André de Gasperin é o novo presidente da ABE

De Caxias do Sul, enólogo conduzirá a entidade até o final de 2022

André de Gasperin é o novo presidente da ABE Foto: Tatiana Cavagnoli

A Associação Brasileira de Enologia (ABE) tem nova Diretoria para o biênio 2021/2022. Conduzida pelo jovem enólogo André de Gasperin, da Vinícola Don Affonso, de Caxias do Sul, a diretoria foi eleita por aclamação em Assembleia Geral realizada na sexta-feira, 4 de dezembro. Gasperin assume o posto do enólogo Daniel Salvador, que esteve à frente da entidade em 2019 e 2020. A nova equipe, já empossada, terá sua primeira reunião ainda este ano.
Com a celebração da ‘Safra das Safras’, a ABE viveu um ano histórico, isso sem contar a pandemia do Coronavírus, que levou a entidade a se reinventar, mantendo-se mais ativa do que nunca. “Foi um ano difícil, especialmente em relação a saúde, a economia e as mudanças necessárias em decorrência do vírus. Mas para o vinho, vivemos um momento espetacular. Enfim, o brasileiro descobriu o seu vinho, o vinho brasileiro. E nós, enólogos do Brasil, não apenas brindamos, mas trabalhamos arduamente para cumprir nosso calendário de ações de promoção do vinho, valorização e qualificação do enólogo. Foi trabalhoso, mas surpreendente, porque fomos além. Mesmo sem estar perto, sem a emoção do presencial, conseguimos unir multidões em torno do vinho. Só tenho a agradecer”, celebra Salvador.
O novo presidente assume com o desafio de seguir o trabalho da ABE, superando resultados. “A ABE vem numa ascendente e isso é fruto do trabalho de todas diretorias que empenhadas sempre seguiram a mesma missão. O enólogo é o centro de todo planejamento, a razão da existência da entidade. Vamos dar sequência, intensificando projetos como o Banco de Dados do Espumante, a Avaliação Nacional de Vinhos, além de cursos, palestras e missões técnicas úteis para a qualificação dos associados”, destaca Gasperin.

Quem é André de Gasperin?
Enólogo, Mestre em Biotecnologia pela Universidade de Caxias do Sul e com MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas, André de Gasperin é o Diretor Técnico e Enólogo Chefe da Vinícola Don Affonso e do Grupo DG do Brasil, de Caxias do Sul. É diretor da ABE desde 2015. É diretor de Agronegócios da CIC de Caxias do Sul. Foi professor de Viticultura e Enologia na Fisul, no curso de Tecnologia em Enoturismo. No IFRS – Campus Bento Gonçalves, foi docente de Enologia, Microbiologia e Química Enológica. Atuou como analista em técnicas cromatográficas no Laren – Laboratório de Referência Enológica e no Ibravin. Também estagiou na Embrapa Uva e Vinho.
Gasperin já participou como degustador internacional em concursos realizados no Chile, Hungria, Itália e Espanha, sendo que nestes dois últimos foi presidente de júri. Foi degustador do Corpo Técnico da Avaliação Nacional de Vinhos nas edições de 2005 a 2020, e da Seleção dos Melhores de Caxias do Sul nas edições de 2005 s 2020. Também foi presidente de mesa do Brazil Wine Challenge 2020.

DIRETORIA GESTÃO 2021/2022
Presidente: André Miguel de Gasperin
Vice-Presidente: Ricardo Morari
1° Tesoureiro: Dario Crespi
2° Tesoureiro: Christian Bernardi
1º Secretário: Daniel Salvador
2ª Secretário: André Larentis
Diretor Social: Felipe Bebber
Diretor de Eventos: André Peres Jr.
Diretor de Eventos: Jurandir Nosini
Diretor de Degustação: Michel Zignani
Diretor de Degustação: Mario Lucas Ieggli
Diretora Cultural: Bruna Cristofoli
Diretor Técnico em Viticultura: João Carlos Taffarel
Diretor Técnico em Viticultura: Bruno Motter
Diretor Técnico em Enologia: Leocir Bottega
Diretor Técnico em Enologia: Vagner de Vargas Marchi

