Cerco a criminosos de carro-forte na Serra é um dos mais longos dos últimos cinco anos

O cerco a assaltantes que atacaram um carro-forte na Serra, entre Bento Gonçalves e Veranópolis, na terça-feira da semana passada (6), completou oito dias na manhã desta quarta (14) (Foto: Divulgação/Brigada Militar)

Cerca de 80 policiais na busca pelos criminosos na última terça-feira Foto: Divulgação/Brigada Militar

Há oito dias, completados na manhã desta quarta-feira (14) a polícia permanece nos acessos ao município de Monte Belo do Sul procurando o restante do bando que atacou um carro-forte na BR-470 na manhã da terça-feira passada (6). O assalto aconteceu entre Bento Gonçalves e Veranópolis. Até agora, quatro homens foram presos, outros dois conseguiram escapar e a polícia acredita que dois a três ainda possam estar soltos na região.

Na noite desta última terça (13), conforme a Brigada Militar (BM), moradores da localidade de Linha 40 da Leopoldina, no município, avistaram um homem saindo do mato e se escondendo na estrada. Ele tentou abordar um veículo. Os moradores disseram ter ouvido disparos. A BM checou as informações e nada foi visto. Antes disso, na noite do domingo, por volta da meia noite, policiais avistaram um homem em uma antiga fábrica de bloco, mas ele percebeu a movimentação e fugiu para o mato. 

De acordo com o capitão Diego Caetano, comandante da 1ª Companhia do 3º Batalhão de Policiamento em Áreas Turísticas (3º BPAT) de Bento Gonçalves, em entrevista dada a Rádio Difussora na última terça, o cerco permanece porque quase diariamente a polícia tem informação de movimentações suspeitas relatadas por parte de moradores. “Pedimos para a população ficar tranquila, pois o município está seguro. Agradecemos aos moradores que estão nos apoiando e contem com a Brigada Militar que não deixará o local enquanto capturar os criminosos”, disse.

Uma semana após ataque a carro-forte em Bento Gonçalves, polícia mantém buscas por criminosos em Monte Belo do Sul Foto: Antônio Sérgio Oliveira Rádio Difussora

A mobilização de policiais já é uma das mais longas dos últimos cinco anos na Serra. Conforme informações da BM, a operação se equipara em duração ao cerco a criminosos que assaltaram uma fábrica de jóias em Cotiporã no dia 30 de dezembro de 2012. Na ocasião, a ação da polícia virou o ano, durou oito dias ao todo e terminou com um preso, três ladrões mortos e dois policiais feridos. Um dos mortos foi Elizandro Rodrigues Falcão, então um dos assaltantes mais procurados do RS, que liderava uma quadrilha de roubos com uso de explosivos.
Segundo informações do Comando Regional de Policiamento Ostensivo da Brigada Militar na Serra (CRPO/Serra), houve outros cercos que também se estenderam por vários dias, mas com menor duração.
Em 2013, em Fagundes Varela, a BM manteve um cerco de cinco dias a criminosos que assaltaram duas agências bancárias. No dia 3 de maio, cinco ladrões renderam dois policiais. Após os roubos, fugiram para o mato. Um dia depois, um dos assaltantes foi ferido e preso.
No dia 6, dois outros homens tentaram abordar uma viatura em Cotiporã, próximo ao Rio Carreiro. Houve confronto e um dos homens foi morto; o outro fugiu.
Em fevereiro de 2015, foi feito um cerco de três dias a criminosos que assaltaram o Banco do Brasil de Campestre da Serra, quando foram feitos reféns com uso de cordão humano. Oito pessoas foram presas e R$ 79.350 recuperados.
Em 2016, foram três ocorrências seguidas de cerco policial. A mais longa delas foi em Cambará do Sul, no início de maio, com seis dias de cerco. Criminosos que haviam roubado uma agência do Banco do Brasil em Santa Catarina, no município de Praia Grande, no dia 2 de maio, estavam em fuga na região. Houve confronto e um assaltante foi morto. Seis dias depois, houve novo confronto; outro homem foi morto e dois foram presos. R$ 102 mil foram recuperados.
No mesmo ano, em União da Serra, houve um cerco de pouco menos de um dia a criminosos que assaltaram duas agências bancárias em 5 de maio. Policiais abordaram um veículo com integrantes da quadrilha. Dois homens foram mortos e outros dois foram presos. R$ 33.635 foram recuperados. Em 1º de agosto, em Nova Roma do Sul, houve dois dias de cerco a uma quadrilha que assaltou duas agências. Cinco homens foram presos e parte do dinheiro foi encontrada.
O último cerco prolongado a assaltantes na Serra durou seis dias e foi na metade de 2017, em Campestre da Serra. No dia 3 de junho, criminosos explodiram a agência do Banco do Brasil. O cerco terminou com um morto e três presos. R$ 240 mil foram recuperados, conforme a BM.

Polícia recupera R$ 828 mil que foram levados de carro-forte na Serra
As forças policiais conseguiram recuperar R$ 828 mil que foram retirados do cofre do blindado da Brinks. No total, o carro-forte transportava cerca de R$ 950 mil, sendo que R$ 122 mil foram levados pelos outros ladrões que escaparam do cerco na região. Até agora, quatro homens foram presos, outros dois conseguiram escapar e a polícia acredita que dois a três ainda possam estar soltos na região.

Polícia apreendeu arsenal após ação na Serra Foto: Polícia Civil /Divulgação / CP

Dentre os materiais apreendidos, o destaque é para uma metralhadora .50, arma de uso exclusivo das Forças Armadas. Foi a primeira vez que uma arma desse tipo foi apreendida no Estado.