Cordeiro é vendido por R$ 2,65 milhões em leilão na Escócia

(Foto: Texel Sheep Society)

Double Diamond, um cordeiro da rara raça Texel, foi vendido durante alguns minutos frenéticos de lances num leilão em Lanark, perto de Glasgow, na Escócia, por um valor recorde de 367.500 libras esterlinas, o equivalente a cerca de R$ 2,65 milhões.
Jeff Aiken, um dos três criadores que uniram forças para pagar o preço mais alto já visto por um ovino, estava de olho no Double Diamond por várias semanas antes da venda, nesta quinta-feira (27/08), segundo contou ao jornal britânico The Guardian.
Texel é uma raça rara muito procurada que se originou na pequena ilha de Texel, na costa da Holanda. Segundo Aiken, os animais dessa raça são geralmente vendidos por quantias de cinco dígitos, mas essa disputa se tornou particularmente intensa.
O cordeiro foi vendido por Charlie Boden e família de seu rebanho Sportsmans em Cheshire.
Até a venda de Double Diamond, o recorde anterior de uma ovelha vendida em leilão era de pouco mais de £ 230.000 (cerca de R$ 1,66 milhão), estabelecido em 2009; e o máximo que Aiken já pagou foi £ 105.000 (R$ 756 mil) por um carneiro chamado Sportsman Batman.
Double Diamond passou a pertencer a três sócios e será colocado como reprodutor. Conforme ele envelhecer, seu sêmen será coletado para inseminação artificial.

*com agências internacionais

Setor de espumantes projeta vendas até 10% maiores no Brasil apesar da pandemia

Safra boa e desempenho no primeiro semestre trazem otimismo mesmo com adiamento de casamentos e festejos

De acordo com a reportagem do Glovo Rural, o adiamento de casamentos e festejos devido à pandemia do coronavírus não cancelou os motivos para o setor de vinhos e espumantes comemorar. “Temos a melhor safra dos últimos 20 anos. Todos os derivados da uva desta safra ficarão para a história devido ao alto padrão”, afirma o presidente do Instituto Brasileiro de Vinhos (Ibravin), Márcio Ferrari.
Segundo Ferrari, no pior cenário, estima-se ainda um aumento de 10% nas vendas de vinhos espumantes para o final deste ano, um período mais importante no mercado para o setor. Em 2019, as vendas de espumantes nos festejos de final de ano cresceram 15% em relação ao mesmo período do ano anterior.
“Se houver flexibilização das medidas (restritivas de isolamento), haverá boom nas vendas. A questão é adivinhar o que vai acontecer com a pandemia”, explica Ferrari, prevendo que a comercialização pode ter alta de até 30% no melhor cenário.
Os negócios no primeiro semestre – 66,42% superiores ao mesmo período de 2019 – deram fôlego e ânimo aos produtores, que agora esperam ansiosos para confirmar se estes produtos já estão na mesa do consumidor ou se ainda aguardam por ele nas gôndolas, de acordo com o presidente da Uniao Brasileira da Vitivinicultura (Uvibra), Deunir Luis Argenta.No entanto, segundo Argenta, os primeiros seis meses deste ano registraram queda de 26,19% na comercialização dos espumantes tipo Brut em relação ao mesmo período do ano anterior. Já os espumantes moscatéis praticamente mantiveram o mesmo volume de 2019, com incremento de 1,68%.
“Mesmo assim, as vendas seguem em crescimento e, com isso, o brasileiro está tendo a oportunidade de degustar a qualidade do produto nacional e descobrir que não paga mais por isso”, destaca Argenta. “Julho, por exemplo, é responsável por 26,13% de todo vinho fino vendido este ano, que chegou a 14.659.904 litros. É o melhor desempenho de 2020 nesta categoria”, completa.
Com relação aos empregos, os representantes do setor afirmam que não houve perdas significativas, e muitos dos trabalhadores que tinham sido demitidos no início da pandemia foram readmitidos para suprir a necessidade das vinícolas.
“As vinícolas de grande porte tiveram incremento de empregos, pois o grande volume de venda vem delas, que estão nos supermercados com produtos de entrada. Já as pequenas, muitas delas familiares, seguem com a mesma estrutura ou até enxugando. Apesar de estarmos falando de um mesmo setor, as variáveis são muitas. Depende de cada realidade”, explica Argenta.
Champagne
Já a região do espumante mais prestigiado do mundo, a Champagne, sofre com o ano mais sombrio da história do produto. O grupo de luxo LVMH, player dominante com suas marcas Moët & Chandon, Veuve Clicquot, Ruinart e Mercier, informou que o preço de compra para os cachos de pinot noir, meunier e chardonnay, suas três variedades de uvas emblemáticas, caiu de 15 a 25 centavos de euro por quilo.
Outro indicador é o rendimento dos viticultores em 2020, que caiu 20% em relação ao ano anterior. Cada videira de Champagne não pode, portanto, dar mais de 8.000 toneladas de frutas por hectare, em comparação com as 10.200 toneladas colhidas em 2019. Por ser um produto com a produção controlada pelo mercado, esse número é fixado pela comissão de Champagne, que reúne viticultores e comerciantes.
“Este ano foi muito difícil definir um rendimento, geralmente estabelecido pelo número de garrafas vendidas até julho, pelas projeções de vendas para o ano e pelo nível de estoques”, explicou Maxime Toubart, presidente do Sindicato Geral dos Viticultores (SGV) de Champagne, em entrevista ao jornal francês Le Monde.
Segundo ele, a pandemia de coronavírus colocou o vinhedo em crise. “Já perdemos 45 milhões de garrafas, o que representa menos um terço das vendas”, destaca Toubart.

