Conheça a plataforma digital que irá revolucionar o agronegócio

Chamada de blockchain, a tecnologia é uma plataforma digital que agiliza as transações no agronegócio, a certificação e a rastreabilidade, trazendo mais segurança aos produtores.

Foto: Divulgação Revista Globo Rural

Conforme anunciou a LDC em janeiro, pela primeira vez na história do comércio internacional de commodities uma operação dessa natureza utilizou o blockchain para viabilizar uma transação. Uma exportação de 60.000 toneladas de soja dos EUA para a China, com a carga em questão transacionada em dezembro passado pela trading Louis Dreyfus Company (LDC). O recurso permitiu reduzir o tempo gasto no processamento da operação a um quinto do tempo normalmente despendido. E a validação automática das informações digitais possibilitou evitar a repetição de tarefas e a verificação manual, reduzindo a margem para a ocorrência de erros e fraudes, a um custo “significativamente” menor.

Pela primeira vez, neste tipo de transação foram utilizados, exclusivamente documentos digitalizados (contratos de venda, carta de crédito, certificados) e a validação automática das informações. Além da Louis Dreyfus, a operação de exportação envolveu a processadora de alimentos chinesa Bohi e três bancos internacionais, responsáveis pelo aval financeiro, seguros e linhas de financiamento. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) também participou, por meio de certificados digitais que autorizaram a exportação. A blockchain, além de viabilizar as transações com mkais rapidez, ainda possuí outros benefícios como: monitorar a evolução da operação em tempo real e fazer a verificação das informações, entregando um serviço com um menor risco de fraude em menos tempo.

Mas, afinal, o que é um blockchain?
Ela funciona como uma base compartilhada de dados, imutável, aberta, criptografada e descentralizada. Facilitando a acessibilidade de todas as partes envolvidas na operação, seja ela do tipo comercial, como no caso da exportação de soja, ou estritamente financeira, caso das operações com bitcoin. E o que diferencia ela das outras é que uma vez armazenadas as informações, ele não pode mais ser alterado, além de não ter um banco de dados central, mas operar como um livro contábil distribuído por uma rede de computadores.

Para o agronegócio, a ferramenta pode ajudar muito no tracking (rastreamento) de toda a cadeia de um produto. Seria possível ter muito mais segurança e garantia de que aquele alimento foi tratado da maneira correta ao longo do processo até chegar ao consumidor final, incluindo, por exemplo, QR codes para a leitura das informações.

O grupo francês Carrefour utiliza, em suas operações no Brasil, um sistema de rastreamento, acompanhado de QR code, que segue alguns princípios do blockchain. Desenvolvido em parceria com a BRF e a IBM, a partir de uma plataforma fechada, não chega a ser um blockchain “puro-sangue”, como no caso da soja exportada pela LDC, mas apresenta vantagens em relação a outros instrumentos de rastreamento menos sofisticados.

A ferramenta também é usada para monitorar os produtos do programa Garantia de Origem, da marca Carrefour, que inclui leite, carnes, frutas, legumes e verduras. Atualmente, fazem parte desse programa 160 itens, produzidos por 40 fornecedores da rede varejista.