Projeto de ressocialização de presos é embasado na viticultura

Administração Municipal de Bento Gonçalves desenvolveu um projeto para construção de um parreiral na nova Casa Prisional com objetivo de cultivar uva, que será vinificada e transformada no vinho de Bento

O projeto de ressocialização da prefeitura de Bento Gonçalves é com base na vocação da cidade ser um polo industrial e turístico ligado à uva e ao vinho, embasado na viticultura e inspirado em práticas semelhantes há Portugal e Itália. Em Portugal a produção de vinho na prisão começou nos anos 50 como trabalho manual para os detentos, mas o programa evoluiu para um sistema de recompensa aos mais comportados. Já na colônia penal em Gorgona, na Toscana (Itália), o programa de reabilitação de presos com a elaboração do vinho iniciou em 2012 e gerou excelentes resultados.
O vinho Gorgona, é batizado com o nome do arquipélago. As uvas são cultivadas na ilha do presídio e todo processo de produção da bebida é feito com a ajuda dos detentos. Cerca de 100 detentos na ilha se dedicam à produção do vinho.

Como irá funcionar o treinamento dos apenados
Os apenados designados para os serviços no parreiral receberão treinamento constante e orientações permanentes a cada ação realizada na área, através de informações teóricas e práticas. Possibilitando que os participantes tenham o conhecimento necessário para implantação do parreiral, cultivo, e os tratos adequados para a colheita da uva.
Esses treinamentos serão ministrados pelos técnicos da Embrapa, da Emater e do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) com apoio dos funcionários da Prefeitura de Bento Gonçalves. Todos os passos e atividades serão registrados em Caderno de Campo, já implantado nas propriedades vitícolas, possibilitando a Rastreabilidade do produto, exigência legal para a atividade.
Ao final do período, os apenados envolvidos serão avaliados pelo grupo da Assistência Técnica, podendo ser emitido Certificado de Aptidão, para os que se posicionarem capazes perante os examinadores, capacitando-os a se apresentarem para buscar emprego em locais que demande essa qualificação ou para iniciarem seu próprio empreendimento.

Valores e ações para instalação do Parreiral
Os valores necessários para instalação do parreiral serão captados através de parcerias. O vinhedo terá 1.500 m² com volume previsto para 2 mil garradas. Serão apoiadoras do projeto para produção do Vinho da Casa Bento Gonçalves no Presídio Estadual a Prefeitura de Bento Gonçalves, Embrapa, Emater, IFRS, Instituto Rinaldo Dal Pizzol, Associação Brasileira de Enologia, Associação Brasileira de Sommeliers. Além do Poder Judiciário, Ministério Público, Conselho do Presídio e SUSEPE. Será destinado um conselho curador entre os parceiros do projeto.

Variedade de uva e logomarca do vinho
A escolha da variedade de uva para cultivo no local será definida após amplo estudo das condições geográficas e climáticas da localidade que será implantada o parreiral. A denominação do vinho poderá ser feita através de um concurso entre os artesãos do Município para escolha da marca e rótulo.

Vinificação
A uva produzida será colhida conforme orientação dos técnicos e transportada para a vinificação na localidade definida para produção e engarrafamento do vinho. Os parceiros manterão um acompanhamento e fiscalização durante o processo industrial, bem como do acondicionamento e estocagem do vinho em recipiente adequados, até o engarrafamento.

Destinação do produto
O valor do produto será definido pelo Conselho Curador. Posteriormente 50% do que for produzido e engarrafado será destinado ao Município como lembrança oficial da cidade, para ser entregue a autoridades que visitam o Município. Os outros 50% do valor serão destinados a comercialização e o valor destinado para: Fundo Municipal de Agricultura, Fundo Municipal de Segurança, Fundo Municipal da Criança e do Adolescente e Fundo de Inovação.

Penitenciária estadual de Bento Gonçalves começará a ser ocupado

A nova unidade prisional terá 420 vagas em regime fechado – Foto: Jean Maidana/SOP

Está previsto o início do processo de transferência dos detentos para a nova sede da Penitenciária Estadual de Bento Gonçalves, localizada no bairro Barracão para este mês de agosto. A transferência dos mais de 300 presidiários deve ser concluída num tempo estimado de dois meses. A nova estrutura, com capacidade para 420 detentos, é representada por 143 mil metros quadrados de área construída, em cima de rocha maciça, de 18 prédios interligados, com sistema automático de abertura e fechamento de celas, evitando o contato dos detentos com os agentes de segurança. Das 420 vagas, 384 são em celas coletivas. Do restante, 12 são destinadas para isolamento, oito para portadores de necessidades especiais e 16 para o alojamento inicial.
A construção da nova sede da penitenciária, que também atende a demanda dos municípios de Garibaldi, Carlos Barbosa, Monte Belo do Sul, Santa Tereza, Boa Vista do Sul e Coronel Pilar, demandou um investimento de R$ 30,8 milhões por parte do Estado, oriundo da venda de imóveis do Daer em Bento Gonçalves (sede da superintendência e residência do superintendente), localizados em área nobre do município, e de recursos do Fundo Estadual de Gestão.
A área de terra que sedia o antigo presídio e três Delegacias de Polícia, situada no centro da cidade, de propriedade do Estado, será comercializada em sua totalidade. O imóvel que comporta o antigo presídio foi construído em 1956, com capacidade para abrigar 96 pessoas. O espaço estava comportando 320 detentos, em precárias condições, sujeitos a várias doenças, entre elas tuberculose, devido a focos infecciosos incrustados no prédio.
Para pagar a construção, o Estado vai permutar a sede da superintendência do Daer em Bento Gonçalves, avaliada em R$ 19,1 milhões, e complementar o restante com recursos do Fundo Estadual de Gestão Patrimonial, que são provenientes da alienação de imóveis – um dos exemplos é o dos R$ 2,2 milhões pelos quais a residência do superintendente do Daer em Bento foi arrematada em janeiro por uma empresa da cidade, que pretende estabelecer no local um escritório de arquitetura e uma sala comercial.

Das 420 vagas, 384 são em celas coletivas. Do restante, 12 são destinadas para isolamento, oito para portadores de necessidades especiais e 16 para o alojamento inicial