Evento online na Serra é oportunidade para produtores de leite obterem melhores resultados

 

Produtores de leite assistidos pela Emater/RS-Ascar nos 49 municípios da região de Caxias do Sul poderão participar da Semana Online do Leite da Serra Gaúcha, que vai acontecer de 21 a 25 de setembro. Na programação, extensionistas da Emater/RS-Ascar, vinculada à Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), irão abordar: bem-estar animal sem complicações, 16 mitos sobre pastagens na região e a qualidade do leite: o tarro do desperdício.
O objetivo é sensibilizar os produtores quanto aos temas do evento, que foram escolhidos de acordo com a linha de trabalho prioritária da Emater/RS-Ascar na área do leite na região. Eles foram definidos considerando a realidade e as dificuldades que os produtores enfrentam, oferecendo uma forma de solucionar esses problemas e tornar o leite mais atrativo e rentável para as famílias. Isso baseado nas experiências que vêm sendo desenvolvidas pela Extensão Rural e Social nas propriedades rurais e que têm dado resultados significativos.
“A proposta de desmistificar o leite à base de pasto é porque entendemos que as soluções que devem ser oferecidas às famílias devem considerar as realidades delas e da região, sem necessidade de grandes investimentos em máquinas, instalações, rebanho, etc. A grande maioria das famílias trabalha com uso de pastagens, mas, por alguns mitos e preconceitos, e até falta de incentivo e orientação técnica sobre o sistema, alguns acabam não alcançando os resultados que poderiam ter com ele”, ressalta o extensionista rural da Emater/RS-Ascar, Leandro Ebert, que será um dos palestrantes no evento.
As inscrições são limitadas e podem ser feitas nos escritórios municipais da Emater/RS-Ascar da região da Serra. O evento será transmitido pelo YouTube, sendo que os inscritos receberão um link para acesso.
Posteriormente, os participantes terão o acompanhamento dos técnicos da Emater/RS-Ascar, que recentemente foram capacitados sobre esses temas e irão fomentar esse trabalho nas propriedades da região.

Alimentação saudável e planejada é essencial em qualquer estação

Foto: Vanessa Almeida de Moraes, jornalista da Emater/RS-Ascar na região de Passo Fundo

Nesse período de pandemia e de isolamento social, os hábitos alimentares também estão passando por um processo de mudança, tanto no produzir, como no comercializar e principalmente no consumir. Manter cuidados com a higiene pessoal, planejar as refeições e as compras semanais e garantir uma nutrição adequada são algumas dicas divulgadas pela Emater/RS-Ascar, até mesmo para evitar a transmissão do vírus, e que defendem a diversificação da alimentação e a criatividade nos novos hábitos.
Os cuidados com a alimentação também são importantes para fortalecer o organismo, que enfrenta constantes oscilações climáticas. Nas últimas semanas, por exemplo, a população do Rio Grande do Sul presenciou dias frios, com granizo e geada, e dias abafados e quentes, incomuns para a estação do inverno, mas que têm ocorrido com maior frequência.
Independente de temperatura ou estação, ao planejar as refeições, nunca é demais lembrar dicas básicas, como observar a validade dos alimentos e definir o cardápio de forma a aproveitar os alimentos de forma integral, evitando o desperdício.
“Esses dias de distanciamento social podem ser importante para dedicarmos mais tempo para o preparo da alimentação, testando receitas saudáveis e gostosas a partir de alimentos da época, que inclusive são mais baratos. E envolver toda família, despertando a criatividade de crianças e jovens na elaboração das refeições”. A sugestão é de Leila Ghizzoni, extensionista rural social da Emater/RS-Ascar e nutricionista, ao defender “um prato com várias cores, incluindo maior variedade de frutas, verduras e legumes, e os alimentos in natura, que devem ser a base de toda alimentação”.
Para colaborar neste momento com a prevenção da transmissão do vírus, evitando a circulação desnecessária, é interessante optar por compras coletivas na família ou em condomínios. Fazer pedidos para cooperativas ou grupos de comercialização com entrega em casa também é uma opção que aproxima e favorece agricultores e consumidores, já que muitas associações e mesmo produtores assistidos pela Emater/RS-Ascar passaram a oferecer encomendas virtuais e entregas em casa ou nas feiras, no sistema pague e leve. “Devemos priorizar as cadeias curtas e adquirir de produtores locais ou em feiras, impulsionando a economia local e reduzindo o desperdício de produtos durante o transporte”, salienta Leila.
A nutricionista defende ainda a manutenção de uma horta ou, para quem tem espaço, um pomar em sua casa ou propriedade, “uma opção interessante nesse tempo de pandemia e que apresenta muitas vantagens, como alimentos e temperos frescos, da estação, e a terapia de plantar, cuidar e colher, envolvendo crianças e adultos nesse cuidado”.
A produção caseira de alimentos, seja através de hortas urbanas ou em pequenos espaços, favorece uma alimentação saudável, pela proximidade de consumir alimentos frescos, in natura, e saber a procedência e qualidade dos mesmos. “É importante evitar o consumo de alimentos ricos em calorias e ultraprocessados, pois o organismo, nesse isolamento, diminuiu o gasto calórico no dia a dia”, avalia Leila. Ela explica que, “ao ingerir mais calorias do que precisamos, aumenta o risco de adquirirmos vários problemas de saúde, como a obesidade”. A nutricionista destaca que no manuseio dos alimentos permanecem os cuidados como lavar bem as mãos com água e sabão e higienizar frutas, legumes, verduras e as embalagens antes de armazenar.

