Qualificação da produção, remuneração adequada e gargalos da comercialização norteiam audiência pública do setor vitivinícola durante Tecnovittis

Documento contendo as necessidades imediatas para desenvolvimento da cadeia produtiva foi redigido durante a reunião de trabalho realizada na sexta-feira (8)

A necessidade de implantação de parâmetros de produção de qualidade e remuneração adequada às condições da matéria-prima cultivada permeou os pronunciamentos e debates ocorridos durante a audiência pública conjunta das frentes parlamentares federal e estadual de apoio à cadeia produtiva vitivinícola, realizada na sexta-feira (8), em Bento Gonçalves. A reunião de trabalho ocorreu durante a 2a Feira de Tecnologia para a Viticultura (Tecnovitis) e contou com a presença de, aproximadamente, 150 produtores rurais, profissionais da área, parlamentares e dirigentes de entidades representativas do setor da uva e do Vinho da região. O evento é promovido pelo Sindicato Rural da Serra Gaúcha, com o apoio e incentivo das principais entidades relacionadas à área.

O pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, José Fernando da Silva Protas, fez uma explanação da situação atual da produção brasileira de uva e seu impacto na produção e comercialização de vinhos. “Estamos há muito tempo discutindo as relações entre os produtores de uva e do vinho e uma infinidade de temas pertinentes ao setor, mas a cadeia produtiva ainda se encontra em uma situação ainda não considerada desejável. O setor precisa de uma política própria pois, dentro da realidade do agronegócio brasileiro, tem características de produção e logística que o tornam diferente”, ponderou Protas.

Presidente da Frente nacional, Afonso Hamm destacou que as reivindicações serão encaminhadas junto aos Ministérios e ao Governo Federal. “Tivemos a oportunidade de ouvir os viticultores e agora vamos dar andamento aos pleitos recebidos, entre os quais está o que estipula o preço mínimo da uva e a remuneração adequada pela qualidade do produto entregue nas indústrias”, completou.

Dirceu Scottá, presidente do Ibravin, concordou com as manifestações do dirigentes que representam os produtores sobre o preço pago pela uva, mas ponderou que é preciso analisar as condições da indústria no contexto atual. “Estamos verificando um aumento das importações em patamares históricos e que tem dificultado as vendas de vinho brasileiro. É preciso remunerar melhor o produtor mas também compreender as dificuldades da indústria”, reiterou.

As entidades e as frentes participantes da audiência formularam uma carta elencando os principais temas debatidos, considerados de grande relevância atual para o desenvolvimento da cadeia produtiva. Entre os tópicos do documento (em anexo) constam a remuneração ao viticultor adequada à qualidade da uva entregue, fomento à utilização de tecnologia para produção de matéria-prima e produtos derivados da uva, suporte à pesquisa de clones de variedades que compõem a base produtiva regional, financiamento (antigo Empréstimos do Governo Federal – EGF) com juros controlados, preço mínimo da uva condizente aos custos de produção, qualificação da gestão das propriedades rurais, implantação do Modervitis e ampliação de recursos para projetos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater).

Promoção internacional do enoturismo

Aa assinatura de um Termo de Intenções entre o Instituto Brasileiro do Turismo (Embratur) e o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) para a promoção do enoturismo nas ações e eventos internacionais nos países de interesse comercial considerado estratégico para o Brasil deu início à audiência pública das frentes parlamentares.

O documento foi assinado pelo presidente do Ibravin, Dirceu Scottá, e o assessor Sergio Flores de Albuquerque, representando o presidente da Embratur, Vinícius Lummertz. O dirigente, que participava da 19º Reunião de Ministros de Turismo do Mercosul, em Maceió (AL), gravou uma mensagem em vídeo exibida em telão, celebrando o convênio e se comprometendo a auxiliar no impulsionamento da atividade. “Estaremos construindo uma agenda que leve ao mundo os esforços dos setores de vinhos e frutas brasileiras para o Exterior e, com isso, leve a marca das regiões produtoras, com sua qualidade e seus produtos. A Embratur está junto com esse projeto em cada passo que ele andar”, declarou Lummertz.

Tecnovitis

Com o intuito de capacitar produtores e profissionais ligados à cadeia produtiva da uva e vinho, a Tecnovitis que ocorreu entre os dias 6 e 8 de dezembro, contou com uma variada exposição de produtos e serviços, demonstrações técnicas a campo, novos moldes de cultivo, modernização e mecanização de processos, inovação tecnológica e, sobretudo, foco na qualidade das castas cultivadas no país.