Técnicas de controle biológico de insetos na vinicultura

Com tantas mudanças ambientais acontecendo por todo o mundo, o efeito no campo é inevitável. Dentre tantas ações necessárias para um desenvolvimento mais sustentável, é urgente repensar as técnicas de controle de insetos, o que hoje, na maioria das vezes, é realizado através de pesticidas. Diante dos fatos, e buscando alternativas, um manejo que vem crescendo a cada dia é o controle biológico de insetos. Este método consiste na regulação de insetos-praga por inimigos naturais, podendo ser eles predadores, parasitóides e patógenos.
A utilização de predadores e parasitóides na vinicultura vem crescendo à medida que as técnicas de criação massal vão melhorando e os produtores obtêm o conhecimento sobre a eficiência destes pequenos artrópodes no controle de pragas. Hoje temos vários casos de sucesso envolvendo estes grupos, como os Crisopídeos e o Trichogramma spp.
Há poucos anos foi publicado um trabalho com a liberação de Trichogramma em uvas na região do Vale do São Francisco, para controle da traça-da-videira, Lasiothyris luminosa. Como resultado em campo, houve redução de 62% dessas lagartas e, também, de 60% da traça-dos-cachos, demonstrando assim o potencial de parasitismo desta espécie. Outro destaque é o predador Chrysoperla externa, que se alimenta de trips, pulgões e ácaros, que podem ser utilizados no MIP (Manejo Integrado de Pragas). Esses agentes biológicos são dispersados pelas cartelas protegidas em estufas, em áreas pequenas ou por drones, que fazem a liberação em escala maior, garantindo
a eficiência do controle biológico.
O controle biológico está chegando ao mercado para ficar e, a cada novo estudo, os manejos e a tecnologia de aplicação abrirão espaços para uma produção mais justa e ambientalmente correta. Os produtores que se atentarem a essas mudanças e buscarem conhecimento para se adaptar, sairão à frente nessa corrida por alimentos com menos ou zero resíduos de agrotóxicos.