REFEIÇÃO PLANEJADA – Confira e priorize alguns alimentos de época
Inverno – Frutas cítricas: bergamota, carambola, jabuticaba, kiwi, lima, limão e morango. Verduras: agrião, brócolis, chicória, couves, espinafre, louro, mostarda, orégano, recolha, rúcula e salsão; Legumes: aipim, cará, cogumelos, ervilha, inhame, mandioquinha, nabo, pinhão e rabanete.
Primavera – Frutas: abacaxi, acerola, ameixa, figo, framboesa, manga, jabuticaba, kiwi, lima, mamão, maracujá, morango, pêssego e uva. Verduras: alface, brócolis, couves, espinafre, hortelã, mostarda, orégano, repolho, salsa e salsã. Legumes: aspargo, berinjela, beterraba, chuchu, ervilha, mandioquinha, nabo, pepino, pimentão, rabanete, tomate e vagem.
Verão – Frutas: abacate, abacaxi, carambola, coco, figo, framboesa, goiaba, limão, mamão, maracujá, melancia, melão, pera, pêssego e uva. Verduras: acelga, agrião, alho, alface, cebolinha, couve, repolho, rúcula e salsa. Legumes: aipim, berinjela, beterraba, cará, chuchu, gengibre, inhame, milho, nabo, pepino, pimentão, rabanete e tomate.
Outono – Frutas: abacate, ameixa, bergamota, caqui, carambola, kiwi, limão, maracujá, mamão, morango, pera e uva. Verduras: alface, almeirão, brócolis, louro, nabo e repolho. Legumes: Aipim, berinjela, beterraba, chuchu, ervilha, gengibre, inhame, milho, pepino, pimentão, rabanete e tomate.
“Importante destacar que a prioridade é o consumo dos alimentos da época, mas, para garantir a diversidade e o aproveitamento de alimentos que estiverem baratos numa estação, podem ser preparados e consumidos ao longo do ano, congelados ou preparando geleias, compotas e conservas, entre outras possibilidades”, indica Leila.

SEMANA DA ALIMENTAÇÃO NO RS
O Dia Mundial da Alimentação é celebrado no dia 16 de outubro, data estabelecida pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), que define uma temática para cada ano.
No RS, todos os anos é realizada a Semana da Alimentação com muitas atividades e debates. Neste ano, a Semana da Alimentação acontece de 12 a 18 de outubro e é organizada pela Emater/RS-Ascar, conselhos de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável (Consea/RS) e o Regional de Nutricionistas da 2ª Região (CRN-2), Associação Gaúcha de Nutrição (Agan), Fórum de Segurança Alimentar e Nutricional (Fesans/RS) e o Governo do Estado, representado pela Secretaria de Trabalho e Assistência Social (STAS), com a colaboração de outras entidades.
Com a temática “Segurança Alimentar e Nutricional: estratégias e ações integradas em tempos de pandemia”, a Semana da Alimentação faz um chamamento para a solidariedade de ajudar as pessoas mais vulneráveis, através de estratégias e ações integradas no enfrentamento à situação de insegurança alimentar.
“Nesse momento de pandemia é necessário pensar estratégias articuladas de forma que a população seja igualmente atendida e possamos minimizar a situação de insegurança alimentar. Apoiarmos esses verdadeiros ‘heróis da alimentação’, os agricultores e trabalhadores do campo, que garantem que os alimentos cheguem da terra à mesa de todos”, analisa Leila.
A extensionista avalia que o isolamento/distanciamento social provocado pelo novo coronavírus pode ser considerado uma oportunidade de inovar e reconstruir as relações de compra e venda de alimentos, a exemplo da plataforma de comercialização Feira Virtual da Agricultura Familiar (Fevaf) http://www.emater.tche.br/site/fevaf/, desenvolvida pela Emater/RS-Ascar e Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), que tem mais de 90 mil visualizações e 900 empreendimentos cadastrados, conectando agricultores e cooperativas e agroindústrias da agricultura familiar a consumidores gaúchos. “É preciso também repensar a distribuição dos alimentos através dos programas sociais e das iniciativas de solidariedade”, finaliza.

Região da Serra legaliza mais nove agroindústriasRegião da Serra legaliza mais nove agroindústria

Crédito foto: Divulgação Emater/RS-Ascar

Com a entrega de mais nove certificados de inclusão no Programa Estadual de Agroindústria Familiar (Peaf), da Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), nos meses de julho e agosto, a região da Serra chega à marca de 241 empreendimentos legalizados com o auxílio da Emater/RS-Ascar na regularização sanitária, ambiental e tributária. As novas agroindústrias familiares são dos municípios de São Marcos, Farroupilha, Bento Gonçalves, Vila Flores, Antônio Prado, Flores da Cunha, Monte Belo do Sul, Gramado e Nova Prata.
Em Gramado, a entrega do certificado para a agroindústria de Produtos Coloniais Klemann ocorreu na quarta-feira (26/08). A família, com tradição na agricultura na Linha Tapera, viu na agroindústria uma oportunidade de se manter na colônia com mais renda. Juliano e a esposa Luciane também pensaram no futuro da filha pequena, numa possível sucessão rural. Para a legalização do empreendimento, que produz doces e compotas de frutas com matéria-prima própria, especialmente o figo, além de crem, a família diz que o auxílio da equipe da Emater/RS-Ascar, desde o início, foi decisivo. O que a família não contava, era com a pandemia. “A gente tem alguns poucos clientes, é difícil conseguir entrar em um mercado agora, mas devagarinho a gente vai indo, sempre na esperança de melhorar”, afirma Juliano, otimista.

Produtores de Santa Catarina congelam plantas para evitar prejuízos da geada

Sistema funciona com aspersores que promovem “chuva” no pomar na iminência da geada

Foto: Epagri

A Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) estimou perda de cerca de 50% da produção da safra de frutas de caroço (ameixa, pêssego e nectarina) da região do Alto Vale do Rio do Peixe por conta das geadas que atingiram a região nos dias 21, 22 e 23 de agosto. Contudo, os prejuízos não alcançaram os agricultores que congelaram seus pomares.

