Agosto é o mês ideal para a poda em videiras

Os agricultores dividem o trabalho entre poda e amarração dos vinhedos, como é o caso do produtor Ricardo DeMari Foto: Marlove Perin

Os produtores de uva acabaram de entrar na época ideal da poda seca nas videiras. Até setembro, milhares de produtores vão adotar a prática para equilibrar a brotação, renovar as parreiras e melhorar a produção. No entanto, a poda é uma técnica sensível que exige habilidade e muitos cuidados por parte dos produtores.
O engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar João Becker diz que o ideal é ter de 60 a 100 mil gemas por hectare, renovar de quatro a dez varas por esporões e não esperar até novembro para fazer a poda verde. Mas ele diz que muitos destes cuidados as vezes deixam se ser feitos pelos agricultores por falta de opção, porque a atividade carece de mão-de-obra qualificada.
Os meses ideais para a poda da parreira, poda seca ou poda de inverno são julho e agosto, principalmente agosto em ano como este, onde tivemos oscilações bastante bruscas de temperaturas (como a última semana que passou com calor de verão), que expõe a planta a um risco maior de brotação antecipada. Brotando antes, ela corre o risco de sofrer danos com geadas um pouco mais tardias. A poda de inverno é de extrema importância para a produção e renovação da planta. Neste ano agrícola a poda está em pleno andamento, porém num ritmo ainda menor que nos anos anteriores. Os produtores em geral estão cautelosos quanto a realização da poda em função das condições climáticas ocorridas e também das previsões de possíveis ondes de frio mais tardias. Com estas condições algumas variedades de uvas já iniciam o processo de brotação, quando podadas. Neste sentido os produtores estão evitando podar cedo, principalmente as variedades mais precoces, para evitar prejuízos com geadas tardias, ou seja, após a brotação. O mês de agosto é o mais indicado, só que como a prática da poda é preciso ter bastante conhecimento da prática, falta mão-de-obra. Então tem produtores que já vêm podando desde o início de junho e vão até setembro podando para vencer essa demanda — diz João.
Até o final do mês de junho praticamente não houve acumulo de horas frio, porém no início do mês de julho houve temperaturas baixas, com geadas, mas também no transcorrer do mês houve ondas de temperatura alta. No início de julho as videiras entraram no estado de dormência e ainda não atingiram as exigências mínimas de Horas Frio. Já no final de julho o acúmulo de horas de frio menor ou igual a 7,2ºC foi de 171 (HF), somado com as horas frio acumuladas de agosto o total de horas de frio para indução e superação da dormência para maioria das cultivares já foi atingido. Já no mês de agosto o frio voltou com intensidade, inclusive com geadas fortes. A partir desta data os trabalhos de poda vem se intensificando uma vez que o período de poda vai até final de agosto em alguns casos podendo se estender até início de setembro. O ideal é que a partir desta data não ocorram mais frios tardios (após o início da brotação), explica o técnico.