Presidente amplia diplomacia para Agricultura

Foto: Divulgação

O presidente Jair Bolsonaro autorizou a expansão da rede diplomática brasileira dedicada ao agronegócio, uma de suas principais bases eleitorais. Por decreto, o presidente ampliou de 25 para 28 o número de adidos agrícolas do País no exterior, uma demanda do setor.
O aumento do número de adidâncias dedicadas ao agronegócio valerá a partir de 2021. Os novos postos não foram informados. Os adidos passarão a ter um prazo de quatro anos contínuos de missão no exterior. Atualmente, eles permanecem por dois anos, renováveis por mais dois.
Os adidos agrícolas são profissionais selecionados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para trabalhar nas embaixadas brasileiras no exterior, com objetivo de abrir mercados aos produtos brasileiros e acompanhar a regulação do setor, como a imposição de barreiras fitossanitárias.
De acordo com a Secretaria-Geral da Presidência, haverá também um aperfeiçoamento nas regras de seleção dos servidores do ministério e entidades vinculadas para a função. O decreto com as mudanças foi publicado na quinta-feira no Diário Oficial da União.
No mês passado, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina promoveu um encontro com 22 adidos agrícolas brasileiros e anunciou a criação de três postos neste ano, em Paris, na França, Berlim, na Alemanha, e Camberra, na Austrália. Segundo o governo, a escolha dos países se deu pela relevância deles no mercado agrícola mundial e por sediarem organismos internacionais como a Organização Mundial da Saúde Animal e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Produtores de vinhos da Campanha estimam em R$ 200 milhões prejuízo por deriva de 2,4-D

Associação que reúne vinícolas da região indica quebra de até 40% na produção de uvas nas propriedades afetadas

A aplicação do herbicida atingiu, entre outros cultivos, os parreiras de uva Foto: Divulgação Associação Vinhos da Campanha / Divulgação

Uma reportagem publicada pela Gaúcha ZH noticia quebra entre 35% e 40% na safra de uva, um milhão de garrafas de vinho que deixarão de ser produzidas e prejuízo de R$ 200 milhões na safra 2020/2021. Esse é o balanço parcial que a Associação Vinhos da Campanha Gaúcha faz sobre os impactos causados pela deriva do herbicida 2,4-D nos parreirais da região.
A conta é baseada em cima dos relatos coletados em 16 propriedades da Campanha, com aproximadamente 350 hectares de vinhedos. O presidente da associação, Valter Pötter, aponta que os produtores têm laudos da Secretaria da Agricultura que confirmam rastros do produto químico nas videiras. Nesta segunda-feira, a entidade deverá concluir a conta dos prejuízos, incluindo as perdas relatadas pelas grandes vinícolas.
O 2,4-D é utilizado por produtores de soja para eliminar o inço antes do plantio. No entanto, a má aplicação do produto e a pulverização em condições climáticas inapropriadas podem fazer com que ele seja carregado pelo vento e atinja outras plantações nas proximidades. Nas videiras, os impactos podem ser notados nas folhas retorcidas, no abortamento de flores e no nascimento desuniforme dos cachos.
Mesmo com a criação de instruções normativas do governo estadual e a realização de treinamentos junto a sojicultores nos últimos anos, o problema persiste pela terceira safra consecutiva.
Tem produtores que estão arrancando os vinhedos e parando com a atividade. É um projeto de gerações, todo um investimento grande na agroindústria e no turismo rural, que se perde – lamenta Pötter
Na terça-feira, a Associação Vinhos da Campanha realizou reunião para decidir como reagirá à situação.

Resíduos Presentes
Na primeira leva de análises para verificação de suspeitas deriva no Estado, metade das 18 amostras tiveram resultado positivo para a presença de herbicidas hormonais. Os dados, divulgados pela Secretaria da Agricultura, são os primeiros da atual safra – no total, foram 64 coletas em 61 propriedades no período de 1º de agosto a 5 de novembro.
É a terceira safra com a confirmação de resíduos. Aplicado em lavouras de soja para o combate da buva, o herbicida 2,4-D tem “viajado” até outras culturas, ocasionando perdas e prejuízos. Nesse primeiro lote, o resíduo foi verificado em uva, ameixa, oliveira e tabaco.
No total, fora 66 denúncias encaminhadas à secretaria no período alta de 83% em relação a igual período de 2019 – se considerado qualquer tipo de agrotóxico. Nos caso específico de herbicidas hormonais, são 39 denúncias, ante 34 no ano passado.

