Alfaiate mais antigo de Pinto Bandeira tem 80 anos dedicados à profissão

Adílio Polesso e Maria Julieta Fotos: Marlove Perin

Adílio Polesso tem 89 anos e uma disposição de dar inveja a qualquer um. Natural de Nova Roma do Sul mudou-se para Pinto Bandeira em 1952 e é um dos últimos e mais antigos alfaiates do município. “Meu pai era alfaiate. Gosto de lembrar que é a profissão de toda a minha vida, e que me permitiu a dar condições aos meu filhos, sempre foi motivo de orgulho em minha família”, recorda o aposentado.
Desde pequeno ficava observado meu pai, e logo aprendi a tirar medidas, fazer cortes e preparar as peças. Foi assim que comecei a fazer ternos. Perdi a conta de quantos eu fiz. Fui aprimorando minhas habilidades ao longo dos anos e hoje recordo minha profissão passando fero em roupas, onde funcionava meu ateliê, conta Adílio Polesso.
Dedicado e metódico, seu Polesso abre mão das evoluções tecnológicas, mantém sua alfaiataria com equipamentos antigos e muito bem conservados. A máquina de costura é outra raridade que ele não se desfez. “Minha primeira tesoura e meu ferro de passar roupas, tenho desde o início. São peças fundamentais da minha trajetória. Hoje em dia, minha profissão praticamente não existe mais. A moda da roupa pronta derrubou a costura sob medida”, diz ele.

Polesso conta que já perdeu a conta de quantos ternos já fez e segundo ele, quem compra sob medida, nunca mais passa em uma loja novamente. “É outra roupa completamente diferente. Ela se molda ao corpo, mostra personalidade e elegância de quem usa”, argumenta.
Seu Adílio é casado com Maria Julieta Pastorelo Polesso, 87 anos, primeira fotografa de Pinto Bandeira. “Ela foi uma excelente profissional, fez ótimos cursos de fotos, teve um trabalho impecável e temos várias fotos registradas juntos. Até na costura ela me ajudava”, explica ele.

Maria foi a primeira fotógrafa do município, iniciou com fotos de casamentos, 1ª comunhão, crismas e eventos da comunidade. Para explicar sobre fotografia, Maria diz que a fotografia é um “Momento decisivo” e diz que todo fotógrafo teria (pelo menos uma vez na vida) a oportunidade única de presenciar um fato que só ele viu e pode fotografar. Maria tem várias máquinas fotográficas guardadas que fazem parte de sua trajetória e lembra com orgulho da carreira que fez ao longo dos anos.
O casal criou sete filhos, quatro homens e três mulheres e tem 16 netos. Hoje os dois moram no centro de Pinto Bandeira e esbanjam saúde e lucidez.