Foto: Epagri

A técnica de congelamento é chamada de controle de geada por aspersão. O sistema funciona com aspersores que promovem uma “chuva” no pomar na iminência da geada. Quando a temperatura ambiente chega a 1 °C, com tendência de queda, o fruticultor liga o sistema que cria uma boa lâmina de água sobre as plantas para que elas congelem quando a temperatura chegar a 0 °C, e permaneça assim até que a temperatura do ar retorne a patamares positivos. O gerente da Estação Experimental da Epagri em Videira, André Kulkamp de Souza, afirma que o investimento é alto, mas importante para os pomares da região, em que a geada acontece com mais frequência. “O investimento é alto por conta da água que é aspergida sobre a planta em temperatura superior ao ambiente, assim, à medida que vai congelando, ela fornece calor para a planta, numa reação exotérmica. Para isso, é necessário fornecer água continuamente”, disse.
De acordo com Souza, um hectare consome até 30 mil litros de água a cada hora de aspersão. “Tem produtores que gostariam de fazer, mas não possuem água na propriedade”, diz Alceu Assis José Vicente, extensionista da Gerência Regional da Epagri em Videira.A solução para aqueles que não podem pagar, é manter açudes na propriedade, que é o caso dos irmãos Marcelo e Giovane Suzin, produtores de frutas de caroço em Videira. “Nessa última geada o sistema foi acionado durante três noites: a primeira funcionou sete horas, na segunda foram 15 horas e na terceira foram 6 horas de funcionamento”, relata Suzin. Os irmãos têm 16 hectares cultivados com frutas de caroço, sete dos quais contam com sistemas de controle e geada por aspersão.Outro fator que contribui no alto preço do investimento é a instalação do sistema. Marcelo explica que na propriedade que mantém com o irmão, tem três sistemas implantados e cada um com demandas diferentes de investimentos. “Têm sistemas que necessitam de maior quantidade de tubulações e bombas maiores, aumentando o custo de implantação”, explica.
Na maioria das propriedades da região, os pomares ficam em partes mais elevadas, enquanto os açudes ficam nas partes baixas e, por isso, o valor da bomba necessária pode variar. Quanto maior a distância e elevação, maior a necessidade de uma bomba mais potente e de quantidade de tubulação. Apesar disso, de modo geral, o investimento varia de R$ 20 mil a R$ 25 mil por hectare.Apesar de ser um investimento caro, os resultados são positivos. Marcelo Suzin afirma que nas áreas com aspersão, não teve grande perdas, enquanto nos pomares onde ainda não implantou o controle, as perdas foram significativas.O Alto Vale do Rio do Peixe é a principal região produtora de frutas de caroço em Santa Catarina. De acordo com dados do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri, 59% da produção catarinense de ameixa está concentrada na região, que responde também por 79% do pêssego e nectarina produzidos no Estado. Na safra 2018/19, havia em Santa Catarina 1.115 produtores de frutas de caroços, com área colhida de 2.372 hectares e produção de 34.164 toneladas, o que gera um valor bruto de produção (VBP) de R$ 54.121 milhões.

5 maneiras de economizar água na irrigação

Atenção aos melhores horários para acionamento dos equipamentos é um dos pontos importantes para evitar desperdício no campo

O Brasil tem cerca de 7 milhões de hectares de área cultivada irrigada Foto: Divulgação internet

Ano após ano, a abertura de novas áreas para a agricultura está diminuindo. Agregado a essa questão, há um aumento da população, que prioriza maior quantidade e qualidade dos produtos agrícolas. “Para atender essa exigência do mercado, os produtos agrícolas devem atingir a máxima excelência (em qualidade e quantidade) ”, diz Fábio Batista, representante da Carretéis Irrigat.
Pensando em chegar aos maiores níveis de excelência, é necessário aderir à modernização dos sistemas de trabalho no campo. Ainda de acordo com Fábio quando falamos em melhorar a produtividade através da tecnologia, um dos temas que devem ser considerados é a irrigação. Qualquer cultura tem a necessidade de água, algumas precisam de mais e outras nem tanto, mas nenhuma se desenvolve sem recursos hídricos.
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O objetivo da irrigação será a de nutrir a planta com a quantidade de água necessária, porém de forma artificial, suprindo a falta de chuva, que em períodos longos de estiagem, costuma causar sérias perdas de produção. Uri Goldstein, diretor comercial da Agrosmart e especialista em irrigação, analisa que, quando bem implantada e conduzida, a irrigação viabiliza e melhora a qualidade da produção agrícola ao longo de todo o ano.
Segundo da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), 20% da área cultivada no planeta era irrigada, em 2012, sendo responsável por 40% da produção de alimentos. “Isso significa que a eficiência na utilização e produtividade da área irrigada para a não irrigada é de 2 a 3 vezes maior, em relação à agricultura de sequeiro”, explica. A irrigação, além de trazer melhoria para a produtividade, garante mais qualidade ao produto final, com este sendo ofertado com um alto valor agregado.
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Os sistemas de irrigação mais utilizados, atualmente, são irrigação superficial, irrigação localizada e por aspersão. Entenda o funcionamento de cada um:

Irrigação Superficial
A água é conduzida para o ponto de infiltração diretamente pela superfície do solo. Os sistemas de irrigação superficial mais comuns são as irrigações por inundações e as irrigações por sulcos.

Irrigação localizada
A água é aplicada na área ocupada pelas raízes das plantas, formando um tipo de círculo úmido. Ela é muito utilizada nos dias atuais, sendo muito aplicada na produção de frutíferas. Os dois sistemas básicos na irrigação localizada são a microaspersão e o gotejamento.

Por aspersão
Esse sistema simula uma chuva artificial em que um aspersor expele água para o ar, onde por resistência aerodinâmica há a transformação de pequenas gotículas de água que caem sobre o solo e sobre as plantas. Seus principais sistemas são o convencional, o pivô-central e o autopropelido.
Nos últimos anos, vem ocorrendo expressiva expansão da irrigação localizada e por aspersão. Goldstein explica os motivos. “A irrigação localizada proporciona grande economia de água e energia elétrica, além de praticidade. Com a irrigação por aspersão há o benefício em irrigar com 100% de cobertura”.
Batista completa que cada método de irrigação tem seus pontos positivos e negativos. Por isso, é importante verificar a área que se quer irrigar, qual é o tipo de cultivo e qual a disponibilidade de recursos hídricos e financeiros de cada produtor. Em cima disso, o produtor deve optar pelo melhor produto que esteja ao seu alcance, buscando sempre fazer um manejo adequado.

