BioAs Tecnologia de Bioanálise de Solo

A grande vantagem da tenologia BioAS é que as enzimas são mais sensíveis que indicadores químicos e físicos, detectando com maior antecedência alterações que ocorrem na saúde do solo, em função do seu uso e manejo. Foto: Divulgação

O ativo BioAS é uma tecnologia que agrega o componente biológico, que é a base da saúde do solo. Consiste na análise das enzimas arilsulfatase e beta-glicosidase, associadas aos ciclos do enxofre e do carbono, respectivamente. Por estarem relacionadas, direta ou indiretamente, ao potencial produtivo e à sustentabilidade do uso do solo, essas enzimas funcionam como bioindicadores e ajudam a avaliar a saúde dos solos. Nos últimos anos, a importância do
componente biológico para a manutenção de lavouras saudáveis e sustentáveis, tem sido cada vez
mais percebida pelos produtores.
Desenvolvida pela Embrapa Cerrados, a tecnologia BioAS consiste na agregação de parâmetros relacionados ao funcionamento da atividade biológica do solo associado às análises químicas atualmente disponiveis. Em seu estágio atual, a tecnologia está formatada para atender áreas sob cultivos anuais de grãos no Cerrado, abrangendo em torno de 35 milhões de hectares.
Os resultados demonstraram que duas enzimas (arilsulfatase e glicosidase), em conjunto ou separadamente, permitem detectar alterações no solo, em função do sistema de manejo adotado. A grande vantagem da tenologia BioAS é que as enzimas são mais sensíveis que indicadores químicos e físicos, detectando com maior antecedência alterações que ocorrem na saúde do solo, em função do seu uso e manejo. Em função da demanda, há a disponibilidade da Embrapa em ampliar o uso da tecnologia da área de grãos do Cerrado para outras regiões produtoras brasileiras e sistemas de cultivo empregados, como é o caso da videira cultivada na região de clima
temperado.
A utilização do BioAS, como forma de aferir a saúde do solo, poderá trazer diversas vantagens:
a) facilitará a inserção do sistema de produção vitivinícola realizado na região de clima temperado na bioeconomia, contribuindo para a agregação de valor aos produtos;
b) os viticultores poderão oferecer um produto diferenciado, comprovando que as práticas de manejo adotadas em suas propriedades permitem a manutenção/melhoria da saúde do solo, valorizando as terras e garantindo a preservação desse recurso para as gerações futuras;
c) pode ser utilizado como ferramenta de política pública, incentivando a adoção de práticas agrícolas sustentáveis nos municípios e/ou mesorregiões;
d) pode ser minimizado o declínio e morte de plantas de videira, caso as associações quanto a saúde do solo x declínio sejam comprovadas.
É importante destacar que a Organização Internacional da Uva e do Vinho, na sua última deliberação, incluiu a biodiversidade junto com as práticas enológicas, as indicações geográficas e as boas práticas agrícolas como balizadores das novas demandas prioritárias para o setor. No que diz respeito à biodiversidade, os Estados-Membros da OIV reconheceram que “os microrganismos são indicadores potencialmente precoces da influência de fatores externos na biodiversidade geral dos vinhedos”, devendo os Estados membros preverem e incentivarem o desenvolvimento de políticas de avaliação da qualidade e abundância microbiana nos solos cultivados com videira. A tecnologia BioAS apresenta potencial e pode ser uma excelente alternativa para alavancar o uso da biodiversidade nos vinhedos, ampliando a qualidade dos solos e a sustentabilidade da atividade vitivinícola em regiões de clima temperado. Parcerias estão sendo formalizadas para disponibilizar essa tecnologia aos produtores.