Viticultura e planejamento são discutidos em Farroupilha

Terceiro maior produtor de uva do país e maior produtor da variedade Moscato, o município de Farroupilha realizou na quarta-feira (10/07) o 1º Seminário Farroupilhense de Viticultura, buscando fortalecer o setor. Juntamente, aconteceu mais um encontro público do Projeto Farroupilha 2020-2040, a fim de ouvir a comunidade e planejar diretrizes para a agricultura e a agropecuária nos próximos 20 anos.
O evento aconteceu na comunidade de Santos Anjos e contou com a participação de cerca de 90 pessoas. A programação teve início com uma palestra sobre “Resgate, valorização e registro dos vinhos elaborados por agricultores familiares”, com o enólogo da Emater/RS-Ascar, Thompsson Didoné. A primeira vinícola colonial de Farroupilha vai ser inaugurada em breve. “O agricultor hoje consegue legalizar uma vinícola, e nós temos as etapas, os passos a seguir, e estamos à disposição para orientar”, afirmou o enólogo, que explicou desde o surgimento do projeto até as normas e procedimentos para o registro, sendo que as vinícolas podem optar pela adesão ao Programa Estadual de Agroindústria Familiar (Peaf) do Governo do Estado ou ao Simples Nacional.
Outro assunto que despertou o interesse do público foi o “Manejo da pérola-da-terra na cultura da videira”, que foi tratado pelo pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, Marcos Botton. Ao longo de muitos anos ela foi considerada a pior praga da viticultura responsável pela morte de muitos parreirais, mas com os avanços das pesquisas hoje já é possível o seu controle. “O produtor deve ficar atento evitando trazer o inseto para a propriedade. Nas áreas infestadas, deve eliminar as plantas hospedeiras presentes no interior do vinhedo, como a língua de vaca, manter plantas de cobertura não hospedeiras e realizar o controle químico no mês de novembro, visando ao controle das ninfas no início da infestação”, orientou ele.
Após, o vice-prefeito Pedro Pedrozo apresentou o Projeto Farroupilha 2020-2040, que prevê um planejamento estratégico para a cidade. “Esse encontro público também tem a função de pensar e traçar metas e rumos que vão nos nortear nos próximos 20 anos”, ressaltou. A fim de contribuir com esse planejamento local, o presidente da Emater/RS, Geraldo Sandri, falou sobre “Tendências da agricultura e do agronegócio em Farroupilha”. Para ele, essa visão de futuro passa pelo acesso às políticas públicas, pelo acesso ao mercado através do cooperativismo e qualidade dos produtos produzidos, pelos incentivos aos jovens e à agricultura familiar, pela agregação de valor aos produtos e maior rentabilidade, pela gestão das propriedades rurais, pelo desafio da competividade igualitária com outros países, como os da União Europeia, em setores como a produção de vinho e de leite e derivados, pela produção integrada, pela sucessão familiar e pela sustentabilidade baseada no tripé econômico, ambiental e social, entre outros aspectos. Sandri também destacou os principais programas e ações da Emater/RS-Ascar para o período 2020-2023 e que podem ser usados no projeto do município, como a regularização e qualificação de agroindústrias e o acesso a mercados e feiras, as ações socioassistenciais para a inclusão social e produtiva, e a gestão sustentável, com o diagnóstico, planejamento das atividades e acompanhamento dos resultados, entre muitos outros programas e ações.
À tarde, os agricultores participaram de quatro estações a campo. Manejo de plantas de cobertura do solo, qualidade de mudas de videira, coleta de amostras e análise de solo e folha, recolhimento de embalagens e depósito de agrotóxicos foram os temas abordados por profissionais da Emater/RS-Ascar, Embrapa, Sindicato dos Trabalhadores Agricultores Familiares de Farroupilha (Sintrafar) e Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural (SMDR).
Para o viticultor Marcos Cappelletti, o evento foi muito importante. “Quem deixou de vir perdeu a oportunidade do ano. A gente que está na atividade há anos não faz tudo certo, então imagina aquele que não se informa. Esse conhecimento trazido é gratuito e direcionado e ajuda bastante, porque vai chegar um momento que a gente não vai mais competir com o vizinho, mas com o mundo, e vai ter que fazer a coisa certa. Aqui, em cada estação, em cada palestra, eles falaram coisas interessantes, como o registro das vinícolas coloniais, por exemplo, que daqui a pouco pode abrir o horizonte da propriedade do agricultor”, declarou.
A promoção foi do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural, junto com as demais entidades participantes: Emater/RS-Ascar, Prefeitura de Farroupilha, Sintrafar, Sindicato Rural de Caxias do Sul, Banrisul, UCS, Sicredi, comunidade de Santos Anjos e Associações de Apicultura e de Fruticultores da Linha Jacinto e República e Marcolina e Jacinta. O seminário também contou com o apoio da Embrapa, Câmara de Indústria, Comércio e Serviços e Banco do Brasil.

Crédito foto: Rejane Paludo-Emater/RS-Ascar
Assessoria de Imprensa Emater/RS-Ascar – Regional de Caxias do Sul