inclusão participativa”, destaca.
O empreendedor da Bio-C, uma central de compostagem especializada na coleta e processamento de resíduos orgânicos, localizada em Montenegro, conta hoje com uma equipe de 18 pessoas e diz colocar em prática o legado desses mestres. Ao resgatar o histórico da usina de compostagem, Lenhardt avalia que “hoje estamos com um substrato muito bom e o resultado é único. É inacreditável a qualidade do alimento a partir do solo saudável, gerando pessoas saudáveis”, disse, ao citar os resultados positivos do uso de pó de rocha com composto orgânico nas culturas de tomate, beterraba, morango, citros, pitaya, além do viveiro de mudas de acácia e lavouras de milho, soja e trigo. “Todos com alta produtividade e gerando alimentos e pessoas saudáveis, o que comprova que o lado social é fundamental dentro do conceito de agroecologia”, finalizou.
Para esta quarta-feira (08/09) a programação virtual e híbrida da Emater/RS-Ascar na Expointer conta com a transmissão que vai tratar sobre Povos Tradicionais e o Pós-Pandemia, a partir das 10h.

Vila Flores inaugura agroindústria de ovos coloniais

Ovos de “galinhas felizes”, ou seja, de galinhas que vivem em condições que respeitam o seu bem-estar, é o produto da nova agroindústria inaugurada em Vila Flores na tarde da segunda-feira (30/08): Do Sítio. O ato contou com a presença do prefeito Evandro Brandalise, do gerente regional adjunto da Emater/RS-Ascar de Caxias do Sul, Gilberto Bonatto, parceiros e familiares.
O empreendimento recebeu o certificado de inclusão no Programa Estadual de Agroindústria Familiar do Governo do Estado (Peaf), que possibilita o acesso a crédito facilitado, a capacitações – como a em Boas Práticas de Fabricação, da qual a família participou recentemente –, participação em feiras e em mercados institucionais, entre outros. Bonatto destacou que na região da Serra são 235 agroindústrias legalizadas, das quais nove em Vila Flores, promovendo a geração de renda e o desenvolvimento dos municípios e mantendo os jovens nas propriedades rurais.
Fernando Zancanaro deixou a estabilidade do serviço público para apostar no empreendimento, que é mais uma fonte de renda para a família que produz hortaliças hidropônicas e cultiva grãos para venda e alimentação dos animais. A esposa, Lucinéia, também já trabalhou em empresa. “A minha alegria é plantar, colher e viver dessa maneira”, afirma. A propriedade tem cerca de 600 galinhas, estando metade em produção, gerando em torno de 200 ovos por dia. O casal está buscando o mercado no município e cidade vizinhas e pensa em desenvolver o turismo rural futuramente.

RS-855 passa por obras de recuperação entre Bento Gonçalves e Pinto Bandeira

Ao todo, serão restaurados 10 quilômetros de rodovia

Obras começaram nesta semana e têm conclusão prevista ainda para agosto Foto: Daer / Divulgação

Foram iniciados os trabalhos de recuperação da VRS 855, que liga Bento Gonçalves a Pinto Bandeira, na Serra. Reivindicadas pela comunidade, as melhorias nos pontos críticos do trecho de 10 quilômetros contam com aporte de, aproximadamente, R$ 2 milhões, oriundos do Tesouro do Estado. “Estamos cumprindo o compromisso firmado com as lideranças da região e entregaremos uma rodovia em condições renovadas de trafegabilidade”, destaca o secretário de Logística e Transportes, Juvir Costella. “Reconhecemos a importância dessa demanda, uma vez que a VRS 855 é muito utilizada para o deslocamento dos moradores e o escoamento da produção agrícola, especialmente de uva, vinho e pêssego.”

De acordo com o diretor-geral do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), Luciano Faustino, o asfalto danificado será substituído por um material novo. “Com isso iremos uniformizar as condições do pavimento, garantindo um trânsito seguro aos usuários”, acrescenta. Após essa etapa, será a vez de revitalizar a sinalização da pista. A expectativa é de que os trabalhos na VRS 855 sejam concluídos ainda este mês.

Exportação: produtos orgânicos da Econatura chegam aos EUA

Foram enviadas cerca de 16 mil unidades de sucos, vinagres e farinhas das marcas Organovita e Uva’Só

