Pesquisa da Univates avalia os efeitos da exposição a agrotóxicos em trabalhadores rurais

Estudo apontou que indivíduos expostos aos agrotóxicos apresentam maior número de danos oxidativos em comparação ao grupo não exposto

Estudo apontou que indivíduos expostos aos agrotóxicos apresentam maior número de danos oxidativos em comparação ao grupo não exposto Foto: Banco de imagem/shutter

LAJEADO – A utilização de agrotóxicos no meio rural é considerada imprescindível, uma vez que eles fazem com que aumente expressivamente a produção de alimentos. Porém, os defensivos agrícolas podem ter em sua composição moléculas com efeito oxidante, que geram danos oxidativos no organismo. Em seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), a estudante Bruna Cussioli, do curso de Biomedicina da Universidade do Vale do Taquari – Univates, analisou os efeitos do contato direto com os agrotóxicos e os danos oxidativos provocados no organismo de trabalhadores rurais.
Sob orientação da professora Andrea Horst, o trabalho, intitulado “Avaliação dos efeitos da exposição aos agrotóxicos em relação aos danos oxidativos em trabalhadores
rurais”, analisou 55 pessoas, das quais 27 não têm contato com agrotóxicos e 28 trabalhadores rurais que utilizam defensivos agrícolas. “A pesquisa foi realizada na cidade de Anta Gorda/RS, local onde nasci e cresci. O município possui o setor primário como destaque. Mesmo que de longe, pude acompanhar a constante evolução na agricultura, desde o uso de sementes melhoradas até a utilização de maquinários sofisticados. Porém, uma questão me deixava intrigada: a forma como os agricultores utilizavam os agrotóxicos e o quão prejudicial poderia estar sendo quando eles são utilizados de forma incorreta. A partir disso resolvi abordar esse assunto como tema do meu TCC”, conta a estudante.
Como metodologia do trabalho, Bruna coletou amostra de sangue dos participantes, a fim de analisar os valores de nitritos e lipoperoxidação no organismo. Além disso, ela ainda desenvolveu um questionário para verificar hábitos de vida e as práticas na agricultura.

Resultados
O estudo apontou que indivíduos expostos aos agrotóxicos apresentam maior número de danos oxidativos em comparação ao grupo não exposto. Um dos pontos analisados pela estudante refere-se ao consumo de frutas cítricas (que são consideradas antioxidantes). Bruna observou que não foram encontrados resultados estatisticamente significativos em relação ao dano lipídico. Diferente disso, nas dosagens de nitrito, notaram-se resultados positivos, identificando assim que a ingestão diária de frutas cítricas pode ser eficaz na neutralização dos oxidantes.
Outra análise feita pela estudante refere-se ao uso correto de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), que diminui consideravelmente o dano lipídico. Nas dosagens de nitritos, valores maiores foram encontrados quando o trabalhador eventualmente utiliza os equipamentos de proteção. “Eu avalio os resultados encontrados como satisfatórios, pois de acordo com a pesquisa ficou evidente a importância de usar corretamente os EPIs durante as práticas agrícolas, respeitando sempre as orientações do fabricante. Além disso, observou-se que o consumo de frutas cítricas pode prevenir os danos oxidativos provocados pelas espécies reativas de oxigênio, minimizando os riscos de complicações à saúde. A partir das informações e resultados obtidos, podemos contribuir com orientações de cuidado e proteção aos produtores rurais”, finaliza a estudante.
De acordo com a professora orientadora, estudos como este reforçam a necessidade da utilização de equipamentos de proteção ao manusear os agrotóxicos. “O estudo foi muito relevante, ressaltando a importância do uso de EPIs corretamente e do consumo diário de frutas cítricas ricas em antioxidantes. Um dado importante foi que o uso parcial de EPIs, que fornece uma falsa sensação de proteção, demonstrou ser mais prejudicial, apresentando maiores valores de danos oxidativos quando comparados com agricultores que não utilizam EPIs”, destaca Andrea.
Curso de Biomedicina recebe inscrições

Estudante de Biomedicina da Univates, Bruna Cussioli Foto: Acervo pessoal/ Bruna Cussioli

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Texto: Vinicius Mallmann