Emater/RS-Ascar continua verificação dos efeitos da geada da última semana

Nesta semana, extensionistas, técnicos, imprensa e agricultores não trabalharam e falaram em outro assunto a não ser a última geada ocorrida na última semana e as possíveis perdas e prejuízos causados às culturas, principalmente do trigo. Isso porque, de acordo com o Gerente de Planejamento (GPL), Rogério Mazzardo, a principal cultura de inverno no Estado é o trigo, que ocupa em torno de 920 mil hectares nesta safra, concentrada nas regiões Norte, Noroeste, Central e Missões. “Estima-se nesta semana que 20% da área está nos estágios reprodutivos, emissão de espigas, floração e formação de grãos, ou seja, as fases mais sensíveis aos efeitos climáticos, em decorrência das geadas que ocorreram há poucos dias”.
Diante disso, pode-se afirmar que várias lavouras têm apresentado quebra de produtividade, mas ainda difícil de mensurar quanto foi danificado, seja em quantidade ou qualidade, o grão para esta safra. “Nos próximos dias, os técnicos da Emater/RS continuarão a campo para acompanhar e verificar os efeitos dessas perdas nas lavouras. Perdas pontuais e localizadas ocorreram, mas ainda não foram quantificadas”.
De acordo com o Informativo Conjuntural, produzido e divulgado pela GPL nesta quinta-feira (27/08), a entrada de uma forte massa de ar frio provocou queda brusca de temperatura e formação de geadas na semana anterior, que trouxeram consequências ao trigo, devido aos estágios de desenvolvimento mais suscetíveis às condições de frio. Na maioria das regiões, principalmente meio-norte do Estado, a forte geada provocou danos nas lavouras em floração e em início do enchimento de grão. Até mesmo nos Campos de Cima da Serra, as primeiras áreas semeadas que já se encontram em fase de emborrachamento poderão apresentar perdas significativas. Essas perdas só poderão ser mensuradas nos próximos dias quando os danos puderem ser visualizados.
Na região de Frederico Westphalen, as chuvas fortes, ventanias e queda de granizo causaram tombamento em algumas áreas. Na sequência, as geadas também ampliam os riscos de perdas às lavouras, a serem dimensionadas ao longo da semana. Na regional de Pelotas, as geadas não causaram danos. Desde sábado (22/08), nas áreas danificadas pela geada já era possível visualizar os efeitos de queimadura de folhas, branqueamento de espigas e danos nos colmos, principalmente próximo aos últimos entrenós.
Os cultivos de canola se ressentiram dos efeitos das geadas na semana. Na regional de Frederico Westphalen, 10% dos cultivos estão em floração e 90% em enchimento de grãos. As chuvas fortes acompanhadas de vento e granizo da última sexta-feira (21/08) causaram tombamento em algumas áreas; somado ao efeito da geada vão reduzir a produtividade. Na de Ijuí, a maioria das lavouras está em floração. A geada cobriu totalmente as flores e as síliquas, estruturas muito sensíveis da planta. A fina camada de gelo provocou maiores danos nas síliquas e, consequentemente, nos grãos em formação, que continham elevado teor de água. Na região de Santa Rosa, haverá diminuição do rendimento em virtude dos danos provocados pelas geadas de julho e agosto.
Lavouras de aveia e cevada em estágio reprodutivo também sofreram danos pela ocorrência de geadas. Além dessas, o milho que já estava em desenvolvimento vegetativo com quatro folhas ou mais sofreu danos, como queimadura das folhas e morte de plantas, com congelamento dos tecidos, sendo necessário replantar as áreas.
A formação das geadas causou danos na floração de pessegueiros e ameixeiras precoces com baixo requerimento de frio; a grande maioria das plantas estavam em floração e início de formação dos frutos. Já nas variedades mais tardias, cujos acumulados de horas de frio necessários são maiores, a ação das geadas não foi tão expressiva. Na região de Caxias do Sul, cultivares superprecoces de pêssego já se encontravam em plena frutificação, e as precoces na fase fenológica de limpeza das frutinhas foram as mais afetadas pela ocorrência de baixas temperaturas. A extensão dos prejuízos só será passível de mensuração diagnóstica em algumas semanas, tempo necessário para as frutas e flores evidenciarem os efeitos.
Nas regiões onde videiras estavam em início de brotação são observados danos provocados pelas geadas. Produtores de melancia da região de Soledade, os que haviam realizado plantio precoce em estufins tiveram prejuízos com granizo. Na região de Porto Alegre, em plantios precoces em cabaninhas onde baraços das mudas a prosperarem além da área protegida que foram atingidas por geadas, queimando parte destas ramas.
Leia o Informativo Conjuntural completo em https://bit.ly/32AU1ba

http://www.emater.tche.br/site/arquivos_pdf/conjuntural/conj_27082020.pdf

Vinhos finos alcançam melhor venda do ano em julho

Qualidade reconhecida, bom preço, melhor distribuição, adoção de hábitos mais caseiros em razão da pandemia e alta do dólar ampliam competitividade do produto

