Emater/RS-Ascar estima redução na safra do pinhão de 30 a 50% menor do que a safra do ano passado

A safra do pinhão no Rio Grande do Sul  já iniciou. As primeiras estimativas não são animadoras. De acordo com a Emater/RS-Ascar, a expectativa é de que sejam colhidas entre 400 a 500 toneladas de sementes, de 30 a 50% menor do que a safra do ano passado, quando foram comercializadas 800 toneladas. Em São Francisco de Paula, maior produtor de pinhão da Serra, devem ser colhidas apenas 60 toneladas, metade da safra do ano passado.
O motivo foi o frio fora de época em 2017 — diferente de outras culturas, a colheita do pinhão é bianual, já que a pinha leva dois anos para ficar pronta. Com o clima daquele ano desfavorável, muitas pinhas sequer se formaram. Houve as que produziram menos pinhões e as que ficaram vazias.
— O excesso de frio na saída do inverno para a primavera, na época da floração, acabou provocando problemas de fecundação e polinização. O pinheiro precisa do frio do inverno. Mas quando se dá a floração, já na primavera, não pode ter geada, por exemplo – explica a engenheira florestal e assistente técnica regional na área de manejo de recursos naturais da Emater Regional de Caxias do Sul, Adelaide Juvena Kegler Ramos.
Rogério Mazzardo, engenheiro agrícola e gerente técnico da Emater/RS-Ascar, conta que os efeitos climáticos de 2017 interferiram na safra deste ano. Como o pinhão é uma planta bianual, o que se percebe neste ano é que a produção da semente foi reduzida em função de ocorrências climáticas de 2017, tanto a sazonalidade quanto a distribuição pluviométrica, excessos de chuva, estiagem e geadas fora de época, explica.
A ocorrência de falhas durante a abertura das pinhas está maior neste ano, o que também influencia de forma negativa na safra gaúcha. Apesar disso, Mazzardo ressalta que essas oscilações na produção são naturais. No ano passado, as condições climáticas foram favoráveis e assim geralmente ocorre, ou seja, um ano é de boa safra, no outro, nem tanto. Mas se neste ano as condições climáticas melhorarem, nossa expectativa é que as próximas safras poderão retomar o ápice produtivo, pontua.
A Araucária é uma planta nativa do Rio Grande do Sul, protegida pelo Ibama. De acordo com a Portaria Normativa Descrição DC-20 de 1976, criada pelo órgão ambiental, é liberada a colheita e venda da semente a partir do dia 15 de abril, se estendendo até junho. Também proíbe o abate/corte de Araucária, salvo em exceções.
Apesar da safra reduzida, a colheita do pinhão tem importância aquisitiva para diversas famílias, que aumentam a renda anual com a colheita, venda e proliferação das sementes de Araucária.

Valor
Com menos pinhão no mercado, o produto acabou ficando mais caro. O quilo in natura, que era vendido entre R$ 3,50 e R$ 5 pelos extrativistas no ano passado, agora está entre R$ 5 e R$ 9. Nos supermercados e fruteiras da região, subiu da faixa de R$ 5,80 a R$ 9 praticada em 2018 para R$ 8,90 a 14,90 o quilo. O pinhão moído, usado na tradicional paçoca, tem preço médio de R$ 22 o quilo.
Saiba mais:
> Colheita, transporte e venda de pinhão foram liberados em 15 de abril.
> A safra do pinhão vai até junho, porém, devido à maturação das pinhas se dar em épocas diferentes, é possível colher a semente até meados de setembro.
> O peso das pinhas neste ano varia entre 1,5 e dois quilos.
> A queda na produção se deve, em especial, ao excesso de frio na florada da safra, o que afetou a fecundação e a polinização.
> A colheita do pinhão é feita manualmente: através da coleta das sementes diretamente no solo, quando os pinhões caem naturalmente com a maturação das pinhas, ou pela derrubada das pinhas.
> A venda é praticamente toda informal, feita diretamente pelos extrativistas: na beira da estrada, em mercados, restaurantes, de casa em casa.
> A maior parte da produção ainda é comercializada por meio de intermediários, que levam o produto para centros maiores como Ceasa Porto Alegre e Caxias do Sul.
> A maior parte do pinhão é vendida in natura, mas ele também é comercializado cozido na estrada ou processado.

Quanto custa:
> De R$ 5 a R$ 9 o quilo (extrativista/produtor).
> R$ 6,80 o quilo no Ceasa Serra.
> De R$ 8,90 a 14,90 o quilo em supermercados e fruteiras da região.
> R$ 22 o quilo do pinhão moído.