Casos de deriva do agrotóxico 2,4-D dobram em um ano no RS, com 140 laudos comprovados em 2019
Das 170 coletas com suspeita de deriva do herbicida 2,4-D no Rio Grande do Sul em 2019, 140 tiveram resultado positivo para o agrotóxico, o equivalente a 82,3%. O número é o dobro de casos confirmados em 2018, que ficou em 69. No ano passado, outras 15 amostras tiveram laudo negativo e 15 aguardam parecer de laboratório. Em 2020, novas coletas já foram realizadas, segundo a Secretaria da Agricultura.
O químico é utilizado no preparo das lavouras de soja e atingiu culturas de tomate, ameixa, couve, uva, oliveira, noz-pecã, maçã, caqui, pastagens e cinamomo.

Cooperativa Sicredi agência de Pinto Bandeira entrega cartilha “Eu não caio em golpe”

A Cooperativa Sicredi agência de Pinto Bandeira realizou a entrega para a comunidade da cartilha “Eu não caio em golpe”. O objetivo é visar a prevenção da população contra os diversos crimes que estão ocorrendo na região.
“Temos exemplares físicos que serão entregues as famílias locais, e também eletrônico para que possamos atingir rapidamente a população e sermos agentes de prevenção” explica Iliane Ceccon Tondo Gerente da Unidade Sicredi.
A ação é uma parceria do Consepro Pinto Bandeira, Brigada Militar, Prefeitura Municipal de Pinto Bandeira e Sicredi. Estiverem presentes na entrega o Presidente e vice do Consepro, Flávio Dalle e Cláudio Fossa, Comandante da Brigada local – Soldado Quevedo e Soldado Aguirre, Eliberto Da Campo, representando a Prefeitura Municipal.

Festival Digital é realizado em Monte Belo do Sul e divulga próxima edição do Vieni Vivere lá Vita Festival

O terceiro e último dia do Festival Digital foi celebrado no último final de semana em Monte Belo do Sul. O lançamento do fotolivro digital e videoclipes dos grupos de canto e dança expressaram a autenticidade de Monte Belo e a essência do evento.
Também foi anunciada a data da próxima edição do Vieni Vivere la Vita Festival, para os dias 12 a 15 de novembro de 2021, na praça central Padre José Ferlin.

Serra colhe safra de ameixas de qualidade

A qualidade das ameixas colhidas nesta safra deverá compensar parcialmente as perdas ocasionadas pelas condições climáticas. Com uma área de 1.450 ha, a região da Serra é a principal produtora da fruta no Estado. Conforme estimativas da Emater/RS-Ascar, esta safra deverá ser 60% menor em comparação a uma safra normal, atingindo oito mil toneladas produzidas. A colheita se estende até janeiro.
O extensionista rural da Emater/RS-Ascar, Enio Ângelo Todeschini, explica que o inverno apresentou condições muito boas para as plantas, com bastante horas de frio e qualidade desse frio, porém, houve duas geadas tardias, no final de agosto e setembro, que afetaram o potencial produtivo das ameixeiras. “Nos meses de outubro e novembro, no crescimento da fruta, houve estiagem, afetando os pomares que não tinham irrigação, reduzindo o calibre da fruta. Mas a qualidade da fruta é excepcional, com cor, textura e sabor excelentes por causa do clima seco. Não tem doenças e pragas, reduziu 2/3 em relação ao ano passado a necessidade de tratamentos, o que impacta na menor exposição do produtor, no custo de produção e na segurança alimentar maior”, ressalta Todeschini.
Ainda segundo ele, com a oferta menor do produto e melhor qualidade da fruta, os produtores estão conseguindo um ótimo preço pelo produto, o que ajuda a recuperar as perdas advindas das condições climáticas.
A fruta produzida na região abastece o mercado interno, especialmente o centro do país, sudeste e nordeste. No município de Farroupilha, um dos maiores produtores da Serra, a família Pasa, que cultiva sete hectares de ameixeiras, espera colher de 50 a 60 toneladas da fruta. Apesar das adversidades do clima, Mateus diz que a expectativa é de uma boa safra, com frutas de ótima qualidade. Toda a área cultivada conta com tela antigranizo, que, segundo Mateus e o pai Olmar, ajuda a proteger do granizo, da geada, da radiação solar e do vento, além a fruta ficar mais sadia, não apresentar lesões e ter um calibre maior.

