Entrevista com Coordenador da Rede Análise COVID-19, Isaac Schrarstzhaupt

O cientista caxiense de dados Isaac Schrarstzhaupt, coordenador da Rede Análise Covid-19, realiza projeções sobre a evolução do vírus pelo Brasil.  Desde o começo da pandemia da covid-19 no Brasil, o cientista caxiense de
se dedica voluntariamente a esmiuçar a evolução do vírus pelo Brasil. Ele vem usando suas habilidades para analisar dados sobre o avanço da doença no Brasil e no mundo desde o dia 27 de fevereiro de 2020. No começo do mês de março, início da pandemia, fez uma projeção de que o Brasil chegaria ao número de quatro mil mortes diárias no final de abril. A nefasta marca parece estar bem mais próxima: há quatro dias seguidos o Brasil registra mais de 3,6
mil mortes diárias. As projeções dele têm sido balizadas pela realidade, mas com um agravante: o ritmo de contágio na vida real está um dia na frente da estimativa.
Ele é o que se pode chamar de cientista de dados, profissional especialista em avaliar e resolver problemas complexos para a tomada de decisões de empresas. Está na função há seis anos, quando começou a trabalhar com a análise de risco em projetos e com extração de informações de bancos de dados. Está longe de ter conhecimento médico sobre os riscos da infecção, mas sabe que os números não mentem e são fundamentais para dimensionar o impacto da covid-19 numa cidade como Caxias.
Inicialmente, Isaac queria entender o que estava acontecendo. Como interpreta muito mais facilmente o cotidiano a partir desse tipo de informação, não acredita em decisões baseadas apenas na intuição. Com a análise que constrói para a sua própria compreensão, sentiu que poderia ajudar a esclarecer a pandemia para o público. Antes do fatídico março, suas redes sociais estavam praticamente desativadas. Isaac resolveu publicar suas projeções com um viés educativo, demonstrando como os números estão andando ao longo dos dias.

Projeção Certeira
No dia 27 de março de 2020, sua análise apontou que Caxias teria 41 casos confirmados da covid-19 em 18 de abril — esse número foi alcançado dois dias antes. A estimativa para a mesma data era de que haveria oito pessoas internadas — na quinta-feira (16), Caxias tinha 11 pessoas internadas com sintomas da doença, entre
confirmados e suspeitos. Para criar os modelos matemáticos, Isaac Schrarstzhaupt utiliza o software
Geogebra. Na montagem dos painéis gráficos, apela ao programa Power BI, que também é gratuito. As fontes vêm das mais variadas formas. Geralmente, ele precisa criar à mão um dataset (termo para definir o local onde estão centralizados os dados), pois cada site disponibiliza de uma maneira.
Isaac dedica de três a quatro horas diárias para montar os painéis, conferir os dados e verificar se houve alguma modificação em relação aos dias anteriores. Em entrevista ao grupo de alunos disciplina do Projeto Audiovisual da FSG, o pesquisador gaúcho afirma que a quantidade de dias que dura uma quarentena é
importante, mas que é preciso ficar atento principalmente à mobilidade dos moradores. E quanto mais alto o número de infecções, mais dias de quarentena e mais restrições à mobilidade devem ser aplicadas.
Essa é a íntegra da entrevista concedida pelo pesquisador:
https://youtu.be/D2gsQ27W8Kg