Pinto Bandeira colhe safra de pêssego

Na região da Serra Gaúcha, em Pinto Bandeira, os produtores de pêssego iniciaram a colheita da fruta com a cultivar PS precoce. A colheita das diversas variedades da fruta se estende de meados de outubro a janeiro.
Ari Pegoraro, 50 anos, anos, da Linha Brasil iniciou a colheita dos seus oito hectares de pêssegos há 10 dias. Neste ano, o agricultor estime uma safra menos em algumas variedades, pois na época de brotação e florescimento, o cultivo sofreu os efeitos da geadas ocorridas em agosto, que atingiram as flores e as gemas vegetativas que formam as folhas, fazendo com que muitos frutos não vingassem ou ficassem com calibre menor. Também na propriedade algumas frutas foram atingidas pela chuva de granizo “Nas variedades PC precoce e chimarita, temos uma previsão de colher 50% a menos da fruta em comparação ao ano passado” explica Ari Pegoraro.
Com uma fruta de excelente qualidade, o produtor tem boas expectativas de vendas e preços. O valor pago ao produtor deve variar de R$ 2 a R$ 2,5 por quilo, mas em safra plena a previsão é baixar. “O preço (do quilo) varia de acordo com o período das vendas. Agora é o início da comercialização. A gente não sabe como o mercado vai se comportar. A expectativa é boa. Não tem nenhum tipo de problema ou podridão” explica o produtor.
Até à tarde de terça-feira, Pegoraro já havia vendido dois mil quilos da fruta da variedade PS Precoce.
A mão de obra é toda familiar “Fazemos o escalonamento (entre as variedades) e fica melhor para colher e para vender” diz o produtor, que conta com a ajuda da esposa, para fazer a colheita.
Ainda não é possível afirmar a produtividade destas variedades, mas a expectativa fica em torno de 20.000 a 25.000 kg/ha da fruta, segundo a Emater.

Ponto de colheita do pêssego
A maturação do pêssego é caracterizada pela mudança de cor, sabor, aroma e textura, as quais proporcionam as condições organolépticas ideais, que asseguram a qualidade comestível do pêssego.
As alterações mais comuns observadas que ocorrem durante a maturação são: a produção do etileno e outros voláteis; mudança de cor; elevação da taxa respiratória e as transformações químicas.
O pêssego é um fruto climatérico, quer dizer, durante o processo de amadurecimento apresenta um pico de produção do etileno, acompanhado pelo aumento da taxa respiratória. Devido a estas características, o pêssego pode amadurecer após ser colhido.
É importante saber o momento exato da colheita, que assegure uma boa conservação, adequada resistência ao transporte e mantenha as condições necessárias para chegar ao consumidor com qualidade. Assim, a fruta que é destinada a mercados mais distantes, deverá ser colhida com maturação mais firme, diferentemente da fruta colhida para mercados locais, onde se pode colher a fruta com maturação mais avançada, explica Melissa Maxwell Bock, Engenheira Agrônoma da Emater de Pinto Bandeira.
O índice de maturação serve para determinar o momento adequado para colher o fruto. Com relação a cor, na epiderme ou casca do pêssego podemos distinguir a cor da superfície (vermelho ou amarelo, segundo a variedade) e a cor do fundo (verde). Com o avanço da maturação, a cor de fundo verde muda para branco-creme (variedades de polpa branca) ou amarelo claro (variedades de polpa amarela ou laranja). Esta mudança de cor de fundo está associada à maturação em pêssegos e nectarina.
Outro indicativo de colheita é a firmeza de polpa, onde a medida que o pêssego amadurece a firmeza de polpa diminui e, é possível medi-la com um aparelho específico. Também pode ser avaliado como referencial de colheita do pêssego, o teor de açúcar, que pode variar de 12 a 14° Brix, isso dependendo da variedade e do local de produção. Outro fator que influencia na maturação do pêssego e no sabor é a acidez total, onde os valores podem alcançar 0,5 a 1% de ácido cítrico.
Cada um destes fatores que foi descrito pode ser afetado pelos tratos culturais do pomar, pelo clima, pelo solo, pela irrigação, entre outros fatores.