Uso de agrotóxicos aumenta no Estado

Segundo censo agropecuário, o percentual subiu para 70,3% em 2016

No Rio Grande do Sul, nos últimos 11 anos mesmo sendo alvo de controvérsia, o uso de agrotóxicos aumento, de acordo com o Censo Agropecuário 2017, divulgado nesta quinta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com a pesquisa, 70,2% dos estabelecimentos agropecuários adotam a prática no Estado. Em 2006, eram 62%.

Créditos: Divulgação

Mesmo com opiniões divergentes de ambientalistas e pesquisadores, o IBGE ressalta que tal crescimento merece atenção, principalmente devido a alguns agravantes detectados no levantamento, como o acesso limitado a assistência técnica e a baixa escolaridade na zona rural. No quesito de assistência técnica, 50,1% das unidades de produção e exploração visitadas no Estados, declararam que não recebem apoio. A combinação dos fatores citados, pode gerar o uso incorreto dos agrotóxicos por parte dos produtores.

O aumento do uso desses produtos também foi verificado, e um dos motivos para tal foram os transgênicos. Devido a elas, as pragas ficaram mais resistentes aos agrotóxicos aplicados. Para o presidente da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), Francisco Milanez, Não existe quantidade segura para aplicação do produto, o que existe é o uso correto da ferramenta, o que também não garante a segurança do produto e consumidor dos produtos.

De acordo com Luiz Carlos Federizzi, professor de melhoramento de plantas da UFRGS, não há motivos para alarde, pois a a maioria dos produtores usa agroquímicos por conta das condições climáticas e do sistema de plantio direto, o mais utilizado no Estado.

No Estado chove muito, e as plantas daninhas crescem rápido e em todos os meses do ano, por isso os agricultores usam agroquímicos. Não quer dizer que é prejudicial, desde que seja usado dentro das recomendações. Sem os agrotóxicos, não haveria condições de produzir, pois as condições do meio ambiente são muito favoráveis a doenças e insetos.

Quanto à falta de assistência, Federizzi concorda que o trabalho está “longe do ideal” e que há produtores que não recebem apoio adequado. Apesar disso, ele discorda de que essa situação possa elevar os riscos de uso incorreto dos pesticidas.

O aumento no uso de defensivos também foi detectado pelo IBGE no Brasil como um todo. Mais de 1,68 milhão de produtores utilizaram produtos do tipo em 2017, o que se traduziu em elevação de 20,4% em relação a 2006. Ainda assim, no somatório geral, em apenas 33,3% dos estabelecimentos a prática é adotada – percentual bem menor do que os 70,3% do Rio Grande do Sul.

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Além desses dados, o censo traz série de outras informações importantes sobre o campo. Foram visitados 5,07 milhões de estabelecimentos, sendo 365 mil no Estado. O número caiu em comparação com 2006 em razão de alterações metodológicas na pesquisa, mas a área utilizada cresceu.

Embora tenha aumentando o percentual de mulheres na labuta, a maioria dos produtores continua sendo composta por homens. No Rio Grande do Sul, não é diferente. Quanto ao nível educacional, a situação melhorou, mas ainda é um problema, já que a maior parte dos entrevistados sequer concluiu o Ensino Médio.

A intenção é de que essas e outras conclusões ajudem no planejamento de políticas públicas voltadas ao setor – em 2006, por exemplo, o compilado embasou programas de eletrificação rural e de financiamento de máquinas e implementos. Agora, os especialistas do IBGE trabalham na revisão final das informações coletadas e nos últimos ajustes. O objetivo é apresentar o resultado final do censo em julho de 2019.

O censo agropecuário 2017
Realizado pelo IBGE, o censo agropecuário 2017 esquadrinhou 5,07 milhões de estabelecimentos do tipo no país, mapeando características dos produtores (idade, sexo, escolaridade, cor ou raça) e das áreas visitadas (utilização das terras, acesso à internet, uso de adubos e agrotóxicos, etc.). O último levantamento foi em 2006.

Por que é importante
Para ajudar gestores públicos na elaboração de políticas adequadas a esse segmento vital da economia, para embasar trabalhos acadêmicos e científicos e para que os brasileiros possam conhecer melhor a realidade rural de suas cidades, Estados e do país.