Pêssegos da serra gaúcha têm qualidade garantida, apesar de safra menor

Ocorrência de granizo no ano passado afetou parte da área de pessegueiros em municípios como Bento Gonçalves, Farroupilha e Pinto Bandeira e deve reduzir em 24% a colheita da fruta na região que é responsável por 95% da produção no RS

A ocorrência de granizo e geada no final do ano passado fará com que a safra do pêssego seja menor na Serra, local que concentra a maior parte do cultivo da fruta no Rio Grande do Sul. Conforme estimativa da Emater de Caxias do Sul, a região deve colher 37,2 mil toneladas em 2019, queda de 24% frente ao ano anterior. Na comparação com o desempenho da cultura em 2017, quando houve supersafra, o tombo chega a 43%. A colheita deve ser encerrada até o final de janeiro.
O engenheiro agrônomo da Emater Caxias Enio Todeschini destaca que o granizo atingiu, principalmente, propriedades em Bento Gonçalves, Farroupilha e Pinto Bandeira. A chuva de pedra ocorrida em outubro passado trouxe prejuízos para alguns produtores justo no momento em que havia começado a colheita das primeiras variedades de pêssego. Ainda assim, Todeschini argumenta que a safra se caracteriza pela qualidade das frutas. “Os frutos são de bom calibre, coloração e sabor. Além disso, não houve problemas de sanidade” diz.
O frio constante do inverno passado também colaborou para a qualidade da fruta. Segundo dados coletados na estação meteorológica da Embrapa Uva e Vinho, em Bento Gonçalves, a Serra teve 387h de temperaturas abaixo de 7,2 graus em 2018, o que garantiu que um ciclo de desenvolvimento normal da fruta nesta safra. No ano passado, quando aconteceram apenas 189 horas de frio, as etapas na fruticultura foram antecipadas em quase 20 dias por conta do excesso de calor.
Ano passado tivemos um inverno regular, sem muitas variações de temperaturas. Não foi um frio muito intenso, mas foi constante. E isso foi excelente para a fruta – analisa José Taiarol, engenheiro agrônomo da Secretaria da Agricultura de Caxias do Sul.

Adair Rizzardo produtor de Pinto Bandeira

Pinto Bandeira lidera produção
Boa parte da safra virá de Pinto Bandeira, maior produtor de pêssegos de mesa do Brasil. No município a expectativa é colher 11,7 mil toneladas de frutas. Apenas na propriedade de Adair e Marisa Rizzardo, deverão ser obtidas 500 toneladas neste ano. A colheita poderia ser maior, não fosse pela chuva de granizo que atingiu parte dos 23 hectares de pomares da família. “Na safra passada tivemos prejuízo com a geada e nesta com o granizo. Perdemos em torno de 25% da área, aproximadamente umas 150 toneladas” calcula o produtor Adair Rizzardo.
Na propriedade da família de Rizzardo, a colheita iniciou em outubro passado, com a variedade kampai e já terminou.
Toda a produção de Rizzardo é vendida para fora do Rio Grande do Sul. A família comercializa as frutas para supermercados de Rio de Janeiro, São Paulo e Pernambuco e também para as Centrais de Abastecimento (Ceasas) de Estados da região Sudeste.
Adair e Marisa Rizzardo, de Pinto Bandeira, vendem toda a produção para supermercados e Ceasas das regiões Sudeste e Nordeste

Área de pêssego tem leve expansão
O pêssego vem ganhando espaço nas propriedades e tem se consolidado cada vez mais entre as principais culturas da Serra. Na região, a área de pessegueiros passou de 3.280 a 3.340 hectares entre 2017 e 2019, conforme dados da Emater de Caxias do Sul. São 60 hectares a mais em dois anos. Levando em consideração que a maioria dos produtores é de pequeno porte, o incremento é um indício da ampliação da aposta na cultura.