Maria e a fidelidade a Cristo

Pe. Luiz Antonio Mascarello Pároco e Reitor – Paróquia /Santuário Nossa Senhora do Rosário de Pompéia – I Santuário Mariano do Rio Grande do Sul

O tempo pascal adentra-se pelo mês de maio. Acrescenta-lhe uma cor de alegria e de beleza. O tempo pascal prolonga as alegrias da ressurreição. Maio aprofunda a lembrança de Maria. E há ligação profunda entre esses dois mistérios de nossa fé.

A ressurreição de Jesus é o dogma central da fé cristã. Paulo resume bem tal centralidade, ao dizer-nos: “Se Cristo não ressuscitou, vã é vossa fé, e ainda estais em pecado” (1 Cor 15,17). O ato de fé só pode dirigir-se a uma pessoa divina. Ao crer na ressurreição, não estamos aceitando simplesmente uma verdade, como um teorema de matemática, mas estamos afirmando um compromisso de vida com a pessoa de Jesus. Crer na ressurreição é professar que Jesus está vivo, que Ele é o Filho de Deus, que Ele venceu a morte, que sua vida de entrega a Deus e aos irmãos é modelo definitivo para todos nós.

Maria foi quem primeiro professou tal fé. Já mesmo quando ela via seu Filho na cruz a morrer entre criminosos,ludibriado e abandonado, acreditava com todas as veras que aquela cena não era a última palavra sobre seu Filho. Ela sabia muito mais que o autor do Cântico dos Cânticos que “é forte o amor como a morte, e a paixão é violenta como o abismo” (8, 6). No caso, o amor de Jesus para com Deus Pai e para com a humanidade era mais forte que a morte. Por isso, ele não podia ficar entregue definitivamente à morte. E ela sabia também que seu amor por Jesus era tal que a morte não podia vencê-lo. De alguma maneira, ela iria reencontrar esse amor com toda a sua pujança.

Assim foi a manhã de Páscoa. Deus Pai, vencido pelo duplo amor de Jesus e de Maria, arrancou Jesus das garras da morte, ressuscitando-o. Páscoa e Maria se unem pela força do amor.

Só o amor intui a vida. Assim foi Maria desde a concepção até a ressurreição. Como ela sabia que dentro de si gerara uma vida? Não pelos recursos humanos, mas unicamente pela intuição de seu amor. Era a certeza do amor e essa mesma certeza acompanhou-a toda a vida.Toda vez que Jesus desconcertava-a com suas atitudes e decisões – O evangelista Lucas não se acanha em dizer que José e Maria não entenderam a frase de Jesus no templo (Lc 2,50) – Maria refugiava-se no amor da contemplação e lá encontrava a serenidade da certeza (Lc 2, 51).

Páscoa foi o momento auge dessa atitude mariana. Se a simples separação por três dias no templo assustara os pais de Jesus, que dizer da ignomínia da cruz? Que susto gigantesco não terá levado Maria, ao acompanhar todo o desenrolar da condenação de Jesus! Aí mais do que nunca vale a frase de Lucas: “ela não entendia” o que Jesus fazia. Porque levar a tal radicalidade sua entrega por nós? Por que não evitar tal morte?Por quê? Infinitos porquês deviam vibrar no ouvido de Maria naquelas horas terríveis que precederam à ressurreição de Jesus.

Que a sustentou? A páscoa do amor de Maria antecipou a Páscoa de Jesus. À Páscoa segue-se no mês de maio. A Páscoa dá sentido ao mês de maio. Unindo essas duas realidades na nossa vida pessoal de devoção estaremos vivendo mistérios profundos de nossa fé. Páscoa nos falada vitória definitiva de Cristo sobre a morte. E a vitória de Cristo significa que o “amai-vos uns aos outros como eu vos amei” nos conduz à vida. Vivendo Maio com piedade alimentamos nosso coração com o amor de Maria. Ela também testifica a verdade do dom de si aos irmãos.

Fotos: Divulgação

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