Conheça as vinícolas que produzem o vinho canônico, usado nas missas brasileiras

As diversas propriedades, presentes em nosso Estado, fabricam 500 mil litros da bebida canônica por ano no país

O momento mais importante da missa católica é a eucaristia. Nesse ritual, o padre comunga o corpo e o sangue de Cristo, representados respectivamente pela hóstia e pelo vinho. Da mesma forma que ocorre com a hóstia, que deve ser confeccionada de acordo com as normas da Igreja, a produção de vinho, para uso litúrgico, também precisa seguir a legislação do Ministério da Agricultura, bem como as regras do Código de Direito Canônico, que determina que o vinho de missa “deve ser natural, fruto da videira, puro e sem substâncias estranhas”.

Mesmo que a produção desse vinho date do começo do século passado, ainda são poucas as vinícolas que se dedicam à elaboração da bebida. No Rio Grande do Sul, Estado que responde por 90% da produção brasileira de vinhos, cinco empresas fornecem para esse nicho de mercado.
O Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), mesmo não possuindo dados oficiais de produção e comercialização de vinho canônico, afirma que essa produção se firma com um mercado estável e com uma representatividade da categoria ainda pequena, se comparada aos outros produtos vinícolas.
De acordo com o Ibravin, as empresas comercializam perto de 500.000 litros de vinho canônico por ano, em meio a um volume total de 200 milhões de litros de vinhos e espumantes.

O vinho especial de missa da Chesini e, no destaque, o canônico da Salton (Foto: Divulgação)

A Vinícola Chesini, de Farroupilha (RS), produz o vinho canônico desde a década de 1970 e nós últimos cinco anos, a elevou as vendas de vinho canônico em 5% ao ano. A Adega assim como a maioria das empresas localizadas na Serra Gaúcha, é uma vinícola familiar que sempre manteve relação estreita com os padres da região. Na década de 1980, uma pequena escala de vinho canônico começou a ser produzida e vendida somente para os amigos, porque a Chesini ainda não tinha o registro. Foi somente em 2001 que a empresa buscou a autorização escrita do bispo e registrou o produto no Ministério da Agricultura. Hoje, as vendas da Chesini somam 30.000 litros por ano e já respondem por 15% da produção total da vinícola.

Freis capuchinhos
a Vinícola Salton, de Bento Gonçalves (RS), é a empresa com tradição mais longa no segmento, produzindo vinho canônico desde a década de 1940. Já a Vinhos Frei Fabiano, de Vila Flores (RS), começou a produzir o vinho litúrgico, conhecido como Vino Santo, em 1954. Lá são os próprios freis capuchinhos que fazem a bebida. A bebida é produzida desde 1896, como um meio de sustento. Hoje, são produzidos cerca de 35.000 litros de Vino Santo por ano, comercializados em todo o território brasileiro. Vindos da França, eles chegaram à Serra Gaúcha em 1896 para as missões. A fim de se sustentarem, os capuchinhos passaram a cultivar extensas áreas de vinhedos. Hoje são produzidos cerca de 35.000 litros de Vino Santo por ano, comercializados também em todo o território brasileiro. A vinícola usa a variedade de uva isabel para a produção do seu vinho de missa.

Outras duas vinícolas gaúchas que produzem o vinho litúrgico são a Perini e a Don Affonso, que juntas envasam cerca de 1.500 litros por ano. Entre as uvas mais usadas na produção dos diversos produtos comercializados no país destacam-se moscato, alicante, isabel, bordô e saint emilion. Não há uma padronização do produto, mas a Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB) estuda criar um selo para atestar a qualidade do produto litúrgico.

Vinho Canônico
Rosado, licoroso, doce e produzido com pouco ou nenhum conservante, o vinho canônico possuía uma graduação alcoólica alta, entre 16 º e 18 º, adquirida por meio de um longo processo de fermentação, que pode durar anos. A grande concentração de açúcar e de álcool contribui para a conservação do produto, que é consumido lentamente.