Orgânicos de Garibaldi já estão nos Estados Unidos! A Econatura, empresa familiar gaúcha, enviou um contêiner com 16 mil itens, entre sucos, vinagres e farinhas para a Flórida, a maior exportação da empresa até então.
A carga já está em solo norte-americano, onde a Econatura conta com uma distribuidora, a Organovita USA. Para atender ao mercado orgânico norte-americano, os produtos das marcas Organovita e Uva’Só contam com o selo da certificação USDA, que garante o respeito às normas da agricultura orgânica nos Estados Unidos, além de atender aos padrões da certificação brasileira. Os rótulos dos produtos também foram traduzidos para o inglês.
Completando 25 anos em 2021, a Econatura surgiu com o propósito de produzir alimentos de qualidade, respeitando a natureza e utilizando matéria-prima livre de agrotóxicos. A empresa fundada por Luiz Postingher hoje é conduzida pelos filhos, César, Bruna e Fabrício. “Uma das irmãs do meu pai sempre foi uma grande admiradora deste trabalho e me convidou para conhecer o mercado norte-americano. Agora ela cuida da distribuidora lá, então podemos dizer que a empresa é familiar até na exportação”, comenta César.
A meta da empresa é exportar 10% dos cerca de 400 mil litros de sucos e vinagres que produz por ano. “Já fizemos pequenas exportações para Emirados Árabes, Sérvia, Canadá, Hong Kong, e outros países, e queremos ampliar esse segmento. É um grande passo que estamos dando, que mostra a confiança que temos na seriedade e qualidade do nosso trabalho”, conclui César.
As marcas Organovita e Uva’Só já estão presentes em lojas de produtos naturais e redes de supermercados em todo o Brasil. A empresa ainda produz sucos e vinagres para terceiros, e está preparando sua estrutura para recepcionar turistas.

Suco de uva para nutrir e informar

Cooperativa Vinícola Garibaldi participa de projeto educativo que combina arte e saúde

A Cooperativa Vinícola Garibaldi embarca, mais uma vez, numa divertida aventura com o “Teatro Viajante”. O projeto, que de forma lúdica conscientiza crianças sobre a importância da alimentação saudável, retornou aos palcos em agosto, novamente tendo o suco de uva 100% como elemento central da narrativa da peça “Abra a boca e feche os olhos”.
Nessa saborosa jornada, a Cooperativa Vinícola Garibaldi é uma das parceiras para prover a garotada com a deliciosa bebida. Além de assistirem ao teatro, as crianças levam para casa um kit contendo itens alusivos à peça e uma caixinha de suco de uva. Para essa ação, a cooperativa doou 800 unidades de seu suco integral em embalagem cartonada de 200ml. O suco 100% fruta é um ótimo alimento para o organismo. Seus antioxidantes e vitaminas contribuem para prevenir o câncer e doenças neurodegenerativas, além de aumentar o colesterol bom e melhorar a cognição e a memória, entre outros ganhos de saúde.
Com a peça, a proposta é difundir essas qualidades associadas ao sabor delicioso do suco de uva integral e a importância do consumo regular da bebida, especialmente na infância. A mensagem também atinge a meninada para que elas adotem hábitos saudáveis e compreendam as vantagens desse estilo de vida.
Em sua 3ª temporada, o projeto Teatro Viajante rodou por quatro municípios gaúchos em agosto: Tupandi (17), Campo Bom (18), Nova Hart (19) e Arvorezinha (20), ultrapassando os 2 mil espectadores mirins em um circuito de três sessões diárias por cidade. As apresentações tiveram entrada franca e ocorreram em conformidade aos protocolos de segurança e distanciamento.

Para assistir e aprender brincando
De maneira lúdica, a peça “Abra a boca e feche os olhos” aborda a importância de uma alimentação saudável e equilibrada na infância e na adolescência. O espetáculo conta a história de uma família contemporânea, com a personagem Íris e seus dois filhos, um menino e uma menina, que convivem com a avó. Íris é apresentadora de televisão, mantendo um programa sobre a alimentação saudável. Porém, vive um paradoxo: sua atração tem o patrocínio do SR, Risólis Gordon, grande empresário do setor alimentício, cuja atuação vai contra o que Íris apresenta no ar. O dilema da protagonista ajuda as crianças a entenderam a importância de adotar hábitos alimentares saudáveis desde cedo, de forma leve, educativa e lúdica.

A trama valoriza, também, a importância de adotar atitudes responsáveis e comprometidas com o futuro do planeta, mostrando que o exercício da sustentabilidade pode – e deve – começar cedo, independentemente da idade. Ao fim do espetáculo, as crianças ganham um saboroso incentivo para colocar em prática os ensinamentos trazidos pela peça: um kit com suco de uva 100% integral para degustar, uma revistinha de atividades para colorir, uma caneta e, também, uma sacolinha personalizada. Os sucos de uva distribuídos às crianças são fornecidos por quatro fabricantes gaúchas: Nova Aliança, Aurora, Suvalan e Cooperativa Vinícola Garibaldi, todas apoiadoras do projeto.
O projeto Teatro Viajante é promovido pela DWR Som, Luz e Imagem, com patrocínio do Atacadão Rede de Atacados e da Tetra Pak. A realização é da Lei de Incentivo à Cultura, Secretaria Especial Cultura, Ministério do Turismo e Governo Federal, Pátria Amada Brasil.