Falências e recuperações judiciais cresceram em 2016

Conrado Dall´Igna (OAB/RS 62.603) / Advogado da Área de Governança e Recuperações de Empresas do escritório Scalzilli. fmv Advogados e Associados S/S.

Passado o ano de 2016, onde a recessão claramente exerceu seus efeitos negativos sobre a economia nacional, diversas empresas, seja por má-gestão, por uma situação específica, por dívidas bancárias ou excessiva carga de impostos, linhas de crédito cada vez mais raras ou ausência de capital de giro, retração da demanda, etc., diversos estabelecimentos se viram diante de dificuldades cada vez maiores para receber de seus clientes, e consequentemente honrar seus compromissos assumidos junto aos credores bancários e fornecedores, fatores estes que na maioria das vezes empurraram centenas de empresas para uma crise sem volta, levando-as à falência.

A comprovação fática destaconstatação aparece no último levantamento efetuado pelo Serasa Experian, queapontou que 1852 empresas pediram falência em 2016, contra 1783 ocorrências noano de 2017, ou seja, houve um crescimento exponencial de 3,9%.

Desse total de 1852 falências,mais uma vez o micro e o pequeno empresário foram os que mais sentiram osnefastos efeitos da recessão, liderando o ranking com 994 pedidos. Imagine,caro leitor, o impacto disto na economia.

Em seguida, empresas de médioporte foram as segundas colocadas, com 426 pedidos falimentares, seguidos deperto pelas grandes empresas, com 412 ocorrências.

Sob outro prisma, analisando osnúmeros do Serasa Experian em relação aos pedidos de recuperação judicial, osnúmeros também saltam aos olhos: foram 1.863 empresas pedindo RecuperaçãoJudicial em 2016, aumento de 44,8% comparado a 2015, que teve 1.287 ocorrênciase, em 2014, 828.

Mais uma vez houve a tristeliderança das micro e pequenas empresas, com o registro de 1134 ajuizamentos derecuperações judiciais em 2016, enquanto empresas de médio registraram 470pedidos recuperatórios, seguidos por 259 das grandes empresas.

No mês de Dezembro/2016, ospedidos falimentares (134) tiveram alta de 18,8%. Se compararmos esses dadoscom Dezembro/2015, há uma alta de 3,9%.

As recuperações judiciais tambémaumentaram 22,9% em Dezembro/2016, com 145 pedidos, contra as 118 ocorrênciasde Novembro/2016. Todavia, se constata uma queda de 3,3% comparado ao mês deDezembro/2015. O que esperar de 2017, onde o convulsionantecenário político, poderá, novamente, ter efeitos ainda mais negativos naeconomia?

Fotos: Divulgação

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