Deunir Luis Argenta, presidente da Uvibra Foto: Morgane Coloda

O mercado interno está abastecido com vinhos finos brasileiros. As vendas registradas no primeiro semestre deram fôlego e ânimo aos produtores que agora esperam ansiosos para confirmar se estes produtos já estão na mesa do consumidor ou se ainda aguardam por ele nas gôndolas. Mesmo assim, as vendas seguem em crescimento e, com isso, o brasileiro está tendo a oportunidade de degustar a qualidade do produto nacional e descobrir que não paga mais por isso. O mês de julho, por exemplo, é responsável por 26,13% de todo vinho fino vendido este ano que chegou a 14.659.904 litros. É o melhor desempenho de 2020 nesta categoria, segundo dados oficiais da União Brasileira de Vitivinicultura (Uvibra), refletindo a comercialização do que é elaborado no Rio Grande do Sul.
Muitos fatores vêm influenciando este aumento nas vendas, puxado pelos supermercados, uma vez que são os rótulos de entrada que registram o maior incremento. Vantagens diante das variações do câmbio, maior acessibilidade e distribuição, qualidade e bom preço, a chegada do inverno, além dos novos hábitos gerados em função da pandemia da Covid-19 que tem levado as pessoas a consumirem mais vinho em casa. “No mercado global de vinhos, as vendas acabaram ficando mais concentradas nos supermercados e mercearias. O motivo para isso é claro e simples. Os restaurantes ficaram fechados. Para os produtores nacionais isso representa, claro, prejuízos em alguns segmentos, como o enoturismo e a gastronomia, mas forte crescimento onde estão os maiores volumes: os supermercados”, analisa Deunir Luis Argenta, presidente da Uvibra, destacando informações de crescimento nos segmentos de entrada.
Historicamente, são nos meses de junho a agosto que as vinícolas registram as melhores vendas do produto. Isso porque o inverno é um grande aliado do consumo de vinhos no país. Mas não foram só os vinhos finos que tiveram o melhor desempenho do ano no período. Os espumantes brut, que no semestre (janeiro a junho) tiveram queda de 26,19% em relação ao mesmo período do ano passado, começam uma virada fechando o mês de julho com um aumento de 13% em relação a junho. Já os espumantes moscatéis tiveram uma leve queda de 2%.
No segmento do suco de uva concentrado, apesar da performance ser positiva em relação ao mês anterior com um aumento de 24%, percebe-se que os números estão longe de alcançar os resultados do primeiro trimestre com janeiro na liderança registrando 2.668.048 litros. Quanto ao suco de uva natural, adoçado e processado, a situação é semelhante com março na dianteira.

O mês de julho, por exemplo, é responsável por 26,13% de todo vinho fino vendido este ano que chegou a 14.659.904 litros Foto: Marlove Perin

Importados ainda detém mais de 80% do mercado
Mesmo com estes dados que mostram uma evolução nas vendas dos vinhos finos brasileiros, os importados ainda têm 82% do mercado nacional. “Nós estamos evoluindo, assim como os importados. O bom de tudo isso é que os brasileiros estão consumindo mais vinho. No entanto, ainda é cedo para comemorar. Nossa expectativa é que os consumidores sigam fazendo novas descobertas e com a abertura do turismo e dos restaurantes possamos avançar mais, apostando nesses canais como aliados na promoção do nosso vinho”, conclui Argenta.

COMERCIALIZAÇÃO DE VINHOS FINOS, ESPUMANTES E SUCO DE UVA ELABORADOS NO RIO GRANDE DO SUL – MERCADO INTERNO 2020 (litros)

* Suco de Uva Concentrado ** Suco de Uva Natural, Adoçado e Processado Fonte: SISDEVIN/SEAPDR | Elaboração: Uvibra – Dados coletados em 21 de agosto de 2020.

IMPORTAÇÃO DE VINHOS FINOS, ESPUMANTES E SUCO DE UVA 2020 (litros)

Fonte: Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços

IFRS ofertará o primeiro Mestrado Profissional em Viticultura e Enologia do País

O Brasil terá seu primeiro Curso de Mestrado em Viticultura e Enologia, o que representa uma perspectiva de qualificar ainda mais o setor vitivinícola, as práticas de gestão e os processos de inovação.
A proposta foi aprovada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) nesta semana. Será um mestrado profissional, ofertado de forma associada entre os Institutos Federais do Rio Grande do Sul (IFRS) e de Santa Catarina (IFSC).
A aprovação da criação do Mestrado Profissional em Viticultura e Enologia representa uma grande conquista para toda a comunidade do IFRS e em especial para a Serra Gaúcha. Esse mestrado é o primeiro do Brasil nesta área do conhecimento e proporcionará mais uma oferta qualificada de formação em nível de pós-graduação para a sociedade. Essa conquista certamente abrirá novas portas e demonstra a capacidade e o potencial de oferta de programas de pós-graduação de excelente qualidade no IFRS, com grande alinhamento com o mundo do trabalho e que proporcionará a verticalização dos cursos já ofertados no Campus Bento Gonçalves. Pró-reitor de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação do IFRS, Eduardo Girotto.
O Campus Bento Gonçalves do IFRS é proponente e responsável pela gestão do curso, por meio da Comissão Acadêmica Geral composta por representantes de cada instituição associada. Dessa forma, destaca-se novamente como pioneiro na formação de profissionais para a área. Em sua origem, como Escola de Viticultura e Enologia de Bento Gonçalves, criada em outubro de 1959, formou a primeira turma de técnicos em 1962.
Posteriormente, em dezembro de 1994, obteve autorização para o funcionamento do primeiro Curso Superior de Tecnologia em Viticultura e Enologia do País. Foram disponibilizadas, então, 50 vagas por meio de processo seletivo, sendo que 25 ingressaram no primeiro semestre de 1995 e a outra metade no segundo. Naquela ocasião, sua denominação era Escola Agrotécnica Federal Presidente Juscelino Kubitschek (EAFPJK).
Em 2009 teve início o Curso de Especialização em Viticultura, criado quando a Instituição estava passando pelo processo de transição de Centro Federal de Educação Tecnológica de Bento Gonçalves (Cefet-BG) para Campus do IFRS.
A proposta de Mestrado Profissional em Viticultura e Enologia que foi aprovada pela Capes tem previsão de oferta de 20 vagas por seleção anual, por instituição ofertante, totalizando inicialmente 40 vagas. Esta pós-graduação tem como objetivo promover a qualificação de profissionais para atuar no setor vitivinícola, desenvolvendo habilidades para identificação e solução de problemas, oportunizando aos mestrandos o intercâmbio de informações e experiências multidisciplinares voltadas à produção vitivinícola e seus desafios na esfera da gestão, da tecnologia e da inovação.

