O Impacto Psicossocial do Isolamento

Por Jamile Comin, psicóloga

Jamile Comin psicóloga

Pesquisando em revisões sistemáticas da literatura os efeitos psicossociais da emergência sanitária causada pela pandemia da COVID-19 percebi que estes também abordavam os temas do distanciamento e do isolamento social. Atentei para possíveis repercussões emocionais da experiência de enfrentamento de uma doença permeada por dúvidas, incertezas e desinformação. Teria a COVID-19, e as medidas sanitárias necessárias para sua prevenção, influência nas emoções e nos comportamentos das pessoas?
Diante de uma situação nova, há uma resposta emocional mais imediata, comumente de medo. Aos poucos, cada um vai desenvolvendo estratégias para lidar com a situação. Contudo, nem todas as estratégias são consideradas saudáveis e nenhuma delas irá evitar o surgimento de emoções como raiva, tristeza e até mesmo de nojo. Deste modo, é i portanto lembrar que as emoções são vitais no processo de entendimento de uma situação nova e que auxiliam na organização e na execução dos comportamentos. Ao invés de esconder as emoções, pense em alguém que lhe inspire confiança e com quem possa conversar, seja presencialmente, seja virtualmente. Não espere que a pessoa diga o que você deve fazer ou sentir, mas que ela poderá acolher as emoções que você está vivenciando sem julgamentos.
Lembre também de ser honesto sobre suas emoções com sua família. Este comportamento está associado com as possibilidades de dar e de receber ajuda. As emoções de medo e de tristeza variam de pessoa para pessoa. Algumas as sentem de forma mais intensa e também por mais tempo. Em alguns casos, podem se tornar quadros clínicos, chamados de depressão e de ansiedade. Se você perceber que os modos de enfrentamento não estão mais funcionando e as emoções negativas persistem e o impedem de realizar suas tarefas diárias, busque ajuda profissional. A atuação da Psicologia vai além da psicoterapia, podendo ofertar aconselhamento e intervenções breves, bem como encaminhamento para serviços de assistência e de saúde no sistema público. O importante é
compreender que o distanciamento/isolamento social não significa afastamento afetivo ou rompimento das relações interpessoais. Nutrir estas relações é algo necessário para a saúde mental.
Diferentes situações do cotidiano necessitaram, e ainda necessitam, de adaptações: cuidados com as crianças, cuidado com as pessoas mais idosas, aulas e trabalho remotos. Para que essas adaptações aconteçam é importante ouvir todos os envolvidos. Busque não resolver tudo sozinho/sozinha. Escute atentamente e busque contemplar as necessidades de todos, inclusive as suas. Nem sempre o distanciamento/isolamento social está ocorrendo nas melhores condições, físicas ou emocionais. Assim, situações de conflito acontecem, mas devem ser vistas como uma oportunidade de conversar sobre as rotinas familiares, escolares ou laborais. Comunicação é um dos pontos fundamentais para a modificação de comportamentos e de hábitos, e também para a saúde mental.
A emergência sanitária gerada pela pandemia da COVID-19 colocou todos diante de situações desafiadoras, gerando impactos nas emoções e nos comportamentos. No entanto, a capacidade adaptativa inerente a todas as pessoas tornou possível não somente a superação dos desafios como a emergência de soluções.