Inteligência artificial transforma a agricultura

Na Holanda e na China, as ferramentas digitais ganham terreno no agronegócio mundial

Já imaginou uma estufa produzindo pepinos sem a intervenção humana? Isso já é realidade. Um lugar onde um robô é capaz de inspecionar a qualidade de uma maçã e um drone, do alto dos céus, registra todos os dados da lavoura e permite a aplicação seletiva de produtos químicos. Esse cenário futurista virou realidade, como mostram experiências na Holanda, na China e no Brasil.

Foto: Resultados da produção de pepinos em estufa controlada remotamente são confrontados com os do cultivo convencional // Créditos: Universidade de Wageningen / Divulgação

O uso da inteligência artificial e big data na agricultura não será luxo e, sim, uma ferramenta fundamental para que a produção seja ampliada em ao menos 50%. Essa será uma necessidade real, pois segundo projeção das Nações Unidas o crescimento da população mundial, que em 2050 deverá chegar a 9,8 bilhões de pessoas. De acordo com o gerente de comunicações corporativas da Universidade de Wageningen, Simon Vink, é preciso repensar o futuro da agricultura, reinventar o modo de produção.

Localizada na Holanda, a instituição é referência mundial em pesquisas agrícolas e é de lá que vem uma das mais inovadoras iniciativas: a estufa autônoma, que recentemente ganhou mais um reforço importante com a gigante chinesa de tecnologia e redes sociais Tencent – criadora do aplicativo WeChat –, que passou a aportar recursos. Tanto a multinacional chinesa, como a máquina de inteligência artificial desenvolvida pelo Google AlphaGo e a Universidade de Wageningen, são parceiras em desafio internacional que se propõe a acompanhar o desenvolvimento de pepinos em uma estufa automatizada e controlada remotamente. Os resultados dessa forma de produção serão comparados aos do modo convencional.

Produtividade superior na estufa
A produção em estufas tem como vantagem, segundo os pesquisadores, redução em até 90% do uso de água, mesmo volume de produção em 10% do espaço e pouco ou nenhum uso de pesticida. Nas duas primeiras colheitas do projeto, a produtividade no cultivo automatizado foi superior à obtida pelo meio convencional. Silke avalia que esse resultado preliminar deve-se, provavelmente, ao fato de que a inteligência artificial consegue ter melhor visão geral e pesar todos os aspectos que precisam ser melhorados.

Com foco na produção, a experiência da Estufa Automatizada foi motivada pela falta de conhecimento, na maioria dos países, sobre alta tecnologia voltada à produção de comida. Falta mão de obra especializada.

Foto: Máquina fiscaliza qualidade de frutas // Créditos: Gisele Loeblein

Máquina fiscaliza qualidade de frutas
Se hoje a qualidade das frutas nos supermercados é atestada pela “apertadinha” do consumidor, em pouco tempo a tarefa caberá a uma máquina inteligente. Um protótipo já opera no centro de pesquisas da Universidade de Wageningen, na Holanda. Foram quatro anos até o desenvolvimento da ferramenta para escanear informações da fruta que são processadas, fornecendo dados uniformes. Cor e suculência são duas das características medidas. Cerca de 10% da produção se perde no pós-colheita por falta de qualidade. O objetivo de estudos como esse é permitir que produtos tenham maior durabilidade nas prateleiras.

Os desafios para o futuro
Veja quais os fatores que exigirão mudanças na forma como os alimentos são produzidos:

– O crescimento da população mundial, estimada em 9,8 bilhões de pessoas em 2050, faz com que se trabalhe com a perspectiva de aumentar em ao menos 50% a produção de alimentos.
– Será preciso ampliar ainda mais a produtividade. Ferramentas como a edição de genes (o chamado Crispr) devem melhorar as colheitas por meio da escolha de características dispensáveis e desejáveis.
– Novos espaços para cultivo precisarão ser desenvolvidos. A produção vertical em espaços urbanos e no mar, por exemplo, são alternativas.
– As fazendas precisarão ser inteligentes, utilizando todo tipo de técnica para ter melhores resultados. Serão propriedades com maior precisão.
– Outro desafio será reduzir o desperdício de comida.