A verticalização da educação, otimizando a infraestrutura física, os quadros de pessoal e os recursos de gestão, é uma das características dos institutos federais. Desta forma, o estudante pode ingressar no ensino básico e fazer o percurso de formação acadêmica até a pós-graduação, em uma mesma área.
É uma conquista muito importante para o IFRS e para o IFSC, mas, sobretudo, para o setor Vitivinícola Brasileiro, no qual o Campus Bento Gonçalves tem uma atuação determinante ao longo de sua história, dado a sua concepção, a sua estrutura e, em especial, pelo excelente quadro de profissionais que atuam e que já passaram pelo nosso Campus. Parabéns a todos os envolvidos! Agora é trabalhar forte para a sua implantação.
Diretor-geral do Campus Bento Gonçalves, Rodrigo Otávio Câmara Monteiro.
O Campus está localizado na área central da cidade de Bento Gonçalves e dispõe de vinícola-escola com toda a estrutura para elaboração de vinhos, espumantes e sucos, laboratório de enoquímica, laboratório de microbiologia, laboratório de biotecnologia, laboratório de solos, laboratório de fitossanidade, laboratório de análise sensorial, laboratório de fisiologia e laboratório de mecanização. A Estação Experimental, localizada no distrito de Tuiuty, a aproximadamente 16 km da Sede, conta com vinhedos com variedades destinadas à elaboração de vinhos tranquilos, vinhos espumantes e sucos de uva.
Além disso o Campus Bento Gonçalves vem reforçando sua atuação no contexto dos Habitats de Inovação do IFRS. Já conta com o Click, espaço de inovação, e está estruturando o PIPA IFMakeRS, voltado à difusão da cultura maker, prototipagem rápida e fabricação digital. Do Click saiu o primeiro registro de patente do Campus, confirmando sua vocação em termos de inovação tecnológica e gestão.
É um orgulho para Bento Gonçalves receber o primeiro Mestrado Profissional em Viticultura e Enologia do país. Associadas, as duas instituições, IFRS e IFSC, trazem ao Município o ápice da pesquisa e da inteligência de um setor que tem uma origem fortemente vinculada à tradição dos imigrantes, e um dos pilares da economia bento-gonçalvense. Que daqui saiam os melhores frutos para a inovação, modernização e crescimento do setor.
Prefeito de Bento Gonçalves, Guilherme Pasin.

CAMPUS URUPEMA DO IFSC
Assim como o Campus Bento Gonçalves do IFRS, o Campus Urupema do IFSC também possibilitará ao estudante percorrer o itinerário formativo desde o Curso Técnico em Viticultura, passando pelo Curso Superior de Tecnologia em Viticultura e Enologia, até o Mestrado Profissional em Viticultura e Enologia.
Localizada na Região Serrana de Santa Catarina, essa é a única instituição pública que oferta cursos na área naquele estado. Como instituição associada no Mestrado Profissional em Viticultura e Enologia, através da coordenação local e do colegiado, também será responsável pela aplicação do processo seletivo, matrículas, trancamento, transferências, emissão de diplomas, desligamento e demais trâmites acadêmicos internos.
O Campus de Urupema do IFSC conta em sua infraestrutura com os laboratórios de Análise Físico-química de Alimentos, de Análise Sensorial, de Microbiologia e Biologia Molecular, de Gastronomia, de Frutas e Hortaliças, de Microvinificação, de Informática e Casa de Vegetação.
A aprovação deste curso junto à Capes é uma conquista importante para esta área que se encontra em constante evolução. A otimização dos processos no cultivo da uva e na produção de vinhos passa a ser uma realidade com as pesquisas a serem desenvolvidas a partir da implantação deste Mestrado. Para as serras catarinense e gaúcha onde o setor vitivinícola tem forte influência e que são atendidas pelo IFSC e IFRS este fato terá reflexos muito positivos ao longo dos próximos anos, sendo motivo de grande satisfação para as duas instituições que formalizam o início de uma grande parceria. Pró-reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação do IFSC, Ailton Durigon.

A notícia da aprovação do Mestrado Profissional em Viticultura e Enologia foi recebida com grande alegria pelo Campus Urupema esta semana, pois essa oferta valoriza e consolida nossa atuação em ensino, pesquisa e extensão aplicada à vitivinicultura, desenvolvida desde 2015, a partir da implantação do curso de Tecnologia em Viticultura e Enologia. A participação do IFSC Campus Urupema de forma associativa ao IFRS Campus Bento Gonçalves, resultou em um projeto conciso, no qual as duas instituições somam competências na área da Viticultura e Enologia para a oferta de um programa de mestrado profissional inédito no Brasil. Assim, a proposta é aprimorar o conhecimento de profissionais da área e desenvolver pesquisas focados na gestão, tecnologia e inovação para o fortalecimento do setor vitivinícola brasileiro, a partir da proposta de duas linhas de pesquisa: 1) Tecnologias em viticultura e enologia; e, 2) Desenvolvimento e Sustentabilidade na Vitivinicultura.
Além de qualificar as pesquisas, tendo como ganho principal a transferência de conhecimento para a qualificação dos processos produtivos da uva e do vinho, o mestrado despertará a motivação dos egressos Tecnólogos em Viticultura e Enologia, em seguir sua trajetória educacional em um mestrado profissional, fortalecendo ainda mais a inter-relação entre a formação e as demandas do setor. Sem dúvidas será um ganho valioso e um marco histórico para a área vitivinícola no Brasil.
Diretora-geral do Campus Urupema do IFSC, Evelise Zerger.