Salame produzido em Carlos Barbosa, na Serra, é escolhido o melhor em disputa nacional

Competição promovida pelo Sistema CNA/Senar em parceria com a Academia da Charcutaria avaliou em nível nacional os melhores salames artesanais do país

Além das características do produto, também foi levado em consideração sua história e a origem da receita | Foto: Divulgação Sistema CNA/Senar

O vencedor do “Prêmio Brasil Artesanal 2020 – Charcutaria”, organizado pelo Sistema CNA/Senar em parceria com a Academia da Charcutaria, foi o produtor Bruno Gedoz, da agroindústria familiar Zampa Grigia, do município gaúcho de Carlos Barbosa. Gedoz recebeu R$ 3.000 e um certificado de campeão desta edição como prêmios. O anúncio foi feito nesta quinta-feira, pelo YouTube.
De segundo a quinto lugar, ficaram, respectivamente, os produtores Maria Aparecida Lopes, da Novo Imigrante Charcutaria, do Espírito Santo; Olivar Araldi, da Embutidos Araldi, do Rio Grande do Sul; Gesner Ferreira Belisário, da Salaminho da Serra, de Minas Gerais; e Ediney Neis, da Charcutaria Caravaggio, do Paraná.
A primeira etapa classificatória avaliou, por meio de uma comissão, características dos produtos, como textura, aroma, sabor e nível de gordura. Na segunda etapa, 50 pessoas degustaram e avaliaram os cinco salames finalistas. O objetivo do prêmio foi valorizar a produção de salames artesanais no país.
Na agroindústria, criada em 2019, que comanda junto aos pais, Vitor Antonio Gedoz e Marinez Fontana Gedoz, as receitas, principalmente de salame, têm origem nas tradições dos avós e bisavós do produtor. Assim como o modo de fazer, que é destacado por Bruno Gedoz como um dos diferenciais. Ele explica que, ao invés de ser utilizada a defumação, é feita uma fermentação inicial, depois uma desidratação e, então, a cura e a maturação, o que permite “ressaltar o sabor e o aroma próprios da carne e da receita” utilizadas, acredita. Este processo, no caso do salame, dura, no mínimo, 30 dias até que o produto possa ser vendido.
Hoje, a família possui em média 130 suínos na propriedade. Além de salame, a agroindústria também possui copa, lombo temperado ou copa magra, presunto cru do tipo culatello e costela suína. As vendas ocorrem em estabelecimentos de revenda em Garibaldi, Bento Gonçalves e Porto Alegre e diretamente em Carlos Barbosa.

A agroindústria Zampa Grigia levou o primeiro lugar do concurso organizado pela CNA com a Academia da Charcutaria Zampa Grigia / Divulgação

Estudante de 18 anos cria vestido com 1.400 caroços de manga

Criada numa fazenda na Austrália, Jessica Collins teve a ideia de costurar a peça para alertar sobre o desperdício de frutas fora dos padrões dos supermercados

Jessica Collins resolveu fazer o vestido com caroços de manga para alertar sobre o desperdício de frutas fora do padrão (Foto: Reprodução/Facebook/Australia All Over)

Jessica Collins é uma adolescente de 18 que cresceu numa fazenda de manga em Queensland, na Austrália. Frustrada com o volume de frutas desperdiçado anualmente, a estudante resolveu se manifestar de uma forma inusitada: costurou um vestido com caroços de aproximadamente 1.400 mangas indesejadas para um projeto da escola. “Mais de 5 mil quilos de manga todos os anos que temos que despejar porque não estão nos padrões exigidos pelos supermercados”, disse Jessica, em uma reportagem para a rede britânica BBC.
Um projeto de design para a escola deu a Jessica a ideia de usar as mangas desperdiçadas para confeccionar o vestido. “Eu cortei toda a polpa e levei o restante para o limpador de pressão do papai e tiro o resto para que nenhum inseto ou inseto tentasse comer a fruta. Depois, secamos (os caroços), cortamos na metade e depois eu os costurei”, explica a estudante.
Jessica disse que os cerca de 1.400 caroços tomaram todo o espaço da cozinha e parte da sala de estar da casa. O processo todo durou entre três a quatro meses. “Eu fui realmente chamada de louca, mas eu acho que eles ficaram muito surpresos quando eu acabei terminando isso. Eu tive uma visão na minha cabeça e eu simplesmente agarrei e corri com isso”, conta Jessica. Quando tudo estava finalizado, Jessica disse que olhou para o pomar de manga e que ficou satisfeita com o seu trabalho.
A estudante usou o vestido feito com os caroços de manga no jantar de formatura do ensino médio. “Eu acho que todos ficaram tão surpresos que tinha sido feito com caroço de manga e como estava lindo também”, disse Jessica, que espera que isso ajude a aumentar a conscientização de supermercados que definem os padrões para frutas.
“Eu adoraria dizer aos consumidores e também aos supermercados que tem frutas perfeitamente finas e a gente só joga fora porque não atende aos padrões do mercado e é comestível, ainda é totalmente comestível, e pode ser comprado e comido e apreciado por todos”, comentou Jessica.

