Cultivo de fungo comestível ganha espaço nas refeições dos gaúchos

Com o crescimento do apetite dos consumidores por alimentos saudáveis, as variedades como shitake e o shimeji, as mais cultivadas em pequenas propriedades, ganham destaque nas refeições

Conforme desperta o interesse e ganhando mercado nos últimos anos, os produtores então cada vez mais de olho no cultivo de cogumelos, devido ao seu cultivo não demandar grandes áreas de propriedade.

O fungo, que está ligado à uma alimentação saudável e à dieta vegetariana, têm potencial para substituir em parte a proteína animal, com vantagem de serem ricos em fibras e não terem colesterol. Em relação aos fungos comestíveis, estima-se que apenas de 3% a 7% das espécies sejam conhecidas no mundo.

No Estado, existe uma produção de champignons, através de uma técnica de produção trazida da França, de acordo com o pesquisador e assistente técnico da Emater Ari Uriartt. Ari explica que, embora não haja ainda dado oficial do número de produtores, nem mesmo no Censo Agropecuário, é possível perceber que a prática vem aumentando. A maior concentração fica em São Paulo, devido aos imigrantes de origem asiática.

A Associação Nacional de Produtores de Cogumelos tem como referência um censo paulista de 2016, que indicou produção de mil toneladas por mês, gerando receita mensal de R$ 21,24 milhões e cerca de 5 mil empregos diretos.

Um dos métodos de cultivo utiliza troncos perfurados

Variedades como o cogumelo shitake e o shimeji são as mais cultivadas pela facilidade de manejo em pequenas propriedades. Conforme Uriartt, não necessitam de estrutura cara, como o champignon.

Um dos métodos mais tradicionais e conhecidos pelos produtores é feito com a utilização de troncos perfurados onde sementes dos cogumelos — o fungo em estágio inicial — são aplicadas. Outra técnica é o uso de blocos de substrato, como a serragem de eucalipto, com introdução de farelo de soja e trigo. Os blocos precisam ser esterilizados antes da introdução das sementes.

Clima ideal para começar a produção
Para cultivar o alimento é preciso estar atento a duas variáveis importantes: temperatura amena e umidade. Acima dos 30°C, o cogumelo não sobrevive. Em temperaturas baixas, o fungo cresce de forma muito lenta. O ideal varia conforme a espécie, mas fica em torno de 25°C. Por isso, o outono e a primavera são os melhores períodos. Outra variável importante é a luminosidade na produção.

Para quem mora no litoral, no inverno, e pretende começar a cultivar, é preciso também estar atento as temperaturas. Com alguns recursos de climatização das unidades de cultivo, é possível produzir a baixo custo praticamente o ano todo – analisa o assistente técnico da Emater.

Existem certos insumo que ainda não podem ser adquiridos no Rio Grande do Sul, por isso, para obter as sementes os produtores gaúchos costumam ir ao Paraná ou a São Paulo.

Para os interessados, o pesquisador e assistente técnico da Emater Ari Uriartt comenta que a internet pode ser uma fonte de informações, mas alerta para o fato de que nem tudo que está disponível on-line é confiável.