Glifosato: saiba mais sobre a substância que é aplicada em plantações de soja, milho e algodão

Foto: José Medeiros/Ed. Globo

No último mês, a substância chamada glifosato, molécula presente em herbicidas, foi alvo de uma polêmica, após a juíza federal substituta da 7ª Vara do Distrito Federal, Luciana Raquel Tolentino de Moura, determinar a suspensão do registro de produtos à base de glifosato, abamectina e tiram (substâncias também encontradas em agrotóxicos). Após a decisão da Justiça, entidades do setor rural alegaram que sem a substância seria inviável manter o plantio das culturas do país, impedindo cerca de 95% da área de soja, milho e algodão, três dos principais produtos do país.

Na prática, as substâncias à base de glifosato não deixariam de ser comercializadas ou usadas no campo. Mas a polêmica suscitou um debate: por que o glifosato é essencial para a manutenção do modelo atual da agricultura brasileira, sendo que o produto além de ser essencial, ainda mudou radical – e positivamente – a agricultura brasileira.

Origem do glifosato
O glifosato surgiu como uma nova ferramenta para o manejo de pragas, aparecendo apareceu pela primeira vez no produto Roundup, da americana Monsanto. A substância só é utilizada quando realmente é necessária, quando as outras medidas não estão atuando da maneira adequada. Entre as várias medidas, como a rotação de culturas e os métodos biológicos, estão incluídos também os produtos fitossanitários.

Hoje, existem mais de 100 marcas que utilizam o glifosato como ingrediente ativo, porque a Monsanto não detém mais a patente. O Roundup, entretanto, foi uma grande novidade na agricultura quando foi lançado em 1974.

Disseminação
Sua popularidade só se deu devido a sua eficiência e baixa toxicidade em relação a outros produtos, mesmo não sendo uma alternativa barata na época. O seu preço só despencou após a quebra da patente. Entre herbicidas, inseticidas, fungicidas e outros produtos fitossanitários, o glifosato é a substância mais utilizada no Brasil, aprimoramento que deixou de lado a aragem e o gradeamento, técnicas que tinham como um dos principais objetivos o manejo das plantas daninhas.

Sementes transgênicas
Na década de 1990, cerca de 20 anos após o lançamento do glifosato, surgiram as primeiras variedades transgênicas resistentes ao produto. O glifosato chegou a ser aplicado em sementes convencionais? Sim, mas era era preciso ter cuidado para que o produto não entrasse em contato diretamente com ela, fazendo o seu custo de aplicação ser maior e mais complexo.

Foto: Thinkstock

Manejo integrado de pragas e aumento da resistência
Apesar das melhorias que trouxe à agricultura brasileira, o uso de produtos à base de glifosato sempre precisou seguir normas e recomendações rígidas. Uma delas é o uso como parte das técnicas do manejo integrado de pragas, que tiveram a sua resistência a sustância aumentada com o passar do tempo, lembrando que esse fato pode acontecer com qualquer agroquímico, não só para o glifosato.

Inviabilidade da produção
Sem o uso do glifosato, não seria possível produzir em larga escala no Brasil. Isso porque seria necessário voltar às técnicas de aragem e gradeamento há muito abandonadas. Do ponto de vista prático, a produção seria inviável porque as fazendas não têm mais esses equipamentos.

Foto: Thinkstock

Glifosato e câncer
Em agosto, a Monsanto foi condenada pela Justiça dos Estados Unidos a pagar indenização de US$ 289 milhões a DeWayne Johnson, um zelador de escola que teve contato com herbicidas à base de glifosato durante anos. Johnson sofre de um câncer terminal e alega que foram os produtos que causaram seu linfoma não-Hodgkin. A Monsanto defende que autoridades de saúde nos EUA e na União Europeia não encontraram relação entre glifosato e câncer. No Brasil, temos uma série de estudos realizados “cada vez mais rigorosos e exigentes” feitos pela Anvisa e pelos ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente para analisar se o produto em questão pode ser comercializado no país. Nesses estudos, se considera, entre outros fatores, os possíveis impactos ambientais e a toxicidade.

Lembrando que se houvesse alguma evidência clara que a substância possui algum efeito carcinogênico ou qualquer outro efeito prejudicial à saúde, ela não seria sido registrada ou já teria seu registro cassado. O glifosato é o menos prejudicial se compararmos ele com outros herbicidas. Na classificação toxicológica, por exemplo, ele é considerado pouco tóxico, se utilizado corretamente.