Setor vinícola quer atrair fábrica de garrafas ao Rio Grande do Sul

A alta demanda por vinhos durante a pandemia evidenciou um problema enfrentado pelo setor vitivinícola no Rio Grande do Sul: a falta de garrafas de vidro dentro do mercado nacional, que está comprometendo as vendas de vinhos, sucos de uva e espumantes. Para tentar resolver esse problema, a União Brasileira de Vitivinicultura (Uvibra) está procurando investimentos externos para trazer ao Estado uma fábrica de garrafas.
De acordo com o presidente do Uvibra, Deunir Argenta, a necessidade de expandir a produção de garrafas no Rio Grande do Sul já existia, mas se fortaleceu com o crescimento expressivo do consumo de vinho, consequência da pandemia. “De maio para cá tivemos vendas fora da normalidade, e com isso as empresas que são fornecedoras de garrafas estão tendo dificuldade em suprir as necessidades do setor. Vinícolas vão deixar de entregar pedidos por não ter vasilhame. Se no próximo ano tivermos uma venda semelhante, até uns 30% menor, mesmo assim vai faltar vasilhame”, observa Argenta. Ele pontua que já havia falta de garrafas quando o setor não estava tão forte quanto está no ano, e que os vários fatores que levaram à alta do consumo em 2020 – como uma grande safra e maior número de pessoas ficando em casa por conta das medidas de isolamento social – deixaram mais evidentes a dificuldade do setor de ter acesso a garrafas novas. Para isso, ele explica que a entidade está em busca de novos investidores para instalar uma unidade de produção de garrafas na Serra gaúcha.

Foi necessário importar garrafas argentinas e chilenas, diz Argenta JOÃO MATTOS/JC

Desde o começo do mês, a entidade vem realizando reuniões com empresários mostrando o cenário do mercado e a capacidade das indústrias do Estado de absorver maior produção de garrafas. A Uvibra também obteve o apoio do Governo do Estado, através do Secretário da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, Covatti Filho, para ajudar a viabilizar parceiros para o empreendimento.
De acordo com o presidente da Uvibra, já há empresários interessados e cientes dos desafios de uma fábrica do tipo. Segundo Argenta, a instalação de uma fábrica de garrafas é complexa por conta das exigências de infraestrutura, como fornos grandes e máquinas que exigem muita manutenção. Os fornos são movidos a gás , o que exige um duto próximo de abastecimento. O tempo para que uma fábrica comece a produzir garrafas, segundo ele, é de dois anos.
Por conta dessas exigências, a ideia é que o investimento seja feito na Serra por dois motivos: um deles é pela parte energética, pela região ter acesso a dutos de gás, e outro é pela parte logística, por ser o maior polo vitivinícola nacional. O Rio Grande do Sul, em sua totalidade, representa 90% da produção nacional de derivados de uva. Argenta conta que, devido à escassez de garrafas no mercado nacional, que tendem a ser absorvidas primeiro pela produção cervejeira, o setor vitivinícola acabou importando parte de países como Argentina e Chile, o que aumenta o custo final do produto por conta da alta do dólar e do frete elevado.

