Rumo ao centenário, Vinícola Aurora aposta na sucessão rural com programa para jovens filhos de cooperados

Projeto é um incentivo para a permanência no campo e está auxiliando no aumento do quadro associativo e na implantação de melhorias na produção de uva

Jéssica Bellé consolidou no Aprendiz Cooperativo vontade de permanecer no meio rural Crédito: Simone Pegoraro Bellé

A Vinícola Aurora, que completou 90 anos em fevereiro, está empenhada na continuidade da atividade rural e na ampliação do número de associados. Uma das ações desenvolvidas é o programa Aprendiz Cooperativo do Campo, que desde 2017 capacita jovens de 14 a 24 anos incompletos, filhos de associados da cooperativa, para que permaneçam na viticultura, com ênfase no cooperativismo e na gestão das propriedades. Desenvolvido em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo do Estado do Rio Grande Do Sul (Sescoop/RS), o programa já capacitou 60 jovens.

Giovani Sonaglio participou do primeiro grupo Aprendiz Cooperativo da Vinícola Aurora Crédito: Divulgação /Acervo pessoal

O viticultor Renê Tonello, que preside o Conselho de Administração da Cooperativa Vinícola Aurora, enaltece o programa como uma ferramenta importante para a continuidade de muitas famílias na atividade. Tonello, que também vem de família produtora de uvas há três gerações, destaca que a formação dos jovens vem ao encontro da busca constante por modernização e pela valorização das mais de 1,1 mil famílias associadas.
“O programa é um grande incentivo para que esses jovens possam dar continuidade ao trabalho da família e, além disso, ajudar na profissionalização das propriedades. Estamos há uma década do centenário da Aurora e sempre focados na melhora constante da matéria-prima e dos produtos”, resume.
Filha de cooperados, Jéssica Bellé, 20 anos, viu no Aprendiz Cooperativo a oportunidade que estava buscando de ter contato com outras pessoas da mesma faixa etária, de dividir seus anseios e de consolidar a vontade de permanecer no meio rural. Jéssica, que mora na Linha Buratti, em Bento Gonçalves, deu continuidade à sua formação e, hoje, cursa Agronomia no Instituto Federal do Rio Grande do Sul.

Programa foi a ponte principal para Amanda Lerin se associar à Aurora Crédito: Divulgação / Acervo pessoal

“Quando saí da escola em 2018 não tinha muita certeza do que queria fazer da vida, aí recebi o convite para ser um Aprendiz e isso acabou despertando em mim uma paixão muito grande pela agricultura. Comecei a pensar mais seriamente na questão da sucessão rural familiar, na qualidade de vida que temos trabalhando com a viticultura e decidi realmente me aprofundar nesta atividade”, conta Jéssica.
A jovem agricultora cita as aulas de cooperativismo e de gestão como fundamentais para o trabalho que desenvolve com os pais na propriedade.
“Tenho orgulho de dizer que, hoje, eu também sou associada à Aurora e que no futuro muitos destes jovens estarão muito bem capacitados para assumirem funções na direção da cooperativa. Acredito que esse seja o maior legado deste programa”, finaliza.
O também filho de cooperado, Giovani Sonaglio, 20 anos, conta que participou do primeiro grupo Aprendiz Cooperativo da Aurora e que levará as lições do programa para a vida inteira. Ele destaca que as disciplinas do curso ajudaram na decisão de fazer da viticultura e do cooperativismo uma profissão e um modo de vida.
“Tive a honra de fazer parte dessa história com outros jovens, tivemos a oportunidade de aprendizado que pode ser usado tanto na propriedade rural como na própria vida. Minha experiência no curso complementou a minha decisão de continuar na propriedade e me associar à Aurora, pois pude ter acesso ao funcionamento de uma cooperativa de uma forma mais detalhada. Fico muito feliz por esse projeto ter dado certo e ter continuidade. É uma oportunidade para todos que fazem parte dessa grande família que é a Cooperativa Vinícola Aurora”, acredita.
Ponte para o cooperativismo
A jovem Amanda Lerin, 19 anos, que mora em Pinto Bandeira, na Linha Palmeiro, na comunidade de São José da Busa, relata que o Aprendiz Cooperativo do Campo foi a ponte principal para ter se tornado associada à Vinícola Aurora. Filha de cooperado, ela também cita o apoio que sempre recebeu da família para que a tão proclamada sucessão rural virasse realidade.
“Dentro do programa aprendi muito mais do que poderia imaginar: todo o funcionamento da cooperativa, a parte financeira e administrativa para a minha propriedade, outras maneiras de diversificar a produção e de aproveitar tudo que minhas terras têm a oferecer. No programa pude enxergar o real valor da propriedade, contando com o constante incentivo que o programa dá para a permanência na viticultura e na atividade agrícola como um todo”, pontua.
Amanda garante que, hoje, consegue colocar em prática o que aprendeu no programa tanto na propriedade como na cooperativa, fazendo parte das decisões em assembleia, entendendo sobre as prestações de contas, opinando e fazendo valer a responsabilidade de ser associada.

Pastorello afirma que o programa incentivou que fizesse melhorias na atividade vitícola Crédito: Divulgação / Acervo pessoal

“Me orgulho de fazer parte dessa Cooperativa, que traz o sustento para minha família há muitos anos e incentivo outros jovens a fazer parte dessa história”, diz.
Guilherme Pastorello, 19 anos, também mora em Pinto Bandeira, na Linha Brasil, e já havia se associado antes mesmo de participar do programa. Vindo de família de viticultores cooperados – pai e o avô são sócios – ele diz que aos 16 anos buscou a emancipação e no ano seguinte entrou no quadro associativo.
“Desde pequeno sempre tive muito claro que queria continuar na agricultura. Não há valor que pague a vida que temos aqui. Quando comecei a fazer o programa tive ainda mais certeza de que esse é o futuro, com as amizades que se criaram, com todo o aprendizado, são grandes incentivos para a continuidade deste trabalho na viticultura”, destaca.
Pastorello afirma que o programa incentivou que fizesse melhorias na atividade vitícola, com uso de implementos agrícolas e modernização cada vez maior de todos os processos: “Na prática, isso possibilita uma qualidade maior da uva e, por isso, um retorno financeiro muito melhor”, garante.