INSTITUIÇÕES COLABORADORAS
As instituições associadas, IFRS e IFSC, na fase inicial poderão contar com entidades colaboradoras, com o propósito de qualificar o curso, entre elas as seguintes: Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) e Universidade Federal do Pampa (Unipampa). Assim, profissionais e docentes das instituições colaboradoras atuarão em encontros pontuais, participando em determinadas disciplinas ou mediante palestras em eventos realizados pelo Programa de Pós-graduação, contribuindo com o aprimoramento em temas específicos.

TRAJETÓRIA DA PROPOSTA ATÉ A APROVAÇÃO
Em 2015, o Campus Bento Gonçalves submeteu à Capes uma proposta de Mestrado em Enologia, contando com entidades colaboradoras (Ufrgs, UFPel, Unipampa e Embrapa) e apoio formal de instituições e associações do setor vitivinícola. No entanto, não se caracterizava como uma proposta em forma associativa.
Em setembro de 2016, em virtude da proposta apresentada no ano anterior não ter sido aprovada, foram reunidas as instituições envolvidas na primeira proposta para análise da avaliação feita pela Capes. A partir de então, ela foi totalmente redefinida e avaliada a possibilidade de construção de um Mestrado Profissional em Viticultura e Enologia em forma associativa. Assim, entre os anos de 2017 a 2019 foram organizadas reuniões e sob coordenação da Diretoria de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação, inicialmente sob a tutela da professora Camila Duarte Teles (in memoriam) e a partir de 2018 coordenada pelo professor Leonardo Cury da Silva. Esta nova proposta, no intuito de atender a demanda do setor vitivinícola, passou a caracterizar-se como programa interdisciplinar, com base em Ciências Agrárias mas também incluindo a área de Ciências Sociais Aplicadas, em especial a área de Gestão e Negócios, sob coordenação da professora Shana Sabbado Flores.
A Embrapa Uva e Vinho considera a implantação do Mestrado Profissionalizante em Viticultura e Enologia, através da integração de campi dos Institutos Federais, como uma importante iniciativa para ampliar a formação de profissionais qualificados para atuar no setor vitivinícola brasileiro. O mestrado irá complementar a formação que o Instituto oferece atualmente e que já começa no ensino médio e segue no superior. Parabenizamos essa iniciativa que fará a diferença na ampliação das pesquisas e na formação dos profissionais.
Chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Uva e Vinho, Marcos Botton.
A proposta apresentada à Capes foi fruto de um longo trabalho do grupo de professores e pesquisadores envolvidos na proposta, baseado nas melhores práticas na área, uma vez que a abordagem interdisciplinar para uva e vinho é uma tendência observada no contexto internacional. O curso inova em seu caráter interdisciplinar, estruturado em duas linhas de pesquisa que propõem um olhar integrado sobre as problemáticas do setor: tecnologias em viticultura e enologia e desenvolvimento e sustentabilidade na vitivinicultura. Além disso, estão presentes como temas transversais o empreendedorismo e a inovação. O curso terá apoio dos ambientes de inovação do IFRS, como o Click, espaço de inovação do Campus Bento Gonçalves e o PIPA IFMakeRS, espaço maker em estruturação, fomentando a aprendizagem baseada em problemas, a inovação em produtos e processos e a transferência de tecnologia. É importante é ressaltar que tivemos uma ótima avaliação pela Capes na proposta atual.
Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Viticultura e Enologia, Shana Sabbado Flores.

PERFIL DO INGRESSANTE NO CURSO
Profissionais graduados nas áreas de Ciências Sociais Aplicadas ou Ciências Agrárias, com experiência comprovada no Setor vitivinícola em atividades vinculadas à viticultura, enologia, enoturismo ou gestão vitivinícola.

ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL FORMADO
Ao finalizar o curso o egresso terá as habilidades e competências para resolução de problemas no setor vitivinícola, especialmente:
aprimorar práticas, processos e tecnologias atualizadas no setor vitivinícola;
identificar e utilizar com maior eficiência as técnicas usuais e novas tecnologias para o manejo de pragas e doenças da videira;
aumentar sua capacidade de estruturar modelos de negócios no setor vitivinícola;
incentivar reflexão crítica na busca de fundamentação visando a adoção de práticas utilizadas na viticultura;
mostrar ao profissional a importância de sempre manter o interesse em propor transformações nas empresas em que atuam com vistas à inovação;
reforçar a necessidade do sinergismo entre produção e estruturas de mercado e identificar oportunidades estratégicas de ampliação e diversificação do negócio;
que o egresso seja um profissional ainda mais capaz de contribuir para o desenvolvimento econômico e social da região, valorizando as potencialidades locais através da proposição de produtos e serviços vinculados à uva e ao vinho;
que o egresso seja um ente ativo para que os produtos da vitivinicultura aumentem sua participação no mercado nacional e internacional.
A evolução do vinho brasileiro passa pelas mãos de enólogos, engenheiros e técnicos agrônomos e por milhares de famílias que vivem do cultivo da uva. A cultura do vinho está enraizada no cerne da nossa gente e o conhecimento é a ferramenta capaz de continuar guiando nossas ações para o avanço permanente da qualidade dos vinhos e espumantes brasileiros. Nossas vinícolas estão equipadas com a melhor tecnologia do mundo e nossa mão de obra é reconhecida pelo talento de nossos profissionais que vêm engarrafando grandes vinhos. Este Mestrado chega num momento decisivo para o setor, que avança a passos largos conquistando o Brasil e o mundo. Não temos dúvida de que este é o caminho. Somente com estudo e pesquisa podemos compreender a natureza e o quanto e como devemos agir para expressar o que ela tem de melhor. Que este Mestrado Profissional em Viticultura e Enologia tenha vida longa e proporcione ao vinho brasileiro um futuro ainda mais promissor.
Presidente da União Brasileira de Vitivinicultura (Uvibra), Deunir Luis Argenta.