 

Embrapa entrega documentação técnica da futura Denominação de Origem de espumantes para a Asprovinho

A tarde do dia 11 de dezembro de 2020 foi o início de um novo capítulo para a vitivinicultura brasileira, especialmente para as vinícolas associadas à Associação dos Produtores de Vinho de Pinto Bandeira (Asprovinho). Foi durante uma reunião virtual que a equipe técnica responsável pelo Projeto de Pesquisa “Estruturação, qualificação e consolidação de Indicações Geográficas brasileiras de vinhos” fez a apresentação e a entrega formal de toda a documentação técnica para que a Associação possa entrar, em nome dos produtores da região, com o pedido de registro da Denominação de Origem de Espumante Natural Altos de Pinto Bandeira, no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).
“ É mais uma etapa vencida. Não apenas para a Asprovinho, mas para a consolidação do setor vitivinícola brasileiro. E o sucesso de vocês, é o nosso sucesso”, registrou o chefe-geral da Embrapa Uva e Vinho, José Fernando da Silva Protas durante o encontro. Além da diretoria da Associação e da Embrapa Uva e Vinho, que liderou o projeto, também estiveram presentes pesquisadores de outras instituições que colaboraram com as pesquisas e na elaboração da documentação, dentre eles a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a Embrapa Clima Temperado e a Universidade de Caxias do Sul (UCS).
Para o presidente da Asprovinho, Rodrigo Valério, que é representante da Cooperativa Aurora, todo este trabalho elaborado no âmbito do projeto apresenta um diferencial muito grande para o reconhecimento da Denominação de Origem de Espumante Natural Altos de Pinto Bandeira. “Vamos tratar com muita seriedade o trabalho já realizado e esperamos, assim que possível, poder compartilhar com o público esses conteúdos técnicos, pois os consumidores são ávidos por este tipo de informação”, valorizou Rodrigo.
A apresentação e a entrega virtual foi realizada pelo pesquisador Jorge Tonietto, da Embrapa Uva e Vinho, que desde 2016 coordena o projeto de pesquisa para estruturar a primeira Denominação de Origem brasileira exclusiva para Espumante Natural. Tonietto reforça que todo o trabalho prévio realizado na Indicação de Procedência da região foi importante e evoluiu para a qualificação de produtos, como os da Denominação de Origem (DO).”Os produtos da DO expressam tipicidade associada à região de produção, incluindo clima e solo, técnicas de produção vitícola, favorecida pela alta especialização da região na elaboração dos espumantes”, complementou o pesquisador.

Sabendo um pouquinho mais sobre a futura DO:
– Segundo as avaliações sensoriais que integraram o projeto, os espumantes da futura Denominação de Origem apresentam aromas finos e elegantes, de frutas com a presença de levedura. Segundo os especialistas, eles podem ser divididos em dois estilos: os mais frescos e os maturados.
– Os espumantes são elaborados exclusivamente pelo método tradicional, no qual a segunda fermentação ocorre na garrafa, permanecendo pelo menos 12 meses em contato com as leveduras, o que resulta em produtos com fineza e complexidade.
– São quatro as vinícolas da Asprovinho à frente da campanha pela DO: Don Giovanni, Cooperativa Vinícola Aurora, Valmarino e Cave Geisse, sendo que novos produtores poderão também elaborar espumantes característicos da DO.
– Irão receber o selo da DO apenas os espumantes cujas uvas sejam produzidas na região delimitada, com as variedades Chardonnay, Pinot Noir e Riesling Itálico sendo que as técnicas de elaboração são refinadas para um produto diferenciado;
– Assim que for concedido pelo INPI, os consumidores poderão identificar no rótulo os produtos que são da DO, sendo que as garrafas terão no contra rótulo o símbolo e o número de controle da DO.
– Espera-se que, com a DO, a região atraia novos investidores e que beneficie também os viticultores da região, ampliando o renome desta região para um produto que já é ícone na Serra Gaúcha.
Hoje, o Brasil possui seis regiões vinícolas de vinhos finos com indicação geográfica (IG) reconhecida pelo INPI, sendo cinco Indicações de Procedência (IP) – Altos Montes, Monte Belo, Pinto Bandeira, Farroupilha e Campanha Gaúcha, e uma com Denominação de Origem (DO) – Vale dos Vinhedos. Todas elas foram apoiadas tecnicamente sob a coordenação da Embrapa Uva e Vinho, reunindo profissionais da Embrapa (Clima Temperado e Uva e Vinho), Universidade de Caxias do Sul (UCS) e Universidade do Rio Grande do Sul (UFRGS).